Guerras Imortais
4 Capítulo IV
Notas iniciais
— Tome, Ketryn! — Vittore joga a minha espada de bronze celestial para matar os demônios. Pego a espada rapidamente e observo o campo de batalha.
Os inimigos atacavam com uma ferocidade implacável todos os meus irmãos. Eles pareciam saber o que estavam fazendo e não continham o ódio ou a raiva que a maioria de minha espécie havia dentro de si... E finalmente chego a conclusão do óbvio.
— Eles não são demônios, Vittore. São Anjos.
Assim que as palavras saem de minha boca, vejo a compreensão nos olhos de Vittore e ele parecia entender. Ele me joga a espada com bronze infernal e eu cravo a espada de bronze celestial na bolsa em minhas costas.
— Isso não faz muito sentido... Isso quer dizer que eles já sabem do ataque surpresa da tríplice demoníaca. — Vittore parecia tentar explicar o fato mais a si mesmo do que a mim.
Apenas balanço a cabeça afirmativamente e corro para o campo de batalha, sendo seguida por Vittore.
Um anjo arremessa os braços em minha volta e eu não tenho tempo para fazer outra coisa a não ser desviar do ataque e, com uma velocidade sobre-humana, partir para o ataque frontal.
Vejo o desespero em seus olhos quando cravo a espada de bronze infernal em seu pescoço e ele explode em uma chama ofuscante.
Outro anjo que viu toda a cena ruge e vem em minha direção. Minha espada presa ainda na garganta do outro anjo, não tive tempo para o ataque... Mas Vittore surge em cena e crava a sua espada nas costas do anjo que estava prestes a me matar, e a mesma chama clara e ofuscante cega meus olhos.
— Não gosto de matar o oponente pelas costas. — Vittore afirma, me tirando um sorriso perverso.
Kahira – o demônio que me ajudou com a sutura em meus ferimentos – estava lutando com outro anjo, e eu a reconhecia de algum lugar.
O anjo ataca pela sua frente e lança a espada na direção de seu pescoço, mas no meio do percurso com a espada, ele a leva à caixa torácica de Kahira. O ferro atravessa seu corpo com facilidade.
Um rugido de ódio fica preso em minha garganta, minha visão fica cegada pela fúria e eu começo a correr em direção ao anjo que acabara de matar Kahira – que explodira em uma luz avermelhada e quente.
Lanço a espada em sua garganta e ele interfere com a sua espada, fazendo um tinir de ferro ecoar pelo campo de batalha.
Ele roda as duas espadas no ar e tenta acerta uma de minhas pernas, mas eu pulo em pleno ar e logo piso em sua espada, quebrando-a no meio e a jogando longe. Ele apenas me olha com ar de pena e avança para mim, as duas mãos estendidas.
Ele queria queimar meu interior como o anjo que me atacou anteriormente na cabana matou aquele outro demônio.
Mas ainda estava sob o efeito da droga que era a fúria e eu ataco sem pensar duas vezes, levando a espada mais uma vez em sua garganta. Ele desvia da ponta afiada e uma estratégia se forma em minha cabeça.
Pulo com uma velocidade sobre-humana para a parede e escalo o telhado com êxito, o anjo ainda estava me procurando lá em baixo. Eu o olhava de cima.
Piso no ar e me jogo em sua forma, cravando a espada exatamente no meio de sua cabeça. Respingos do sangue do anjo mancham meu rosto, queimando um pouco o local – sangue celestial era como água benta para nós, demônios.
Seu corpo que, agora, jazia sem vida cai na terra molhada pela chuva que de repente caia sobre nós.
Sinto meu instinto de autoproteção disparar para as minhas costas e eu me viro, apenas para comprovar que um anjo corria em minha direção com olhos desvairados. O anjo que eu acabara de matar deveria significar algo para ele.
Apenas espero ele se aproximar o suficiente para cravar a knife guardada em meu cinto em seu coração. A explosão da luz tão perto de mim queima totalmente a parte direita do meu corpo.
Enquanto eu caminhava debaixo da água que escorria pelo meu corpo e meu sobretudo preto, sentia minha pele se regenerar da queimadura. Era desconfortável.
Vejo meus irmãos lutarem com os anjos que sobraram. A maioria havia batido em retirada quando viram que não haviam achado o que estavam procurando, alguns poucos ficaram e tinham sido mortos e outros começavam a fugir apenas agora.
— Irmãos, temos que ir! — Minha voz ecoa por todo o campo de batalha e os demônios que estavam nele começam a pegar seus pertences, outros continuavam a terminar o trabalho com os anjos. Começavam a montar em seus cavalos.
Passo o olhar por todo o campo – e casas em chamas, vários rostos mortos que eu reconhecia como meus irmãos no campo, sangue de anjos e demônios misturavam-se em uma horrenda cena. Desfoco os olhos daquilo e continuo a procurar Mossoli com os olhos e o encontro, apavorado, amarrado em um beco entre duas casas que estavam inteiras – não estavam em chamas.
Desamarro suas rédeas da pilastra de madeira com cupins e caminho com ele ao meu lado. Limpo rapidamente o sangue celestial em meu sobretudo e o finco na bolsa que pendia em minhas costas.
Acho Vittore com o resto dos irmãos que haviam sobrado da luta.
Com espanto percebo que dos quinhentos demônios que havia anteriormente, apenas trezentos pareciam presentes. Todos eles haviam marcas de luta; cortes no rosto, nos braços e roupas sujas. Eu não deveria estar tão diferente deles.
Eles tinham expressões derrotadas e tristes em suas feições e eu me sentia compelida a falar algo.
— Todos os irmãos que perdemos nessa luta, todos eles partiram de modo honrado. Eles morreram em plena batalha, irmãos. Existe coisa mais honrada que isso? — Digo, e vejo em seus olhos a compreensão de minhas palavras. Continuo: — Quando escolhemos esse caminho, o caminho contrário da maioria de nossa espécie, nós já tínhamos a plena certeza de que estaríamos propícios a coisas o qual acabou de acontecer. Sabíamos que perderíamos irmãos no campo de batalha. Sabíamos que talvez o mesmo acontecesse conosco, que o ferro atravessasse nossas entranhas... Felizmente isso não aconteceu. Ainda. E faremos o possível e até mesmo o impossível para que isso não se repita ou aconteça conosco.
Eles me olham em agradecimento e nada mais precisava ser dito, apenas de ver a compreensão e entendimento em seus olhos me davam a satisfação de um trabalho completo, feito.
Depois de alguns minutos partimos a viagem. A chuva havia dado um descanso o que não dificultava tanto o trajeto.
Quando vimos que os demônios estavam cansados e precisavam de descanso, troco olhares significativos com Vittore que cavalgava ao meu lado e ele assente.
Paramos no meio do caminho e armamos acampamento com o que tínhamos.
Depois de todos já estarem em seus devidos lugares descansando, amarro Mossoli em uma árvore e acaricio rapidamente sua crina. Ele se dobra na direção de minha mão como se estivesse pedindo mais.
Arranco algumas folhas das árvores e as coloco perto de Mossoli para que ele pudesse se alimentar com mais facilidade, faço o mesmo com a bacia de água que eu havia enchido no rio que tinha ao lado do lugar que havíamos acampado.
Depois de ter cuidado rapidamente de Mossoli, dispo-me de minhas roupas e as coloco esticadas em uma pedra, afim de que secassem. Elas já estavam parcialmente secas.
Entro na água que agora estava morna e sinto meu corpo relaxar a cada centímetro mais profundo que entrava no rio.
Depois de alguns minutos, sinto movimentos atrás de mim, na direção das árvores. Viro-me instintivamente e fito através da densa neblina que havia ali.
Vejo uma silhueta se mexer e rapidamente saio da água, sentindo um vento invernal assolar meu corpo. Ignoro a sensação de frio e saco minha knife, ainda olhando para onde vira a silhueta.
Vittore surge por entre as árvores e sinto seus olhos passearem pelo meu corpo.
Sinto uma pontada de vergonha, mas apenas ignoro isso.
— O que você está fazendo aqui, Vittore? — Digo, colocando a knife sob a pedra onde jaziam minhas roupas que já estavam secas.
O horizonte parecia estranhamente escuro, nessa noite nenhuma estrela ousava brilhar no céu.
— O mesmo que você, Ketryn. — Seus olhos brilhavam em uma luxúria perversa e meu corpo demoníaco reagia a isso.
— Bem, então não se contenha, eu também estava lavando-me. — Digo, dando as costas propositalmente para ele e adentrando a água novamente.
Ele começa a se despir e eu não me atrevo a olhar em sua direção, apenas quando ele estava a dois metros de mim e já dentro da água eu olho para Vittore.
Seus olhos não se desviavam dos meus e eu não sabia o que fazer com relação a aquilo.
Ele mergulha e interrompe a conexão de nossos olhos, me despertando do torpor. Abaixo meu corpo, deixando apenas meus olhos acima da água.
Seu corpo emerge da água e o mesmo estava mais perto do que eu esperava. O calor infernal de seu corpo enviava ondas elétricas, como facadas em meu corpo.
Não resisto à tentação e com uma velocidade sobre-humana ataco Vittore, beijando-o com luxúria. Suas mãos apertam fortemente minhas costas e guiam meu corpo de encontro ao seu, trilhando um caminho quente e tortuoso por minha pele que estava em fogo. Suas mãos guiam o meu quadril, fazendo-me render a sua tentação, a seu corpo e a sua luxúria perversa por toda a noite.
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