Notas iniciais
Aqui está o terceiro capítulo, espero que gostem! Sem mais delongas, vamos a leitura.
OBS: Capítulo escrito ao som de Bring Me The Horizon.

— O que houve lá?! — Vittore diz com a voz embargada de ódio, apontando com o queixo para a abertura entre as árvores que eu acabara de sair.

Balanço a cabeça negativamente enquanto eu andava na direção de Mossoli que rugia e se mexia nas rédeas amarradas na árvore próxima. Ele estava assustado, parecera sentir que eu estava em “perigo”.

— Nada com o que você precise se preocupar, eu estou bem. — Digo, a voz firme como ferro.

Vittore continuava andando ao meu lado, a expressão transparecendo desconfiança.

— Se você está falando... Nós temos que partir agora; se um dos espiões das coligações Potências Centrais já nos alcançaram, não tardará a algum dos espiões da Tríplice Entente nos encontrar também. — Mais uma vez Vittore estava certo, e não era uma coisa da qual eu gostava muito, mas seria arrogante de mais não perceber que ele tinha potencial.

— De os comandos para os outros demônios, avise-os sobre o que me falou e diga a eles que dentro de 10 minutos iremos partir em direção ao sul.

Ele assente e dá as costas para mim, indo em direção aos demônios que esperavam pelo comando.

Suspiro.

Desamarro as rédeas de Mossoli da árvore e subo em suas costas, vendo que os outros demônios também já estavam montados em seus respectivos cavalos, estalo a língua no céu da boca e Mossoli começa a correr.

A viagem para o Sul era longa e cansativa, os cavalos precisavam parar de três em três horas para descansar, o que atrasava ainda mais. Estávamos no extremo Norte da Inglaterra, o que dificultava ainda mais as coisas.

Por todo o caminho que passávamos, noto – e acredito que todos os outros também notavam – que pequenas vilas de moradias haviam sido incendiadas, famílias sequestradas a fim de quando o inimigo passasse por eles, não tivessem abrigo, comida ou qualquer outra fonte de suprir suas necessidades ao longo do caminho, enfraquecendo seus soldados. Era uma estratégia arcaica que continuava a ser usada e realmente surtia efeito.

Faço sinal para que todos parem, em poucos segundos todos os demônios já haviam parados seus cavalos e esperavam novas ordens.

— Entrem nesse vilarejo, vejam se acham algo. — Digo em alto e bom som para que todos fossem capazes de ouvir.

Vittore liderava um grupo e eu liderava outro, então adentramos no vilarejo incendiado.

Apesar de nada mais estar pegando fogo, o cheiro denso de palha queimada invadia o ar.

Faço sinal para que continuem sem mim, indo em direção a algum tipo de central do vilarejo. Desço das costas de Mossoli e saco as duas knife do cinto, andando vagarosamente em direção a porta. Chuto-a e entro rapidamente, olhando para todos os lados antes de avançar. Respiro mais baixo quando ouço um barulho incomum dentro de um dos cômodos. Chuto a outra porta e vejo um anjo queimando outro demônio apenas com um estender de mãos. Os olhos do demônio explodiam em uma cor clara e de brilho ofuscante, meus olhos começavam a arder e desvio o olhar da cena, vendo os movimentos do anjo pela janela de vidro espelhado que pendia na parede a direita.

O anjo se vira em minha direção com a expressão serena no rosto. Guardo as knife no cinto novamente e puxo a espada de bronze celestial que pendia nas minhas costas.

O anjo parece suspirar e avança com uma rapidez que me deixa confusa.

Em apenas um segundo ele está atrás de mim, tentando segurar minha cabeça para queimar minha alma – literalmente.

Viro, ficando de frente para ele rapidamente, tentando desviar os olhos das duas orbes de um azul profundo e escuro.

Lanço a espada em sua caixa torácica, tentando um ataque rápido, mas ele desvia e aparece em meu lado esquerdo, me pegando de guarda baixa. Ele me joga contra a parede da janela e sinto os cacos de vidro entrarem em minha pele. Urro de dor. Tento me levantar do chão com rapidez, mas o anjo me pega pelo pescoço, apoiando meu corpo contra a parede e levantando-me até meus pés não alcançarem o chão. Seus olhos começam a brilhar e sinto os meus começarem a queimar, grito enquanto a queimação se espalhava por toda a extensão de minha face. Me debatia debilmente contra as mãos do anjo quando vejo Vittore entrando no cômodo, sacando sua espada de bronze celestial. O anjo estava com as costas desprotegidas e por esse motivo, Vittore conseguiu arranca-lo de meu pescoço e enfiar a espada em seu coração. Caio no chão sujo e cheio de cacos de vidro e vejo o anjo explodir em uma chama clara diante de meus olhos. Coloco as mãos no rosto, sentindo uma linha quente de sangue trilhar um caminho pela minha face.

Vittore corre em minha direção e me examina rapidamente.

— Você ficará bem. — Ele me levanta do chão e me carrega para fora da casa.

Os outros demônios vinham em minha direção, perguntando-me se eu ficaria bem. Apenas assentia de olhos fechados.

Eles realmente pareciam se importar com o fato de eu estar bem ou não. Todos nós nos tratávamos como se fossemos irmãos ou algo do gênero. Um ajudava o outro, apesar de isso não ser muito bem o que demônios geralmente faziam. Nós não havíamos abandonado nossa natureza, claro que não. Ainda gostávamos de matar e cometer atrocidades, era algo que nunca mudaria, acredito eu. A nossa relação era baseada em que eu havia feito uma escolha, e que eles se sentiam gratos por ela e por me seguirem, pois era exatamente o que fariam mesmo sozinhos.

Vittore me deita em uma cama de lençol amarelado e Kahira começa a limpar meus ferimentos. Concentro a visão no teto desgastado enquanto ela tirava os cacos de vidro de minha pele.

Ela limpava cada machucado com cuidado e atenção, o que acabou por me distrair da sutura.

Quando ela já havia acabado por completo, agradeço e continuo deitada, vendo Vittore vir em minha direção. Ele senta na cadeira de madeira ao lado da cama.

— Já está escurecendo, teremos que ficar por aqui até o amanhecer, e só então continuar com a viagem. O que você acha?

— Nós não podemos continuar viagem com os cavalos tão cansados e com a noite caindo, teremos que esperar até o amanhecer. — Digo, ainda de olhos fechados.

Sinto-o assentir mesmo não podendo vê-lo.

— Direi a eles. — Ele sai do quarto.

Sinto meu corpo ficar cada vez mais pesado e afundo na inconsciência, inevitavelmente.

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Meus ombros estão sendo sacudidos, meus dentes batem um no outro, meus olhos se abrem e vejo um Vittore desesperado.

— Ketryn! Acorde, o vilarejo está sendo atacado!

Em um rompante levanto-me da cama e corro para a porta da pequena casinha que estava instalado e em uma batida de coração vejo nossos demônios, nossos irmãos morrendo.

Notas finais
E ai, gostaram? Espero que sim, até o próximo capítulo!