Guerreiros Dragões e os Portais da Morte
1 PRÓLOGO
Notas iniciais
GUERREIROS DRAGÕES E OS PORTAIS DA MORTE
“O desespero mostra a verdadeira face das pessoas” Diário de Trévor, página 21
PRÓLOGO
Já lutei muitas guerras nessa vida. Já cai e já me levantei. Já fiquei sem forças, já amei e já odiei. Foi então que eu percebi, num daqueles poucos momentos de lucidez ou de desespero que a vida nos traz. Esperança é um conceito criado por fracos, que esperam que seus problemas se resolvam como mágica. Todos aqueles que não tem a coragem necessária dentro de si pra serem heróis de suas próprias vidas, dia pós dia clamando desesperadamente por um salvador.
Eu olhei em seus olhos. Estavam carregados de puro ódio, e sua cor era negra como as trevas que manipulam o universo. Trévor já não era mais o amigo que há muito conheci, me recuso a acreditar que aquele monstro era ele. Graças à minha fraqueza, e para a minha vergonha eterna, eu falhei em derrotar Trevor.
É lei marcial quando chego ao meu lar, não nos resta nada a fazer para impedir. Estamos evacuando nosso planeta que em breve será mais um prestes a explodir, condenado a danação flamejante. E tudo por culpa do meu fracasso. Imploro a vocês que me perdoem, se puderem. Sinto-me envergonhado.
No andar mais alto da fortaleza de nossa família meu pai está inquieto e me alerta sobre os perigos, se preparando ao trajar sua armadura feita da mais pura magia, juntando energia própria e dos outros para se fortificar. O vejo juntando suas armas, dando ordens, tentando entender o que ele pretende fazer agora já que a batalha foi perdida. Resolvo colocar um pouco de racionalidade em sua cabeça.
— Meu pai, é exílio! Sei o quanto dói ter que abandonar nosso planeta, mas devemos sair antes que ele chegue, ou nossa raça também enfrentará a extinção. Venceremos várias batalhas, mas essa não será uma delas.
— Me pede para desistir? Não. Nunca. Não aceitarei isso de ninguém, muito menos do meu filho. — Ele me olha com cara de repulsa, desgosto no olhar. — Se quer chorar, chore depois num canto qualquer, só que agora você vai ajudar na evacuação dos civis. Temos milhares de naves. Diga a todos para entrarem nos círculos de teletransporte e tire-os daqui.
— Diga-me que não fará o que penso, eu imploro. Diga-me que não pretende lutar com ele!
Ele se vira em minha direção com um olhar agora carregado de tristeza, sem me dizer uma única palavra. Na mesma hora, apenas por ler seus olhos eu pude entender.
— Pai, por favor, me escuta... não faça isso! Vamos fugir, podemos nos organizar num lugar seguro e planejar um novo ataque. É nossa melhor opção.
— Não podemos fugir dos problemas para sempre, sabe? Quando temos uma chance, não podemos deixar passar. Um dia espero que entenda que a única forma de resolver os problemas é encarando-os de frente. — Ele coloca a mão em meu ombro, determinado a me passar a lição mais importante da minha vida. — Não quero que se culpe por ter falhado, quero que se orgulhe por ter tentado! Cuide do nosso povo, não importa se não acredita mais em si mesmo, apenas seja o símbolo de esperança que eles precisam.
Por sua voz pude sentir sua determinação, forte como aço. Os mais aptos à magia de nosso povo formaram um círculo em volta dele, transferindo toda energia que conseguiam drenar de seus corpos para que o poder do meu pai se elevasse. Em determinados instantes até mesmo seus olhos brilhavam num branco puro como estrelas binárias, carregados de energia.
— Uma vida... — Diz ele, se concentrando pra que sua resistência fosse maior que sua dor. Era poder demais, uma quantidade que poderia explodir um corpo frágil. — Por uma raça. Minha vontade era de impedir, trocar de lugar com ele, mas eu jamais conseguiria. Não sei dizer se foi covardia da minha parte, se foi um simples fio de esperança que me tornava aquilo que eu mais abominava: um fraco. Simplesmente fiz o que fui mandado para fazer, tomando a proteção do nosso povo como meu dever. A evacuação durou cerca de vinte minutos, e mesmo com o temor geral, nenhum dos meus irmãos de raça colocou sua necessidade acima dos outros, com dez de cada vez, que era o limite por portas, embarcando. Cada nave tinha espaço pra mais de 100 ocultianos, e tínhamos muitas naves. A mais rápida de nossa frota havia sido meu presente de formatura, quando me tornei um membro da Patrulha Interestelar. Mas isso foi há muito tempo, em épocas melhores, quando eu era mais jovem e mais ingênuo do que sou hoje, porém menos quebradiço.
Dizer adeus ao meu pai foi uma das coisas mais difíceis que já tive que fazer na vida. Não trocamos nenhuma palavra naquele momento, mas só o abraço foi o suficiente pra que lágrimas brotassem dos meus olhos. Era admirável sua alma inabalável.
Ao entrar em minha nave eu faço um sinal a meu pai, desejando-o força, com a mão direita batendo no peito esquerdo, num adeus definitivo. Com o capacete firme em suas mãos, posso ver toda a serenidade em seus olhos cinzentos quase se transformar em lágrimas, assim como seus cabelos brancos sendo soprados pela brisa causada vinda ignição das naves. Mas seu olhar muda num último instante, ficando extremamente sério. A minha volta estavam apenas olhares carregados de angústia enquanto o portal da nave vai se fechando.
A beleza daquele planeta era imensurável, repleto de florestas e cachoeiras de água pura e cristalina, com nossas fortalezas de ouro e prata se erguendo por metros de altura, tocando as nuvens. Quem olhasse pra ele nessas condições nem imaginaria o
quanto meu povo sofreu para se libertar de antigas tiranias, muito antes de Trévor e até mesmo de Exodus.
Visto de fora, Ocultus era um planeta tão verde, branco e azul, que apenas uma visão daquilo poderia transmitir uma paz resplandecente, mas não hoje.
Já estamos saindo da atmosfera de Ocultus, onde dezenas de naves carregam os poucos sobreviventes dessa guerra cósmica que consumia o universo lentamente, como uma doença consome um corpo. Da atmosfera pude testemunhar nosso planeta se deteriorando, e essa visão atormentadora só é interrompida por algo ainda pior, aquele que causa morte e do caos pelas estrelas. Parado de forma imponente, com os braços cruzados e aquele olhar sombrio nos encarando. Trévor, o Cavaleiro Negro. Trajando sua lendária armadura negra e presa à ela sua capa sombria, partes dela rasgada, em sinal de sua decadência. Parada em suas costas estava Caos Draconis, sua espada lendária, com aquele pentagrama invertido cravado nela, a lâmina enferrujada e o cabo repleto de espinhos. Seu olhar ainda era o mesmo: Um poço de ódio eterno mergulhado num lago de sangue e fogo. Então de suas mãos pálidas, feixes escuros de energia surgiram, e os mesmos atingiram várias naves, atravessando seus cascos de metal. Mais uma vez vi pessoas inocentes morrendo, como se meus olhos já não tivessem assistido tragédias o suficiente. Era hora de abandonar meu medo e agir.
Mas antes que eu pudesse mover qualquer músculo em defesa do meu povo, meu pai aparece naquela imensidão cinza das nuvens, atingindo Trévor em cheio num golpe de seu punho, lançando-o nas montanhas de mármore que são logo destruídas pelo impacto. Antes de partir para o seu confronto épico, ele cria uma gigantesca barreira protetora para o resto das naves e assim conseguimos partir dali, dando tempo apenas de vê-lo impedir Trévor de nos alcançar, se colocando na frente do cavaleiro.
Dentro de poucos instantes vemos Ocultus ir se despedaçando, suas pedras flutuando pelo vazio do espaço.
Escapamos dali e por pouco não fomos atingidos pelos asteroides formados pela luta dos dois, uma luta que tomava proporções absurdas.
Quando alcançamos o planeta vermelho, vizinho mais próximo de Ocultus, inicia-se uma explosão que varre nosso lar, deixando pra trás apenas pó e uma faixa de asteroides.
Nem sinal de meu pai ou de Trévor. Estávamos seguros. Nossa segurança estava garantida pelo sacrifício altruísta do meu pai, que com prazer deu sua vida para que as nossas pudessem continuar.
Naquele dia, mesmo de luto, não pudemos iniciar um funeral digno em memória de todos os irmãos que morreram, apenas desejamos, de coração, que suas almas fossem bem recebidas, pra onde quer que fossem. Era hora de recomeçar.
Foi aí que finalmente aprendi, o conceito de esperança não precisa ser real pra mim, desde que seja para os outros. Aceitei o fardo que o destino reservava pra mim, pois é justamente esse conceito que mantém o resto do universo girando...
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INTRODUÇÃO
5.000 anos atrás, o tecido da realidade foi inexplicavelmente danificado, formando buracos entre as dimensões. Desses buracos saiam demônios, de uma dimensão até então desconhecida, que passamos a chamar de inferno. Os invasores tomavam territórios, pilhavam, traziam uma religião profana e costumes bárbaros, em total desrespeito com os nossos.
Foi então que se iniciou uma guerra entre as estrelas. Eles eram liderados por Exodus; o primeiro demônio, comandante dos exércitos do inferno, que estava conquistando planetas e escravizando raças inteiras. Três cavaleiros então surgiram dos confins do universo para dar fim à essa era de agonia, e com suas espadas lendárias eles acabaram com essa guerra, banindo todos os demônios de volta e fechando os portais dimensionais.
Algum tempo depois, Trévor, um dos cavaleiros, corrompeu-se e quis destruir tudo pelo que havia jurado proteger. O herói caiu em desgraça.
Como sua última cartada, o conselho universal convocou os seres mais poderosos do universo, denominados de Guerreiros Dragões, que tempos depois conseguiram selar Trévor num dos portais dimensionais. Mas nada é pra sempre, e chegará um dia que precisarão ser reunidos de novo.
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