Guardians
2 Capitulo 2 - Benevolencia
Exausta Natasha andava pela mata, seu rosto e braços todos arranhados pelos espinhos das plantas, sua roupa estava e farrapos, suja de lama e sangue seco, seu corpo e mente pareciam estar no automático, só queria achar as irmãs, parou lentamente de andar e se encostou em uma árvore, olhou para cima o céu turquesa começara a dar lugar ao vermelho do entardecer, o corpo pendeu cansado tombando no solo úmido, sentiu as folhas picar lhe o rosto e no segundo seguinte sua mente cedeu ao cansaço com a voz de Kaira ressoando .
”—,Speculo...”
“— Naty ...
Ela abriu os olhos e viu Anie deitada em cima de uns galhos da arvore do quintal, estavam no segundo andar da casa, os galhos ficavam bem ao lado da imensa sacada, May estava sentada no chão encostada no sofá com um livro nas mãos, Naty olhou em volta meio sonolenta “_Sonho? , sentiu o macio veludo do sofá roçar sua pele, estava deitada no sofá importado da mãe.
— O que foi Naty, esta pálida?
May estendeu a mao tocando-lhe a fronte arrumando delicadamente os cabelos, olhou para seus olhos verdes calmos e carinhosos, pareciam com esmeraldas e sempre lhe transmitiam paz.
—Ei o senhorita perfeição.
Anie se levantou e pulou para dentro da sacada, o tom da voz era sarcástico brindado pelo sorriso moleque, usava um boné meio surrado, blusa branca e uma calça marrom até os joelhos, parecia um menino, lentamente ela se aproximou do piano de cauda, seu presente dado pela mãos aos quinze anos.
—Ei o senhorita perfeição, te aconselho a levantar e tirar os sapatos do sofa de veludo branco da mamãe.
Naty se levantou o mais rápido que pode, mas o corpo ainda não havia acordado e ela foi em direção ao chão, sentiu-o gelado do piso e decidiu ficar por ali mesmo, mas emburrou a cara ao olhar para a irmã que lhe sorria.
—Para de me chamar assim...monstrinho
May suspirou e Anie se sentou no piano rindo enquanto abria a proteção e passando a mão levemente pela extensão da teclas, de repente começou a dedilhar uma belíssima musica. Naty e May fecharam os olhos saboreando aquela musica suave, adoravam quando aquela pequena moleca tocava o piano, Anie era assim uma hora estava em cima de uma árvore, correndo de patins ou tocando belissimamente um piano ou violino.
— As vezes eu acho que não pertenço a este lugar...
Anie falara enquanto dedilhava o piano, seus olhos pareciam distantes e tinham um leve sorriso no rosto, ela se virou pra irmã, Naty arregalou os olhos ...
— Anie...”
_Anie...
Lentamente Naty abriu os olhos, acordara com sua própria voz chamando a irmã, sentiu o corpo pesado e a cabeça rodando, será que fora a uma festa e bebera muito, de novo? Suspirou sabendo que Anie não perdoaria e seria zoada ate o ano que vem, suspirou de novo e tentou fixara a vista embaçada, uma lareira a sua frente, uma mesa com algumas frutas no canto, ao lado da cama uma cadeira de madeira com alguns fios de lã como se alguém tricotasse...
— Tô sonhando de novo ou já estou acordada?? — Ela apertou forte o braço soltando um grunhido de dor. — Tô acordada... — Olhou em volta coçando a cabeça confusa. — Onde eu estou?
— Oh, você acordou... — uma voz suave vinha da porta, uma mulher de cabelos loiros e olhos castanhos entrou sorrindo, limpava aas mãos no avental branco antes de tira-lo, usava um vestido branco e um corselete marrom, Naty a olhou sem saber como reagir, ela se aproximou e tocou-lhe a testa soltando um suspiro de alivio. — Sua febre a baixou que bom, trouxe algo para comer.
— Onde...?
Perguntou enquanto olhava em volta, a mulher tinha um sorriso calmo e acolhedor:
— Está em Kalm, esta segura agora...
Naty olhou em volta novamente um curto pensamento lhe passou pela mente. “— Somos as únicas a detê-los... em quem podemos confiar?”
— Quando quiser pode se vestir, tem roupas na cadeira...
“— Me vestir???” — Naty olhou para baixo e se viu apenas em roupas intimas e soltou um gemido de vergonha se cobrindo, tentava esticar o braço ate a cadeira e pegar as roupas que lhe foram dadas.
— As suas roupas estavam rasgadas... Acho que depois que comermos podemos ir na cidade, ar fresco lhe fara bem.
Naty assentiu apenas balançando a cabeça ao conseguir pegar o vestido, a mulher saiu e ao fechar a porta ela se se encostou à parede, agarrou fortemente o medalhão que levava.
— Kaira por todos os deuses, será ela??
Vila cheirava a pão fresco saindo do forno, flores e temperos da refeição que seria preparada, era tudo tão irreal, tão... Quanto mais olhava ao redor mais se sentia bem, era algo familiar, sem notar ela sorriu ao lembrar-se das palavras da irmã no seu sonho, nunca admitiu pra si mesma, mas também nunca se sentiu parte daquele lugar, não como se sente na vila agora. A mulher que lhe resgatou era Samira, ela lhe explicou que quando a guerra começou a imperatriz sacerdotisa reuniu todas suas forças e num ato de auto sacrifício ela criou Clef, um tipo de santuário onde aguardam o retorno da sua única esperança as guardiãs descendentes dos celestiais.
— Há muitas pessoas perdidas nas florestas, mais chegam todos os dias... Sabe você teve sorte de estar perto de Kalm, a Vila Tyrol dos Furions é muito... Desconfiada.
— Furions?
— Sim, o povo com o sangue dos celestiais do fogo... Em Kalm temos o sangue dos celestiais da agua, guardamos a joia da guardiã da agua, para quando ela voltar.
Naty continuava andar ao lado dela, realmente o povo da vila a tratara bem com cordialidade e alegria, ao passarem por uma forte Naty parou, a agua parecia se movimentar quanto mais ela chegava perto, uma voz fraca sussurrava-lhe algo a agua do lago parecia formar ondas apenas pra um lado, como se apontasse algo, sem se dar conta ela se pôs a andar para o local que apontava. Samira se virou estendendo uma maça, seu sorriso desapareceu ao não ver Naty, ela olhou em volta sem sucesso, angustiada.
Naty andara ate uma caverna na parte alta da vila, “— Iaram.” — escutava chamarem por um nome, era varias vozes juntas, mas o que ou quem era Iaram? E por que sentia o coração mais calmo ao escutar isso. Quando chegou mais perto da caverna seus olhos se afundaram na mais profunda escuridão da caverna, quando ia entrar algo pulou na sua frente, um felino de pelo dourado e duas caldas, os olhos amarelos estavam cravados nela.
— Afaste-se forasteira . — ele grunhiu mostrando as presas. —_Aqui repousa a mágica das águas!!
Naty piscou varias vezes caída no chão, aquilo falava?? Estava escutando vozes vindas do nada e agora um felino estava falando com ela, ela apontou pro felino e gaguejou:
— IIII... Isso fala?!
— Isso???... Sua... — O felino estreitou os olhos, indignado, mas antes que pudesse rebater as palavras dela fumaça e barulho de explosões vinha da vila seguidos por gritos desespero, ele se arrepiou rosnando:
— A vila esta sendo atacada!!
Naty olhou para trás e logo depois para ele, seu coração acelerava fazendo seu corpo tremer.
_ São os soldados do Karshue... Fique aqui e não entre na caverna!!
O felino olhou direto para Naty falando em tom de ameaça, Naty explodiu sentiu-se vermelha e ao vê-lo se dirigir para o centro da vila ela disse:
_Eu... E como você vai lutar arranhando as pernas deles!!
Antes mesmo que ela terminasse de falar uma luz o envolveu fazendo-o triplicar de tamanho, sua forma lembrava um guepardo, Naty arregalou os olhos soltando um assobio, ele parou lhe sorriu de forma arrogante fazendo com que ela tivesse vontade de jogar algo nele.
Samira corria procurando Naty, os guardas de Karshue não podiam encontra-la, não aguentaria perde-la de novo, de repente sentiu o corpo ser arremessado no ar por uma forte explosão, a cabeça rodava e a única visão que teve foi do brilho frio da lamina que descia em seu pescoço, fechou os olhos com força ao sentir um vento força perto dela.
— Samira você esta bem?
O felino enorme puxava a manga do vestido forçando-a a se levantar, meio tonta ela se apoiou nele.
— Mifêr...
— Fique com os aldeões...
Samira demorou a se recuperar e antes que pudesse contar sobre a menina ele sumiu na fumaça atacando os soldados dando tempo para os aldeões correrem. Naty sentiu novamente algo, seu coração acelerou, sentiu algo passar pelos cabelos, uma voz quase inaudível ressoava nos seus ouvidos.
“_E se eu for à guardiã da água?” Ela olhou para o fundo da caverna “_Eu me lembro de ter ouvido Karshue falar: Elas são também minha ultima esperança..._Será que ele nos teletransportou para onde estão nossas armaduras?”
Mifêr pulava nos guardas agarrando-lhes e arremessando-os para longe, quando parecia que havia acabado sentiu uma onde de energia vindo em sua direção, ele foi rápido o bastante para se desviar, o pêlo estava eriçado e a cauda balançava demonstrando sua irritação ao ver o homem surgir da fumaça, trajava uma armadura negra com traços dourados e o símbolo de Katires entalhado no tórax, seus cabelos eram curtos e arrepiados, da nuca saia uma pequena trança, seus olhos castanhos tinham traços vermelhos.
_Ora, ora se não é o Mifêr.
_Péricles!!
Mifêr emitiu um urro de raiva e da sua boca saiu uma rajada densa de energia, o homem sorriu encarando o felino.
“_Por que ele esta sorrindo...”
O homem apenas ergueu a mão invocando um escudo, Mifêr viu o sorriso dele se tornar mais maligno ao fazer o escudo tomar uma forma curva.
“— Canalha...” — Mifêr viu a energia ser sugada pelo escudo que a defletiu de volta para o felino que foi mais rápido desviando e armando o contra ataque. — Não vai ser tão fácil!!
— Ah, mas será com sua ajuda...
Mifêr olhou sem entender ate escutar Samira gritar enquanto corria na direção da gruta, Mifêr correu os olhos e viu a menina ser acertada em cheio sendo arremessada pra dentro da escuridão, Samira caiu de joelhos com as mãos no rosto amparando as lagrimas que inundavam seu rosto e o nome que ela chamou causou desespero no felino:
— Iariam !!!!
— Iariam? Não pode ser... A Filha de Samira... A guardiã das águas! — Mifêr parou sentindo como se seu coração se apertasse, ele se virou para Péricles, seus olhos expressavam ódio e quando falou o rosnado foi mais forte:
— Você sabia...
— O que? Que como sempre você se precipitaria e tentaria me atingir? — o sorriso de Péricles fazia o sangue do felino ferver. — Assuma Mifêr esse sempre foi seu defeito! — Péricles sorriu ao ver a expressão do enorme felino a sua frente e se deliciou quando viu o desespero em seus olhos. — E foi por causa disso que a guardiã das águas acaba de ser morta!
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