Guardians I - The Divine Stones
3 III - The Wolves Attack
Notas iniciais

O homem voltou a surgir em meu sonho, mas desta vez ele estava ainda maior e com os olhos em chamas. Mas eram chamas negras, que queimavam e emitiam uma onda de frio cálido, que queimava até a alma.
– O poder pode ser muito maior do que imagina. – Tornou a falar ele. – Cuidado para não transformar isso em uma maldição ainda maior também.
♦
A semana seguiu como sempre, entediante e monótona, a única coisa que me animava era ir ao parque na sexta. Embora ainda tivesse aqueles sonhos bizarros, e não conseguia dormir direito, pois sempre acabava acordando assustado no meio da noite, consegui manter minha palavra e ficar acordado nas aulas da Sra. Moralez.
– Estou orgulhosa de você. – Disse Luna em um dos intervalos.
– Promessas são mais que apenas palavras para mim. – Falei com um sorriso irônico, contrariando o que Logan havia dito uma vez sobre minha promessa, o que o deixou bastante irritado.
Com o final do ano se aproximando, muitos dos alunos que estavam no terceiro ano começavam a fazer badernas na escola, como pichações e destruindo extintores de incêndio. Era assim todos os anos.
– Eles são tão... – Comecei, ao ver um dos valentões arremessar uma colher cheia de purê em um dos nerds da mesa ao lado, começando uma guerra de comida
– Mongoloides. – Continuou Logan, indo parar de baixo da mesa para se proteger dos ataques.
Para ele, todas as pessoas que eram chatas, irritantes, inconvenientes e milhares de outros adjetivos negativos, recebiam um único título: mongoloides.
E, além de muitos vandalismos, havia um clima de romance no ar, com muitos dos veteranos se declarando para as meninas. Logo muitas meninas também começavam a cumprimentar Logan com mais frequência, ainda mais agora que ele decidira deixar a barba crescer, chamando a atenção de muitas garotas, inclusive líderes de torcida populares, meninas muito cruéis que pisariam em qualquer um sem hesitar.
– Acho que o verdadeiro mongoloide desta escola é você. – Murmurou Luna enquanto comia sua comida.
Com todo o clima de despedida, passei a pensar como seria o ano seguinte sem a presença de Logan durante as refeições. Era algo estranho e vazio, mas era bom eu já me acostumar com a ideia, pois era um futuro próximo.
– Papai disse que vai financiar minha faculdade. – Respondeu Logan assim que o diretor chegou no refeitório, fazendo com que a guerra parasse. Havia perguntando sobre o que ele faria quando tudo aquilo acabasse. – Mas preciso arrumar um emprego para comprar meu próprio carro.
Luna não gostava muito da ideia de ter dois carros em sua casa, já que ela preferia mil vezes uma bicicleta, que não poluía absolutamente nada.
Na quinta feira, véspera da excursão, todos os alunos na escola estavam ansiosos e planejando convidar algumas meninas para o túnel do amor durante o parque. Inclusive Joey, um garoto da sala de Logan, veio me perguntar se podia chamar Luna para sair, o que eu não entendi muito bem o motivo dele ter perguntado isso a mim e não a Logan.
– Claro. – Respondi, não sabendo muito bem o que deveria dizer. – Pode chamar ela.
No entanto, Luna recusou o pedido de Joey e em seguida passou a me ignorar o dia inteiro, virando a cara quando me olhava.
Não entendi se havia feito algo errado e toda vez que eu perguntava à ela, Luna simplesmente fugia de mim. Nem mesmo Logan sabia o que havia de errado com a irmã.
Cheguei a pedir conselho até à minha avó, perguntando se tinha feito algo de errado, mas ela só deu risada de mim.
– Ai Kevin... – Disse ela balançando a cabeça, não acreditando no que eu havia dito. – Infelizmente nessa parte você puxou seu pai.
– Como assim?
– Isso você vai ter que descobrir por si mesmo, meu neto. – Continuou ela. – Não vou poder te ajudar com isso.
No dia da excursão, Luna continuou me ignorando e Logan não sabia o que fazer, nem mesmo eu. No ônibus ela se sentou com uma garota que havia feito amizade, enquanto fiquei com Logan.
– Acho que você vai ter que pedir desculpas à ela. – Falou ele.
– Mas eu não fiz nada... – Argumentei.
– Cara, mulheres são complicadas, entenda isso. – Observei Luna rindo de alguma coisa, mas parecia um tanto quanto forçada sua risada. – Quando elas estão certas, nós estamos errados. E quando elas estão erradas, nós estamos ainda mais errados, mesmo não sabendo o motivo. Por isso é melhor você pedir desculpas por não ter feito nada.
– Isso não faz o menor sentido.
Logan riu e teve que concordar.
– Nada na vida faz sentido meu caro. – Disse ele. – Nada!
Rezei para que ele não começasse com suas filosofias, mas felizmente ele não fez isso, e então pude respirar aliviado.
♦
Quando chegamos ao parque, todos saltaram dos ônibus e se dividiram em grupos, ocupando as filas dos brinquedos em questão de segundos.
Ao som de Happy de Pharrel Willians na rádio do parque e de muitas outras músicas animadas, o dia se tornou bastante animado e gerou muitas gargalhadas ao lado de Logan. Mas, embora ele fosse uma companhia e tanta, ainda sentia falta de Luna que era sempre minha parceira na escola, na rua e em qualquer lugar. Decidi que iria pedir desculpas à ela, mesmo não sabendo o que havia feito.
Passamos por todos os brinquedos possíveis e cada um era uma diversão ainda maior, principalmente a montanha-russa.
O dia estava passando rápido e em breve o sol já iria se pôr, o que iria aumentar a fila para a roda gigante. Decidimos nos apressar para pega-la antes que fosse tarde demais.
Quando alcançamos o brinquedo, a fila já estava enorme, mas podia ficar ainda maior. Ironicamente chegamos no mesmo instante que Luna e sua amiga Carol.
– Oi. – Cumprimentei Luna com um sorriso. – Aproveitando bastante?
– Não é da sua conta...
Preferia mil vezes ter tomado um tapa dela do que ouvido aquilo. Por isso decidi puxa-la até um lugar reservado, pedindo que Logan guardasse a fila para mim.
– Me desculpe se te magoei ou se fiz algo que não gostou. – Pedi perdão a minha amiga e devo ter expressado sinceridade em minha voz, pois Luna não me ignorou nem fugiu. – Eu já perdi minha mãe, meu pai e nem conheço minha família direito. Eu não posso perder minha melhor amiga. Por favor, me perdoe se te magoei, de coração.
Luna desviou o olhar e exibiu um sorriso vergonhoso e então me abraçou forte.
– Tudo bem. – Disse ela. – Eu que tenho que pedir desculpas... Agi como uma criança mimada e nem percebi.
– E por que agiu dessa forma?
– É complicado...
Tentei insistir para que ela contasse o que tinha acontecido, mas naquele instante dezenas de pessoas começaram a gritar.
– Kevin! Luna! – Ouvi a voz alta de Logan procurando por nós em meio ao caos causado. Ele estava com Carol ao seu lado, correndo em nossa direção.
Não entendi o que estava acontecendo, mas algo me dizia que precisávamos sair dali o mais rápido possível.
– O que aconteceu? – Perguntei, assim que eles nos alcançaram.
– Lobos... – Murmurou ele de forma incrédula ao que havia acabado de falar.
– O que?! – Luna e eu falamos em uníssono.
Procurei por alguma coisa e então vi um ser grande semelhante a um lobo, mas era muito grande para ser um. Ele possuía os pelos cinzentos e caninos tão grossos e afiados que chegavam a serem assustadores.
– Estamos em Santa Mônica! – Argumentou Luna, que ainda não havia visto a fera. – Aqui não tem...
– Luna! – Gritei, apontando para mais um lobo que estava em cima de um dos alunos de nossa escola.
Ouvi disparos de alguns policiais que estavam no local, mas não sabia se surtiriam algum efeito naquelas feras grotescas.
– Precisamos sair daqui! – Falei, com a minha voz saindo baixa por causa do caos criado pelos lobos.
Ninguém discordou de mim e no mesmo instante começamos a correr desesperadamente até a entrada do parque, procurando por um abrigo.
Infelizmente havia muitas pessoas na frente, o que nos atrasou.
– Por ali! – Apontou Logan para uma tenda.
O seguimos pelo parque, no entanto Carol não teve tanta sorte quanto nós. No meio do caminho a garota acabou tropeçando em uma das bases da roda gigante e caindo. Logan tentou voltar para ajuda-la, mas já era tarde demais...
– Não! – Gritou Luna ao ver o lobo se aproximar de sua amiga.
Ele simplesmente saltou sobre Carol e cravou suas mandíbulas nas costas da garota, fazendo o sangue escorrer entre a boca da fera.
Aquela cena foi simplesmente chocante para mim e para qualquer um que tenha visto. Aqueles lobos não eram simples animais, eram monstros...
– Venham! – Tornou a gritar Logan, abrindo a tenda, que na verdade era a entrada para a mulher que trabalhava como cartomante naquele parque.
Entramos rapidamente e o som foi abafado pelo local fechado. Temia que os lobos nos encontrassem ali, mas sabia que no parque era o lugar mais seguro que tinha.
– Tem alguma coisa de errado com aqueles lobos. – Comentou Logan e eu tive que concordar com ele. – Vocês viram o tamanho deles?
Luna parecia horrorizada com o que tinha acabado de ver, e com razão. Notei que uma lágrima escorria em seu rosto e eu me aproximei dela, envolvendo-a em meus braços enquanto limpava sua lágrima.
Pensei em algumas palavras que pudessem conforta-la, mas não era tão bom quanto Luna.
– Pessoal... – Ouvi Logan sussurrar enquanto dava alguns passos para trás e olhava aterrorizado para a entrada da tenda.
Desvencilhei-me de Luna e olhei para o mesmo lugar que Logan, encontrando um lobo que nos encarava de forma assustadora. Seus olhos brilhavam o amarelo da íris e havia sangue em sua boca. Era o mesmo lobo que havia atacado Carol.
Logan se colocou a nossa frente com a intenção de nos proteger, mas sabia que ele não conseguiria enfrentar um lobo gigante sozinho.
Assim que a fera saltou sobre ele, Luna deu um grito de susto, enterrando sua cara em meu ombro para não ver a cena. Mas Logan havia sido mais esperto e desviado do ataque, pegando alguns objetos e os arremessando contra ele.
Decidi fazer o mesmo, procurando por alguma coisa que pudesse ser útil, mas não havia nada naquele lugar. E então o lobo atacou novamente, mas Logan foi mais uma vez mais inteligente, pegando uma cadeira e batendo no focinho do animal, deixando-o atordoado.
Olhei para Luna e a vi parada encarando algo a sua frente. Algo que brilhava intensamente e que me parecia bastante familiar.
– Kevin... – Chamou ela.
Assim que me aproximei, vi que era uma pedra idêntica a que eu havia encontrado no baú de minha mãe, com exceção da sua cor, que era uma espécie de cinza claro.
Ela estendeu sua mão, tentei impedi-la, mas ela já havia pego a pedra, caindo no chão enquanto gritava de dor.
– Logan! – Gritei para ele enquanto dava um taco de baseball que havia encontrado no armário da cartomante, fazendo-me perguntar o que ela fazia com aquilo.
Em seguida me joguei no chão, tentando tirar a pedra da mão de Luna, mas ela não permitia. Até que simplesmente parou de gritar e me olhou com os olhos arregalados.
– A cabeça... – Murmurou ela. – Acerte a cabeça do lobo.
Sem hesitar me levantei e procurei por algo que pudesse chamar a atenção do animal para mim. Joguei alguns baralhos largados na mesa, canetas, e tudo o que encontrava.
Infelizmente, ou felizmente, consegui fazer com que a fera me olhasse e grunhisse enquanto se virava para me atacar. Mas, no mesmo instante que retesou suas pernas para o salto, Logan o acertou com o taco na cabeça, deixando-o atordoado. Em seguida ele deu outro golpe, que deixou o lobo inconsciente no chão.
– Como você sabia disso? – Perguntei à Luna.
Ela já havia se levantado e agora olhava para pedra, com uma de suas mão na cabeça.
– Eu não sei...
– Não importa! – Logan parecia em pânico e incrédulo com o que havia feito. – Precisamos sair daqui, agora!
Saímos daquela tenda sem hesitar. E assim que vi o parque praticamente vazio, meu coração quase parou. Havia dezenas de corpos no chão, ensanguentados e sem vida.
Não possuía muita intimidade com Carol, mas vê-la morta me causou um sentimento de tristeza e pesar. Era uma garota tão jovem e tão bonita, que ainda tinha muito que viver e ver na sua vida, mas que agora não podia mais... Imaginei como os pais delas receberiam a notícia da morte de sua filha, o que me deixou mais sentimental ainda.
– Veja. – Apontou Luna para um lugar onde se colocava as bicicletas.
Felizmente não havia mais nenhum lobo no parque, pelo menos não que a gente tenha visto. E então seguimos em frente, alcançando as bicicletas.
Logan ainda estava com o taco de baseball em suas mãos e golpeou com força as travas que as prendiam, liberando três, uma para cada um.
– Acho melhor irmos para casa. — Comentei enquanto pedalava desesperadamente, desviando dos carros na avenida.
– Tem certeza? – Perguntou Luna. – Não acha melhor ficarmos juntos?
Viramos uma rua e vimos que o caos havia tomado conta daquela parte da cidade também, com um dos lobos morto a tiro por um policial.
– Não. – Respondi. – Vovô e vovó devem estar preocupados, assim como seus pais. É melhor cada um ir para sua casa.
Logan concordou e então nos separamos na segunda curva, comigo seguindo reto e eles a virando.
Continuei pedalando como se não houvesse amanhã, mas permanecia atento, olhando para todos os lados e procurando por algum sinal dos lobos gigantes.
Ainda não entendia como aqueles animais estavam em Santa Mônica. Era praticamente impossível aquilo. Mas ultimamente eu já estava me acostumando com tantas bizarrices acontecendo comigo.
Depois de pelo menos cinco minutos, virei na Quinta Rua e percebi que ela estava vazia, provavelmente por já ser noite e todos ali dormirem cedo como vovó.
Aos poucos me aproximava de minha casa e diminuía o ritmo devido ao cansaço. Mas algo me obrigou a acelerar novamente.
– Meu Deus!
Havia fumaça saindo da casa de meus avós e tinha certeza que não era a lareira...
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