Guerra Elemental
3 Banquete, inicio das aulas e queimado
Notas iniciais
Regra n°3: Toda sala de aula deve ter um professor de outro elemento, para caso aja necessidade de algum tipo de suporte.
Último capítulo
–Bem informado como sempre. – A médica falou. – Prontinho. Já pode ir!
–Obrigado. – Me levantei, joguei meu braço no ombro do Davi e começamos a caminhar. – Próxima parada, refeitório.
Agora
–Posso fazer uma pergunta? – Perguntei enquanto andávamos pelo corredor.
–Outra? – Davi perguntou.
–É. – Soltei uma risada. – Você disse que a Yuri não vem de uma família de magos, certo? – Ele fez um som com a boca concordando. – E o Lucio? Ele também não vem de uma família de magos?
–Ele vem. Não é uma GRANDE família, mas é bem antiga! – Ele explicou. – Então a bronca dele vai ser grande. Agora é minha vez de te perguntar algo!
–Manda ver.
–Quando você lutou contra o Lucio, por que bateu nele? Tudo bem que era permitido entrar no campo do adversário, mas ninguém nunca lutou com as próprias mãos! Onde aprendeu a lutar daquele jeito?
–Quando eu era pequeno, uns meninos implicavam comigo, aí meu irmão que sabia lutar, me protegia sempre. Teve um dia que ele foi estudar fora, então tive que aprender a lutar para poder me defender! – Expliquei. – Mas eu não sabia, foi mau.
–Remorso?
–Nem um pouco! Ele que me ameaçou.
–Agora minha vez! – Falei. – Por que a médica disse “como sempre”? Desde quando você estuda aqui?
–Bem...
Já estávamos chegando no refeitório, mas não havia quase nenhum barulho, quer saber, não havia nenhum barulho!
–Que silêncio. – Mencionei. Viramos no refeitório e tive uma surpresa quando vi várias pessoas reunidas com o logo da equipe, e um cartaz grande escrito: Parabéns. Davi que até então estava do meu lado, foi até as pessoas e se virou para mim.
–Surpresa. – Eles gritaram juntos.
–Por que isso? – Perguntei.
–Dã. Ainda pergunta? – Davi me perguntou.
–É pela vitória, idiota. – Yuri falou saindo do fundo.
–Eu não sou idiota. – Falei.
–Oi, oi, era para estarmos comemorando, e não brigando! – Davi se pôs no meio.
–Hmm. – Yuri jogou os cabelos para o alto e me deu as costas.
–Qual o problema dela?
–Vamos voltar para a festa? – Davi me perguntou, tirando-me dos meus pensamentos.
–Sim! – Respondi.
–Não podíamos fazer muita coisa em duas horas, então é só uma faixa, um bolo para todos nós, e refrigerante.
–Já está bom, obrigado.
–Fala alguma coisa. – Alguém gritou.
–Tá né. – Me virei para o bolo. – Esse ano, os Valentes de Gelo venceram a Guerra Elemental! – Gritei e todos fizeram o mesmo.
Lucio on
–Espero que esteja ciente de que a sua derrota hoje vai deixar o nosso grupo com uma mancha!
Depois de perder a batalha para um novato que mal sabia usar seus poderes, fiquei um tempo na enfermaria, e quando saí fui até o meu conselheiro. Como já deu para perceber, estou levando uma bronca.
–Nós os Guerreiros de Fogo não aceitamos perdedores! Espero que esteja pronto para seu castigo!
–Sim, senhor.
–Severo como sempre! – Ouvi a voz do conselheiro Jin.
–Já pode ir. – Meu conselheiro me libero e virei o corredor, porém fique para poder ouvir a conversa.
–Por favor não se meta na minha equipe. Podemos ser irmãos, mas aqui somos líderes de equipes rivais!
–Tudo bem. – O conselheiro Jin respondeu. – É sobre o Matheus. O diretor já decidiu que como o garoto escolheu, ele ficará na equipe de gelo. Mas ainda não disse nada sobre aulas do outro elemento.
–Entendo. Obrigado. – Ouvi os passos do meu conselheiro e saí correndo para o mesmo não me pegar.
–Então ele será da equipe rival! – Pensei. – Interessante. – Um pequeno sorriso surgiu no meu rosto.
Mais a noite – Davi on
A comemoração havia sido boa, mas em menos de duas horas teremos o banquete, então es a pergunta: Quem vai tomar banho primeiro?
–Davi, eu vou... Hã, o que você fez?
–Só congelei seus pés. – Dei de ombros e fui até meu armario pegar uma toalha. – Eu não vou esperar hoje! – Entrei no banheiro fechando a porta.
Não demorei muito, e quando havia saindo, Matheus já tinha descongelado os pés.
–Tá quentinha. – Me referi a água.
–Bom saber. – Ele já estava com a toalha e foi em direção ao banheiro, mas me fuzilando com o olhar.
Para a graça dos espíritos, ele não demorou muito. Terminei de me arrumar e ele fez o mesmo. Saímos faltando trinta minutos. Matheus achou um pouco cedo, mas o convencei de que se demorássemos muito, não teríamos lugares bons.
Refeitório
Deixa eu descrever para vocês. Se eu fosse dar um adjetivo, seria perfeito! Mas acho que só isso não dá para ter uma visualização boa, né. O refeitório estava “dividido”. Do lado esquerdo os GF e seu logo, um dragão de fogo, e do direito os VG e o nosso logo, o dragão de gelo. Como é uma ocasião especial, cada um de nós poderia vir como quiséssemos, então tinha todo tipo de pessoa. Não daria para descrever um por um!
–Que garota bonita. – Matheus falou olhando para uma menina da nossa equipe.
–Você ainda nem viu o rosto dela! – Tentei avisá-lo, mas ninguém põem juízo na cabeça dele.
–Vamos, tem dois lugares perto dela. – Matheus foi andando na direção da menina. Ele sentou do lado dela e eu do dele. Nossas cadeiras ficavam de costas para a mesa da outra equipe. – Você está muito bonita!
–Sério? – Ouvi a voz da Yuri. – Obrigada. – Ela falou com um sorriso, que eu tenho certeza que é sarcástico.
–Ah, é você... Ai. – A Yuri deu um peteleco na testa dele.
–Eu tentei avisar! – Falei.
Ficamos jogando conversa fora. O refeitório já estava cheio, então todos os alunos já haviam chegado, só faltando começar. Os trinta minutos, não demoraram muito a se passar. Já ia começar, até que...
Matheus on
Estávamos conversando, até que a grande porta foi fechada, chamando a atenção de todos para a mesma. Alguns conversavam sobre o que poderia ser isso, e outros não deram muita importância. Um minuto depois as luzes se apagaram. Ninguém entendia nada, até o corredor que separava as equipes começar a brilhar! Prestei atenção e percebi que eram fogos de artifício. Eles começaram a aparecer da porta e indo até o pequeno palco que havia ali.
–Para onde estão olhando? – Uma voz no palco falou e todos voltamos a atenção para lá. O diretor estava em pé nos olhando.
–O senhor não muda mesmo! – Jin comentou se sentando na cadeira a esquerda de uma grande. O conselheiro Juan fez o mesmo, se sentando na da direita, assim como outras pessoas que devem ser professores.
–Boa noite a todos. Gostaria de dar as boas vindas aos alunos novos, e parabenizar os alunos mais antigos por mais um ano. Começamos esse ano com as coisas um pouco agitadas, pois como alguns de vocês sabem, tivemos uma ótima apresentação de luta essa manhã! – Davi me cutucou para eu levantar, e de relance vi alguém da equipe do fogo fazendo o mesmo. – Muito obrigado aos dois. – Nós nos sentamos enquanto o diretor continuava o discurso. – Tenho que lhes informar que os horários de aula mudaram. A partir de hoje, serão das oito horas até o meio-dia.
–Ahhhhhhhhh – Os alunos falarão juntos. Olhei para Davi, mas ele também estava surpreso.
–Eu sei, eu sei. O café agora será servido as sete e meia. Espero que todos vocês possam se dar bem esse ano, e que se empenhem para se formarem! Agora deixarei os professores se apresentarem. – Cada um dos professores se apresentou. – Bom, sem mais delongas, bom apetite.
O diretor girou o seu cajado e, fez com que comida e bebida aparecessem nas mesas. Uma mesa cheia também apareceu no palco.
–Obrigado pela comida. – Davi falou e começou a comer.
Uma hora depois mais ou menos, o diretor desejou uma boa noite de sono e que tenhamos uma boa aula. Voltei para o quarto junto dos outros alunos. Eu e o Davi não brigamos para ver quem tomaria banho primeiro, decidimos no: Pedra, papel, tesoura.
–Amanhã é um novo dia. – Falei deitando e logo adormecendo.
Dia seguinte – Davi on
Acordei e tive uma surpresa, Matheus já havia acordado! Ele estava saindo do banheiro quando levantei.
–Eu já ia te acordar! – Ele falou e cocei o olho.
–Que horas são? – Perguntei um pouco sonolento.
Ele olhou no relógio que pus no quarto.
–Sete e meia agora.
–Droga, eu estou atrasado! – Pulei da cama, peguei uma toalha e corri para o banheiro.
Matheus on
Fizemos tudo o que tínhamos para fazer antes do inicio da aula, pois não queria me atrasar. Como hoje começam as aulas, não posso me dar ao luxo de perder para a outra equipe. O que eu disse na comemoração está valendo!
Fomos para a sala de aula para podermos esperar o professor. A sala era grande e acho que poderiam caber mais de quarenta alunos ali. Era uma mesa grande em cada fileira e várias cadeiras. O sinal tocou e logo o professor entrou na sala.
–Bom dia. Por favor, sentem-se todos, a aula vai começar. – Os alunos que estavam em pé, sentados na mesa ou no chão, se assentaram na cadeira. – Vocês já me conhecem de ontem, me chamo Fernando, e serei o professor de História da magia de vocês. Vocês aprenderam sobre a origem da magia, desde os primeiros magos, até os espíritos.
–Espíritos? – Perguntei.
–Matheus, né? Isso mesmo. Vocês estudarão mais a frente, mas os espíritos são os seres que originam a nossa magia. No nosso caso, é o espírito de uma mulher chamada Exaon!
–Ah.
–Eu vou explicar como serão as aulas de vocês a partir de agora. – O professor começou a escrever no quadro. – Cada tempo tem uma hora, são quatro tempos, totalizando quatro horas. No primeiro tempo, vocês tem aula sobre História da Magia. No segundo, tem aula na quadra. O terceiro tempo também é na quadra, porém se aprende a materializar o poder. No quarto voltam para a sala para ter aula sobre o seu elemento. Terças e quintas, no segundo tempo, tem aula no simulador onde podem ou não ter aula com a outra equipe. – Ele explicou. – As aulas de cada grupo são separadas, porém as aulas de queimado e simulador são juntas, as vezes, são feitos em equipes misturadas ou em duelos.
–Por que temos aulas com outras turmas? – Alguém perguntou.
–Porque assim não mantemos um ar de rivalidade na escola. Se não, seria como se a escola fosse um campo de guerra. – Ele disse por fim. – Mais alguma pergunta? – Ninguém levantou a mão. – Então começaremos falando sobre como a magia era chamada e tratada antigamente.
O tempo de aula não demorou muito para bater e todos fomos para a quadra. Trocamos de roupa no vestiário e sentamos na arquibancada. A outra equipe também está aqui e o professor já vai começar a aula.
–Bom dia aulas. Meu nome é Natan e sou o professor de educação física de vocês. – Ele se apresentou. – Como podem ver, hoje a aula será com ambas as equipes. A minha aula consiste na velocidade. – O professor pegou uma bola dentro de um saco. – Por isso nas minhas aulas, vocês jogam queimado. Vocês precisarão ser rápidos para poder desviar das bolas, e esse é o motivo da aula. Em uma batalha seu oponente pode atirar a bola do seu elemento muito rápido, e você vai precisar da mesma velocidade para poder se esquivar, ou então perderá.
–Como vai ser formado o time? – Um membro da equipe de fogo perguntou.
–Que bom que você perguntou! – Ele arremessou a bola na direção do garoto. A bola foi muito rápida e o mesmo desviou por pouco. – Nada mau. Os times serão compostos de dez. Dez minutos cada jogo e o time que perder saí e quem vencer continua.
Ele deu um tempinho para podermos escolher os times. Corri e fiquei do lado do Davi, depois entramos em um outro time juntos. A Yuri caiu no mesmo time e admito que não fiquei muito feliz. Infelizmente ficamos por último então vamos ter que esperar!
30 minutos depois
–Também? – Perguntei um pouco assustado.
–Eles derrotaram quatro times em trinta minutos! – Uma pessoa do meu time falou.
–É a vez de vocês. – O professor nos chamou e descemos da arquibancada.
–Ora, se não é o Matheus. – Lucio falou. Não falei né? Foi o time dele que ganhou todos os nossos outros times.
–A bola começa com a equipe de gelo. – Natan falou nos entregando a bola. – Preparados? – Ele pôs o apito perto da boca e... Apitou.
Um garoto do meu time arremessou a bola e acertou um adversário, que logo saiu do campo.
–Começamos bem. – Davi falou.
O inimigo pegou a bola e correu na minha direção, logo a arremessando. Corri para trás e escorreguei para poder fugir da bola.
Bolas foram e vieram, e logo o time ficou igualado com quatro no meu lado, Davi, Yuri, um menino e eu. E no outro time era: Lucio, um menino magro e com cabelo preto, e outros dois. Eu podia jurar que já vi esse menino, mas deve ser só intuição.
–Lá vem! – O menino no nosso time falou. Os quatro membros do time adversário começaram a passar a bola rápido um para o outro.
–Yuri.
–Hã?
–Você tem olhos bons? – Perguntei.
–Sim, por quê?
–Acha que consegue ver como eles vão lançar a bola?
–Uhum. – Ela respondeu e voltou sua atenção para a bola. – Cuidado! – A bola foi na direção do Davi, mas fez uma curva e acertou o garoto.
–Foi mal gente. – Ele disse saindo.
–Eu já descobri! – Yuri veio até mim e o Davi, e nos contou tudo o que havia observado. – Já tem um plano?
–Sim! – Respondi com um sorriso no rosto. Corri até a bola, peguei e lancei, porém errei.
–Começaram! – Yuri nos avisou.
–Fiquem em posição. – A posição era um pouco estranha. E tenho certeza que todos também achavam! Eu ficava em pé, pronto para segurar a bola quando ela viesse na minha direção, Yuri me abraçava por trás e ficava com as mãos na direção oposta da minha, e o Davi ficava de costas para ela dando apoio.
–Eu não gostei desse plano! – Yuri comentou e de canto de olho percebi que a mesma estava um pouco corada.
–É o único plano que tenho para vencermos!
–Você e suas ideias malucas. – Davi falou.
Soltei uma risada.
–Já sabem o que fazer certo? – Perguntei e eles murmuraram um “sim”. Voltamos a prestar atenção no jogo aguardando o sinal da Yuri.
–Agora!
Eles tacaram a bola na nossa direção. Eu como “centro” segurei a bola que começou a nos arrastar para trás. Minha mão já começava a doer, e só não voei longe ainda por causa do Davi dando apoio. Comecei a liberar o meu poder dentro da bola e a Yuri fez o mesmo. Foi um esforço muito grande, porém conseguimos parar a bola.
–Como? – Lucio perguntou confuso. Larguei a bola com as mãos fervendo.
–Tudo bem?
–Sim! – Davi e Yuri responderam juntos.
–Parar a sua bola não foi fácil! – Afirmei o olhando. – Mas uma vez que desvendamos o segredo, só precisávamos fazer uma estratégia para pará-la. – Falei. – O seu segredo é que vocês põem seus poderes dentro da bola, e a única coisa que o professor disse foi para não pormos, porém se ele não vê, não é contra as regras, certo? – Agora perguntei para o professor que nos olhava com um sorriso.
–Exato. Vocês estão de parabéns, entenderam o segundo objetivo da aula. – Ele se dirigiu a equipe de fogo. – E vocês também estão corretos. – Agora foi conosco.
–Para pará-la, só tivemos que mandar nossos poderes para dentro da bola!
–Mesmo tendo desvendado nosso truque, não significa que vão vencer! – Um deles falou e Davi jogou a bola na cara dele.
–Pelo contrário, vamos vencer! – Ele falou.
O jogou voltou a correr. O meu time estava em desvantagem, pois aquela manobra cansou, mas depois de quatro jogos seguidos, o oponente também estava. Todos começaram a ficar agitados quando nosso time começou a vencer.
–Só falta você, Lucio! – Yuri falou com a bola na mão.
–Foi bom te conhecer. – Disse irônico.
A Yuri arremessou a bola e antes de acertar o Lucio, o professor apitou. A bola acertou o Lucio, mas já era tarde.
–Fim da partida e da aula. Os vencedores da partida são a quinta equipe, e os vencedores da aula são a equipe de fogo.
Não fiquei muito feliz, eu perdi né. Mas, foi legal!
–A equipe de fogo terá aula na sala e a de gelo continuará aqui para ter aula sobre materialização do poder. Bom jogo todos e até o próximo tempo.
O resto do dia foi tranquilo. A aula de materialização foi difícil, mas não tão difícil. E a aula sobre o elemento também não!
Continua...
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