Notas iniciais
Bom tchurma lindexta (que? kkk), aqui está mais um capítulo :) Eu voltei a fazer capa (mentira, é minha irmã que tá fazendo, porque sou preguiçoso e não manjo das manjaria no photoshop) e espero que gostem deste cap. E como deu para perceber, o Kevin é o Andrew Garfield e a Luna será a Victoria Justice (assim como na original)... Até mais e boa leitura!

Uma face surgiu perante mim em meus sonhos. Ela era inteiramente pálida, com os olhos negros e profundos, que me faziam recuar de medo. Ela expressava seriedade e não demonstrava nenhuma manifestação de que notou a minha presença ali. Isto até se pronunciar:

– Saiba utilizar os meus dons garoto, caso contrário encontrará a morte! – Disse o homem a minha frente, com uma voz tão grave que tomava conta de todo o lugar a minha volta.

♦

Quando acordei, estava inteiramente molhado devido ao suor, com o despertador tocando em minha estante. Passei a mão sobre minha testa, limpando a água que escorria e me obrigando a levantar.

– Merda... – Ralhei enquanto desligava o despertador. – Esqueci de desligar.

Sentei na cama, ainda assustado com o sonho bizarro que acabara de ter. No mesmo instante pensei em ligar à Luna e contar o que havia visto, mas presumi que ela ainda estava dormindo já que era sábado. Portanto preferi não arriscar e tomar xingo.

Abri a porta lentamente para não fazer nenhum ruído a meus avós e então caminhei na ponta dos pés até a cozinha, para tomar um copo de água gelada.

Desci os degraus da escada um a um, tomando o máximo de cuidado para não fazer barulho e quando cheguei à sala pude suspirar aliviado, pois dali não era possível ouvir os sons.

Entrei na cozinha e quase tive um infarto ao ver minha vó sentada na mesa, tomando um copo de café.

– O que faz acordada essa hora? – Perguntei, tentando me acalmar enquanto procurava por um copo.

Vovó me olhou com um sorriso.

– Eu que te pergunto querido. – Falou ela entregando-me uma xícara limpa da mesa. – Caiu da cama?

– Mais ou menos. – Sentei-me junto a ela, mudando de ideia e preferindo o café à água.

– Sua mãe tinha o mesmo hábito. – Comentou ela, mas não entendi ao que ela se referia. – De acordar cedo e vir tomar um copo de café.

Exibi um sorriso.

– A senhora poderia me contar mais sobre nossas semelhanças? – Pedi com um olhar de curiosidade.

– Claro... – Vovó levantou e se pôs a lavar seu copo, como sempre fazia. – Ela nunca foi de se importar com o que as pessoas diziam sobre ela, assim como você. Selena sempre ignorava qualquer comentário que tivesse a intenção de magoa-la, mas mesmo assim demonstrava compaixão com todos ao seu redor.

A cada coisa que vovó me contava sobre minha mãe, fazia com que eu a admirasse ainda mais. Mas ainda havia algumas coisas que me intrigava...

– Vovó. – Minha voz saiu fraca, hesitando em fazer aquela pergunta. – Minha mãe tinha algum tipo de problema?

Ela estranhou minha pergunta e me olhou atentamente por trás de seus óculos pequenos. Mas não precisei explicar, pois ela deduziu rapidamente o que eu estava querendo dizer.

– Sua mãe era uma pessoa muito especial Kevin. – Começou ela. – Muitos a julgavam pelo jeito dela ser, mas ninguém sabia que ela realmente era uma pessoa boa e só queria o bem de todos.

– Do jeito que a senhora fala parece até que minha mãe era uma espécie de super-herói. – Vovó riu de meu comentário e pegou meu copo, lavando-o logo em seguida.

– Ela podia não ser de fato uma super-heroína, mas era quase.

Franzi a testa, confuso.

– Como assim? – Perguntei, não entendendo muito bem o que vovó estava querendo dizer.

– Há coisas neste mundo que é melhor guardar segredo meu neto. – Vovó sempre era uma pessoa muito misteriosa. – Só quero que saiba que sua mãe era uma pessoa muito especial e te amava mais do que a si mesma.

Ela então guardou a louça e pegou sua bolsa, olhando para mim em seguida.

– Se seu avô acordar, diga a ele que fui ao mercado comprar a massa para as panquecas. – Comentou. – Seus amigos vêm hoje aqui?

– Sim. – Assenti. – Não tem problema, não é?

– Claro que não. – Respondeu ela com um sorriso e, antes de partir, se aproximou de mim e deu um beijo em minha testa, algo que eu realmente gostava, pois me tranquilizava de uma maneira inexplicável.

♦

Vovó chegou bem antes de George acordar, o que não era nenhuma novidade já que aos sábados vovô dormia até tarde para poder assistir os jogos à noite, principalmente hoje que seria a final da Liga Nacional de Baseball: Dodgers x Giants.

Provavelmente hoje sairia alguma discussão entre qual dos times era o melhor, ainda mais que vovô era um torcedor fanático dos Dodgers e Logan um torcedor de carteirinha dos Giants.

Felizmente Luna não gostava muito de baseball, caso contrário eu iria ficar sozinho sem fazer nada, já que não gostava de nenhum esporte.

– Já são 10h... – Observou vovó ao olhar para o relógio da cozinha. – Vá acordar George, se não ele vai dar muito trabalho hoje à noite.

Subi os degraus da sala que davam direto para os quartos e banheiros da casa. Coloquei a mão na maçaneta da porta do quarto de meus avós, mas algo me chamou a atenção...

Uma luz estranha brilhava em meu quarto e senti meu coração parar, com medo de que houvesse alguém ali. Mesmo tendo visto vários filmes de terror e aprendido que não deveria investigar qualquer indício de um invasor, não resisti à curiosidade.

Assim que entrei no quarto vi que o responsável por aquele brilho era na verdade a pedra que havia achado ontem à noite após quebrar o baú...

– Não pode ser! – Sussurrei assustado.

O baú que eu havia quebrado no dia anterior estava intacto e com nenhum indício de que havia sido partido em pedaços algum dia. E enquanto isso a pedra estava em minha cama, mas a verdade era que eu não me lembrava de tê-la deixado ali em nenhum momento da noite ou de quando acordei.

Olhei para todos os cantos do quarto em busca de algum invasor, mas não havia nada.

Por um instante cheguei a pensar que havia sido minha avó que tinha consertado o baú, mas não fazia sentido já que ela não entrara em meu quarto, nem mesmo meu avô.

– Meu Deus! – Coloquei a mão sobre a cabeça, sem saber o que fazer diante de tudo o que estava me acontecendo. – Isso tem que ser outro sonho.

Fechei os olhos na esperança de acordar, mas quando o abri nada havia acontecido. Tudo estava no mesmo lugar e eu continuava assustado e sem a menor ideia do que fazer.

– Aconteceu alguma coisa? – Ouvi a voz de vovô atrás de mim e por pouco não tive outro infarto.

Quase pulei na cama de tão assustado, o que deve ter sido muito engraçado, pois ele começou a rir muito de mim.

– Devia ter visto sua cara! – Disse ele entre os risos. – Foi hilário!

– Vovô, ninguém mais diz hilário. – Corrigi ele, que sempre pedia para se manter antenado nas gírias dos jovens.

De repente ele parou de rir e se recompôs.

– Verdade... – Concordou ele. – Mas você parecia perdido e assustado antes de parecer um gato prestes a tomar banho. Aconteceu alguma coisa?

Olhei de relance para o baú e hesitei. Não sabia se deveria contar ao vovô, mesmo não sabendo o motivo de esconder algo tão desnecessário dele.

– Nada. – Menti. – Acho que vi uma barata passando por aqui.

– Está com medo de uma barata? – Perguntou de forma zombeteira.

– Não, apenas me assustei quando ela passou. – Tentei corrigir o que eu havia dito. – Mas acho que ela já foi embora.

– Ótimo. – Vovô se virou e caminhou em direção à escada. – Não quero escutar ninguém gritando igual a uma mulher de madrugada.

♦

O dia se passou tranquilamente, com vovô se preparando para a grande final à noite, vendo notícias na televisão sobre os dois times.

Ajudei vovó nos preparativos da panqueca, mesmo que ela já tivesse comprado as massas e então telefonei para Luna e ficamos conversando um bom tempo sobre coisas bobas e sem sentido, como sempre.

Logan e Luna chegaram mais cedo do que o previsto e então nos ajudaram a arrumar a mesa e terminar de limpar a casa, embora Logan não parasse de reclamar.

– Devíamos ter esperado mais. – Resmungava o garoto toda vez que via Luna.

Vovô chegou de sua caminhada vespertina aos sábados e, ao ver Logan, logo exibiu seu sorriso maroto.

– Preparado para perder hoje à noite garoto? – Zombou vovô dando uma piscadela.

– Perder não faz parte do meu dicionário. – Respondeu, cumprimentando-0 logo em seguida. – Kevin me contou que o senhor arrumou a caminhonete.

George logo olhou para mim, surpreso.

– Pois é. – Se encheu de orgulho ao ouvir aquilo. – Quer dar uma olhada nela?

– Claro!

E então vovô o levou para o quintal, onde a velha caminhonete estava estacionada.

– Não entendo como Logan consegue achar aquela lata-velha uma relíquia. – Comentei.

– Sério? – Me olhou Luna com ironia. – Você não entende como Logan, o mesmo cara que não aproveita uma chance com uma garota na escola, consegue achar aquela caminhonete bonita?

Soltei um riso abafado enquanto me jogava no sofá e ligava a TV em busca de algum programa descente.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Luna de repente, me olhando com uma expressão intrigada.

Ela, mais do que ninguém, sabia quando eu estava triste, furioso ou sentindo qualquer coisa, mesmo quando eu tentasse esconder.

– Não. – Menti.

Luna levantou uma de suas sobrancelhas.

– Kevin Wayne... – Chamou-me pelo nome completo, coisa que odiava. – Eu te conheço muito bem e sei quando você está diferente. Agora me faça o favor de contar o que aconteceu.

Passei a mão sobre a cabeça e olhei de soslaio para a cozinha, onde vovó ainda terminava seu molho especial para as panquecas.

– Venha comigo. – Falei, enquanto me levantava e subia os degraus da escada.

Entrei em meu quarto e parei na porta, ainda olhando para o baú que havia se consertado magicamente. A pedra continuava na minha cama, brilhando uma luz fraca, mas perceptível.

– O que foi?

Suspirei profundamente e então lhe contei o que havia acontecido ontem à noite, sem esconder nada, nem mesmo o sonho bizarro que havia tido.

Ela me escutou atentamente, como sempre fazia quando desabafava sobre qualquer coisa. De todas as pessoas, Luna era a que mais me entendia, mesmo que não tivéssemos muitas semelhanças. Adorava pedir seus conselhos, que realmente me ajudavam a superar qualquer crise que tinha.

– Sinceramente, Kev? – Este era um dos apelidos ridículos que Luna costumava me dar, tal como WayWay, Kevis, Kevinildo e muitos outros que me faziam passar vergonha. – Eu não sei o que dizer sobre isso. Parece tão...

– Surreal?

Luna assentiu, piscando e tentando entender o que eu havia lhe contado.

– Sabe, às vezes eu desconfio de algo surreal que aconteça com minha família... – Começou ela, olhando pela janela de meu quarto. – Papai e mamãe sempre desaparecem ou vão visitar algum parente distante, mas nunca levam a gente junto. Mas, convenhamos que não vivemos em um filme e isso não passa de nossa imaginação fértil de adolescentes. Talvez você tenha pensado muito em sua mãe e algo em você queria que ela fosse alguém incrível, sei lá.

– É, acho que você tem razão. – Concordei, admirando a maturidade que Luna tinha. – Vamos descer, já estou sentindo o cheiro das panquecas.

♦

Depois de me empanturrar de comida, deitei no sofá, com a cabeça sobre a perna de Luna, que não gostou muito, mas não fez nada para me tirar dali.

Logan e vovô passaram a noite discutindo quem eram os melhores jogadores da liga, enquanto vovó apenas tricotava algumas luvas para o inverno.

– Sorte que papai não está aqui. – Comentou Luna. – Isso iria parecer um zoológico.

Infelizmente tive que concordar com ela, pois os dois só não começavam a brigar por respeito.

– Vai no parque sexta? – Perguntei a ela, lembrando da excursão que teria com a escola, no parque de diversões que ficava no Píer de Santa Mônica.

– Claro! – Exclamou com um sorriso. – Não posso perder aquele pôr do sol mais uma vez.

Havia ido ao parque muitas vezes, mas somente quando já estava escuro e o céu iluminado por estrelas. Mas sempre ouvia das pessoas que o pôr do sol visto da roda gigante era algo surpreendentemente lindo.

– Deve ser realmente bonito de se ver. – Concordei.

♦

Após a final do jogo, que não foi nada bom para Logan, vovô deu uma carona para ele e Luna, pois já era muito tarde para voltarem a pé.

E assim que partiram, decidi ir para a cama, pois já estava exausto e morrendo de sono.

Tentei pensar nas palavras que Luna havia me dito, mas havia algumas coisas que ainda não se encaixavam, como o fato do baú ter se consertado magicamente e a pedra aparecer na minha cama.

Me aproximei-me dela e hesitei, pensando se realmente deveria pega-la mais uma vez. Ainda tinha medo de que aquela sensação horrível voltasse a ocorrer, me causando muita dor. Mas no fim acabei cedendo e a peguei.

Suspirei aliviado quando senti apenas o frio de sua superfície, sem me causar nada. E então a guardei no baú, fechando-o em seguida sem muita força para não se quebrar novamente.

Por fim joguei-me na cama, virando de barriga para cima e encarando o teto até pegar no sono.

Notas finais
E aí galera? O que acharam? Como deu pra perceber, essa nova fic é mais realista (como pode-se ver ao citar o jogo de baseball e tals) Então... comentem para eu saber o que estão achando! Ah, e não esqueçam de divulgar para o amigo, irmão, tio, primo, papagaio e o zoológico inteiro kkk Boa semana a todos!