Guardians

3 capitulo 3 - Guardiã das águas


Notas iniciais
era pra tudo ser do capitulo 2 mas ficou grande de mais

Naty olhava a vila sendo atacada, gritos seguidos de fumaça densa vinham do centro da vila, sem pensar ela deu dois passos na direção da vila mas ao ver o fogo crepidar e torna-se mais forte ela parou, suas pernas não se moviam, sentiu um tremor invadir seu corpo ao tentar forçar as pernas, sabia que tinha que ajudar mas o fogo a paralisava de medo, o trauma do acidente nunca fora embora ... gritos, o cheiro de sangue se misturando ao da fumaça, os corpo amontoados... Naty sacudiu a cabeça numa tentativa de afastar todas aquelas imagens, somente ao escutar a voz de Samira gritando seu nome ela conseguiu abrir os olhos apenas a tempo de cruzar os braços na frente do corpo para se proteger da rajada de energia maciça que vinha na sua direção, fechou so olhos aguardando o impacto, sentiu o corpo ser engolido pela energia que a arremessou em direção a caverna, o ombro direto e as pernas queimavam como se tivessem sido atravessadas por ferro quente ao bater na superficie do lago sentiu agua gelida rapidamente envolveu-lhe o corpo que com a força do impacto afundava extremamente rapido, tentou gritar mas so sentiu a agua invadir sua boca e narinas chegando nos pulmoes. “— Eu vou me afogar, não sei nadar!”— O silencio daquelas profundezas só era rompido pelas batidas de seu coração que começavam a ficarem mais lentas, sua mente lentamente apagava. “— Eu não posso morrer agora... Anie, May...”.

Em uma vila situada perto de um vulcão, Anie repousava em sono profundo em um quarto adornado de forma simples, uma espada pousava ao seu lado dentro de uma bainha de prata.

— Naty...

Anie balbuciou erguendo a mão como se tentasse agarrar algo, do outro cômodo surgiu um homem que se aproximou segurando-lhe a mãos pousando-a delicadamente sobre o corpo, sua respiração que era rápida voltou ao normal, ele trajava uma bata branca, calças marrons e tinha os cabelos longos negros presos no alto da cabeça em um coque observava-a adormecer novamente.

May tentava escalar a parede de um profundo poço seco aonde acordara, estava angustiada, cravava as unhas nas fendas que conseguia achar.

_Eu ouvi a voz da Natasha...

Não ligava para a dor e o sangue dos dedos só queria sair dali e ajudar suas irmãs, sentiu algo firme e agarrou puxando o corpo para cima, quando a luz da lua iluminou a entrada do poço ela viu a imensa raiz que vinha da floresta, mas não dava pra saber de qual arvore.

“_Agüenta que eu vou encontrar você!”

Mifêr voltara a sua forma de gato após a luta com Péricles, após o seu erro perdera totalmente a concentração, não consegui desviar o olhar da gruta, o grito de Samira ainda ecoava na sua mente, quando se deparou novamente com Péricles após o incidente do palácio perdera o controle, fechou os olhos com força, seus ferimentos doíam pouco comparado com a dor que lhe invadia a alma.

“_Eu a matei...”

Todos haviam sido postos na frente da fonte, sentados, Samira estava com Mifêr no colo muito machucado, ele não conseguia olhá-la tamanha sua culpa. Péricles se aproximou e disse:

_Queremos o coração do oceano. A joia que seria entregue a guardiã das águas.

Mifêr olhou para a entrada da caverna, Péricles viu o olhar dele e se voltando a um de seus subordinados disse:

_Soldado verifique a caverna!

_Sim senhor.

Prontamente um dos soldados se encaminhou para a gruta, o felino observava-os cinzas como a cor da fumaça, agiam de forma única, sem vontade ou vida... Necromancia, Péricles era praticante dessa arte sombria, “_Seres inanimados sem alma...”, Mifêr olhou-os com raiva e quando seus olhos cruzaram com os de Péricles ele lhe sorriu triunfante.

_O coração do oceano será nosso!

Mifêr fechou os olhos, o que poderia fazer? Ele matara a guardiã, tirara a vida de Iariam; lembrou-se da pequena menina de cabelos loiros, que lhe olhava nos olhos, sempre o tirando do sério, insistia em pegar-lhe no colo e tratá-lo como um animal de estimação, como tinha raiva daquilo... Como tinha saudades daquele tempo... “_Iariam”... Um barulho de um baque surdo vinha da gruta e vários vieram a seguir, não demorou muito para o corpo do soldado sair voando em pedaços da gruta, o som metálico ressoava com em eco seco, Naty saiu de dentro da gruta, cabelos ensopados caídos na frente do rosto, escorriam pelo corpo vestido em uma armadura verde escura, no peitoral havia uma joia branca que emitia um brilho azul puro, ela se virou vindo na direção da fonte, Samira pôs uma das mãos no rosto e sussurrou algo em seus olhos brilhava o alivio e a felicidade, o povo logo se levantou, a guardiã estava diante deles viva. Mifêr notou as botas em forma de dragão que rodeava desde cima das coxas e as ombreiras eram garras, o felino se levantou com dificuldade e com um sorriso sarcástico disse:

_O que vai fazer agora Péricles??!!

Sentindo o medo crescer, Péricles rapidamente apontou para Naty gritando:

_Matem-na

Em meio aos fios molhados do cabelo, Mifêr pode ver os olhos dela, azuis profundos de puro poder da linhagem sanguínea dos Atlantis, ela ergueu o braço lentamente e moveu a mão com graça e leveza, imediatamente água da fonte se ergueu em seu comando formando uma magnífica tromba d’água que violentamente acertou cada um dos soldados, sugando-as e levando todos para as profundezas da gruta, ela se virou para Péricles que empunhou a espada.

_Pode vir criança de Atlantis! — a lamina da espada tornou se uma labareda de fogo. Naty parou seus olhos encararam os deles como se buscassem algo, mas desviou assim que não encontrou o que procurava, ela fechou os olhos e começou a falar como se cantasse, sua voz parecia com o cantar de uma sereia:

— Spiritus aquae, atlanis sanguine! — A fonte no centro da vila começou a ruir fazendo mais agua fluir da cratera que se formara o som semelhante ao grunhido de uma fera enfurecida foi ouvido. — Sororem invocat perdere inimicos vestros!”

Na sentença final a agua tomou forma viva de um imenso dragão, ele emitiu um sonoro rugido grutal, os orbes azuis da fera o encaravam e ela parou a frente da imensa fera e passou a mão pelos cabelos tirando-os do rosto.

— Samira você esta bem?

A mulher chorava, suas lagrimas escorrendo pelo rosto iluminado pelo sorriso, os olhos de Naty foram em direção ao felino e a voz era aveludada enquanto sorria.

— Olá Mifêr... — Ele abaixou a cabeça em sinal de respeito. — Senti sua falta.

Ele sentiu um rubor e resmungou algo pra si, Naty se virou para Péricles, sua voz soou cortante, calma e ameaçadora:

_Você profanou um solo sagrado... Saia!

Ela o encarava, seus olhos ainda cravados dentro dos dele, Péricles sentiu um frio subir pelas costas, somente a presença dela exercia uma enorme pressão, havia algo perigoso naquele olhar, profundo e mortal, ele deu um passo para trás em direção as sombras.

_Nos veremos de novo! — Uma enorme sombra o envolveu fazendo-o desaparecer junto com os guardas restantes.

Os aldeões comemoraram formando um circulo envolta de Naty, o Dragão ainda estava lá as suas costas, ele deitou o focinho em seu ombro, ela o acariciou fechando os olhos enquanto ele desaparecia a suas costas, ela suspirou e se virou sorrindo para Samira e Mifêr, ele balançou a cabeça sorrindo.

— É bom tê-la de volta Guardiã.

Naty fechou os olhos, sentindo o corpo e mente cansados, o corpo pendeu em direção ao chão, Mifêr correu ate ela, e antes que caísse no chão Mifêr a segurava entre os braços, na sua forma verdadeira, um Elfo de longos cabelos prata e olhos dourado , ele a acolheu no colo e aconchegou a cabeça dela em seu ombro.

_Seja bem vinda Iariam.

O cheiro bom de café e pão fresco a fez acordar com o estomago reclamando, Naty virou a cabeça de lado e viu Samira por a mesa, sorriu olhando aquela cena e tendo a certeza que não fora um sonho, ela cobriu os olhos com o braço fechando-os... quando caiu na agua sentiu sua vida se esvaindo ate que não escutou mais nada, só a voz que vinha das aguas.

— Não tenha medo jovem Atlantis... Somos parte de você desde que nasceu, não iremos te fazer mal. — A agua parecia fazer parte de seu corpo em nível microscópico, no mais minúsculo nervo ou célula, sua memoria voltou de forma suave, quando era criança , lembrou de Mifêr ... Do tempo juntas com suas “irmãs” e da sua mãe... Aquela que agora colocava o café na mesa.

— Meu nome é Iariam?

Naty se levantou olhando Samira, ela tinha uns machucados no rosto e um braço enfaixado, ela limpou as mãos no avental ao se sentar ao lado dela e pôs a pentear os cabelos loiros dela com os dedos.

— Sim, Iariam Laguz...

Ela a olhou seu coração batia tão forte que parecia que ia sair pela garganta, ela a abraçou sentindo o calor de sua mãe.

— Eu sou grata pelos meus pais adotivos que cuidaram de mim... Mas eu sempre... Quis... Conhecer-lhe... — Naty começou a chorar enquanto Samira acariciava lhe os cabelos.

— Eu também minha filha...

Nos pés de Naty Mifêr mantinha os olhos fechados e sorria.

Naty pegou alguns pães e colocou no pote que Samira estava preparando pra sua viagem.

— E pra onde você ira?

Samira falava enquanto fechava os potes e colocava em uma sacola, Naty parou tentando se lembrar das palavras de Kaira.

— Speculo... Kaira ira nos aguardar lá...

Samira parou deixando cair a sacola, Naty a olhou preocupada.

— Kaira a sacerdotisa... Esta viva?

Naty balançou a cabeça positivamente e viu um sorriso surgir no rosto de Samira.

— Isso e uma benção... Devo avisa a todos, ficaram aliviados.

Samira saiu rapidamente, Mifêr se espreguiçava na janela já vendo o alvoroço na vila, ele pulou na mesa se aproximando de Naty.

—Kaira e tão importante assim?

Mifêr a olhou sério e disse de forma rápida e direta:

— Ela e a sacerdotisa que criou Clef...

—A ta ... — Ela parou um momento depois colocou o dedo na boca. — Mas Samira disse que a sacerdotisa era a imperatriz... — olhou para o lado como se tentasse juntar alguns pedaços. —Karshue é o imperador... — Ela parou olhando Mifêr com os olhos arregalados, ele mantinha uma orelha em pé e outra abaixada observando-a — Kaira e casada com Karshue??

Naty se deixou cair na cama sentada lembrando-se das palavras que disse ao encontra-lo, sentiu o rosto queimar. “— eu disse que o marido dela era um gato!!!” — Mifêr continuava a olha-la sem entender, foi então que decidiu chama-la de volta a realidade pois notou que isso ia durar muito tempo.

— Eu vou com você.

— Contanto que não venha outra rajada de energia na minha direção... — Naty parou olhando-o e cruzou os braços, Mifêr suspirou abaixando as orelhas.

— Me perdoe por isso, mas foi um erro perder a calma durante a luta...

Antes que acabasse de falar sentiu ser erguido no alto, Naty o abraçou acarinhando seu pelo macio e rindo.

— Estou brincando Mifêr, será uma honra ter você ao meu lado.

Mifêr ficou sem jeito tentando sair dos braços dela, mas o sorriso dela ainda era igual da criança a anos atrás...

— Você cresceu muito...

— Só tenho 19 anos...

— Você deveria ter o máximo 14 anos! — ele pulou do colo dela pra cima da mesa e depois ao chão. — Temos que ir, o portal de Speculo é a um dia de caminhada.

Mifêr saiu pela porta enquanto Naty pegava a sacola com as provisões feita por Samira.

O felino olhava serio para Naty que se despedia de todos, “ Ela esta com a idade dos poderes atingirem seu ápice, sem nenhum treinamento... sem a benção dos Atlantis, ela pode...não resistir.”, abaixou a cabeça sentindo o temor tomar conta de si.

— Cuide dela para mim Mifêr... — Samira esta ao seu lado com as mãos no avental, pressionado ele entre os dedos — Sei dos perigos que ela correra, cuida da minha menina.

— Eu prometo eu a protegerei com minha vida.

Notas finais
em latim Spiritus aquae atlanis sanguine! sororem invocat perdere inimicos vestros Espiritos da agua, sangue de atlanis! sua irmã os invoca para destruir seus inimigos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.