Guerra entre mundos
2 Capítulo 2 - Foi só acreditar...
Depois de um bom tempo no ônibus, Pietro finalmente tinha superado (ou pelo menos achava) seus pensamentos sobre vidas após a morte. Chegou em casa, deixou sua mochila no sofá e foi para a cozinha. Passava os dias da semana sozinho, já que seus pais eram separados e sua mãe trabalhava da manhã até as 19:00 horas. Não tinha irmãos e nem animal de estimação. Sua mãe deixara o almoço praticamente pronto, era só fritar ou esquentar a comida.
Já havia arrumado a cozinha e feito seus deveres quando o telefone tocou. Logo que atendeu a voz de seu melhor amigo Felipe ecoou:
– PIETRO, VOCÊ POR ACASO VIU O QUE A HELENA POSTOU NO MEU FACEBOOK?
– Não Felipe e se puder falar mais baixo, meu ouvido agradece ~~Disse Pietro afastando o telefone do ouvido.
– AQUELA COISINHA POSTOU NA MINHA LINHA DO TEMPO DO FACEBOOK, QUE EU SOU O BABACA MAIS BROXA QUE ELA CONHECE, ELA TA FALANDO ISSO SÓ PORQUÊ EU TERMINEI COM ELA, OLHA AQUI PIETRO, EU NÃO SOU OBRIGADO E NÃO, NÃO DÁ PRA FALAR MAIS BAIXO!!!!!
Felipe e Helena são o típico casal mola, vai e volta toda hora, vivem brigando e qualquer briguinha, separam e depois um volta implorando perdão.
– Olha Felipe, se você gritar mais uma vez no meu ouvido, eu vou desligar este telefone e voltar a jogar Heartstone, porquê na verdade, quem não é obrigado nessa história aqui, sou eu. Agora fala com calma, pois vocês brigando não é nenhuma novidade.
– Tudo bem, desculpa. Mas agora ela passou dos limites, ela vivia me dizendo que me amava e que eu a satisfazia todinha...
– Me poupe dos detalhes nojentos, Felipe ~~Disse Pietro o interrompendo.
– Ok, continuando, só porquê eu não queria comer ela na porra do banheiro da escola, ela começou a gritar comigo e eu terminei com ela, olha... dessa vez não tem volta, aquela cachorra vai comer na minha mão!!
Pietro não conseguiu se segurar, caiu na gargalhada por causa da situação do amigo. Depois de bons dois minutos, Pietro conseguiu falar:
– Hm, é, me desculpe por isso, retornando ao assunto, não fica mal por causa dela não cara, se vocês realmente acabarem de vez, daqui a pouquinho você consegue outra, tu sabe muito bem que as meninas da escola piram na sua... bem, só isso mesmo. Aaaah, quer vir jogar aqui em casa?
– Tô dentro, a janela está aberta? ~~Disse Felipe mudando totalmente seu tom de voz
– Está. ~~Pietro disse e foi para seu quarto colocar no jogo novamente. Depois de alguns segundos, Felipe aparece no seu quarto.
– E aí cara, quanto tempo! ~~Disse Felipe com um sorriso de que nada aconteceu.
– A-há, ri muito, hilário! ~~Disse Pietro sem tirar os olhos do monitor.
– Ou, tu saiu voado da aula de história, nem deu para eu pegar o mesmo ônibus que você, queria comentar da aula... sei que você é ateu, então queria saber de você, o que achou da última fala do professor?
– Nem sei, Felipe, fiquei muito confuso, não quero acreditar, mas estou começando a achar que é egoísmo da minha parte não acreditar em vida após a morte.
– É PRA GLORIFICAR DE PÉ IGREJA! Quer dizer então que você não é mais ateu?
– Não exagera, idiota, eu só acredito em vida depois da morte.
– Aaaah, mas aí é que tá, como tudo isso aconteceu? Você basicamente não acredita em outra coisa sem ser a matéria propriamente dita, mas agora está acreditando, ou não, você está acreditando em zombie? Droga! Pietro, por favor, não me diz que está acreditando nisso...
– Não, Felipe ~~ Pietro disse dando uma pausa para rir. –Não acredito em zombie, eu acredito em espíritos, se é isso que você quer dizer...
– Hmmmmmm, interessante... acredita em espíritos, hmm, certo, como você acha que ‘’surgiu’’ os espíritos? E você acha que eles ficam em lugares vagos ou habitam a terra, sem que nós vejamos? ~~Disse Felipe com um ar de malícia
– Eu não faço ideia, sinceramente.
– Te peguei, otário. Você praticamente acredita em Deus, é só questão de tempo... ~~Disse Felipe sorrindo de orelha a orelha.
E o tempo foi passando, quando deu 19:23, sua mãe tinha acabado de chegar, Felipe foi embora e Pietro estava morrendo de fome. Sua mãe e ele pediram uma pizza e assim foi a noite deles, dividindo uma pizza e contando como foi o dia. Pietro contou a sua mãe todas as suas dúvidas da sua nova crença e ela foi tentando lhe explicar, já que desde criança foi espírita. Já era tarde quando acabaram de conversar. Pietro tomou seu banho e foi dormir.
Acordou no meio da noite com alguém no seu quarto, não fazia ideia de quem era, gritou por Letícia, sua mãe. E quando Letícia acendeu a luz, não havia mais ninguém. Vasculhou a casa com uma faca na mão a procura de alguém escondido, mas não achou ninguém. Com medo, dormiu o resto daquela noite na cama da sua mãe.
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