Notas iniciais
Me perdoa gente. Como disse no último capítulo, não poderia postar mais toda semana. Eu não trabalho ainda, mas estudo, faço três cursos durante semana, tenho igreja, então fica um pouco apertado.

Regra n°4: Em feriados ou finais de semanas, os alunos poderão permanecer na escola, se esse for do seu interesse.

Último capítulo

–A equipe de fogo terá aula na sala e a de gelo continuará aqui para ter aula sobre materialização do poder. Bom jogo todos e até o próximo tempo.

O resto do dia foi tranquilo. A aula de materialização foi difícil, mas não tão difícil. E a aula sobre o elemento também não!

Agora – Personagem on

Estava na aula sobre o meu elemento, mas para falar a verdade, não estou prestando atenção.

Minha cabeça estava no que houve no jogo. Ele conseguiu derrotar a “técnica” do Lucio e por pouco não venceu. Ah, quem é ele? Matheus! E quem sou eu? Lucas. Sou branco, médio, magro, olhos verdes, cabelo preto. Conheço o Matheus desde quando éramos pequenos.

Triiimmm

O sinal tocou me tirando dos meus pensamentos. Saí e fui para a quadra, mas o Matheus não estava mais lá. Infelizmente o dia passou e não consegui falar com ele, mas uma hora eu vou ter, a escola não é tão grande assim!

03h30min – Matheus on

–Davi, acorda. Davi. – O balancei enquanto chamava e com muita dificuldade abriu os olhos.

–Que foi? – Ele perguntou baixo.

–Eu preciso te mostrar uma coisa! – Davi se levantou e olhou na direção do relógio.

–Mas são três da madruga!

–Vem logo! – Ele resmungou e levantou da cama.

Saímos do quarto e descemos com o maior cuidado para não acordar ninguém. Depois de sair do prédio do dormitório viramos a nossa direita e adentramos na torre. Passamos pela biblioteca no primeiro andar e subimos as escadas até chegarmos ao terceiro.

–Chegamos. – Falei de frente para uma parede.

–Não tem nada aqui.

–Sim e não.

As paredes eram coberturas por pisos que se você olhasse bem, possuíam um desenho que era um X com vários quadrados. Pus minha mão no quadrado central e comecei a liberar o meu poder. As linhas que formavam o X começaram a ficar com uma cor azul até todos ficarem da mesma cor. Quando aconteceu a parede começou a se mover e um caminho foi aberto.

–C-C-Como? Isso é... – Davi perguntou surpreso.

–Legal, né?

–Eu diria estranho, mas legal também serve. Como descobriu?

–Bem... Eu estava dormindo e no meu sonho começou a aparecer imagens daqui. Quando “acordei”, estava aqui.

–Estranho.

–Muito! – Concordei. – Vamos. – Entramos e vi que a porta começou a se fechar.

–Como vamos voltar?

–Depois vemos isso! – Continuei andando. Não era tão largo assim, na verdade, era só entrar dar cinco passos e virar a esquerda. – Uau.

Me surpreendi com o que vi. Parecia ser uma sala abandonada. De primeira você via uma estante de livros, com alguns já empoeirados, um sofá coberto por um pano, uma mesa com alguns objetos em cima e cadeiras. Abri outro armário que havia ali e vi materiais de limpeza, como vassouras, panos de chão, baldes, rodo e uma flanela.

–Uau. Essa sala parece não ser usada a anos! – Davi falou indo até a mesa e me sentei no sofá mesmo. Ele abriu gaveta por gaveta, e quando chegou na última abaixou para pegar algo. – Vem ver. – Ele me amostrou um bilhete e começou a ler.

Para aquele ou aqueles que encontraram a minha sala secreta, espero que façam bom uso da mesma. Se vocês foram guiados até aqui, isso significa que ela te escolheu assim como a mim! Nessa gaveta tem algumas chaves, mas eu acho que não serão mais úteis. Gostaria de pedir também que mantenham essa sala em segredo. Bom proveito e divirtam-se!

–Então ninguém conhece essa sala?! – Perguntei nais para mim mesmo.

–Temos que contar para o diretor!

–Não temos não! – Falei. – Esqueceu, “mantenham em segredo”. Não podemos dizer para ninguém.

–Mas é o diretor.

–Mais um motivo. Se ele é o diretor, conhece essa sala, e se não falou sobre ela, também deve conhecer as regras! – Expliquei. – Tem nome no bilhete? – Davi me deu o bilhete, mas quando peguei o mesmo queimou e o soltei.

–Parece que alguém não quis deixar provas. – Ele suspirou. – Amanhã nós voltamos! E aproveitamos para poder limpar essa bagunça.

–Tá. – O segui para a saída e voltamos para o nosso quarto. Não adiantaria muito dormir, pois daqui a pouco já teríamos que levantar.

12H – Lucas on

O sinal acabou de tocar e estava com presa para poder tentar encontrar ele.

–Lembrem-se, amanhã começa o feriado, então só terá aula semana que vem. – O professor anunciou.

Desci correndo as escadas e parei quando cheguei no segundo andar. Já haviam alunos saindo das salas. Alguns me olhavam como quem queria saber o que eu estava fazendo ali, outros só ignoraram. De longe vi Matheus saindo da sala com um garoto. Comecei a andar na direção deles, mas uma mão me impediu.

–Aonde pensa que vai? – Lucio perguntou segurando meu braço.

–O que eu faço ou não, não é da sua conta. – Falei. – Só porque é o representante do primeiro ano, não quer dizer que eu tenha que lhe obedecer.

–Você está no território inimigo, e isso é dá minha conta!

–O que está acontecendo? – Matheus perguntou.

–Matheus. – Falei.

–Nos conhecemos? – Ele me olhou bem. – Lucas? É você!

–Vocês se conhecem? – Lucio e o menino que está com o Matheus perguntaram.

–Acho que você deve explicações. – Lucio falou.

–Eu já disse que não! – Percebi a aura em volta do Lucio e comecei a liberar a minha, fazendo um pequeno choque entre o meu e o poder do Lucio, nos afastando a força.

–Deixa ele... – Coloquei o braço na frente e não deixei Matheus terminar de falar.

–Você sabe que usar os poderes contra outro aluno é proibido não é. – Disse com um pequeno sorriso no rosto. – Se chegasse no ouvido do diretor que você tentou me machucar, você poderia perder seu lugar como representante.

–Quando voltar, você vai ter que se explicar! – Ele deu as costas e desceu.

–Tudo bem com você? – Matheus me perguntou. – Faz um tempão que não nos vemos!

–É mesmo.

–Rumrum. – O acompanhante do Matheus fez um som com a garganta.

–Ah, Lucas, Davi. Davi, Lucas.

–É você que tem cuidado dele? Muito prazer.

–Eu mesmo! O prazer é meu. – Davi me respondeu.

–Ele ainda é muito cabeça dura?

–Bastante!

–Vocês se conheceram para falar mal de mim? – Matheus perguntou num tom baixo, mas que pudemos ouvir e demos uma risada como resposta.

–Vocês não querem ir no lago lá atrás? Assim colocamos a conversa em dia. – Sugeri.

–Desculpa, eu tenho que arrumar o meu quarto, porque o Matheus fez uma bagunça.

–É mesmo. – Matheus deu um tapa na testa. – Desculpa eu tinha esquecido!

–Que pena.

–Tudo bem, Matheus. Você e seu amigo não se veem a um tempo, então podem ir que eu arrumo!

–Mesmo? – Davi fez um som com a boca concordando. – Então vamos antes que ele mude de ideia. – Matheus me puxou escada abaixo.

–Hunf. Coração bondoso, você não vai ter que arrumar, né?

Na sala secreto – Davi on

Levei um balde com água e algumas outras coisas que eu achei que precisaria para poder limpar.

–Acho melhor começar pelo pó! – Abri o armário e tirei a flanela.

Matheus on

Eu e Lucas estávamos sentados com os pés no lago. Algumas crianças brincavam do outro lado e não pareciam ter nos percebido. Enquanto estivermos com o uniforme, a magia do diretor nos protege.

–O que tem feito desde aquele dia? – Ele me perguntou.

–Foi tão chato depois que você foi embora!

Realmente foi muito chato. Sem ninguém para brincar, conversar ou rir comigo.

–Quando você descobriu os seus poderes? – Perguntei.

–Ano retrasado! – Lucas me respondeu. – Mas, eu só vim esse ano para cá. Foi um pouco difícil aceitar e contar para meus pais.

–Você contou?

–Claro! Mais cedo ou mais tarde eles saberiam, e seria melhor ouvir pela minha boca do que pela dos outros! – Explicou. – E você? Contou para sua avó?

–Claro que não. – Joguei minha cabeça para trás deitando na grama. Demorei um pouco para responder e fiquei observando o céu. Lucas percebeu que eu demoraria e deitou também. – Para ser sincero, não tenho um bom motivo para não contar! Mas acho que no fundo é medo de eu contar e ela enfartar.

–É. Imagina a cena: Vó, eu sou um mago! – Ele começou a rir. Fechei os olhos sentindo o vento sobrar mexendo a água e a grama.

–Senti saudades de você.

–Eu também, seu chato!

–Quem fala. Você sempre perdia para mim! – Falei.

–Mas agora é diferente, usamos magia e não as mãos. – Ele disse.

–Então quer lutar? – Me levantei em um pulo.

–Hoje não dá. Temos que marcar com um dia de antecedência!

–É mesmo.

–Amanhã já começa o feriado, onde você vai ficar a semana toda? – Ele me perguntou.

–Nem lembrava direito. – Baguncei o cabelo. – Acho que vou ficar por aqui mesmo. E você?

–Eu também! Já avisei minha família. – Ele se levantou. – Já aprendeu a usar o seu poder de fogo? – Andamos em direção a escola.

–Ainda não! – Fiz uma careta. – E agora que você falou, eu preciso ver uma maneira de aprender. Como eu estou na equipe de gelo, eu não acho que eu vá aprender com os meus professores!

–Então amanhã começaremos o seu treinamento!

–Você vai me ensinar? – Parei e arqueei uma sobrancelha.

–Só porque eu não entrei na escola no tempo certo, não quer dizer que eu não tenha treinado. – Lucas fechou a mão e bateu no peito. – Eu levei um ano, mas consegui materializar o fogo sozinho!

–Tudo bem, professor. Acho que você é bem capaz para essa vaga! – Sorri e voltei a andar. – Mais da metade da escola vai para casa, então poderemos treinar tranquilamente.

Voltamos para a escola.

–Nos vemos amanhã na quadra as dez?

–Tá. – Me despedi e, fui na direção do meu dormitório, e ele para o dele.

Quarto – 18h

–Já está dormindo? – Perguntei vendo Davi deitado com as costas para cima. – Preguiça não é de Deus!

–É porque você não arrumou aquela sala sozinha!

–Não precisava arrumar tudo sozinho. Podia ter deixado alguma coisa para eu poder fazer!

–Agora é tarde. – Ele se virou. – E eu já estava lá também.

–Desculpa. Vamos lá ver?

–Pode ir se quiser, eu vou deitar de novo.

–Está bem, então.

Saí do quarto sem fazer barulho. Fui para o último andar da torre, tomando o máximo de cuidado possível para não ser visto. Parei de frente ao piso e olhei de um lado para o outro, para poder saber se ninguém veria. Quando decidi que era seguro pus minha mão no piso e liberei meu poder. – Não foi difícil decorar qual era o certo. – A passagem se abriu e adentrei pela mesma.

Parecia até outro lugar. O sofá descoberto, as cadeiras arrumadas, o pó havia sumido, e conseguia ver a cor do lugar. As paredes tinham uma cor salmão, a prateleira de livros com cor azul-escuro e, a mesa e o armário de um tom amarelado. Abri o armário e tudo estava arrumado. Fui até a prateleira e tinha alguns livros a mais.

–Agora só precisamos concertar a luz. – Procurei o interruptor e o achei atrás da mesa. Mexi no botão e a luz acendeu. – Até a luz? Aquele garoto tem mil e umas habilidades!

Voltei minha atenção para a mesa e nela haviam alguns papéis, um abajur e um porta-canetas. Abri as gavetas, mas estavam vazias.

–Só precisamos de uma geladeira. – Apaguei a luz e me pus a andar de volta para meu quarto.

Dia seguinte

Me despedi de Davi, pois o mesmo foi para casa ficar com sua família. Não contei sobre o meu treinamento, porque queria que fosse uma surpresa quando ele voltasse.

Como já estava no meu horário marcado com o Lucas, fui para a quadra. Ele estava sozinho usando a roupa especial de quando alguém lutaria. Coloquei a roupa também e fui para meu lugar.

–Está pronto? – Ele perguntou.

–Estou. Mas e o professor?

–Quase todos saíram, então podemos lutar sem uma supervisão. – Ele explicou. – Vamos?

Me preparei.

–Vamos!

Levamos uns trinta minutos e no fim eu perdi. Admito que não achei que o Lucas fosse tão bom em controlar o fogo. Ao contrário de mim que não consegui soltar nenhuma chama sequer.

–Não se preocupe. – Ele falou se aproximando. – Você só precisa praticar!

–Como você aprendeu a controlar o fogo?

–Meus professores disseram que é a raiva. Quando ficamos com raiva o nosso fogo interior queima e é aí que o liberamos!

–Se esse for o caso, eu não vou conseguir, porque o gelo é diferente! Precisamos nos manter calmos!

–Você vai precisar praticar muito então. E por falar nisso, eu pedi a ajuda a alguém! Espero que não se incomode.

–Quem?

–A mim! – Ouvi a voz da Yuri.

–E por que me ajudaria?

–Se você dominar os poderes de fogo também, será um grande trunfo para a nossa equipe!

–Nossa, você está me usando!

–Mais ou menos. – Ela foi para a posição dela. – Prepare-se.

–O que faremos agora? – Perguntei olhando para o Lucas.

–A Yuri vai fazer uma bola de gelo e lançar em você. O seu objetivo é destruir essa bola com fogo.

–Mas, a Yuri é uma representante, o poder dela vai ser maior que o meu já que não sei usar bem. – Avisei.

–Eu não colocarei muito poder! – Ela falou. – Se você conseguir acabar com o meu ataque mais fraco, você conseguirá derrotar qualquer membro da equipe.

–Vamos começar logo então.

Lucas saiu do campo e Yuri começou a materializar uma bola de gelo. Ela arremessou na minha direção e tentei destruí-la, mas nada saiu. Fui atingido no peito e arrastado um pouco para trás.

–Foque-se na raiva. Pense que a bola quer te destruir. – Lucas falou.

–É mais fácil falar do que fazer!

Depois de levar vinte boladas, a raiva já estava tomando conta de mim e consegui fazer uma chama.

–Agora lança. – Ele falou e joguei o meu ataque contra o da Yuri, mas o dela venceu. – Já é um começo!

Dias depois

–Isso é tudo o que eu posso te ensinar durante uma semana! – Lucas falou me olhando. Estávamos sentados em cima do muro da entrada, vendo alguns alunos chegar.

–Obrigado, você me ajudou muito! – Falei. – Tem um lugar que eu quero te amostrar. – Levantei e estiquei a mão para ele.

–Que lugar? – Ele pegou minha mão e se levantou.

–Você vai ver!

Descemos dali e fomos para a torre. O guiei até a sala e claro que ele ficou surpreso, quem não ficaria?

–Nossa.

–Eu sei. Mas, você não pode contar para ninguém!

–Quem mais sabe sobre ela? – Lucas perguntou.

–Só eu, o Davi e agora você!

–Pode deixar, eu não vou contar nada!

Um pouco mais tarde Davi chegou, e me contou sobre seu feriado. Pelo que parecia foi bom, porque até dormindo ele tinha um sorriso no rosto.

Agora – Personagem on

Estava na aula sobre o meu elemento, mas para falar a verdade, não estou prestando atenção.

Minha cabeça estava no que houve no jogo. Ele conseguiu derrotar a “técnica” do Lucio e por pouco não venceu. Ah, quem é ele? Matheus! E quem sou eu? Lucas. Sou branco, médio, magro, olhos verdes, cabelo preto. Conheço o Matheus desde quando éramos pequenos.

Triiimmm

O sinal tocou me tirando dos meus pensamentos. Saí e fui para a quadra, mas o Matheus não estava mais lá. Infelizmente o dia passou e não consegui falar com ele, mas uma hora eu vou ter, a escola não é tão grande assim!

03h30min –Matheus on

–Davi, acorda. Davi. – O balancei enquanto chamava e com muita dificuldade abriu os olhos.

–Que foi? – Ele perguntou baixo.

–Eu preciso te mostrar uma coisa! – Davi se levantou e olhou na direção do relógio.

–Mas são três da madruga!

–Vem logo! – Ele resmungou e levantou da cama.

Saímos do quarto e descemos com o maior cuidado para não acordar ninguém. Depois de sair do prédio do dormitório viramos a nossa direita e adentramos na torre. Passamos pela biblioteca no primeiro andar e subimos as escadas até chegarmos ao terceiro.

–Chegamos. – Falei de frente para uma parede.

–Não tem nada aqui.

–Sim e não.

As paredes eram coberturas por pisos que se você olhasse bem, possuíam um desenho que era um X com vários quadrados. Pus minha mão no quadrado central e comecei a liberar o meu poder. As linhas que formavam o X começaram a ficar com uma cor azul até todos ficarem da mesma cor. Quando aconteceu a parede começou a se mover e um caminho foi aberto.

–C-C-Como? Isso é... – Davi perguntou surpreso.

–Legal, né?

–Eu diria estranho, mas legal também serve. Como descobriu?

–Bem... Eu estava dormindo e no meu sonho começou a aparecer imagens daqui. Quando “acordei”, estava aqui.

–Estranho.

–Muito! – Concordei. – Vamos. – Entramos e vi que a porta começou a se fechar.

–Como vamos voltar?

–Depois vemos isso! – Continuei andando. Não era tão largo assim, na verdade, era só entrar dar cinco passos e virar a esquerda. – Uau.

Me surpreendi com o que vi. Parecia ser uma sala abandonada. De primeira você via uma estante de livros, com alguns já empoeirados, um sofá coberto por um pano, uma mesa com alguns objetos em cima e cadeiras. Abri outro armário que havia ali e vi materiais de limpeza, como vassouras, panos de chão, baldes, rodo e uma flanela.

–Uau. Essa sala parece não ser usada a anos! – Davi falou indo até a mesa e me sentei no sofá mesmo. Ele abriu gaveta por gaveta, e quando chegou na última abaixou para pegar algo. – Vem ver. – Ele me amostrou um bilhete e começou a ler.

Para aquele ou aqueles que encontraram a minha sala secreta, espero que façam bom uso da mesma. Se vocês foram guiados até aqui, isso significa que ela te escolheu assim como a mim! Nessa gaveta tem algumas chaves, mas eu acho que não serão mais úteis. Gostaria de pedir também que mantenham essa sala em segredo. Bom proveito e divirtam-se!

–Então ninguém conhece essa sala?! – Perguntei nais para mim mesmo.

–Temos que contar para o diretor!

–Não temos não! – Falei. – Esqueceu, “mantenham em segredo”. Não podemos dizer para ninguém.

–Mas é o diretor.

–Mais um motivo. Se ele é o diretor, conhece essa sala, e se não falou sobre ela, também deve conhecer as regras! – Expliquei. – Tem nome no bilhete? – Davi me deu o bilhete, mas quando peguei o mesmo queimou e o soltei.

–Parece que alguém não quis deixar provas. – Ele suspirou. – Amanhã nós voltamos! E aproveitamos para poder limpar essa bagunça.

–Tá. – O segui para a saída e voltamos para o nosso quarto. Não adiantaria muito dormir, pois daqui a pouco já teríamos que levantar.

12H – Lucas on

O sinal acabou de tocar e estava com presa para poder tentar encontrar ele.

–Lembrem-se, amanhã começa o feriado, então só terá aula semana que vem. – O professor anunciou.

Desci correndo as escadas e parei quando cheguei no segundo andar. Já haviam alunos saindo das salas. Alguns me olhavam como quem queria saber o que eu estava fazendo ali, outros só ignoraram. De longe vi Matheus saindo da sala com um garoto. Comecei a andar na direção deles, mas uma mão me impediu.

–Aonde pensa que vai? – Lucio perguntou segurando meu braço.

–O que eu faço ou não, não é da sua conta. – Falei. – Só porque é o representante do primeiro ano, não quer dizer que eu tenha que lhe obedecer.

–Você está no território inimigo, e isso é dá minha conta!

–O que está acontecendo? – Matheus perguntou.

–Matheus. – Falei.

–Nos conhecemos? – Ele me olhou bem. – Lucas? É você!

–Vocês se conhecem? – Lucio e o menino que está com o Matheus perguntaram.

–Acho que você deve explicações. – Lucio falou.

–Eu já disse que não! – Percebi a aura em volta do Lucio e comecei a liberar a minha, fazendo um pequeno choque entre o meu e o poder do Lucio, nos afastando a força.

–Deixa ele... – Coloquei o braço na frente e não deixei Matheus terminar de falar.

–Você sabe que usar os poderes contra outro aluno é proibido não é. – Disse com um pequeno sorriso no rosto. – Se chegasse no ouvido do diretor que você tentou me machucar, você poderia perder seu lugar como representante.

–Quando voltar, você vai ter que se explicar! – Ele deu as costas e desceu.

–Tudo bem com você? – Matheus me perguntou. – Faz um tempão que não nos vemos!

–É mesmo.

–Rumrum. – O acompanhante do Matheus fez um som com a garganta.

–Ah, Lucas, Davi. Davi, Lucas.

–É você que tem cuidado dele? Muito prazer.

–Eu mesmo! O prazer é meu. – Davi me respondeu.

–Ele ainda é muito cabeça dura?

–Bastante!

–Vocês se conheceram para falar mal de mim? – Matheus perguntou num tom baixo, mas que pudemos ouvir e demos uma risada como resposta.

–Vocês não querem ir no lago lá atrás? Assim colocamos a conversa em dia. – Sugeri.

–Desculpa, eu tenho que arrumar o meu quarto, porque o Matheus fez uma bagunça.

–É mesmo. – Matheus deu um tapa na testa. – Desculpa eu tinha esquecido!

–Que pena.

–Tudo bem, Matheus. Você e seu amigo não se veem a um tempo, então podem ir que eu arrumo!

–Mesmo? – Davi fez um som com a boca concordando. – Então vamos antes que ele mude de ideia. – Matheus me puxou escada abaixo.

–Hunf. Coração bondoso, você não vai ter que arrumar, né?

Na sala secreto –Davi on

Levei um balde com água e algumas outras coisas que eu achei que precisaria para poder limpar.

–Acho melhor começar pelo pó! – Abri o armário e tirei a flanela.

Matheus on

Eu e Lucas estávamos sentados com os pés no lago. Algumas crianças brincavam do outro lado e não pareciam ter nos percebido. Enquanto estivermos com o uniforme, a magia do diretor nos protege.

–O que tem feito desde aquele dia? – Ele me perguntou.

–Foi tão chato depois que você foi embora!

Realmente foi muito chato. Sem ninguém para brincar, conversar ou rir comigo.

–Quando você descobriu os seus poderes? – Perguntei.

–Ano retrasado! – Lucas me respondeu. – Mas, eu só vim esse ano para cá. Foi um pouco difícil aceitar e contar para meus pais.

–Você contou?

–Claro! Mais cedo ou mais tarde eles saberiam, e seria melhor ouvir pela minha boca do que pela dos outros! – Explicou. – E você? Contou para sua avó?

–Claro que não. – Joguei minha cabeça para trás deitando na grama. Demorei um pouco para responder e fiquei observando o céu. Lucas percebeu que eu demoraria e deitou também. – Para ser sincero, não tenho um bom motivo para não contar! Mas acho que no fundo é medo de eu contar e ela enfartar.

–É. Imagina a cena: Vó, eu sou um mago! – Ele começou a rir. Fechei os olhos sentindo o vento sobrar mexendo a água e a grama.

–Senti saudades de você.

–Eu também, seu chato!

–Quem fala. Você sempre perdia para mim! – Falei.

–Mas agora é diferente, usamos magia e não as mãos. – Ele disse.

–Então quer lutar? – Me levantei em um pulo.

–Hoje não dá. Temos que marcar com um dia de antecedência!

–É mesmo.

–Amanhã já começa o feriado, onde você vai ficar a semana toda? – Ele me perguntou.

–Nem lembrava direito. – Baguncei o cabelo. – Acho que vou ficar por aqui mesmo. E você?

–Eu também! Já avisei minha família. – Ele se levantou. – Já aprendeu a usar o seu poder de fogo? – Andamos em direção a escola.

–Ainda não! – Fiz uma careta. – E agora que você falou, eu preciso ver uma maneira de aprender. Como eu estou na equipe de gelo, eu não acho que eu vá aprender com os meus professores!

–Então amanhã começaremos o seu treinamento!

–Você vai me ensinar? – Parei e arqueei uma sobrancelha.

–Só porque eu não entrei na escola no tempo certo, não quer dizer que eu não tenha treinado. – Lucas fechou a mão e bateu no peito. – Eu levei um ano, mas consegui materializar o fogo sozinho!

–Tudo bem, professor. Acho que você é bem capaz para essa vaga! – Sorri e voltei a andar. – Mais da metade da escola vai para casa, então poderemos treinar tranquilamente.

Voltamos para a escola.

–Nos vemos amanhã na quadra as dez?

–Tá. – Me despedi e, fui na direção do meu dormitório, e ele para o dele.

Quarto – 18h

–Já está dormindo? – Perguntei vendo Davi deitado com as costas para cima. – Preguiça não é de Deus!

–É porque você não arrumou aquela sala sozinha!

–Não precisava arrumar tudo sozinho. Podia ter deixado alguma coisa para eu poder fazer!

–Agora é tarde. – Ele se virou. – E eu já estava lá também.

–Desculpa. Vamos lá ver?

–Pode ir se quiser, eu vou deitar de novo.

–Está bem, então.

Saí do quarto sem fazer barulho. Fui para o último andar da torre, tomando o máximo de cuidado possível para não ser visto. Parei de frente ao piso e olhei de um lado para o outro, para poder saber se ninguém veria. Quando decidi que era seguro pus minha mão no piso e liberei meu poder. – Não foi difícil decorar qual era o certo. – A passagem se abriu e adentrei pela mesma.

Parecia até outro lugar. O sofá descoberto, as cadeiras arrumadas, o pó havia sumido, e conseguia ver a cor do lugar. As paredes tinham uma cor salmão, a prateleira de livros com cor azul-escuro e, a mesa e o armário de um tom amarelado. Abri o armário e tudo estava arrumado. Fui até a prateleira e tinha alguns livros a mais.

–Agora só precisamos concertar a luz. – Procurei o interruptor e o achei atrás da mesa. Mexi no botão e a luz acendeu. – Até a luz? Aquele garoto tem mil e umas habilidades!

Voltei minha atenção para a mesa e nela haviam alguns papéis, um abajur e um porta-canetas. Abri as gavetas, mas estavam vazias.

–Só precisamos de uma geladeira. – Apaguei a luz e me pus a andar de volta para meu quarto.

Dia seguinte

Me despedi de Davi, pois o mesmo foi para casa ficar com sua família. Não contei sobre o meu treinamento, porque queria que fosse uma surpresa quando ele voltasse.

Como já estava no meu horário marcado com o Lucas, fui para a quadra. Ele estava sozinho usando a roupa especial de quando alguém lutaria. Coloquei a roupa também e fui para meu lugar.

–Está pronto? – Ele perguntou.

–Estou. Mas e o professor?

–Quase todos saíram, então podemos lutar sem uma supervisão. – Ele explicou. – Vamos?

Me preparei.

–Vamos!

Levamos uns trinta minutos e no fim eu perdi. Admito que não achei que o Lucas fosse tão bom em controlar o fogo. Ao contrário de mim que não consegui soltar nenhuma chama sequer.

–Não se preocupe. – Ele falou se aproximando. – Você só precisa praticar!

–Como você aprendeu a controlar o fogo?

–Meus professores disseram que é a raiva. Quando ficamos com raiva o nosso fogo interior queima e é aí que o liberamos!

–Se esse for o caso, eu não vou conseguir, porque o gelo é diferente! Precisamos nos manter calmos!

–Você vai precisar praticar muito então. E por falar nisso, eu pedi a ajuda a alguém! Espero que não se incomode.

–Quem?

–A mim! – Ouvi a voz da Yuri.

–E por que me ajudaria?

–Se você dominar os poderes de fogo também, será um grande trunfo para a nossa equipe!

–Nossa, você está me usando!

–Mais ou menos. – Ela foi para a posição dela. – Prepare-se.

–O que faremos agora? – Perguntei olhando para o Lucas.

–A Yuri vai fazer uma bola de gelo e lançar em você. O seu objetivo é destruir essa bola com fogo.

–Mas, a Yuri é uma representante, o poder dela vai ser maior que o meu já que não sei usar bem. – Avisei.

–Eu não colocarei muito poder! – Ela falou. – Se você conseguir acabar com o meu ataque mais fraco, você conseguirá derrotar qualquer membro da equipe.

–Vamos começar logo então.

Lucas saiu do campo e Yuri começou a materializar uma bola de gelo. Ela arremessou na minha direção e tentei destruí-la, mas nada saiu. Fui atingido no peito e arrastado um pouco para trás.

–Foque-se na raiva. Pense que a bola quer te destruir. – Lucas falou.

–É mais fácil falar do que fazer!

Depois de levar vinte boladas, a raiva já estava tomando conta de mim e consegui fazer uma chama.

–Agora lança. – Ele falou e joguei o meu ataque contra o da Yuri, mas o dela venceu. – Já é um começo!

Dias depois

–Isso é tudo o que eu posso te ensinar durante uma semana! – Lucas falou me olhando. Estávamos sentados em cima do muro da entrada, vendo alguns alunos chegar.

–Obrigado, você me ajudou muito! – Falei. – Tem um lugar que eu quero te amostrar. – Levantei e estiquei a mão para ele.

–Que lugar? – Ele pegou minha mão e se levantou.

–Você vai ver!

Descemos dali e fomos para a torre. O guiei até a sala e claro que ele ficou surpreso, quem não ficaria?

–Nossa.

–Eu sei. Mas, você não pode contar para ninguém!

–Quem mais sabe sobre ela? – Lucas perguntou.

–Só eu, o Davi e agora você!

–Pode deixar, eu não vou contar nada!

Um pouco mais tarde Davi chegou, e me contou sobre seu feriado. Pelo que parecia foi bom, porque até dormindo ele tinha um sorriso no rosto.

Notas finais
Gostaram? O próximo capítulo terão algumas... Revelações!