Guerra entre mundos
3 Capítulo 3 - O acordo
Atordoado com o acontecimento desta noite, Pietro sentou-se na cama da mãe para poder se arrumar e ir para escola. Em silêncio, foi para o seu quarto, pegou seu uniforme e depois foi tomar um banho. Ao acabar sua mãe já tinha deixado o café da manhã pronto e estava o esperando. A falta de assunto era inevitável, até que enfim, sua mãe disse:
– O que aconteceu esta noite? Não havia nada e você estava gritando... teve pesadelos? Já não tinha parado esse lance de pesadelos?
Antigamente, há uns dois anos atrás, Pietro dormia com sua mãe, porquê toda noite tinha pesadelos com espíritos que tentavam dizer algo a ele, mas com medo, Pietro fazia de tudo para não escutar. Até que decidiu deixar de acreditar, e então, nada mais lhe aconteceu.
– Eu não sei mãe, tinha parado, mas aí eu voltei a acreditar ~~ Deu uma pausa dramática e voltou a dizer. – Estou achando que é tudo questão de acreditar, se eu não acredito, não existe problemas, pronto!! Não vou acreditar.
– Meu filho... Acha que não acreditar é a solução? Você só está adiando o seu medo, por exemplo, você voltou a acreditar e aconteceu novamente, não é? Você tem é que enfrentar o seu medo, um dia isso se tornará normal para você.
Apenas assentiu e saiu da mesa. Foi ao banheiro, escovou seus dentes e pegou o material. Foi para a janela do quarto, subiu uma escada que havia do lado da janela e entrou para o quarto de Felipe. Felipe estava arrumando seu material quando Pietro conseguira em no quarto, e então disse:
– Fala aí garotinha! Na moral Pietro, pensei que tinha parado com esses berros na madrugada, assistiu um filme de terror e depois não aguentou, foi? ~~Disse Pietro fazendo cara de deboche.
– Não tem graça, Felipe, é aquela parada de novo. Vê se não me enche. Agora... se pudermos ir, Merida já me mandou mensagem avisando que está dentro do ônibus e que ele está chegando no nosso ponto.
Felipe ficou sem graça e foi até seu pai dizer que estava indo.
A manhã até que ocorreu bem, Pietro tinha conseguido esquecer por alguns instantes o que tinha acontecido, na verdade, Pietro esquecia de tudo quando estava perto de Merida. Um tipo de paixão que tinha desde o maternal. Nunca teve coragem de dizer a ela, por achar que ela era bonita demais para ele.
Merida era branca como a neve. Muito magra, mas com um corpo muito belo. De um tamanho um tamanho ‘’aceitável’’ para a idade dela, nem muito alta e nem muito baixa. Tinha os olhos grandes e negros como a escuridão. Sardinhas na região do nariz e bochecha. Uma boca fina, com um formato perfeito e toda vermelha como o sangue. Tinha um sorriso lindo, com os dentes perfeitos. Cabelos também escuros, um pouco acima da altura do ombro, mega cacheados, como o da Sheron Menezzes.
Depois de pouco tempo, o sino anunciava o fim das aulas naquela semana. Pietro e Merida foram para o coqueiro em frente a escola esperar Felipe, como sempre. O caminha de volta foi tranquilo. Muitas risadas, muitos assuntos irrelevantes... estava todos animado com a chegada do fim de semana e cansados também porque esta semana, foi uma semana de prova na escola deles.
Pietro fez o de sempre, jogou com Felipe, foi para o Skype com Merida, entrou no facebook para falar com os outros amigos, leu um pouco, tocou bateria... e assim o tempo foi passando, até a hora de dormir. Apesar de Pietro não ter um horário exato pra dormir, acabou que ele tinha se acostumado a ir dormir sempre às onze e pouquinho, exceto nas sextas e sábados, que passava a madrugada no Skype com os amigos fazendo campeonatos de Heartstone.
Chegou a hora de se deitar, a primeira vez entre muito tempo que Felipe não fazia uma prece, se sentou na cama e começou. Quando acabou, abriu os olhos e havia alguém em pé na sua frente, o mesmo de ontem, olhando para ele como se fosse a coisa mais normal do mundo e foi quando Pietro disse:
– Não vou gritar, não tenho medo de você, seja o que for, faça logo!
– Graças a Deus, não queria ser obrigado a sair daqui por não aguentar seus gritos de novo. Medo de mim? Meu querido, de mim você não tem que ter, tem é que ter do que eu estou tentado te dizer à mais de 3 anos!!! Mas graças a sua euforia, eu nunca consegui dizer. ~~Disse o desconhecido como se estivesse de saco cheio da situação.
– Ah, claro! Até porquê é muito normal você estar no seu quarto sozinho, no escuro e do nada aparece um ser desconhecido te encarando como se você fosse o último pote de sorvete de creme na terra. Aliás, quem é você? E que história é essa de que você tem tentado me dizer alguma coisa à três anos?
– Olha, posso ser quem você quiser, seu amigo, inimigo, conselheiro, escravo, enfim, meu nome é Miguel, a história é muito longa, está com sono? Porque se dormir no meio, aí sim, meu caro, aí sim, você verá o que é alguém te encarar como se você fosse o último pote de sorvete de creme da Terra, Terra não... Jetônes! Porque eu não sou daqui.
– Se você não estava me encarando como se eu fosse o último pote de sorvete de creme da Terra, eu é que não quero ver, não estuo com sono, é meio difícil estar com sono enquanto se tem um cara que aparentemente não é do meu planeta.
– Ok, a gente pode começar a história de amizade e lealdade com você parando de ficar falando que eu estava te encarando, além do mais, não curto pessoas da sua laia... se é que me entende. ~~Disse Miguel olhando para baixo, mas não para o chão.
– Ótimo, porque se curtisse, isso seria bem desagradável. ~~Disse ele meio sem jeito.
– Agora sem interrupções por favor, hmm, vejamos, por onde eu começo... Jetônes... Um mundo onde vivem os espíritos que morreram injustiçados. Como os Judeus que apareceu naquela sua aula insuportável de história, que sinceramente eu não sei como você gosta, também, aqueles espíritos que morreram assassinados sem motivos, ou algo assim... Acho que você já entendeu, enfim, há séculos nós viemos procurando justiça, viemos elaborando um plano de vingança. Mas isso não era possível, pois temos poderes de controlar a natureza, mas não temos como tocar em pessoas e esse tipo de coisa, é bem óbvio que se nós quiséssemos, nós poderíamos ganhar sem a sua ajuda, só usando a natureza a favor, mas aí não tem graça, nós queremos pessoas que nós podemos confiar, para que as pessoas que são a favor e ainda praticam esse tipo de injustiça ou pretendem praticar tal injustiça, morram sofrendo. Mas para isso precisamos tocar, usar a matéria terrestre.
– Nunca, você acha mesmo que eu iria trair meu povo desse jeito? ~~Disse Pietro indignado;
– Trair seu povo? E desde de quando eles são seu povo?
– SÃO HUMANOS, SÃO GENTE COMO EU!!!!
– Pode ser, mas são cruéis, insensíveis, escute bem Pietro, não queremos acabar com a vida na Terra, queremos acabar com pessoas exatas, não vai ser meio que uma guerra silenciosa, lógico que não será, porque terá morte em massa e várias, mas nós não vamos matar qualquer um, igual a maioria de nós fomos mortos. Muitos negros, crianças, judeus, deficiente, foram mortos simplesmente por acharem que eles não são adequados a Terra, esse tipo... esse tipo que queremos a morte lenta e dolorosa. Você pode escolher um lado, ficar entre os mortos que apoiam a injustiça e os que não apoiam porém também não querem nos ajudar...
– Hm, conte-me mais da história.
– Bem, nós estamos reunindo pessoas terrestres assim como você, que acreditam e nós e que sabemos que são capacitados de completar a missão, fique sabendo Pietro, você não está sozinho, não é o único que sabe o que está acontecendo. Se aceitar minha proposta, na hora certa vai saber o que fazer ou onde ir, e aí?
– Minha família e amigos serão prejudicados? ~~Disse Pietro se levantando.
– Não, vi sua vida e eles não são nossos alvos.
– Hm, ok, eu aceito.
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