Guerra entre Mundos

6 Não há coisa na vida inteiramente má.


"Do bem e do mal
Todos tem seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa na vida inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que a mentira dá?"

– Mario Quintana

Estavam todos ainda muito chocados com o que havia acontecido. Ninguém conseguia acreditar que Lena não estava morta, muito menos Peter. Depois daquele dia, ele parecia estar mais quieto do que o normal. Andava pela casa, pensativo, e não prestava atenção nas coisas.

Quando Annie foi perguntar a James como Peter estava, ele apenas respondeu que Peter estava um pouco espantado com tudo o que havia acontecido.

Isso era evidente para Annie, mas não parecia o real motivo. Peter estava muito mal para uma pessoa que só estava “espantada”.

As coisas estavam muito agitadas para Annie, então ela ficava quase todo dia na biblioteca. No último mês, ali estava sendo seu refúgio. Enquanto Peter e James discutiam uma maneira de recuperar a caixa, Annie ficava naquele lugar tão acolhedor. Ela e James tinham se aproximado muito, mais do que ela acharia seguro em toda uma vida. Mas isso não importava para ela; não mais. Sabia que ele era tão parecido com ela quanto sua própria mãe, o que a deixava um pouco assustada.

Annie percebeu que estava na biblioteca desde manhã, e agora o sol já estava desaparecendo. Resolveu sair e ir tomar um banho, para poder comer algo.

Tirando sua blusa no quarto, percebeu que estava com um hematoma no ombro esquerdo. Era um pequeno círculo, do tamanho de uma bola de tênis de mesa. Isso não era importante para ela no momento. Devia ter batido em algum lugar, no meio de suas atuais lutas. Tomou um rápido banho, descendo para desfrutar de umas das delícias culinárias de James.

Na cozinha, encontrou Mary. Elas não eram muito chegadas. Mesmo morando na mesma casa, mal se falavam.

Mary a cumprimentou, mas ela apenas assentiu. Ela não tentava mais puxar conversa, pois sabia que Annie não gostava de conversar. Na verdade, até gostava, mas com poucas pessoas. Mary era completamente extrovertida e simpática. Exatamente o tipo de pessoa que Annie morria de medo em sua antiga escola. Era esse tipo de garota que a perturbava todo dia, e a fazia comer seu lanche sozinha no banheiro. Annie não tentou se aproximar dela uma única vez enquanto estava na casa.

Passou pelo lado de Mary, enquanto pegava algo para comer. No mesmo instante, Peter apareceu na porta. Enquanto James e Annie haviam se aproximado, com Peter e Mary acontecera a mesma coisa. Eles estavam em um tipo de amizade colorida, Annie não conseguia explicar. Na primeira vez que Peter a vira, tentou se fundir ao sofá. Agora, parecia não se separar mais. Annie não ia tentar entender. Se Peter se sentia feliz assim, então isso era bom.

Depois de pegar uma tigela de macarrão com queijo, voltou para a biblioteca. Como sempre, o prato estava deslumbrante. Cada garfada era um pedaço do paraíso. Annie não sabia se se concentrava na comida ou na leitura, até ouvir uma voz vir da porta.

– Annie, acho que você deveria vir um pouco aqui. – era Peter. Todos sabiam onde achá-la.

Ela o seguiu até a sala, onde encontrou com James e Mary.

– Olá senhorita. Estávamos discutindo como achar a caixa. – Annie balançou a cabeça, indicando para James continuar – Bem, Mary estava nos contando que às vezes sonha com Lena. Já sabemos que esses sonhos são reais, porque ela descreveu exatamente a morte dela. Então, a única solução que nos veio foi esperar ela ter outro sonho desses.

Pensando bem, era um bom plano. Eles não tinham pressa para achar a caixa, já que ela não poderia ser usada.

– Certo. Parte do problema foi resolvido, mas, e aqueles homens?

Um arrepio passou por Peter, que soube disfarçar bem.

– Eles não são problema. – disse.

– Como não? – rebateu Annie – Eles também estão atrás da caixa, e podem vir atrás de nós.

– Provavelmente devem estar atrás de Lena agora. E, se eles vierem, contaremos a verdade. – respondeu James

– Claro! Até por que eles também ouviram pacientemente quando Lena disse que não sabia onde a caixa estava, não é mesmo?

Com isso, Annie saiu apressada da sala. Já não bastava a morte de Lena, ou quase isso? Quem mais teria que morrer, para perceberem que aqueles homens não eram amigáveis e não acreditariam neles?

Annie começara a suar frio. Subiu correndo ao quarto para poder tomar outro banho, mas mesmo assim o suor não diminuiu. Sua cabeça latejava insistentemente.

Esparramou-se na cama, agarrando o cobertor. A dor na cabeça a estava deixando cega, e seu corpo doía intensamente. Seu ombro esquerdo começou a tremer, e ela levou sua mão até ele. Estava muito quente, tanto que queimou a mão de Annie. Agora todo o seu corpo estava tremendo, e ela não conseguia mais pensar.

Pensando que estava morrendo, viu um brilho vermelho sair de seu peito. Quando não conseguia mais se mover, soube o que era. A mulher que a impedira de deixar James abrir a caixa estava levando sua mão até seu ombro esquerdo. Algo preto arroxeado estava passando para o pulso da mulher, enquanto o tremor e a dor aliviavam do corpo de Annie. Depois de estar normal novamente, o brilho vermelho voltou para seu peito.

Quando se levantou, estava perfeitamente normal. O que aquela mulher havia feito com ela? Olhou-se no espelho, e percebeu que o hematoma estava maior. Agora era do tamanho de uma bola de tênis, tomando quase todo o ombro dela. Levou sua mão ao ombro. Dessa vez o lugar estava frio; mais frio que o resto de seu corpo. Era como se sua pele estivesse morta. O que estava acontecendo com ela?

– Senhorita?

A voz de James veio da porta, e ela fingiu não ouvir. Não estava com vontade de conversar, muito menos depois do acontecido.

– Senhorita, por favor. É importante.

Foi batendo os pés e bufando para a porta, fazendo barulho propositalmente.

– O que é, James? – Annie estreitou os olhos, para desafiá-lo.

Ele entrou no quarto, e fechou a porta. Annie estava perto da porta e, quando James entrou, seus corpos se tocaram. Mais uma vez, a pele de Annie foi eletrizada. Por que toda vez que se tocavam, isso acontecia?

– Não vou pedir desculpas, se é isso o que está pensando. – ele se apoiou no guarda-roupa e continuou – Na verdade, eu gostaria de saber o que pretende fazer.

Annie inclinou a cabeça. Do que ele estava falando?

– Como assim?

– Se está tão determinada a pegar aqueles homens, então deveria ter um plano, não acha?

– Bem, sim. Mas...

James a interrompeu e disse:

– Por favor, pare. Desde que chegou aqui, tentei ser gentil. Realmente tentei. Mas não dá mais. Sei que tem seus problemas do passado e tudo o mais, mas, seria muito educado se você se lembrasse de que não é a única que tem problemas aqui. A única garota que Peter amou na vida, está andando por aí possuída. Não foi legal você ter dito aquilo.

Annie escancarou sua boca enquanto James saía pela porta. Ele nunca fora tão grosso com ela dessa maneira. Provavelmente, Annie havia sido mais rude do que pretendia. E aconteceu a coisa que Annie mais estava com medo desde o dia em que quase fugiu: magoara James. Como ela podia ser tão burra?

Ela se sentou no chão e colocou a cabeça entre os joelhos, esperando as lágrimas virem. Algo salgado escorreu até sua boca, e seu rosto foi encharcado por lágrimas como não faziam há anos. Por que tudo o que era bom para ela, Annie tinha que afastar?

Depois de algumas horas, levantou-se e limpou seu rosto. Desceu para a biblioteca, esperando achar seu lugar de conforto vazio. Mas não foi o que aconteceu. Mary estava sentada em sua poltrona, lendo seu livro e não pareceu notar quando Annie entrou.

– Com licença, mas, esse aí é meu lugar.

Mary a olhou com desprezo, mas levantou da poltrona. Quando ia saindo pela grande porta, Annie ainda disse:

– E esse é o livro que estou lendo, se não se importar.

Mary provavelmente notara o tom amargo e irônico na voz de Annie, então voltou até ficar a alguns passos dela.

– Olha aqui, garota insolente, nada aqui lhe pertence. Nada! – Annie estava espantada com a reação de Mary, que continuou sussurrando – E, se falar comigo mais uma vez dessa forma, arranco sua língua.

Mary pegou o pesado livro e o socou no peito de Annie, que cambaleou para trás. O que acabara de acontecer ali? Mary, que sempre parecera tão frágil e inofensiva...

Dizer que as duas não eram chegadas era certo, mas isso não justificava o que ela acabara de fazer.

Annie resolveu não se importar com isso; já tinha muito com o que ocupar sua cabeça. Voltou a ler seu livro e em algumas horas já havia terminado. Não sabia mais o que fazer, até seu estômago roncar.

Foi até a cozinha e deparou-se com James cozinhando. Aparentemente ele estava começando agora, porque estava cortando algumas coisas.

Annie estava se virando para sair dali, quando ele a viu.

– Senhorita?

– Ah, oi James. Eu já estava saindo.

Quando abriu a porta, ele a chamou.

– Seria ótimo ter uma ajuda aqui.

– Certamente seria, mas tenho muito que fazer. Com licença.

Saiu e fechou a porta delicadamente. Não estava com vontade de falar com James depois do que ele havia feito.

Ouviu alguns passos atrás de si e uma voz a chamando – provavelmente a de James – mas a deixou para trás. Seu estômago continuava a roncar e ela sentiu suas pernas fraquejarem. Pensando que era fome, resolveu voltar para a cozinha. Ela não poderia evitá-lo para sempre.

No meio do caminho de volta Annie caiu, provavelmente por causa da fraqueza nas pernas, e bateu a cabeça. Quando encostou sua mão no lugar dolorido, voltou manchada de sangue. Apoiou-se em suas mãos para levantar, quando ouviu outra voz, dessa vez feminina. Pensou ser de Mary, então se virou com a mão na cabeça para mandá-la embora.

Calou-se imediatamente quando viu quem realmente era. A mulher de vermelho estava em sua frente, flutuando. Os encontros com ela estavam tornando-se mais frequentes, e isso, provavelmente, não era um bom sinal.

Annie tentou dizer algo, mas saíram somente algumas palavras ininteligíveis, então ficou quieta.

– Você sabe onde está.

Confusa, Annie falou:

– Onde está o que?

– A mulher do ardor, aquela que não mais se deve dizer o nome. A prole de seu sangue sabe, mas não irá dizer até ser pressionada.

– Espere, o que?

Annie queria perguntar mais. A mulher do ardor Annie sabia que era Lena, mas, prole de seu sangue? Estaria ela falando de Mary? E por que Mary esconderia tal informação, quando, aparentemente, era amigável?

A mulher de vermelho rodopiou no ar e virou fumaça. Essa fumaça prendeu-se ao peito de Annie, e lá ficou como em todas as outras vezes.

Com a cabeça doendo, subiu para seu quarto e se jogou na cama. Tudo rodopiava, e Annie não sabia mais distinguir o que era real e o que era alucinação. Depois de algum tempo deitada, a dor de cabeça passou e ela viu a mulher de vermelho em sua frente, repetindo as palavras sobre a mulher do ardor. Quando Annie olhou para baixo pôde ver um vestido vermelho e seus próprios pés descalços. Olhou para frente, para perguntar à mulher o que estava acontecendo, mas ela não estava mais lá. Annie percebeu que seus cabelos também estavam vermelhos como fogo, e agora ela era a mulher de vermelho.

Não estava mais em seu quarto. Esse era um lugar completamente branco, que não dava para distinguir onde começava o chão e terminava o teto.

Olhou novamente para suas mãos, e sentiu como se estivesse em chamas. Era algo insuportável, que foi se arrastando para o resto de seu corpo. Ela não queria, mas começou a gritar. Chamou por socorro, mas ninguém podia ouvi-la. Quando mais alto gritava, mais seu corpo ardia em chamas.

Quando olhou de novo para baixo, alguns pedaços de pano pairavam perto de seus pés, dando contraste contra o chão branco. Sua pele estava se soltando da carne, e tudo o que via era mais chamas. Fechou os olhos. Talvez assim o sofrimento fosse menor.

Assim que abriu os olhos, estava de volta ao seu quarto, e suada, muito suada. Passou a mão por seu corpo para ter certeza de que cada pedaço de pele estava lá. Aparentemente, estava tudo certo. Annie não sabia se aquilo havia sido um sonho ou outra daquelas visões que a mulher de vermelho lhe mostrara quando James quase quebrara a caixa e destruía tudo.

Não sabia, e isso certamente não importava. Foi tomar banho para tentar tirar algumas informações de Mary.

Assim que desceu, viu Mary conversando com James. Isso era estranho, já que eles quase não se falavam.

– Mary? Eu poderia falar com você um pouco?

Ali não era um bom lugar, perto de James. Annie caminhou até a biblioteca, e sabia que Mary a estava seguindo.

– O que você quer?

Mary não falou isso com arrogância ou desconfiança, apenas curiosidade.

– Estamos esperando há algum tempo notícias de Lena, como você já sabe. E, bem, isso depende de você. Mas algo me diz que você não quer nos dar informações preciosas sobre ela. É ou não é, Mary?

– Mas o que é isso! Você está me acusando de não querer procurar minha própria irmã?

– Não estou lhe acusando de nada, apenas estou perguntando se você já tem informações.

– Você não acha que, se eu tivesse informações, já não teria avisado a vocês?

Annie queria ir embora dali o mais rápido possível. Dizer à Mary que chamá-la ali fora um erro e ir para seu quarto. Estava prestes a fazer isso quando uma voz, bem no fundo de sua mente, falou para Annie insistir um pouco mais. Estaria ela ficando louca? Era possível, mas fez o que a voz disse.

– Sinceramente? Sim.

– Sua insolente!

Mary pulou em cima de Annie e as duas caíram no chão. Annie rolou para ficar por cima de Mary, e agarrou seus ombros. Começou a batê-la contra o chão e a gritar.

– Diga! Eu sei que você sabe!

Dessa vez quem rolou foi Mary, e encheu o rosto de Annie de socos. Ela não era forte, mas era rápida. Mesmo assim, Annie conseguiu rolar mais uma vez, e bateram contra uma estante. Sem pensar muito, ela agarrou um livro e levantou seu braço para batê-lo no rosto de Mary. Nesse exato momento James apareceu na porta, gritando.

– Mas que droga está acontecendo aqui?

A sanidade ainda não havia voltado à Annie, e ela ia abaixando seu braço. Inexplicavelmente, James estava ao seu lado, segurando seu braço. Ele deu uma pequena olhada para Mary e saiu da biblioteca com Annie. Ela pensou que fossem entrar em seu quarto, mas passaram reto e viraram à direita. Seguindo mais um pouco a frente, entraram em um quarto todo decorado de azul marinho. Annie queria ver mais, mas James a levou até o banheiro e a jogou contra uma parede.

– O que você pensa que estava fazendo? Ela é única pessoa que pode nos dar a localização exata de Lena, mais precisamente a localização da caixa, e você quer matá-la?

– Eu não queria matá-la, James. Ela sabe onde Lena está, e eu só ia fazê-la falar. Só isso.

– Batendo com um livro de seiscentas páginas em sua cabeça? Não sei como não pensei nisso antes. E por que raios ela esconderia tal informação de nós?

– James, você tem que acreditar em mim.

– E por que eu deveria? Você insultou Pete e agora tentou matar Mary. Me dê um bom motivo para acreditar em você.

Essa acertou Annie em cheio. Embora não houvesse tentado matar Mary de fato, realmente havia ferido os sentimentos de Peter dizendo sobre a meia morte de Lena. Mas James precisava acreditar em Annie. Era isso, ou nunca descobririam onde a caixa estava.

– Desculpe, Annie, mas dessa vez não.

Ele ia saindo pela porta, quando ela se obrigou a dizer as palavras.

– James, por favor.

Parado com a mão na fechadura, hesitando por um momento, Annie o viu andar até ela. Parou há alguns metros de Annie – o banheiro era grande – e falou:

– Annie, sério, você tem que parar com isso. Você está me deixando louco com essas trocas constantes de humor. Eu não sei em que acreditar. Dê-me um tempo. Irei juntar tudo o que tenho e depois te falo. Assim está bom para você?

– É melhor que nada. – James revirou os olhos, e indicou com a cabeça para que ela o seguisse. No caminho para a porta, James lembrou-se de algo e virou repentinamente, trombando com Annie. Mais uma vez, o choque percorreu todo o corpo dela.

– Tudo bem, eu sei que você sentiu.

Então James também sentia os choques. Não era algo da cabeça de Annie. Ela ficara um pouco mais aliviada com isso.

Respondendo à pergunta de James, apenas assentiu.

– Não é a primeira vez. Pensei que fosse algo da minha cabeça.

– Eu também. Principalmente pelo fato de que... Bem, esqueça. Vamos à cozinha, preciso comer. E parece que você também. – disse James, deduzindo a fome de Annie provavelmente pelo barulho de sua barriga.

Quando chegaram à cozinha, Annie estava indo até a geladeira, mas James a impediu. Ele disse que, dessa vez, a comida seria fresca. Ela o viu pegar algumas coisas no armário e jogar várias delas em uma panela.

Não conseguiu ver muita coisa, mas, quando James chegou com o prato na mesa, o queixo de Annie caiu. Tinha uma carne com algum tempero em cima e, do lado, batatas fritas.

Começou a comer e mal parou para respirar. Assim que terminou, olhou para James. Ele estava com um sorriso enorme em seu rosto quando perguntou se Annie havia gostado.

– Se eu gostei? Essa foi a melhor refeição que já tive em minha vida!

Depois de conversarem um pouco, Annie ia saindo da cozinha, e James a chamou.

– Annie, eu... Vou considerar sua loucura. – vendo que Annie ia protestar, continuou – Não diga nada. Amanhã descobriremos se é loucura ou não. Agora, durma.

Annie fez cara feia, porém obedeceu e subiu para o quarto. Não estava com sono, mas obrigou-se a dormir quando deitou, pois o dia seguinte seria cheio.

Assim que acordou, tomou um rápido banho e desceu. Comeu a primeira coisa que encontrou na geladeira e foi ao encontro de James, em seu quarto.

– Bom dia, senhorita.

Ele viu a aflição no rosto de Annie, mas nada disse. Apenas se esgueirou até o quarto de Mary, no outro lado do corredor. Annie pensou que ele seria pacífico e carinhoso, como sempre era. Mas, dessa vez, ele chutou a porta, que se soltou das dobradiças.

A garota estava na frente da penteadeira, olhando para o próprio reflexo. Não teve reação alguma a isso, então Annie resolveu gritar seu nome. Lentamente, sua cabeça foi virando e ela pareceu tomar consciência do que estava acontecendo.

– O que está acontecendo aqui?

– Ou você diz onde Lena está por bem, ou eu a farei falar.

– Você bateria em uma mulher, James?

Annie sabia a resposta dele, e sabia que Mary estava jogando sujo. Simplesmente falou:

– Ele não, mas eu sim.

Para dar ênfase ao que havia dito, deu um chute em seu peito, que a fez cair para trás junto com a cadeira. Rapidamente, Annie sentou em cima dela, prendendo-a com as coxas.

– Diga! Diga onde ela está! – gritou James

– E o que ganho com isso? Nada!

– Se você não disser, você morre. Acredite, não tenho medo de matá-la. E será que a vida de Lena vale tudo isso? Quer dizer, antes valia, mas, e agora? Agora ela só faz o mal a todos. Você trocaria sua vida pela vida dela? – disse Annie

Sentiu que o corpo de Mary havia relaxado, e lágrimas irromperam de seus olhos.

– Ela está no Hollywood Sign. Não sei o que planeja, mas é algo grande. Por favor, não a machuquem, ela é minha irmã.