Guerreiros Dragões e os Portais da Morte
2 O Despertar do Dragão
Planeta Terra. São Paulo, 12 de Fevereiro de 2010.
Em sua cama, um garoto franzino de 13 anos acorda assustado, com sua respiração acelerada e o olhar perturbado. Leva a mão até sua testa, limpando seu suor frio, tentando se acalmar e voltar à realidade.
Tudo que sabe é que acaba de ter um pesadelo envolvendo guerras. Vê rostos e ouve nomes, mas não sabe o que era, nem quem são esses seres. Ele estava lá, ele presenciava seus companheiros serem mortos um a um, com poeira cobrindo o campo de guerra, sangue no chão e gritos no ar.
Ao contrário dos outros pesadelos que já tinha tido em sua vida, esse não queria sumir de sua memória, por mais que tentasse esquecer.
Era um ambiente rochoso, hostil, muito diferente de seu confortável quarto onde passava a maior parte de seu tempo, já que tinha poucos amigos.
O barulho de seu grito despertador alarma seu pai, que sobe correndo para o quarto, entrando assim que a porta automática se abre. Ele se aproxima preocupado, visível até mesmo em sua voz, que costumava ser calma.
— Filho! O que aconteceu?
O garoto o olha, pálido com o choque, tremendo de dor. Uma dor insuportável que passava por seu corpo, sinalizando seu sofrimento durante a noite, rebatendo-se desacordado, como se milhares de lâminas o perfurassem ao mesmo tempo. Mas ele não gostava de incomodar os outros com seus problemas, por isso não se sentia confortável em dividir aquilo, mesmo que fosse com seu pai. Após um longo período, decide responder a pergunta.
— Tive outro pesadelo... — Diz baixo, esforçando-se para falar, tentando não ser um fardo. — Mas está tudo bem.
— Claramente não está. Qual foi dessa vez? O mesmo?
O jovem nada responde, apenas encara o piso de madeira de seu quarto.
— Kevin. Quero te ajudar, mas preciso que me ajude. Preciso que confie em mim. Era o mesmo?
— Sim, o mesmo, só que mais nítido. Era tão real! Tinha tantas criaturas deformadas e violentas banhadas de sangue, e... — Seus olhos se fecham, querendo esquecer daquilo. — E elas me mataram. As lâminas me atravessavam, pai. Várias e várias vezes. — A dor da lembrança quase faz com que chore, mas Kevin se acalma para que não torne o momento vergonhoso. Era quase um homem feito, seu primo Will gostava de lembrar. — Eu parecia estar lá, definhando no chão, as pessoas falavam comigo, me acalmando. Três delas tinham armaduras que se destacavam naquele exército. Eu não parava de ouvir um grito ecoando, acho que era Trévor.
Tinha algo naquele nome que não trazia conforto ao ser pronunciado. Era como dizer "Hitler", ou "Lúcifer".
Kevin nunca tinha falado tanto sobre um problema pessoal antes, mas sentia que era bom tirar aquilo pra fora, dividir com alguém que confiasse. Relatar seu sonho não melhoraria as coisas, mas o deixava menos tenso.
Os sonhos estavam cada vez mais freqüentes e assustadores, reais como se fossem antigas lembranças. Mas não podiam ser dele, Kevin era só uma criança. O mundo, até onde sabia, estava em paz. A última guerra entre nações havia sido travada alguns anos atrás no Oriente Médio, e diferente de seu sonho, nessa guerra as pessoas portavam somente armas de fogo. Nada de espadas e outros tipos de armas brancas, que não eram usadas desde a Primeira Guerra Mundial, quase 100 anos atrás. Isso era muito antes do nascimento do jovem garoto. Aquilo deixava seu pai inquieto.
— Filho, essa não é a primeira vez que você acorda gritando e estou seriamente preocupado com sua saúde. Vou marcar uma consulta ao psicólogo pra você hoje mesmo, depois da escola.
— Já fui atendido por vários charlatões que compraram o diploma. Acha mesmo que tentar isso de novo vai ajudar?
— Acho. Sei que as outras consultas não foram satisfatórias, mas essa vai ser diferente. Tenho um grande amigo que é psicólogo, boa reputação, voltou pro Brasil esse mês. Confio nele. Sei que vai te ajudar.
— Então, tudo bem. Mas ainda vou checar se o diploma dele não é falso, quando ele estiver distraído ou ausente.
Seu pai ri. Fazer um comentário desses era sinal de que ele estava melhorando.
— Daria um bom detetive se fosse um pouco mais velho. Mas me diz, se sente melhor? Acha que pode ir à escola hoje? Pode tirar o dia de folga, se quiser. Ficar em casa descansando, jogando.
— É tentador, mas não. A escola é uma droga mas eu gosto de estudar.
— Uau. Coisa rara ouvir isso de alguém da sua idade. Em pensar que no ano passado você não teria pensado duas vezes em ficar. Você mudou, Kevin.
Seu pai se levanta da cadeira ao lado de sua cama, onde o garoto se sentava para usar o computador. Antes de sair, ele volta o olhar, tentando erguer a autoestima do filho.
— Confio em você também. Não se deixe abalar pelos problemas. Você é maior que todos eles.
Kevin concorda, sai da cama e vai se vestir para o primeiro dia de aula. Os anos escolares não têm sido bons pra ele, desde mais novo alguns estudantes o perseguiam e o humilhavam, sem motivo aparente. Kevin era fraco, mas um dia resolveu se levantar e lutar contra isso. Desde que começou a revidar ele não tem tido esses problemas, mas ao se envolver em brigas acabou criando novos. É um círculo de ódio vicioso. Ele sai do quarto e desce as escadas com a mão esquerda no corrimão, imaginando como esse ano seria. Era um garoto magro e de estatura média, mas era rápido pra sua idade. Rosto fino, cabelos castanhos curtos e bagunçados formando uma pequena franja de pontas desiguais, e abaixo dela os seus olhos azuis escuros com a cor do oceano.
Planeta Spectrum – 516 bilhões de anos-luz da Terra
Um garoto está em seu treinamento numa sala escura, iluminada apenas por candelabros contendo fogo. Ele maneja sua espada, chamada de Flama do Caos. Cinza e vermelha, com um rosto de demônio cravado entre sua lâmina e o cabo. Ele mira em seus alvos, tão resistentes quanto diamantes, mas sua Flama os corta como se fossem papel. Ele abre seus olhos, são vermelhos como o fogo que ele controla. Alguém se aproxima sem dar algum sinal de sua presença, deixando-o em alerta. Ele estende sua mão direita e lança uma quantidade grande de fogo em direção do ser que estava chegando. As chamas se extinguem antes mesmo de tocarem nele.
— Pri-Príncipe Meric. Por favor, não me mate, só vim lhe entregar um aviso.
— Você entra sem avisar e quase morre! Deveria ter se anunciado antes. Sabe que assassinos conspiram para nos matar. O que pensa que tá fazendo aqui?
— Perdão, senhor. Seu tio Draco quer que você parta imediatamente para o planeta Terra, ele disse que o assassino de sua mãe foi localizado ali. As informações estão todas na sua nave.
Meric fica sem reação, um frio de ansiedade passa por sua barriga. Finalmente ele iria obter sua vingança, poderia matar o assassino sua mãe. Ele esperava isso durante muito tempo, por isso dedicava-se tanto ao treino. O príncipe coloca sua espada na bainha localizada em suas costas, saindo dali imediatamente e passando por seu servo, com um olhar sério e determinado, porém sádico.
— Prepare minha nave. Quero 20 soldados nela. Não precisa mandar mais nenhuma nave me acompanhar, 20 imbecis já são o suficiente pra atrasar quem entrar no meu caminho. Ah, e mande 10 prostitutas. Não quero ficar entediado na viagem.
Príncipe Meric sai do recinto soltando uma risada infame e sádica. Era assim que ele agia: Às vezes frio e sério, às vezes rindo como um psicopata. Era um verdadeiro enigma ambulante.
Ele entra em seus aposentos, preparando suas roupas para a viagem. Capas, armaduras, botas. Todas as peçam de seu vestuário tinham apenas três cores: preto, simbolizando seu pai por quem tinha grande respeito; vermelho, simbolizando seu poder flamejante; e cinza, simbolizando sua sede de vingança. Em minutos estava pronto pra partir, deixando pra trás apenas uma carta para sua prima Melissa, explicando o porquê de sua partida tão repentina.
A brisa de seu planeta sopra sua capa negra. O céu como sempre estava escuro, nublado. Não haviam dias chuvosos ou ensolarados em Spectrum, era apenas nublado na parte do dia e escuro na parte da noite. Seu dia durava 10 horas terrestres, já sua noite durava 40.
Meric entra na nave, apelidada por ele de Asteroide Negro. Ela já pertenceu a seu primo Shadow, antes do mesmo perecer na última guerra. É conhecida como a nave mais veloz e mais mortal do universo, podendo cruzar galáxias em menos de um dia. Dentro da nave os 20 soldados mais mortais do planeta, enviados especialmente por seu tio Draco. Eram habilidosos e fortemente armados, mas nenhum sequer alcançava o nível de força e poder de Meric, que era assombroso. Todos os soldados, servos e camponeses do planeta eram completamente leais e submissos aos membros da família real, dariam sua vida se fosse preciso salvá-los se fosse preciso, ou se eles simplesmente ordenassem tal coisa.
Ele passa por meio dos seus soldados, que formam duas filas nos extremos direito e esquerdo da nave demonstrando respeito ao seu senhor, formando assim um caminho livre no meio para que o mesmo passasse.
Dentro dos aposentos do príncipe na nave, as 10 melhores prostitutas da galáxia contratadas para saciá-lo e ajudá-lo a passar seu tempo.
Todos que nasciam em Spectrum tinham a pele branca num tom mais bronzeado e os cabelos negros, características padrão da raça. A cor dos olhos variavam de acordo com a motivação e o propósito de vida do spectrano. Cada um tinha uma cor, cada um tinha um propósito. A cor dos olhos de Meric era vermelha como sangue. O sangue das pessoas que ele desejava matar, pois o garoto vivia apenas pra isso.
— Bem vindo, príncipe Meric. – Diz uma das prostitutas se reverenciando, com o resto das nove fazendo o mesmo ao lado dela. — Estávamos esperando o senhor ansiosamente. Aceita algo para beber?
— Sem cerimônias, suas vadias. As únicas que irão beber aqui serão vocês. Mal entrei na nave e já estou ficando entediado.
Ele sorri e caminha lentamente até elas. Elas sofrerão por algumas horas com o sadismo de seu príncipe, e pelas constelações seus gritos femininos poderão ser ouvidos implorando piedade. Mas Meric não tinha nenhuma piedade.
Planeta Terra – Academia Poseidon
Kevin sai do ônibus escolar acompanhado de seu irmão Calisto, e seu primo, Wilson. Ambos trajando o uniforme, que era uma camiseta branca social de mangas curtas, com o símbolo da escola no peito; uma gravata preta e uma calça também preta. Era regra da escola usar o uniforme, até pra ajudar na identificação do estudante, assim como manter a disciplina. O símbolo da escola era um escudo com quatro divisões: Uma águia representando a sabedoria; um livro representando a leitura; uma espada representando a coragem; e um violão representando a música.
Will era mais alto dos três, dois anos mais velho e também mais forte que seus primos. Ele adorava tirar sarro de tudo, costumava vestir uma faixa azul em sua testa e seus cabelos loiros eram tão arrepiados que lembravam relâmpagos. Os olhos dele eram roxos numa tonalidade mais escura, eram “hipnotizantes” segundo as várias garotas que ficavam com Will, todos inclusive achavam que o garoto usava lentes de contato. Já Calisto era o mais baixo do trio, tímido e tinha cabelos dourados e penteados para o lado, abaixo deles os olhos cor de mel que por vezes pareciam amarelos, um nariz arrebitado e lábios finos.
A academia Poseidon era um lugar bonito, considerada a maior escola de São Paulo.
A área principal continha um grande prédio com todas as salas de aula, salas dos professores e sala do diretor. A área de leitura tinha uma biblioteca e uma sala com vários computadores. Na área de esportes havia um campo de futebol, um ginásio e uma piscina. Também tinha uma enfermaria na ala inferior escola.
Dava pra ver bandeiras do estado e do país, junto com o símbolo da escola por todos os lados, assim como gárgulas cinzentas nos edifícios.
— Cara, essas gárgulas dão medo! Me sinto como se estivesse em Gotham City. Quem teve a ideia de colocar isso numa escola?
— Isso não é medo Calisto, vai por mim. Isso é falta de mulher. – Diz Will, debochando sobre a dificuldade do primo de conseguir uma namorada.
— Deve ser muito bom ter várias ficantes, não? Mas não ter tem suas vantagens também. Quero ver quem vai rir quando você acabar engravidando alguma.
Os três riem. Caminham com certa pressa até o prédio principal, onde as aulas começariam em 20 minutos.
Uma garota passa por eles, parece apressada. Ela é loira, tem algumas mechas vermelhas no cabelo. Olhos verdes, serenos e expressivos em sua face rosada e angelical. Era certamente uma das mais lindas da escola, onde vários alunos nutriam algum afeto platônico. Seu nome era Katie Angel Alighieri, descendente de italianos por parte de seus avôs paternos.
—É... Kevin! Por falar em namorada... – Wilson ri da vermelhidão no rosto de seu primo.
—Ex-namorada, seu palerma. Eu já te pedi umas mil vezes pra parar de falar sobre isso.
—Disseram que ela ta andando com o Troy, aquele merdinha mimado deveria era voltar pro país dele.
—Falou o cara que veio de outro planeta. – Completou Calisto, rindo de seu primo.
Kevin tenta desviar do assunto. Falar sobre sua ex o incomodava bastante.
—Vocês tão lendo alguma coisa ultimamente? Eu terminei “Guerra Civil” ontem. A Marvel quando quer, sabe fazer uma obra-prima. Que saga foda!
—Maior porcaria que já li Kevin.
—Você só ta reclamando por que zoaram com seu personagem favorito, aquele bebum inútil.
—Aquele bebum inútil já pegou mais mulher do que você jamais vai pegar na vida!
—Sendo um personagem fica fácil... – Pensa Kevin, discretamente.
Os três entram na sala ainda com poucos alunos presentes. Katie está sentada lendo um livro, “A Divina Comédia”, o livro favorito dela. Foi o presente de namoro dado por Kevin quando completaram 1 ano, quando ainda eram felizes juntos. Ele passa por ela, olhando a garota. Surge uma rápida troca de olhares até ela desviar a atenção para o livro novamente, de maneira séria. Ela gostava de ficar sozinha com seus livros e evitava qualquer contato na escola a não ser de seu irmão.
Kevin andando distraído e acaba esbarrando em alguém. Era Troy, o mauricinho que Will havia mencionado mais cedo. Com um olhar de desprezo, ele empurrava Kevin.
—Olha por onde anda nerd imbecil. Quer perder os dentes?
Kevin foca seu olhar raivoso em Troy e prepara seu punho, mas é impedido por seu primo. Com a mão no ombro de Kevin, Will evita mais uma tragédia.
—Não vale a pena, cara... Não vá sujar suas mãos com merda. E você, seu pedaço de merda, cai fora! Ou vou usar sua cara pra esfregar o chão.
A ameaça era direta e Will era o único da academia que Troy temia. Ele era mais alto, mais esperto e mais forte que Troy. Ele não ousaria enfrentá-lo de novo, porque quando tentou foi humilhado na frente de toda a escola, perdeu dois dentes. Wilson é meio piadista, mas sempre ficava sério para proteger sua família.
Troy sai dali com um olhar furioso cravado sua face e em seus olhos verde musgo. Era covarde pra se vingar de alguém mais forte que ele, tinha outros planos.
Todos se sentam, já os garotos como de costume ficam no fundo da sala. Katie se senta na fileira do meio, mais precisamente na frente, e Troy fica duas carteiras atrás dela para tentar se aproximar dela, mas ao contrário da maioria das garotas da escola, Katie não demonstrava nenhum interesse nele. Ultimamente tem sido mais solitária que o normal, se isolando das pessoas.
Ela é uma poderosa telepata e podia fazer tudo relacionado a mente como manipular a mente alheia, mover objetos, destruir pequenas coisas só piscando os olhos. Era realmente muito promissora ainda em seus 14 anos. Desde que descobriu seus poderes ela começou a se isolar de todos. Ela viu as partes obscuras escondidas na mente das pessoas, viu a verdadeira natureza humana e se decepcionou. Mas no fundo ela ainda tinha certa esperança, ainda acreditava que a raça humana tinha alguma salvação.
A aula começa assim que o professor entra, todos se calam e prestam atenção as boas vindas do começo do ano letivo. Aqui os professores são respeitados, assim como os alunos.
Longe dali, no subterrâneo da casa onde Kevin morava, um elevador leva seu pai até um lugar secreto, abaixo da mansão. Era um local amplo, dividido em três partes. Uma delas tinha vários aparelhos tecnológicos, onde sua tecnologia era séculos a frente da terrestre. Na outra, as salas de treinamento. Na última ficava uma sala de armas, dentro dela, um poderoso segredo selado.
O elevador se abre, ele caminha até a parte tecnológica do esconderijo. Abre a porta, dentro tem um papagaio o esperando, na frente de um enorme monitor.
—Harry, oque aconteceu? Pela mensagem parecia algo sério.
—Recado da Patrulha Interestelar. Um prisioneiro perigoso escapou, acharam várias naves em sistemas solares diferentes destruídas a caminho daqui e sem sobreviventes. Bórys mandou avisá-lo se por acaso prendermos ele. Já que você é o guardião desse sistema solar... A missão é toda sua.
—Engraçadinho.
Harry passa o relatório sobre o prisioneiro que escapou.
—Incompetência existe até no espaço... tsc. Me avise se os satélites captarem algo. Vai ser bom dar uma surra num criminoso, to precisando desenferrujar.
—Vai usar a armadura como antes?
—Não, ta brincando? Não uso ela pra qualquer luta. Vamos precisar refazer meu uniforme G.D, e preciso de algum dispositivo de invisibilidade também.
—Essa sua obsessão em se esconder dos humanos é louvável. Mas e as crianças? Vai treinar eles como seu pai treinou você?
—Não quero essa vida pra eles, por que viver assim é pedir pra morrer. O que meu pai fez foi diferente, eu precisava aprender a me defender sozinho no meio daquele caos... Agora que estamos em tempos de paz, não vejo mais essa necessidade.
—Então meu amigo, vamos torcer pra que não se inicie uma guerra novamente.
—Não vai, não enquanto eu estiver vivo. — Ele sorri confiante — Tenho fechado todos os portais da morte há décadas. Faz séculos que demônios não são vistos no universo.
—Seus pais, assim como a Elektra e a Hanna ficariam orgulhosos com você.
Eu sei. Enfim Harry, preciso ir. — Diz ele andando até a sala de armas, parecia estar procurando algo. Ali estava no final do corredor, o maior tesouro de sua coleção. Guardado num armário com portas transparentes, como se estivesse numa exposição num museu. Seu uniforme G.D. usado em tempos de guerra, em lutas menos gloriosas. Era azul, com luvas e botas vermelhas, uma capa branca. O símbolo no peito, era uma estrela explodindo, personificando quão poderoso era seu grupo. O grupo que acabou com a última das guerras selando Trévor no inferno. Os Guerreiros Dragões.
Ao lado do uniforme e dentro de um vidro estava uma espada. Tinha contornos verdes no cabo e um "E" no meio, uma asa branca de todos os lados da espada, pouco antes da lâmina prateada. Excalibur, a única espada existente no universo que mata demônios.
—Venci muitas batalhas com você, não é companheira? Pronta pra mais uma?
A espada brilha como se tivesse vida dentro dela, aparentemente entendendo o que ouvia.
De volta a academia Poseidon, os garotos estavam na aula de educação física. A área de esportes era como o castelo de Troy, todos os outros atletas o respeitavam e obedeciam. Ele não deixaria barato a intimidação que sofreu mais cedo.
Mandou que todo o time de atletas composto por 50 estudantes ficassem a postos, enquanto um deles trancava o portão de acesso a área de esportes assim que Kevin entrasse. Ele já desconfiava dos planos de Troy pra se vingar e foi sem medo. Alguns passos a frente e lá estava ele, sentado numa cadeira como se fosse seu trono cercado pelas líderes de torcida e seu grupo de 50 capangas assim como alguns estudantes permitidos para ver o show. Troy precisava ser visto realizando sua vingança, assim como todo palhaço precisa de sua platéia. Ele gostava de humilhar as pessoas em grupo, pois achava que assim iria impor respeito aos demais.
— Está perdido, nerd? A sessão dos virgens é pra lá. – Ele aponta em direção a biblioteca.
A maioria caiu na risada. Troy era odiado na escola, mas seu sobrenome exercia poder na cidade. Seu pai, um magnata bilionário, era dono ou acionista majoritário de metade das empresas. Metade dos bons empregos na cidade. O medo de ter os pais desempregados, de ir à falência, os fazia escravos psicológicos de Troy.
— Então você está no lugar certo, cara. A sessão dos gorilas sem cérebro. Que foi? Os caras do zoológico não te deram banana hoje?
A risada do público foi maior ainda, não conseguiram evitar. Aquilo deixou Troy furioso, fazendo-o se levantar de sua cadeira e chutar com força uma bola de futebol no rosto de Kevin, que a pegou milésimos antes de acertá-lo. Seu reflexo impressionou a todos, alguns até batiam palmas ansiosos para o início de um espetáculo.
— Esse ano vai ser bom hem? – Disse um dos atletas, num tom baixo e empolgado ao mesmo tempo, com todo cuidado para que não fosse ouvido.
— Alguém me disse uma vez que não devo mexer com merda. Vou seguir esse conselho, porque não quero sujar minhas mãos. — Kevin se vira e vai andando calmamente pra longe dali.
— Sabe esquisitão... que esses dias eu beijei aquela sua ex, a loira. Aquele gostinho de morango e o cheirinho de pêssego. Ela implorou pelo meu beijo...
Kevin fica parado, seu coração dispara e sua temperatura corpórea sobe. Troy havia tocado na ferida.
— Cara, que boca é aquela. Ela certamente sabe usar. Imagino que a vagabunda não tenha feito isso em voc...
Troy é interrompido por um soco direto na boca, que deixa o garoto temporariamente tonto, sem senso de direção. Kevin então começa uma sequência de socos no rosto dele, dois dentes caem com o gancho de direita, acompanhados por gotas de sangue. Socos na barriga o fazem perder todo o oxigênio e babar mais sangue. Um chute giratorio vem sem avisar, quase fazendo com que desmaie. Kevin está descontrolado pelo ódio.
— Hoje você vai dormir na mesa do IML, seu filho da puta!
Um soco lança Troy a dois metros dali. No chão, tenta recuperar o fôlego e o raciocínio, abismado com a força daquele garoto magrelo que nem sequer praticava espoetes. Um brutamonte musculoso de 1 metro e 70 apanhando pra um nerd franzino de 1 metro e 60 de altura. Isso era humilhante demais pra acreditar.
Troy corre em “zig-zag” para sua vingança, tentando o acertar com algum soco ou chute. Todo atordoado, erra todos os golpes, parecendo até algum bêbado pelo jeito que se movia. Sem opções, ele convoca o resto do time por meio de um apito. Em instantes os 50 jogadores se levantam a mando de seu líder, enquanto o mesmo limpava a boca suja de sangue.
— Meus dentes, porra! Time! Quero que quebrem a coluna desse pedaço de bosta!
Os 50 vão em direção a Kevin como se fossem um exército, furioso e descontrolado. Ele, por sua vez, toma uma pose defensiva de alguma arte marcial. Com sua habilidade consegue derrubar dois, mas é contido por um grupo e leva vários socos e chutes. Os golpes não pareciam lhe dar muita dor, já que não sangrava e nem ficava roxo.
Sozinho, se levanta daquela montanha e chuta um por um como pinos de boliche, lançando-os no chão e golpeando Troy em seguida.
Vários vão chutando o garoto enquanto o mesmo socava seu líder, parecendo-se mais com uma fera descontrolada.
Um único garoto estava dando uma surra em 51. O resto dos estudantes, tanto os que estavam presentes quanto os que acabaram de chegar, estavam sem palavras. O show virou massacre.
Até mesmo para quem apreciava uma boa briga escolar, essa já havia passado dos limites e poderia acabar em morte. Nada faziam para impedir, sentiam medo daquele garoto.
Kevin é contido com muito esforço por Calisto e Wilson, que chegam após terem quebrado o portão com chutes. Não reconheciam mais seu amigo, envolto por tanto ódio e sangue nos punhos, possuído por aquela sensação.
— Me soltem! Eu vou acabar com esses babacas! O mundo vai ser um lugar melhor sem eles!
— Kevin, calma! Quer se ferrar por causa deles? Esse monte de adubo?
— Violência não vai resolver mano! Por favor. Deixa disso e vem logo com a gente. — Calisto era ainda mais fraco que o irmão, por isso sofria para segurá-lo. Nem mesmo Will com toda sua força era o bastante.
Os dois inspetores da escola chegam em instantes e ficam abismados com o que havia acontecido.
— Max que barbaridade é essa aqui? Troy Mayson! E... de novo você, Kevin McLoud? Isso tá virando rotina. Já pra diretoria, os dois! — Fala um deles, de maneira séria. Um aluno bobo retruca:
— Mas inspetor, o resto do time também participou... vão ficar de boa?
— Não se intrometa. Todos vão receber punição, mas vão primeiro pro hospital. Quero que chamem os enfermeiros agora, eles precisam de primeiros socorros até que as ambulâncias cheguem. Tão esperando o quê?
Kevin é guiado para a diretoria antes, sendo o único além de Troy consciente pra isso. Troy é enviado pra enfermaria antes de encarar o diretor. Não era nada sábio mandar os dois juntos se ele estivesse bem.
Wilson parece não acreditar naquilo, a ficha do ocorrido ainda demorava a cair. Por pouco não evitam uma tragédia ainda maior. Ele costumava resolver os problemas sem usar violência, essa somente em último caso. Mas seu primo... ele virava a violência em pessoa, quando provocado.
De cima do telhado, Katie observa. O vento do início da tarde soprava suavemente em seus médios cabelos loiros, espalhando seu perfume no ar. Ela fica apreensiva sobre oque acabara de ver, provando mais uma vez que estava certa em ter terminado o namoro. De todas as pessoas de sua vida, Kevin era o único que ela não conseguia decifrar a mente, algo a impedia disso. Um enigma em forma de pessoa que a deixava curiosa.
— Tem algo muito errado com esse garoto... Tenho que descobrir oque é.
*****
Na sala do diretor, o próprio tenta ligar para o pai de Kevin antes de dar a bronca, mas não tem nenhum sucesso após inúmeras tentativas. O mesmo som era ouvido todas as vezes.
— Ocupado.
— Como sempre...
— Não me venha com sarcasmo aqui, meu rapaz. Bater em 51 garotos não faz de você um homem, então não finja que é um.
— Fugir de uma luta ou oferecer o outro lado da face também não. Antes rapaz do que covarde.
O diretor era um homem religioso. Kevin só queria provocar com aquela frase, procurando deixá-lo com raiva.
— Escute aqui... tome isso como uma advertência. Tenho consciência de quanto bullying ainda tem nessa escola, e você é uma das maiores vítimas. Nós tentamos mudar essa realidade, mas o que não podemos mudar é a mente humana, nem o caráter das pessoas. Vi suas notas, seu comportamento. Todos decaíram. Você não é esse tipo violento que passa ultimamente, no fundo é até um garoto exemplar. Só que tem problemas, problemas que você precisa resolver. E hoje claramente não resolveu.
— E oque queria que eu fizesse? Fugisse? Me acovardasse? Isso que significa "ser um homem" pra você, diretor? — Kevin protesta, indignado.
— Que ignorasse. Ignorasse e me avisasse. Se fizesse isso todas as vezes que foi provocado ao invés de usar a violência, quem estaria aqui sendo punido não seria você e sim um desses valentões. Kevin, essa será sua última chance! Se eu te ver aqui de novo, considere-se expulso da minha academia. Farei o que puder para que nenhuma boa escola do país te aceite, nem nenhuma outra do mundo. Perder os estudos que são um dos melhores presentes que a vida oferece vai ser o pior pra você, acredite. Agora retire-se. É demais pra absorver em um dia só.
Kevin sai da sala sem dizer uma palavra, com a cara fechada. O diretor era um homem honrado e rígido, que dava valor à honestidade. Ele percebia uma boa pessoa quando via uma, mesmo numa camada de problemas. Todas as possíveis queixas de agressão que os alunos certamente fariam contra Kevin seriam de algum jeito e com muito esforço, anuladas por ele. O diretor tinha esperança em Kevin.
Lá fora, Calisto e Wilson o aguardam. Ele sai de cabeça baixa, pensativo. Chegava a hora de ir ao psicólogo. Os garotos nem o seguiram, amigos também sabem quando o outro precisava de um tempo sozinho. Os dois se dirigem a saída, mais precisamente ao ônibus escolar, para irem embora.
—Ele já ficou assim antes? Sem controle?
—É a primeira vez que vi Calisto, mas não é a primeira vez que acontece.
—Oque você quer dizer?
—Ele contou sobre a primeira vez que perdeu o controle, era a primeira vez que ele se defendeu dos valentões da escola. Três deles provavelmente a mando do Troy perseguiram ele na saída e o cercaram num beco. Ele apanhou feio, mas depois espancou os três. Os poder... As habilidades dele despertaram ali, naquele dia.
—Por isso às vezes, ele age diferente? Fica frio, com raiva.
—Talvez. Cada um tem uma reação diferente quando desperta. Você vai saber quando despertar também.
Wilson sabia que essa mudança de personalidade e modo de agir não era por acaso. Os dois voltavam pra casa no ônibus e Will teria muito do que falar com Frank.
Alguns acentos mais a frente estava Katie, sentada ao lado de seu irmão, Rick. Ela estava ouvindo tudo que diziam e que pensavam também. Em questões de segundos poderia descobrir o segredo que estava na mente de Wilson, mas isso requeria concentração.
—Mana? Que cara de boba é essa? Dormiu mal hoje ou tá tentando assustar alguma criança?
—Cala boca, sua peste. Viu só? Você me desconcentrou.
—E ainda se diz a maior telepata do planeta, hahaha.
—Quieto! — Disse ela, se comunicando telepaticamente — Quer que todos descubram sobre nós? Você sabe o que sua idiotice nos custou na Itália. Papai teve que ficar horas apagando a mente das pessoas e qualquer vestígio da gente. Tudo porque você não consegue calar a boca, seu irresponsável.
—É só você apagar a mente de todos aqui, não tem problema. Você precisa é relaxar, procurar um namorado e sair um pouco, curtir a vida.
—Pra você ficar sozinho em casa vendo pornô?
Rick fica vermelho, com vergonha. Katie ri da sua cara.
—Não sabe nem brincar, poxa.
Longe dali, Kevin caminha pro consultório do psicólogo. "Dr. Steve Alighieri", era oque dizia numa placa acima da porta. Ele entra e sobe as escadas. Entra na sala a direita, é atendido por uma linda mulher atrás de um balcão, certamente a secretária do psicólogo, era uma bela mulata de cabelos encaracolados, alta e de olhos verdes. Faz pose de pegador, exibindo os músculos que nem tinha, até pisca pra ela. Ela, com uma cara de estranhamento.
—Oi gata, olha eu tenho hora marcada aqui sabe, mas se cheguei cedo a gente pode pra se divertir, tem um fliperama aqui perto.
—Se toca moleque. Você deve ser o Kevin. Vi sua foto no formulário. O doutor Steve tá aguardando, pode entrar.
Ele entra, com um sorriso bobo no rosto. A frente, sentado atrás de uma mesa, doutor Steve Alighieri, um dos melhores psicólogos do país. Kevin fica sério na hora, o doutor era um homem de um olhar severo cravado nos olhos verdes e cansados, sob sobrancelhas grisalhas e grossas. Steve tinha cabelos grisalhos penteados pra trás, bigode e barba da mesma cor. Vestia um terno azul escuro, gravata listrada. Na mesa, um retrato com dois jovens, rostos que Kevin conhecera muito bem. Era Katie, e seu irmão, Rick.
—Boa tarde, filho.
—Boa tarde, o senhor sabe mesmo escolher uma assistente.
—Tira o olho. Por favor, sente-se.
—Esses dois, são...
—São meus filhos. Você os conhece?
—Estudo na mesma escola que eles, senhor.
—Bom. Vamos à consulta. Seu pai me contou apenas o básico no telefone, disse que você vem tendo pesadelos faz um tempo.
—Sim e é estranho, o mesmo sonho todo dia, tenho a sensação de que conheço eles.
—Conte-me mais.
—Mas eu me lembro de um nome, Trévor.
Steve desvia o olhar, levantando uma das sobrancelhas e escrevendo em seu relatório psicológico. Muitas pessoas vêm a seu consultório, com casos parecidos, mas ele sabe que a maioria no fundo era invenção da mente delas, sem que as próprias tivessem controle consciente sobre isso. A mente humana é um poço de loucura pra aqueles que não sabem controlar, mas Steve sabia que Kevin não estaria inventando isso. Então ele resolve tentar uma solução mais arriscada.
—Já ouviu falar em hipnose, filho?
—Sim, mas em que isso ajudaria?
—Uso em casos extremos. Às vezes sonhos não são só manifestações aleatórias da mente. São lembranças.
—O senhor não quer dizer vidas passadas né? Eu acho isso uma besteira...
—Eu também, mas não é sobre espiritismo, é sobre o passado. Alguma lembrança da sua infância, talvez. Mas isso é você quem decide, está disposto a tentar a hipnose?
Kevin concorda, não tinha nada a perder mesmo, não custava tentar. O doutor prepara câmeras e seu gravador de voz, todo o procedimento de hipnose. Porém Steve não usava nenhum objeto para hipnotizar seus pacientes, ele usava os poderes.
—Muito bem, atenção na minha voz. Caso 382, paciente Kevin McLoud. Acredito que seus pesadelos manifestam lembranças do seu passado. Estou iniciando uma sessão de hipnose. Assim que eu estalar os dedos, você vai voltar no tempo. Um dois... Três.
Os dedos estalam. A atenção na voz persuasiva do doutor o fez adormecer, mergulhar em seu passado.
—Vamos voltar 2 anos no passado. Nesse mesmo dia. Onde você está?
—Estou na escola, primeiro dia de aula, sentado na minha carteira... A aula ainda não começou.
—Muito bem, e o quê você vê?
—Meus colegas chegando. Eu sinto medo. Alguns deles fazem bullying comigo, não aguento mais isso, minha vontade é de sumir daqui, me isolar de tudo e de todos!
—Calma filho... Está tudo bem. Continue.
—Chegou o pior deles, o Troy... Ele tá vindo com aquela risada idiota de sempre. Ele me vê e joga uma bola de papel em mim. "Bom dia, nerd" ele diz. Sinto ódio dele, ele percebe meu olhar de raiva, senta na carteira atrás de mim. Retira seu caderno da mochila e apoia nas minhas costas. "Não se importa, não é?" Eu o digo pra tirar. Ele bate com o caderno nas minhas costas, diz pra eu ter respeito. Não tenho força e nem confiança pra bater nele, meu irmão faltou por estar doente, e meu primo estava fora da sala ainda, provavelmente com garotas. Tento desviar meu olhar pra frente, ela chega... A razão pela minha força em ignorar aquilo tudo. Uma das poucas pessoas no mundo que é simpática comigo.
Steve via tudo como se fosse uma transmissão ao vivo para sua mente. Ele reconhece sua filha e não gosta do que vê. Kevin sorri e continua a narrar seu passado.
—Katie, eu sinto algo por ela, nunca senti nada parecido antes. É amor... – Kevin demonstra um sorriso largo — Ela sorri e se senta perto de mim, na carteira da fileira do lado. Troy percebe aquilo e não gosta nada. Ele se prepara pra me dar um tapa na nuca, quer me fazer parecer um perdedor na frente da garota dos meus sonhos. Antes que ele pudesse me atingir, Katie segura o braço dele com força. É a primeira vez que alguém a não ser meu primo me defende de bullying, todos ali, inclusive eu, ficam surpresos. Ela ameaça o Troy, que sem questionar, jura que vai parar. A partir daquele momento, ela fica mais próxima de mim.
—Ok, vamos voltar pra um passado ainda mais distante. Experimente... Cinco mil anos atrás.
Kevin fica calado por um breve momento, mas logo reage.
—Estou numa sala estranha, a iluminação é intensa. Alguém se aproxima, é uma mulher. Ela tem cabelos pretos e curtos, olhos azuis como o mar... Tá vestindo um sobretudo branco, um batom preto nos lábios, luvas e botas também pretas. Ela parece preocupada, me pega nos braços, me coloca num tipo de miniespaçonave, e faz o mesmo com dois bebês, em lugares diferentes, e entrega pra alguém. Eu o reconheço, é meu pai. Ela o faz prometer que vai cuidar de nós três, e nos proteger com a vida. Ela tá chorando, isso me deixa triste... Ouço a mesma coisa várias vezes: "Fuja, Trévor está vindo".
Ele narra chorando. Preocupado com a segurança dessa mulher.
—Você reconhece essa mulher?
—Minha mãe...
—E onde você está agora?
—Com meu pai, ele nos deixa numa nave, e sai apressado com a gente dentro dela. Ouço uma explosão, e um grito logo após. Ah não, é minha mãe! É a voz dela, porque meu pai tá fugindo? Porque ele não protege ela?
Kevin se descontrola, começa a gritar, Steve tenta acalmá-lo, mas aparentemente nem sua persuasão funciona mais, os vidros da janela se quebram com uma grande onda de energia vinda do corpo descontrolado dele, que começa a levitar. O doutor murmura palavras estranhas, conjurando uma magia, pra acalmar o garoto antes que seja tarde.
A assistente chega, preocupada. Vê as janelas quebradas. Steve rapidamente disfarça.
—Doutor Alighieri! Oque houve?
—Esses malditos vândalos tacando pedras na janela. Não precisa chamar a polícia Rebeca, eu cuido disso. – Diz ele, pegando um bastão de baseball do lado de sua mesa.
—O senhor tem certeza?
—Sim, eu sei que faltam alguns minutos, mas pode ir almoçar agora se quiser.
Ela sai, mesmo estranhando. Steve espera até ela deixar o prédio e volta a sessão, largando o bastão. Ele usa seus poderes pra apagar a mente de Kevin, pois se ele lembrasse assim que acordasse, Frank teria sérios problemas.
—Kevin, agora você vai acordar e esquecerá tudo que ocorreu nos últimos dez minutos.
Ele acorda assustado, mas age normalmente.
—Você está bem?
—Sim, mas eu... Eu preciso ir agora. Lição de casa sabe?
Sai dali calmamente com um olhar espantado, em êxtase.
—Mande lembranças ao seu pai, Kevin.
Ele dá um sinal de positivo, se dirigindo a saída, agora andando mais apressado. A tentativa de apagar as memórias dele havia falhado, e a manipulação da mente não vai funcionar a partir de hoje. Algo havia despertado nele, um selo de proteção mental.
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