Guerra Mutante: A Relíquia Roubada

16 16 - Sou transformado em líder


Estávamos cansados para continuar correndo, resultado da nossa corrida durante aquele dia todo e a batalha que tivemos. No entanto, tivemos que prosseguir. Hariel queixava-se de cãibra, mas negava-se a parar e se curar. O sangue nos pelos de Snow começou a ser lavado pela chuva incessante.

– Acha que irá encontrá-los ainda hoje? – Gritou Emma, preocupada.

– Eu não sei! – Respondi de volta com um outro grito. – Mas se aquele cara se deu ao trabalho de vir até nós tentar batalhar, é porque o grupo não deve estar muito longe!

Ela não falou mais nada. Eu sabia, de alguma forma, que deveríamos continuar seguindo aquela direção ao sul. Sabia que iria encontrá-los nesse caminho. Mas tinha medo do que veria.

O pressentimento ruim que eu estava tendo desde meu último sonho me perturbava. Yordle e Jake lutando juntos, tudo bem até aí, mas a frase era o que mais me deixava preocupado. “Mas a luz e as trevas terão que juntas lutar, ou pagarão um preço pior do que não amar”. O que aquilo queria dizer?

Eu tirei aquele pensamento da cabeça o mais rápido que eu pude. Precisava me concentrar em encontrá-los, primeiramente. No entanto, após aquela batalha confusa, os vários esquadrões de Caçadores de Mutantes que vimos e aquele sonho que eu havia tido, sentia que algo estava errado. Estava perdendo alguma coisa, mas eu não sabia o quê.
Passamos então por um desfiladeiro à nossa direita que parecia não ter fim. Ele era largo, e se estendia a quase 200 metros para baixo. No início dele havia uma caverna, e na outra ponta havia uma outra, como se fossem portas e aquele desfiladeiro fosse um corredor. A grama, as vinhas e o musgo desciam pela parede de rochas desreguladas, adaptando-se à natureza.

E, sem percebermos, estávamos de frente para uma cadeia de montanhas. Elas estavam a quase 800 metros de distância de nós, mas eram enormes. Haviam caminhos criados na rocha da maior montanha, que pareciam serem degraus de uma escada. Pude sentir meu coração bater mais forte. Tínhamos que subir lá.

– Está maluco? – Exclamou Hariel quando ouviu minha idéia de subir aquela escada. – E se for uma armadilha?

– Pode até ser, — Falei, olhando para a montanha com receio. – mas eu sei que, de alguma forma, eles estarão lá. Meu grupo. Cruzando aquela montanha, eu os verei. Posso sentir.

– E quando você virou um Mutante que vê o futuro? – Perguntou Hariel, irritada. Eu suspirei, e contei à elas sobre o último sonhos que eu havia tido. Expliquei a elas sobre todos os Sonhos de Profecia que eu tive em determinados momentos. Sonhos que me atormentavam, que me diziam para seguir em frente.

Snow choramingou quando acabei a explicação. Emma e Hariel se entreolharam, e depois olharam a mim. Pareciam me estranhar, ou simplesmente estavam com medo de mim.

– Não sei o que dizer... – Falou Emma, olhando-me com certo medo. – Isso é incrível, mas ao mesmo tempo tenebroso.

– Uma tortura psicológica. – Murmurei, olhando para a escada na montanha. – Eu irei até aquela escada. Vocês virão comigo? Se não quiserem, eu entendo.

Elas não responderam, e eu abaixei a cabeça. A ergui novamente e me virei para a montanha, iniciando minha caminhada até lá, ou teria começado se Hariel não tivesse segurado-me no ombro.

– Dissemos que iríamos ajudá-lo a encontrar o grupo. – Falou, abrindo um pequeno sorriso. – E é o que faremos.

Olhei para ambas, e para Snow, que me olhava fixamente. Sorri, agradecido, e toquei nos ombros das duas.

– Obrigado. – Falei, e elas vieram ao meu lado. Snow passou por entre nós, caminhando à nossa frente. Seguimos direção à montanha.

A caminhada parecia fazer com que a montanha ficasse cada vez mais longe. Quando voltamos a entrar na floresta, perdemos uma boa visão da escada de pedra que se estendia na encosta. A floresta era irregular: às vezes era inclinado, outras vezes era uma subida, e de vez em quando haviam descidas. Quanto mais andava, mais minhas pernas suplicavam por um descanso, mas eu as negava e continuava.

Quando pensei que havia perdido-me na floresta, Snow uivou e começou a correr em uma direção. As garotas me olharam, e eu olhei para elas sem saber o que fazer, então segui o lobo.

Ele havia parado em uma clareira, e nessa clareira havia uma pessoa morta. Um motoqueiro, com os olhos fixos no nada. Estava com cortes pelo corpo, um pouco manchado de tinta e caneta. Snow o farejava, cheirando sua jaqueta branca manchada de sangue.

– Thomas. – Murmurei, com um pouco de esperança, e ao mesmo tempo com um pouco de temor. – Como eu pensava, estão em perigo. Snow, siga o rastro dele.

O lobo entendeu, e iniciou uma nova corrida. Nós o seguimos. Ao mesmo tempo em que corria, farejava o ar sem parar, seguindo o cheiro daquele motoqueiro. E então demos de cara com a escada de pedra, que subia pela montanha até um espaço plano que havia antes da metade. Snow começou a subi-la, saltando pelos degraus. Emma e Hariel foram logo atrás, e eu fui por último. Ofegava, mas não ia parar.

Comecei então a ouvir o som de batalha: aço contra aço, gritos de dor, sons de fogo, raio, água, árvores caindo, o motor de motos, e o meu sentimento de preocupação. Minhas mãos tremiam de ansiedade e de medo, em uma mistura de sentimentos repentinos que vinham um atrás do outro.

Foi quando que chegamos na área plana, e abaixo de nós, do outro lado da montanha, em direção sul, havia a batalha acontecendo. Motoqueiros contra Anjos e Demônios, nenhum dos lados queria cair. No entanto, Torrance não se encontrava no meio do grupo.

– Enfim, encontrei vocês. – Falei, não esperando resposta. A chuva engrossou. Virei-me para as duas, que me olhavam ofegante. – Vocês duas... Não querem vir? Podem participar de nosso grupo...

– Não, obrigada. – Respondeu Hariel, olhando-me com um pouco de tristeza. – Não nos conhecemos direito, Franklyn... Quem sabe no futuro?

Emma estava quieta, parecendo concordar com o que Hariel havia dito. Aproximei-me das duas, e abracei a ambas. Elas ficaram surpresas, e me abraçaram. Snow choramingou, e Emma o acariciou. Então, quando nos largamos, dei uma última olhada para elas.

– Obrigado por tudo, garotas. – Falei, virando-me, olhando para a batalha. Encarei a descida da montanha molhada. – Nos vemos em breve.

Preparei meu arco mágico, e então deslizei pela descida. Snow veio logo atrás. Emma e Hariel falaram algo, mas não ouvi.

Puxei então a corda de meu arco. O tempo parecia estar em câmera lenta. Podia ver todas as gotas de chuva, sentir todos as vibrações que a batalha causavam no ambiente. Meus pelos se arrepiaram, um calafrio percorreu meu corpo, minha ferida na barriga pareceu fechar-se. E minha outra personalidade veio à tona. Ao menos, em metade de meu corpo.

Senti meu olho direito arder e minha íris tornar-se vermelha, parte de meu cabelo ficou branco. No entanto, ainda controlava meu corpo. Irei te ajudar, Franklyn, falou minha outra personalidade. Você merece um pouco de ajuda Te curarei por um tempo, e te darei minhas forças. Mas não seremos amigos por causa disso.

Obrigado, respondi, já estando na metade da descida.

A flecha no arco tremeluzia em sua luz cinza. Meus dedos tremiam, loucos para soltar a corda. Quase no final da descida. Pude ver, por fim, um dos motoqueiros manejando uma longa lança de lâmina azulada – Diamante, provavelmente. – Ele preparava-se para atacar Rick, que estava desprevenido lutando contra outro dos motoqueiros. Olhei para Snow, e sibilei para esconder-se quando atingíssemos o chão.

Soltei a corda, e um rastro cinza percorreu a floresta, cortando a água que caía, atravessando galhos e folhas, e fincando-se no peito do homem, que foi lançado para trás após um buraco se abrir em seu lado esquerdo, perfurando seu pulmão e seu coração. Sua arma tremeu e sumiu em uma pequena nuvem. A primeira morte.

Puxei novamente a corda, no mesmo instante que estava novamente no chão. Mirei em um outro motoqueiro que lançava várias agulhas prateadas contra Mike, que se defendia lançando outras agulhas roxas que saiam logo á frente de sua cabeça. Armas mentais, adivinhei. As agulhas chocavam-se, e algumas do motoqueiro atravessavam e poucas acertavam Mike de raspão. Soltei a corda. A flecha atravessou o braço direito e o ombro esquerdo do motoqueiro, que gritou. Mike o finalizou com uma saraivada de agulhas. Segunda morte.

Mirei logo após em dois motoqueiros que estavam alinhados: Um lutava contra Trissy usando uma foice, e outro lutava contra Anne usando as próprias mãos. Disparei, e a flecha atravessou um, acertando o outro e ficando presa em seu corpo. Os dois caíram. Terceira e quarta morte. Minha sede por morte estava aumentando. Sentia meus músculos tornarem-se mais rígidos, e ao mesmo tempo mais fortes. Iria defender meu grupo, custasse o que custar.

Eu mudava de lugar a todo momento, indo para pontos estratégicos que eram fáceis de encontrar. Até então ninguém havia percebido que eu estava ali. Os inimigos simplesmente morriam por flechas misteriosas, e eles procuravam quem estava lançando-as.

Subi por fim em uma árvore. Restavam cerca de 5 motoqueiros, ou mais. Thomas repentinamente caiu no chão, e vi que um homem havia o derrubado usando seus braços cobertos por um tipo de armadura psíquica. Estava prestes a dar o golpe final. Os outros estavam muito ocupados para ajudar Thomas. Esmond e Wally corriam para ajudá-lo. No entanto, eu fui mais rápido. Senti meu corpo tornar-se mais leve, e minha personalidade mais feroz.

Corri pelas árvores, pulando pelos galhos, e quando cheguei à uma distância próxima eu saltei. No meio do ar, gritei. O homem olhou assustado para cima, e me viu puxando a corda, criando uma flecha e ao mesmo tempo disparando contra sua cabeça, perfurando-a. Caí em cima de seu corpo caído, já puxando a corda e disparando contra todos os outros motoqueiros restantes sem parar.

Quando por fim dei-me conta que já não havia inimigos. Caí de joelhos, ofegante. O arco transformou-se em luva novamente. Meu corpo tremia.

– Franklyn! – Gritou Thomas, surpreso, e me ajudou a me levantar, então deu-me um abraço. O resto do grupo fez o mesmo. – Pensamos que você estava morto!

– Eu também... – Brinquei, ainda ofegante por causa da batalha. Havia matado cerca de trinta motoqueiros em minutos. Senti que minha outra personalidade já havia parado de me ajudar.

– A forma que você os matou... – Murmurou Demetria, também surpresa, como todos os outros estavam. – Foi espetacular. Como conseguiu?

– Pergunto-me a mesma coisa... – Falei, pensativo. De fato, não sabia como havia feito aquilo. – Deve ter sido algo relacionado aos Instintos de Caçador. – Fiz uma pausa longa, e então reparei em algo. – Espera, onde estão Yordle e Jake?

Ouvi, então, mais sons de batalha. Todos olhamos para a direção em que ela ocorria. Ao fundo da floresta, podia ouvir o som do metal contra metal. Era o mesmo que havia acontecido em meu sonho. A parte da profecia que eu estava tanto temendo havia chegado. Comecei a correr, junto do grupo. Quando a explosão de luz e a nuvem de sombras aconteceram, idêntico ao meu sonho, meu estômago se revirou. Continuei correndo. Tentei mimetizar-me, criar alguma arma, voar, qualquer coisa, mas meu corpo não respondia. Estava sem minhas energias.

Até que encontramos os dois lutando contra pessoas azuladas. Mith encontrava-se voando com asas feitas em uma aura azul, rindo. A abertura em seu braço ainda estava ali, embora parecesse um pouco cicatrizada. Snow apareceu repentinamente, assustando a todos, até mesmo a mim. Caminhou então ao meu lado e parou, rosnando para Mith quando o viu. Eles logo entenderam que era meu companheiro.

Um campo de força azulado se projetava em volta do campo de batalha onde Mith, Jake e Yordle estavam. Jake estava com sua foice de trevas em punho, e destruía as almas com extrema facilidade. No entanto, mais apareciam. Yordle empunhava uma espada de luz, e se protegia com um grande escudo e uma armadura também de luz, que me deixava um pouco cego.

Esmond tentou atravessar o campo de força, mas em vão. Ele só tremeu, e então lançou um raio de energia que fez com que o garoto parasse em cima de James e Ethan, que se levantaram rapidamente, resmungando.

Jake nos viu e reparou em mim, mas não expressou nenhuma emoção. Voltou a fatiar as almas sem se cansar. Yordle, no entanto, parecia cansar-se cada vez mais. Mith me olhou, e então riu.

– Veio ver a morte de seus companheiros, Franklyn? – Exclamou para mim, lançando um olhar para os dois dentro da arena improvisada. – Isso será emocionante.

Então Jake olhou com ódio para Mith, e girou, cortando as almas à sua volta, fazendo-as se dissiparem. Quando parou, suas asas negras que emanavam uma aura de trevas apareceram. Ele levantou vôo e foi para o alto, surpreendendo ao motoqueiro, que não teve reação. Embora foi um ataque surpresa, não teve muito efeito, pois Jake acabou acertando um golpe de raspão no peito de Mith, que limitou-se a soltar um leve grunhido. No mesmo instante, ele criou uma lança azulada, e mirou em Jake e lançou, mas Jake desferiu-lhe um golpe certeiro na barriga, mas o motoqueiro riu e desapareceu em um teletransporte. O campo de força e as almas sumiram. Eles haviam vencido a batalha.

Ou quase.

Quando Jake pousou, pôs-se à chorar.

Yordle estava caído. A lança que Mith havia criado atingiu-lhe no peito, e desaparecia aos poucos. O objetivo do motoqueiro era atingir ao Yordle, e não Jake. Nós corremos até Jake, que soluçava sem parar. Ele encostou sua cabeça na barriga do irmão, e muitos do grupo também choraram.

– Jake... – Sussurrou Yordle, muito fraco. A lança desapareceu. – Pare de chorar... Você... é muito forte... Por isso... vingue-me... Vingue a nossa mãe... Vingue a nossa irmã... Vingue todos aqueles que... morreram.

– Eu não consigo! – Gritou Jake, soluçando ainda mais. – Eu não posso fazer isso! Você está assim por minha culpa! Eu não te defendi! Deveríamos ter lutado lado a lado, como havia me aconselhado! Me desculpa! – Suas lágrimas não paravam de escorrer pelo rosto.

– Eu te desculpo... – Yordle tocou-lhe no ombro. Seus olhos começaram a perder a luz. Sua pele começou a clarear. – Agora... você é o líder... do grupo... Lidere-o e vingue... a todos... Ajude Franklyn a recuperar... a Espada... Ajude a todos... Eu acredito em você.

Yordle arrancou um anel de sua mão, que começou a brilhar intensamente. A aparência de Yordle mudou muito. Seus cabelos loiros agora estavam esbranquiçados, sua pele morena agora era pálida, e seus olhos amarelos agora eram castanhos. Yordle entregou o anel a Jake, que não pôde fazer nada a não ser negar. Ele fechou o punho em que segurava o antigo anel do irmão. Yordle sibilou algo que eu não entendi.

– Jake... – O irmão lhe encarou, seus olhos estavam assustados. – Eu... te amo...

A mão de Yordle que estava no ombro de Jake despencou, acertando o chão. Seu olhar agora era vazio. Sua boca estava imóvel em um sorriso fechado, e uma lágrima saía de seu olho. O sangue manchou sua roupa na região do golpe. Jake soluçava em meio ao silêncio. Eu fechei meus olhos e deixei algumas lágrimas saírem. Duas pessoas estavam mortas por minha culpa. Duas pessoas do grupo que prometi trazer inteiro.

E senti meu peito doer mais ainda. Não sabia como contar aos outros que Royal estava morto. Jake se levantou, enxugando as lágrimas. Aproximou-se de mim. Pensei que iria me atacar. Mas no entanto ele simplesmente segurou-me pelos ombros.

– Eu não posso ser o líder. – Falou ele, em meio a soluços. – Mas você pode.

Eu fiquei sem reação. Olhava para Jake, surpreso.

– Não... – Murmurei, tirando suas mãos de mim. – Eu não consigo. Não sou um líder. Olhe o que eu causei. Estamos todos assim por minha culpa!

– Então vamos encontrar Royal quando recuperarmos a Espada. – Falou Thomas, um pouco esperançoso. – Ele deve ter arranjado uma maneira de você conseguir escapar para nos encontrar e então irmos achá-lo e assim...

– Royal está morto. – Falei, juntando todas as minhas forças para manter minha voz calma, mas não consegui. Ela saiu fraca. Todos soltaram um som de tristeza, e algumas garotas começaram a chorar. Slient também colocaram-se aos prantos, e Esmond consolou seu irmão.

– Como é? – Murmurou Rick. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

– Ele se sacrificou por mim... – Falei, e forcei-me a não chorar. – Explodiu a base em que estávamos para dar chance para mim escapar... Tentei fazê-lo mudar de ideia, mas ele forçou-me a ir. Não tive escolha. No final, ele lançou-me para trás, e vi que ele estava disposto a morrer para me salvar.

Ninguém falou mais nada. Pensei que me xingariam, que me atacariam, ou que tentariam falar algo para mim, mas o único que conseguiu falar algo foi Ethan.

– Então, Franklyn, você é o novo líder. – Falou, por fim. E eu continuava negando aquilo.

– Eu não posso ser o novo líder! – Exclamei, triste. – Por minha culpa, Royal e Yordle está morto! Devia ter vindo nessa missão sozinho! Eu condenei a todos a partir do momento em que entrei no grupo.

– Está errado. – Falou Jake. Ele estava novamente ao lado do falecido irmão. Deixou algumas lágrimas saírem enquanto fechava os olhos de Yordle. – Eles morreram, sim, mas não por sua culpa. Eles morreram por que acreditaram em você. – Então ele me encarou, e pela primeira vez pude vê-lo sorrir. – E agora é sua responsabilidade seguir o caminho que lhe foi dado, e completar a missão que lhe foi dada e confiada.

Eu fiquei sem reação. Queria falar algo, mas palavras não me vinham à cabeça. Sentia-me o centro de tudo. Tive a vontade de fugir dali, mas falei a mim mesmo que permaneceria.

– Então Franklyn é o novo líder? – Perguntou Thomas, e sua voz parecia um pouco mais animada, embora sua expressão não fosse muito feliz.

– Sou... – Respondi, por fim. Meus punhos cerraram.

– E o que você fará de começo? – Questionou Jake, e todos me olharam. Alguns choravam, outros já haviam secado as lágrimas mediante aquela situação.

Olhei para Snow, que também me encarava. E pensei em tudo que havia passado desde que havia entrado no Abrigo. Centenas de vidas estavam em minha responsabilidade. Tinha que salvar todas elas.

– A partir de hoje, não somos mais Anjos e Demônios. – Falei, e minhas forças aos poucos foram voltando. – Estaremos todos juntos. Cuidaremos um dos outros. Quando precisarmos fazer algo, faremos juntos, nunca sozinhos.

– E o que somos, então? – Perguntou Demetria, aproximando-se.

– Uma Alcatéia. – Respondi, confiante.