Guerra entre Mundos

5 Com sua luz do dia e brilho da noite.


“Você se foi, na escuridão de minha vida
Mas ainda posso vê-la, linda... linda
Daqui mesmo de onde estou
No sol de sua felicidade, sumo diante você
Assim como as estrelas do infinito céu negro, ao amanhecer
Mas assim como a lua, com sua luz do dia e brilho da noite
Permanecerei continuamente, no amanhecer e anoitecer
Daqui mesmo de longe, pois não importa o que aconteça
Você estará em mim para sempre.”

– Aminadá

A irmã de Lena era realmente como ela. O mais marcante era o cabelo. Elas tinham a semelhança que a maioria das irmãs tem, mas, era como se o cabelo de Mary fosse uma extensão dos de Lena.

Peter estava encolhido em um dos cantos do sofá, enquanto Mary explicava o porquê de ter ido até ali.

– Bem, na verdade, eu não conhecia Lena até alguns momentos atrás. Sou um ano mais nova que ela e, quando nasci, minha mãe já a havia trazido para o orfanato. Eu estava dormindo quando ela morreu.

Encolhido no sofá, Peter emitiu um ruído quando Mary disse o que havia acontecido. Ela não pareceu perceber, então continuou:

– Pude ver tudo, exatamente como aconteceu. – Mary olhou para Peter e, como se fosse possível, ele se encolheu ainda mais no sofá – Quando acordei, eu sabia que ela era minha irmã. Senti algo como um elo. Então, perguntei à minha mãe. Ela não hesitou um momento em me contar quem Lena era e o que tinha feito. Mas foi só. Não me contou o porquê de trazê-la para cá ou algo do tipo. Quando eu disse que iria atrás dela, minha mãe simplesmente disse que se eu fosse, não precisava voltar.

– Parece que sua mãe não se importa muito em, bem, despachar filhos. – falou suavemente James

Mary o olhou em reprovação, mas disse:

– Somos cinco filhos. Seis comigo. Ela nunca demonstrou afeto então, creio que se morrêssemos, não faria diferença alguma.

Depois de explicar tudo, ficou resolvido que Mary iria ficar na casa. Não sabiam se ela tinha dotes como os de Lena ou não, então James e Peter resolveram dar um quarto a ela e começar a fazer estudos.

Não sabiam mais o que fazer, então resolveram estudar a caixa. Annie levou o caderno que estava com as anotações em outra língua e o caderno com a tradução para o quarto e os jogou na cama. Tentou ver o que mais conseguia traduzir, mas sua atenção não estava ali.

Annie estava pensando no quase beijo de James, e depois em como ele a fez sentir-se protegida em um momento onde ficara assustada. Tudo isso rodava em sua cabeça, fazendo-a pensar em seus sentimentos. Annie estava desenvolvendo algum tipo de sentimento por ele, isso era certo. Tudo o que ela não queria, tudo o que sempre mais teve medo, estava acontecendo. A barreira que havia levado anos para construir estava ruindo, e ela não queria isso.

Ser fria era uma necessidade, não uma escolha para Annie. Desde que sua mãe morrera e seu pai a fez sentir como se a morte fosse mais acolhedora do que a ideia de viver, ela resolveu deixar de lado todos os seus sentimentos. Os sentimentos mais fortes havia experimentado com sua mãe. Ela a amou até seu último suspiro. Depois de anos de amor incondicional, sua mãe se foi. Nunca gostara muito de seu pai, pois ele não tratava bem a mãe de Annie, muito menos ela. Era difícil de aturá-lo, mas ao menos tinha sua mãe com ela. Juntas, Annie sentia que poderia enfrentar qualquer coisa. Quando morreu, Layla deixou uma enorme ferida em seu coração. Agora teria que aguentar tudo sozinha. As críticas do mundo, os ataques de loucura e as críticas de seu próprio pai. Mas resolveu que seria forte, por sua mãe. Annie tentou demonstrar afeto por seu pai. Cuidava dele e da pequena casa em que viviam. A pior parte foi quando ele começou a agredi-la não só fisicamente, mas com palavras. Ele falava sem dó alguma. Os hematomas em seu corpo não eram nada comparados ao que seu pai fizera em seu psicológico.

Foi então que Annie resolveu fugir. Ele provavelmente não estaria sentindo falta dela. Desde que sua mãe morrera, vinha construindo barreiras, que finalmente pareciam estar fortes o suficiente para suportar qualquer coisa quando saiu de casa.

Mas se enganara. Essas barreiras foram apenas cortinas, camuflagens para esconder o que Annie realmente sentia, facilmente destruíveis.

Era muito grata pelo o que James e Peter vinham fazendo por ela, mas não podia mais ficar naquele lugar. Ajudou no que pôde, mas agora parecia que tinham tudo o que precisavam.

Ela partiria nessa noite. Não tinha dinheiro, então iria andando. Pegou um punhado de roupas no guarda roupa e jogou na cama. Procurou alguma mala no quarto, achando uma pequena mala de mão. Isso bastaria. Pegou as poucas roupas e as jogou na mala. Ninguém nunca havia entrado no quarto, mas mesmo assim, jogou a mala embaixo da cama. Decidiu que tentaria ser útil, e continuaria a decifrar os códigos no caderno.

Passou a tarde tentando decifrá-lo, mas não estava concentrada, então não conseguiu muitos resultados. Ela já podia ver o sol se escondendo pela pequena janela perto do guarda roupa quando alguém bateu em sua porta. Quando tudo estava perto de dar certo, alguém viria atrapalhá-la? Seria melhor deixar que batessem? Resolveu abrir, antes que entrassem à força.

Pôde ver o rosto pouco bronzeado de James ao abri-la.

– Senhorita, vim me desculpar.

– Pelo o que, James?

– Pelo... Você sabe. O que tentei fazer mais cedo. Agi sem pensar.

No fundo, Annie sabia que ele viria dizer algo sobre aquilo. James era demasiadamente educado para deixar tal ação passar em branco.

– Ah, claro James. Sem problemas. – sem perceber, Annie finalmente respondera a uma demonstração de educação. Deveria ela ficar feliz por isso? Pensava que sim.

Sem mais delongas, Annie fechou a porta. Esperou ouvir mais batidas, mas nada aconteceu. James devia ter percebido que ela não queria conversar.

Esperou mais alguns minutos até o sol desaparecer de vez, e finalmente pegou sua bolsa. Ela não conhecia caminhos alternativos para sair da casa, e todas as janelas tinham grades. Teria que ser pela sala. Esperava não ter ninguém àquela hora.

Primeiro colocou sua cabeça entre a porta, e deu uma rápida espiada. Não parecia ter alguém à vista. Passou pela porta, deu rápidos passos pela sala e abriu a porta. Quando ia fechá-la, algo a impediu. Annie olhou para baixo e viu um pé. O pé de James.

– Aonde a senhorita vai?

Annie abriu a boca, mas rapidamente a fechou. Se dissesse que iria embora, iria magoá-lo novamente, não? Resolveu não dizer mais nada e esperar pela reação de James. Ficaram em um silêncio mortal por alguns minutos, até James finalmente dizer:

– Annie – ele nunca a tinha chamado de Annie – Não sei o que pensa. Aliás, não sei se quero saber. Também não sei por que quer ir embora, mas certamente tem seus motivos. Seria demais eu lhe pedir para ficar?

Annie podia ver a dor nos olhos de James, e percebeu que, de um jeito ou de outro o faria sofrer. Indo embora ou ficando. Porém, qual seria a melhor opção?

– James, eu não posso ficar. Por todos os lugares onde passei... Apenas causei o mal. E agora estou aqui. Não quero machucá-lo. Você e seus amigos foram os únicos que me trataram bem em anos. Não seria justo magoá-lo. Entre ficar e lhe machucar depois, ou ir e lhe machucar agora, prefiro ir. Apenas pelo fato de que, ainda não temos laços muito fortes. Você pode sofrer por um tempo, mas logo vai passar. Se eu ficar e algo acontecer no futuro... Bem, então ambos sofreremos. Muito.

Seu rosto se encheu de compreensão, e ela pensou ver um pequeno sorriso se formar em seu rosto, iluminado pela luz da lua.

– Senhorita... Annie. Se eu soubesse que era isso... Você não compreende. A questão é que, a única pessoa que pode machucar alguém aqui, sou eu. – ela arqueou as sobrancelhas, e ele soltou um suspiro – Há alguns anos, eu fugi de casa. Dia 16 de junho vai fazer dois anos, na verdade. Meus pais realmente não gostavam de mim. E existia uma garota. Bem, ela me fez acreditar em muitas coisas. Entenda, não sou do tipo que acredita em qualquer coisa. Mas então, quando tudo acabou, eu entrei em um estado de depressão. Meus pais apenas aumentavam minha angústia, então resolvi fugir de casa. Eu estava... Um tanto quanto morto. Até você chegar. Não me pergunte o porquê. Eu apenas sabia que você era tudo o que eu precisava. Sabia que você era tudo o que sempre precisei. Foi como uma luz em minha escuridão.

Annie piscou. Realmente não estava esperando receber uma declaração dessas. Ainda era uma surpresa que James sentisse algo por ela, mas uma declaração dessas... Simplesmente a deixou sem palavras.

E agora, era certo ir, e deixá-lo? Ele parecia entender a dor de Annie, mais do que isso, parecia senti-la.

– James, eu...

– Tudo bem, senhorita. Não precisa dizer nada agora. Apenas não vá. Você me fez ver que, às vezes, para se encontrar a luz, é preciso passar pela mais profunda escuridão. Não vá...

James encostou sua cabeça na dela cuidadosamente. Mesmo estando assustada, Annie não recuou. Precisava daquilo. Precisava de um pouco de vida em suas trevas. Por que não permitir que James se tornasse tudo o que ela precisava?

James abriu seus braços e a abraçou. Annie retribuiu, e ela pôde sentir o sorriso no rosto dele refletir em todo o seu corpo. Em alguns instantes, ele estava beijando todo o rosto de Annie. Quando ele tocou levemente seus lábios, ela o afastou com um dedo.

– Não tão rápido. – e formou um leve sorriso – Preciso dormir. Até amanhã, James.

Entrou lentamente na sala e, depois de confirmar que James não estava atrás, foi correndo para o quarto.

Annie realmente estava com sono. Deitou e não teve tempo de pensar no que acontecera antes de cair no sono. Despertou com o sol entrando pela janela, formando formas curiosas na parede devido à cortina.

Ela se arrumou e foi até a sala. Ninguém estava ali. Resolveu ir até a cozinha, que ficava exatamente na porta da frente da sala. Ela nunca tivera a oportunidade de abrir a geladeira, nenhuma das duas. Quando o fez, engordou apenas de olhar. Milhares de doces trasbordavam de lá. Coisas que Annie nunca havia visto em sua vida. Resolveu abrir a outra. A situação não era muito diferente, porém agora com coisas salgadas. Pegou o prato mais simples que viu: pão de geleia com morango, e comeu. Ela já havia provado pães com geleia antes, mas esse... Milhares de sabores se confundiam em sua boca, eram tantos que ela não sabia em qual se concentrar.

Quando estava abrindo a geladeira para pegar mais, ouviu uma risada vir da porta. Fechou a geladeira rapidamente e olhou para trás.

– Comer muito faz mal. A senhorita pode ter uma dor de barriga descomunal com todas essas delícias. – James estava encostado na porta, sem camisa. Sua calça preta destacava todos os formatos de sua barriga; seus olhos azuis agora parecendo um céu nublado contra seu cabelo louro. Ela percebeu que, na verdade, ele era mais alto do que pensara da primeira vez. Alguns centímetros a mais que Annie. Quando estava subindo os olhos, James perguntou – Gostou?

– Eu não estava... Eu... – Annie podia sentir seu rosto ficando vermelho, como chamas se espalhando em grama seca.

– Eu falava do pão, senhorita.

Como se fosse possível, o rosto de Annie parecia estar ficando mais vermelho a cada segundo. Ela não sabia por que aquilo estava acontecendo. Nunca ficara sem jeito na frente de garotos, por que com James seria diferente?

– Ah, sim. – recuperando o fôlego, continuou – Estava incrível. Quem os fez?

– Bem, eu.

Annie se espantou. Um homem que cozinhava? Provavelmente não era raro, mas Annie nunca vira um, então era novidade. Na verdade, era incrível.

– Eu fiz tudo o que está nessas geladeiras. – ele abaixou a cabeça enquanto sussurrava – É como um passatempo.

– Cozinha muito bem, James.

– Obrigado.

Continuaram por mais algum tempo conversando até ouvirem um barulho na porta da sala. Annie resolveu que iria abrir. Como decidira ficar com eles, deveria fazer a cortesia.

Quando a abriu, todo o seu ar foi extinto. Suas pernas pareciam pesar toneladas, e ela não conseguia gritar. Sua voz estava paralisada.

Quem estava na porta era Lena. Não a Lena que ela conhecera, mas a Lena com asas de fogo. Com uma voz entrecortada e rouca, disse para Annie sair da frente. Ela não conseguia se mover, então apenas ficou parada.

Lena encostou em seu ombro, e foi como se ele estivesse sendo queimado de dentro para fora. Depois desse choque, os sentidos voltaram à Annie. Tentou fechou a porta, enquanto gritava por James. Em alguns segundos, ele estava ao seu lado, ajudando-a a empurrar a entrada.

Mesmo a enorme força de James não foi suficiente. A porta foi arrancada das dobradiças e caiu por cima dos dois, enquanto Lena se dirigia a um dos sofás. Parecia que ia se ajoelhar, mas Annie conseguiu ver um brilho prateado em sua mão.

A caixa. Lena estava atrás da caixa.

– James, a caixa!

Ela não precisou dizer mais nada, pois ele entendera o que isso queria dizer. Com um chute, conseguiu tirar a porta de cima dos dois. Saiu correndo e jogou-se em Lena. Ela chacoalhou-se e ele foi jogado longe. Parecia ter batido a cabeça, e estava inconsciente. Agora sobrara para Annie.

Automaticamente, ela pegou um quadro e o jogou em Lena. Mesmo estando de costas, o quadro não a atingiu. Uma das asas ricocheteou o ataque. Lena não parecia estar prestando atenção em Annie, que aproveitou para correr até James, do outro lado da sala. Ele realmente havia ficado inconsciente, mas estava acordando.

Quando abriu totalmente os olhos, eles se arregalaram. James segurou firme o braço de Annie e, em alguns segundos, ela estava novamente atrás de Lena. Ele não soltou seu braço, e o aperto agora estava ficando esmagador.

– O que você quer, Lena?

A voz entrecortada respondeu:

– Apenas a caixa. Mas está faltando... Onde está o resto?

Estaria ela falando da bússola e dos cadernos? A bússola não fazia ideia de onde havia ficado. Talvez com Peter. Um dos cadernos estava em seu quarto, jogado na cama. O outro, provavelmente estava com James.

Enquanto ainda concluía seu pensamento, Peter apareceu na porta, juntamente com Mary. Ele não parecia mais tão abatido.

– Lena, o que procura não está mais conosco.

– Você mente! – reverberou ela.

– É a verdade! – falou Mary. Annie podia perceber que seu rosto estava pálido e suado, provavelmente pelo súbito encontro com a irmã.

– Ora, ora, ora se não é minha querida irmãzinha. Como veio parar aqui, sua coisa?

Mary pareceu ofendida, mas não se deixou abalar.

– Isso não importa, Lena. Os objetos realmente não estão mais conosco.

– Então estão com quem? – sua voz ficava mais impaciente há cada segundo, e Annie estava com medo de ela falar um pouco mais alto e, por acidente, fogo sair de sua boca.

Vendo que ninguém respondia, continuou:

– Certo, seus vermes. Vocês não querem me dar o que eu quero, mas também não poderão usufruir de tudo o que conseguiram.

Em uma explosão de chamas, que lembrou Annie da vez em que James a levara para ver o lindo espetáculo de fogos no telhado de uma casa, desapareceu.

Ninguém disse algo por vários minutos, até James cortar o silêncio.

– O que ela quis dizer com isso?

Peter apenas balançou os ombros, enquanto a mente de Annie pensava em milhares de respostas. A mais provável até agora, era a que Annie teria que provar. Saiu correndo para seu quarto e abriu o caderno.

Onde todas as inscrições ficavam só havia folhas brancas. Nos dois cadernos. Para poder ter mais certeza, correu de volta até James, e pediu que ele checasse a bússola. Ela ainda apontava para o Norte, normalmente.

– Certo, se estiver acontecendo o que estou pensando, então...

Ela tirou seu colar, que ganhara de sua mãe quando fizera nove anos, e o deu a Peter.

– Me rastreie.

Annie ficou do lado oposto ao Norte. Quando Peter colocou seu colar junto à bússola, a agulha não mudou de direção. Continuou fielmente apontando ao Norte. Pegando seu colar da mão de Peter, disse:

– Então é realmente isso. – mostrou os cadernos a todos na sala, e prosseguiu – Enquanto a caixa não estiver perto dos objetos, não poderemos ver mais coisa alguma. A caixa é, basicamente, a energia dos objetos.

Depois da explicação de Annie, Peter parecia exausto. Havia acontecido muita coisa em um dia.

Ele estava subindo ao quarto onde dormia, quando ouviu passos. Parou automaticamente, virando-se.

Mary ainda estava com a camisola que havia dormido, apenas com um robe por cima. A semelhança com Lena ainda o deixava apavorado.

Era como se ele estivesse conversando com sua namorada – ex, corrigiu-se Peter – mas com uma personalidade completamente diferente. Enquanto Lena guardava tudo para si, Mary era extrovertida. Parecia ser educada, uma coisa que, espantosamente, Lena não era.

Ainda lembrava-se do olhar de desaprovação de Mary quando ela disse que viu tudo o que aconteceu com sua irmã. Foi como se os olhos amarelo crepúsculo de Lena, agora no rosto de Mary, o tivesse queimado, acusando-o e o lembrando de que matara a própria namorada.

Confessava que estava mais aliviado por Lena ainda estar viva, mesmo que em uma forma tão singular.

– Eu vim pedir desculpas.

– Pelo o que, Mary?

Isso não fazia sentido. Mary havia sido muito educada com ele desde que chegara à casa, mesmo parecendo o culpar pela morte da irmã.

– Acho que você pensa que eu o culpo pela morte de minha irmã. Estou certa?

– Na verdade, está. – respondeu sem rodeios

– Foi o que pensei... – Mary abaixou a cabeça e continuou – Eu não o culpo, James. Apenas tenho inveja de você.

A mente de James já estava confusa com tudo o que vinha acontecendo, mas agora... Ele achava ter ficado louco de vez.

– Desculpe, mas, inveja?

– Sim. Tenho inveja de você poder ter passado tantos anos ao lado dela. Quer dizer, você deve saber muito mais coisas do que sei sobre minha própria irmã! O que, na verdade, é nada. O que eu mais queria era que tudo o que sonhei houvesse sido realmente somente um sonho, e, quando eu chegasse aqui, pudesse conhecê-la. Mas não tive a chance! E por quê? Porque ela tinha destruído tudo, e eu não sabia se pensava que ela era uma boa pessoa como pensei no caminho de cá, ou se era aquele monstro terrível que eu havia visto. Eu queria tanto... – os olhos de Mary começaram a se encher de lágrimas. Peter foi até ela e as limpou.

– Mary, olhe para mim. – obediente, levantou o pequeno rosto – Tudo o que você precisa saber sobre sua irmã é que ela era maravilhosa. Um pouco respondona e muito teimosa, mas maravilhosa. Ela fez de mim o cara mais feliz do mundo. Lena sempre me fazia pensar que só existíamos nós dois quando estávamos juntos. Ela tirou meus medos e tornou real minha esperança quando pensei que tudo estivesse acabado. Lena iluminou minha escuridão. Pode ter certeza, pequena Mary, que Lena era a pessoa mais maravilhosa que você poderia ter tido como irmã. Eu me orgulharia se tivesse tido uma irmã como a sua.

As lágrimas de tristeza de Mary agora eram por pura emoção e admiração.

– Não duvide, em nenhum momento, do que acabei de lhe falar, pois é tudo verdade. Cada palavra.

Secando as lágrimas com as costas das mãos, disse:

– Obrigada, Peter. Muito obrigada.

Com isso, virou-se e foi embora. Peter estava se sentindo feliz por Mary. Agora ela saberia o quanto sua irmã era maravilhosa, mesmo estando um pouco corrompida atualmente. De todas as pessoas no mundo, por que isso tinha que acontecer com Lena, sua Lena?

Mas Peter os faria pagar. Faria cada um daqueles homens pagarem por cada momento de tortura que Lena sofrera. Com a fúria em seus olhos, entrou em seu quarto para relembrar os dias que passara com Lena.