Guerra entre Mundos
7 Esqueça as retas.
“Esqueça as retas.
Pense em círculos, em curvas
Em altos e baixos
Assim, as surpresas da vida o surpreenderão menos
O desgastarão menos.”
– Fabiana Gonzalez
Assim que fizeram Mary confessar onde Lena estava, Peter apareceu furioso na porta do quarto, exigindo uma explicação. E é claro que ele não acreditou quando Annie tentou explicar o porquê daquilo tudo. Inexplicavelmente, Mary se fez de vítima. Disse que Annie e James haviam entrado em seu quarto, e a estavam machucando sem motivo algum. Qual era o problema daquela garota? Por que estava fazendo isso?
Depois de tudo mais ou menos resolvido, James disse à Peter que eles tinham que ir ao Hollywood Sign. No mesmo instante Peter disse que não iria. A justificativa era que tinha que cuidar de Mary, pois estava muito ferida. Psicologicamente. Annie não conseguiu acreditar quando Peter disse isso. Logo ele, que era tão ligado ao amigo. O que espantou Annie foi o fato de James não ficar magoado. Na verdade, ele parecia estar calmo demais.
Ficou decidido que eles sairiam no outro dia, assim que amanhecesse. Toda essa confusão já havia levado metade do dia. Ainda havia muita coisa para vir durante o resto do tempo.
Annie resolveu ficar trancada na biblioteca o dia todo. Embora pudesse facilmente pegar um livro e levar ao seu quarto, não o fazia. A biblioteca era um ambiente completamente diferente, onde Annie podia ler e respirar livros. Parecia que tudo era mais calmo; uma realidade diferente.
Ela estava em um devaneio profundo enquanto lia, até ser interrompida por James. Assim que entrou na sala virou para a esquerda e não pareceu notar Annie. Ele deu uma volta por toda a biblioteca, e Annie o viu sair detrás de uma das estantes. Estava segurando um livro quando esbarrou na poltrona de Annie. James parecia espantado por Annie estar ali. Olhou para ela como se fosse a primeira vez que a via, em anos.
– Minha nossa, senhorita, me perdoe.
– O que está fazendo aqui, James?
Ele já estava acostumado quando Annie não respondia a suas demonstrações de educação, então simplesmente falou:
– Vim trocar meu livro. Toda semana pego um livro e levo ao meu quarto. Por que?
– Então como não te encontrei nesse último mês que se passou?
– Porque não vim trocar. Aconteceram muitas coisas e eu não conseguia me concentrar.
Isso era verdade. Annie ainda se perguntava como conseguia se concentrar em meio a tudo isso. Talvez fosse pelo fato de que ela precisava fugir daquele mundo podre de alguma forma, e o único meio era lendo. Ela podia fugir para tantos lugares, de uma forma magnífica.
– Se a senhorita me der licença.
Dizendo isso, saiu pela porta com passos apressados.
Depois de mais algum tempo lendo, sua cabeça começou a latejar e ela decidiu que era hora de comer. Espantosamente, já era mais de meia noite. Comeu algo rapidamente e foi para a cama. Ela deveria estar dormindo há muito tempo.
Acordou com uma leve batida em sua porta.
– Senhorita? – sussurrou James – Está acordada?
Levantou subitamente, abrindo a porta. Os olhos de James percorreram todo o corpo de Annie, e só então ela percebeu que estava somente com as roupas íntimas que havia usado no dia anterior. Não se lembrava de ter tirado a roupa. Quando olhou para Annie, o rosto de James estava um pouco enrubescido, mas seus olhos tinham um brilho selvagem. Automaticamente fechou a porta, deixando somente seu rosto à vista. Sentia que estava ficando vermelha dos pés à cabeça.
– Desço em um minuto, James.
Sem mais cerimônias, bateu a porta e correu tomar um rápido banho para colocar roupas decentes. Resolveu levar a pequena mala, feita no dia em que resolvera partir para não ter que fazer mais ninguém sofrer. Ela repousava amigavelmente abaixo da cama. Tudo ainda estava lá. Annie não mexera em uma alça desde aquele dia.
Correndo para baixo, resolveu passar na cozinha e pegar alguns suprimentos. Quem sabia quantos dias ficariam fora? Quando foi até a sala, James estava com a cabeça repousada na parte de trás do sofá. Não era intenção de Annie acordá-lo, mas entrou rápido demais, e a porta bateu na parede. Ele levantou em um pulo do sofá e fez postura de luta. Ficou olhando ao redor, até perceber Annie ali.
– Me perdoe, senhorita. Eu dei apenas uma pequena cochilada e...
– James, eu só quero ir logo.
Ele assentiu e pegou algo no vão do sofá. Annie não fazia ideia do que se tratava, então apenas seguiu-o até a porta. Assim que a fechou, ela foi aberta novamente.
– Não achou realmente que eu o abandonaria, não é, Jem?
Parado na porta, como se estivesse ali por horas, estava Peter. Annie estava prestes a soltar vários insultos, lembrando-lhe de sua irresponsabilidade de ter deixado James preocupado e triste, mas conteve-se assim que viu o enorme sorriso no rosto do amigo. James realmente estava feliz por ver Peter ali, e o estava olhando como se ele fosse um prêmio que havia conquistado depois de horas de corrida exaustiva.
O sorriso de James fechou-se e ele deu um enorme tapa na testa de Peter, que estralou e já começava a deixar o local vermelho.
– Você é tão idiota, Peter.
O tom de voz de James era sério, mas seu sorriso já havia voltado tão súbito quanto havia ido. Ele passou um braço pelos ombros do amigo e começou a andar.
– Certo, isso tudo é muito lindo e muito afetuoso, mas, como vamos chegar nesse tal de Hollywood-não-sei-o-que? Aliás, onde estamos?
Annie percebeu que ainda não tinha perguntado isso. Algum tempo atrás, isso teria sido impossível. Porém Annie andava tão distraída que tinha medo de esquecer o próprio nome.
– Estamos na Califórnia, em Los Angeles. Temos que ir até o Hollywood Sign. Sabe? Aquele letreiro enorme escrito “Hollywood”. – respondeu Peter
Certamente Annie já ouvira algo sobre, só não sabia onde. Isso não interessava a ela. Sua família não tinha televisão na casa, então ela não conseguia ficar muito informada sobre o mundo.
– Eu não acredito! Você nunca ouviu falar disso? – quando Annie balançou a cabeça, Peter continuou – Isso é impossível! Quer dizer, o letreiro é mundialmente conhecido e...
James percebeu que Annie estava ficando sem graça, então lançou um olhar cortante para Peter, que se calou imediatamente.
– Bem, precisamos pegar um trem. E precisamos de dinheiro.
Com um sorriso que mostrava todos os seus dentes, Peter olhou para ele e piscou. James, ainda com aquele sorriso enorme no rosto, assentiu enquanto o amigo saia correndo.
Continuou andando, como se nada houvesse acontecido. Quando Annie perguntou o que estava acontecendo, James apenas afirmou que tudo ficaria bem.
Bem no fundo de sua mente, aquele caminho era familiar para ela. Andou olhando para cima, e rapidamente reconheceu. Era o caminho por onde James a tinha guiado até o antigo orfanato. Annie facilmente reconheceu o prédio onde James a levou para ver os fogos do ano novo.
Parecia que isso havia acontecido há tanto tempo... Há séculos. Uma onda de nostalgia tomou conta de Annie e seus olhos arderam. Ela não podia chorar. Não ali, não naquele lugar, não naquele momento. Tratou de se concentrar no caminho, e rapidamente suas lágrimas desapareceram.
Esses momentos de fraqueza estavam menos frequentes para Annie, mas, quando aconteciam, vinham para destruí-la por completo. Há um momento atrás ela estava razoavelmente calma, e agora, estava desabando. Podia sentir seu coração se apertando em seu peito, enquanto o rosto de sua mãe lhe vinha à mente. Por que agora?
Pensava já estar tão forte e segura de si. Mas isso era somente mais um engano, como na vez em que achou que suas barreiras eram indestrutíveis. Encher-se de confiança só fazia doer mais quando tudo isso se esvaia.
Não adiantava tomar decisões de não chorar mais, ou de nunca mais ser fraca. Isso não resolveria coisa alguma. Annie precisava de uma âncora. Algo que a salvasse quando estivesse afundando nas trevas de sua própria cabeça. Já estava cansada de esperar.
Sendo tirada de seus pensamentos à força, escutou a voz de James.
– Hey, Annie? Você escutou algo do que eu disse nos últimos cinco minutos?
– Ah, não. Eu estava pensando... O que você disse?
– Eu estava dizendo – começou, revirando os olhos – Que chegamos. Agora é só esperar Peter.
– Ah, sim.
Agora o que restava à Annie era esperar junto a James. Não demorou muito e Peter chegou. Tirou um bolo de dinheiro do bolso e mostrou para o amigo discretamente. Sem perceber, Annie soltou uma exclamação. James a pegou pelo braço e levou até o subsolo, deixando Peter para trás. Alguns minutos depois, ele já estava com eles novamente.
O trem parou e enquanto entrava, Peter jogou os três ingressos no rosto do guarda que soltou um som de protesto e surpresa. Ele procurava por Peter, que já havia saído de sua vista há muito tempo.
Annie tinha algumas perguntas, mas guardou-se para perguntar quando chegassem onde quer que fosse. Ali tinham muitas pessoas.
Ela ficou sentada pelo o que pareceu uma eternidade, até o trem parar pela sexta vez e eles descerem. Fizeram a mesma coisa com pelo menos mais dois trens até finalmente chegarem onde precisavam.
Começaram a andar, e Annie percebeu que ali era quase impossível de encontrar pessoas que estivessem fora de seus carros. A rodovia era movimentada e os três foram atravessar a rua, quando um carro quase os atropelou. O cara simplesmente gritou um xingamento e foi embora. Ninguém parecia ter prestado atenção. Finalmente chegaram ao outro lado, e começaram a correr um pouco.
O resto do caminho era como em uma cidade de interior, coberta de mato e casas pequenas.
Seguiram andando até chegarem a um lugar que era subida. Parecia ser muito íngreme, e impossível de ser subida andando. Annie viu uma pequena pista que contornava toda a montanha, mas levaria uma eternidade para conseguirem chegar até lá.
– Genial. Parece que chegamos, mas, e agora? Como vamos subir?
James estendeu a mão para Annie, e disse:
– Se a senhora me conceder a honra...
Ela pegou na mão de James e imediatamente sentiu um enjoo. Fechou seus olhos e esperou passar. Quando os abriu, o que via era incrível.
Ao fundo podia ver uma cidade enorme, coberta de prédios e casas. Mais perto tinha um lindo lago, que James explicou ser um reservatório de água.
– Você precisa ver isso à noite... Fica lindo.
– Espere... Você já veio aqui? Aliás, não seria mais fácil ter simplesmente nos teletransportado até aqui?
– Certamente seria, e eu o teria feito, se pudesse. Só consigo teletransportar no máximo um quilômetro e meio sozinho. Com pessoas, meu alcance limita-se a um. – James levantou a cabeça e olhou profundamente nos olhos de Annie, como se o que ele fosse dizer tivesse um significado enorme – Sim, senhorita, eu já vim aqui.
– E agora? Esperamos?
Parecendo que estava respondendo a pergunta de Peter, eles puderam ouvir um barulho vindo de dentro de uma casa na enorme montanha que rondava o letreiro.
Em silêncio, tentaram se esconder atrás de uma das paredes. Assim daria para ouvir o que estavam falando. Mas não escutaram voz alguma. Ouviram apenas passos que pareciam vir de alguém que estava correndo.
Esgueiraram-se pela parede para poderem ver o que estava acontecendo, e então viram Lena. Não o monstro flamejante em que ela se transformara, mas Lena. Estava andando inquieta com um olhar confuso, como se não soubesse o que estava fazendo ali.
Peter havia percebido a mesma coisa e ia se levantando. James o puxou no exato momento em que um homem vestindo terno preto saiu da casa com um pedaço de madeira na mão.
– Quantas vezes eu lhe disse para não fazer isso?
Assim que Lena virou-se, ele bateu com a madeira em sua cabeça. Annie ouviu um som abafado vir de trás dela. Quando se virou, se deparou com um Peter debatendo-se nos braços de seu amigo, que colocava a mão em sua boca.
Annie percebeu que Peter estava escapando pelos braços de James. Pensou tarde demais em tentar ajudá-lo.
– Saia de perto dela! Agora! – gritou Peter, saindo de trás da parede.
O homem parecia assustado ao vê-lo ali, tão abruptamente. Recuperando-se de sua surpresa, foi para cima de Peter. Annie apenas ficou olhando, incapaz de fazer algo. O que ela poderia fazer? Mal sabia dar um soco. James saiu correndo e tentou pular no homem, mas ele atingiu sua cabeça. Caiu inerte ainda no ar.
Peter começou a gritar. O homem ficou assustado mais uma vez, mas logo agiu, indo para cima de Peter. Quando estava chegando perto de Peter, algo luminoso rasgou o espaço entre os dois, jogando-os para trás. Imediatamente, Annie pensou ter sido um raio formado por Peter. Assim que viu Lena de pé, sabia que não era isso. Mais uma vez, Lena estava sã. O que havia atingido os dois era um tipo de explosão.
Annie ficou imóvel em seu lugar, incapaz de sentir as próprias pernas.
– Annie – Lena deu uma longa inspirada antes de continuar – Não sei por mais quanto tempo vou conseguir controla-la. Vocês têm que...
O corpo de Lena bateu contra o chão, fazendo-a contorcer. Quando abriu os olhos, estavam, mais uma vez, no tom avermelhado. Todo seu rosto estava ficando da mesma cor enquanto seu corpo lutava para não ficar em chamas.
Ela socou o chão, fazendo todo o solo tremer. Depois de um grito gutural, era Lena novamente. Levantou-se o mais rápido que conseguiu, e falou algumas palavras ininteligíveis.
– O que? – sussurrou Annie, incapaz de fazer mais do que isso.
Os olhos de Lena giraram na órbita, fazendo-a ficar mais assustadora que o normal.
– A caixa. Está lá dentro. Não sei onde. Planejam algo grande para daqui, não sei, uma semana. Bem aqui. – ela curvou-se sobre a barriga, ficando ereta logo em seguida – Vou ficar o mais longe que posso. Desperte James e encontre a caixa. Não demore ou...
Lena não conseguiu dizer mais uma palavra. Em segundos seu corpo foi engolido pelas chamas. Seus olhos castanhos escuros eram a única coisa ainda humana.
Deu uma última olhada para Annie e saiu correndo. Correndo em direção ao penhasco. Quando Annie gritou seu nome já era tarde demais.
Sem mais demora Annie jogou-se no corpo de James e começou a sacudi-lo. Gritou seu nome várias vezes, mas nada aconteceu. Não havia tempo para procurar coisas ardidas, então, em uma descarga de adrenalina inexplicável, Annie conseguiu puxar James e Peter para dentro da casa. Entrou pela primeira porta que encontrou e os colocou lá. Teria que encontrar essa caixa, sozinha.
Embora não parecesse, a casa era pequena. Tinha apenas dois cômodos, um de frente para o outro. Ambos estavam vazios, exceto por um colchão de casal. Correntes estavam atadas ao ferro da cama, e havia muito sangue no lençol.
Infelizmente, não tinha tempo para apreciar detalhes. Jogou o colchão no chão, passando a mão por cada milímetro. Nada.
Foi até um pequeno banheiro, onde só existia uma privada e a pia. Nada mais. Era ali que Lena estava sendo mantida? Isso era horrível.
Voltou ao quarto onde estavam James e Peter, ainda inconscientes. Annie passou a mão por todos os lugares na parede, mas não achou nada nos dois quartos.
Ela jogou-se no chão ao lado de James para tentar despertá-lo. Nesse exato momento sentiu uma batida, como um eco, logo abaixo de si. Havia pequenos cortes no chão. Aquilo era algo como um fundo falso. Por que teriam um fundo falso tão à vista? Poderia ter sido colocado até mesmo embaixo da cama, por que não? No mesmo instante lembrou-se do que sua mãe dizia: “o melhor lugar para se esconder é ficando bem à vista”.
Nunca concordara com aquela frase, até agora. Normalmente, quando procuravam algo, as pessoas buscavam por lugares planejados e bem pensados. Nunca prestariam tanta atenção para achar um corte no chão.
Afastou James de cima e abriu.
A caixa estava ali, inerte, como deveria estar. Pegou-a rapidamente e fechou a pequena porta. James ainda não havia acordado, portanto Annie deveria tomar alguma atitude. Mas qual?
Em um momento de loucura, teve uma ideia. Correu para o banheiro e abriu a torneira, mas gota alguma escorreu de lá. A privada estava coberta de musgo e a água cheirava à comida podre, mas tinha que servir. Encheu a caixa de água e jogou no rosto de James, que levantou assustado.
– Mas que droga, Annie!
Olhando em volta, lembrou-se do que havia acontecido. Sua expressão ficou séria e ele assentiu. Pegou Peter no colo e o levou para fora. Segurou-o pela cintura, apoiando o braço em seu próprio ombro e estendeu a mão para Annie.
Quando estendeu seu braço, viu o homem ainda inconsciente no chão. Não conseguiu se segurar e foi correndo para cima dele com a caixa, que bateu em sua cabeça. Uma, duas, três, quatro vezes. Ainda não era suficiente. Se não fosse por eles, Lena ainda estaria com Peter, tendo uma vida normal. Ou o que fosse possível na situação deles. Se não fosse por aqueles homens, certamente ainda teriam Lena e uma vida particularmente normal.
Não sabia quando tinha soltado a caixa e começado a bater com as próprias mãos, mas, pôde sentir o sangue de sua mão confundindo-se com o sangue escorrendo por seu rosto quando James a pegou pelos braços e envolveu-a em um abraço.
– Não! Não! Eles mataram Lena! Me solte, James!
Ela debatia-se nos braços de James, enquanto ele sussurrava algo em seu ouvido. Ela não queria escutar. Queria apenas bater mais naquele homem, até ele ficar machucado a ponto de ser irreconhecível. O mesmo que eles haviam feito com Lena. Transformaram sua alma em algo irreconhecível, algo que ardia e machucava à todos. Isso era cômico, pois era assim que Annie se sentia todo dia. Letal.
Teve um pequeno momento de sanidade que a avisou que eles tinham pouco tempo. Isso fez Annie se acalmar, até poder ouvir as palavras de James.
– Senhorita, temos pouco tempo. Por favor, vamos embora.
– Ele merece. Merece ser morto!
– Annie – James soprou em seus ouvidos – Olhe para baixo e veja o que fez. Ele já está morto.
Quando ela olhou, o homem realmente estava morto. Mais do que isso, desfigurado. Onde uma hora fora seu nariz, não havia mais nada. Seu rosto estava amassado contra o chão, ficando realmente irreconhecível. O chão estava banhado de sangue, assim como ela. Ficou horrorizada com o que fizera, mas não tinha tempo para pensar nisso.
Annie desvencilhou-se dos braços de James e foi até Peter. Sem dizer uma palavra, James abaixou-se e, em segundos, Annie foi tomada pelo enjôo do teletransporte.
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