Guardians
1 A paz que precede a guerra
“Ainda me lembro daquele dia, o sol morno, os pássaros, a leve brisa que levava as pequenas folhas que caiam suavemente no chão. Foi um dia após a grande festa, pois Naty havia finalmente feito sua exposição de quadros... Estávamos tão felizes que não notamos nada nem a estranha ausência de pessoas no local”.
A praça tinha um longo e vasto tapete de grama verde, pássaros faziam uma verdadeira sinfonia e as árvores floresciam, entre elas surgira correndo uma jovem morena de longos cabelos negros, seus olhos castanhos avermelhados brilhavam de pura alegria. Vestia uma calça jeans e uma blusa vermelha de apenas uma manga; de repente ela parou e virando-se falou com alegria:
_A festa que eu organizei ontem foi um sucesso!
Embaixo da sombras das arvores vinham um casal andando, a mulher de cobelos longos acenou, a jovem parou respirando profundamente se preparando, mas quando ia falar alguém puxou-lhe pelo ombros fazendo com que se desiquilibra-se e caísse em cima da pessoa, uma jovem loira ria, seus olhos azuis tinham o mesmo brilho de felicidade que a morena, enquanto bagunçava os cabelos da menor.
_Claro... Foi a abertura exposição de guadros da mais nova pintora ídola do momento, com grandes nomes das artes brasileiras e internacionais... Eu ! Natalie Soares, tem coisa melhor?
_Algo melhor... Casar-me com você.
O rapaz se inclinou e sussurrou rente ao rosto de sua companheira e com uma das mãos ajeitou os cabelos ruivos longos antes de cobrir seus lábios com os dela com carinho, sentiu os braços dela envolver-lhe pelo pescoço puxando mais para si, Mas havia algo que eles esqueceram algo, risadinhas abafadas foram ouvidas bem perto, quando o jovem olhou para o lado totalmente corado viu as duas a frente deles, sorrindo e piscando elas enquanto diziam:
_Que bunitinho!
_Muito engraçadinhas Anie e Naty!
O rapaz estendeu a mão e bagunçou os cabelos de Anie, sem qualquer pudor Naty piscou e disse cutucando a outra:
_Você tem que estar bem feliz tem o maior gato da parada... May!!
May abraçou-o dando-lhe um beijo no rosto e todos riram do rosto rubro do rapaz.
“Era o ano de 1999, muitos diziam que aquele ano o mundo sofreria uma grande transformação,grandes místicos e pergaminhos apareceram, mas nada aconteceu... não nesse mundo”.
Um vento muito forte e gelado começou a soprar de imediato, nuvens densas e negras encobriram o Sol, Anie colocou a mão no cabelo e disse:
_O tempinho estressado!
O rapaz envolveu May pela cintura e disse:
_É melhor irmos, parece que vai chover.
Anie e Naty se entreolharam e sorriram, no segundo após isso as duas saíram correndo.
_Quem chegar no carro por ultimo vai cozinhar hoje!!
Disse Naty correndo à frente de Anie, lá atrás May preocupada, com os constantes braços e pernas quebrados das duas, gritou:
_Cuidado, vocês podem se machucar...
Mas antes que terminasse a frase alguém a puxou pela mão forçando-a a acelerar o passo, o rapaz a puxara e antes de começarem a correr ele disse rindo:
_Vamos acompanhar suas irmãs!
De repente Naty sentiu algo, como se fosse um aviso, um pressentimento, viu um brilho estranho a sua frente e parou bruscamente forçando os olhos, parecia vidro fino.
“_Mas o que?”.
Anie passou correndo rindo e falou:
_Que foi desistiu...
Naty se virou pra irmã que passava correndo e gritou:
_Monstrinho pare!
Mas não deu tempo, Anie bateu de frente com toda força em uma parede invisível, ela caiu direto de costas no chão, deitada.
Lá atrás May correu até a irmã seguida pelo noivo, Naty parou na frente da barreira e a tocou falando seria:
_Tem algo aqui...
_È mesmo? Eu nem notei isso!
Anie se apoiou nos cotovelos tentando se levantar e viu o brilho da parede a sua frente se estender meio curvo ate em cima, parecia uma cúpula de vidro, May se ajoelhou ao seu lado dizendo:
_Você esta bem mana?
Anie sorriu e passando a mão na cabeça disse:
_To sim... *ai minha cabeça*
O vento começou a ficar mais forte, o rapaz olhou pra fora da barreira e falou:
_Esta ventando apenas aqui...
O barulho do vento não foi o bastante para abafar as palmas que vinham das costas deles, todos se viraram assustados, May ajudou Anie a se levantar, a frente deles em pé em cima das águas do lago estava um homem de longos cabelos vermelhos presos em um frouxo rabo de cavalo, vestia uma espécie de manto grosso de veludo negro, por baixo dele notava uma armadura dourada, sua roupa por baixo da armadura era de azul marinho muito escuro e na cintura portava uma longa espada com cabo em prata e hematita* na sua base tinha um sol e uma lua desenhados. Uma grande cicatriz no lado esquerdo do rosto cortava da testa ate o seu queixo, seus olhos verdes tinham a expressão de zombaria , o rapaz tomou a frente de May e disse:
_Quem é você o que quer?
Ele apenas fechou os olhos e disse:
_Que pena que não se lembra de mim jovem príncipe dos ventos.
O rapaz cerrou as sobrancelhas May segurou-lhe o braço; Anie não conseguia tirar os olhos do homem a sua frente, algo lhe era familiar, ele sorriu e estendeu uma das mãos dizendo:
_Não se lembras de mim jovem, mas se lembrará disso!
Na palma da mão surgiu uma gema negra que emanava um brilho intenso vermelho, o rapaz arregalou os olhos e balbulciou:
_Essa jóia... Eu...
May olhou pra gema e sentiu um estranho calafrio que a fez ficar parada, ele não consegui dizer nada nem se mover um pânico terrível se apossou de sua alma. Os olhos do homem se tornaram puramente verdes quando ele disse:
_Ab irato. (em estado de ira)
O rapaz pôs a mão no peito e se ajoelhou a dor era tão forte que parecia que seu peito ia rasgar. May olhava sem acreditar e disse aproximando-se:
_ Hélios.
Hélios sentiu o corpo esvanecer e cair inerte na grama gelada, escutava a voz de May chamando-o, mas quanto mais a dor aumentava mais sua mente afundava na mais profunda escuridão, Naty olhou para Hélios, seu coração batia tão forte que sentia doer, na sua mente surgiu um pensamento rápido e instintivo “_Não de novo.”, ela parou assustada “_Como assim de novo?” levou sua mão a cabeça, sentindo um desespero profundo se apossar de sua alma.
“_O que esta havendo?”.
Anie encarava o homem, pois tinha a nítida certeza que o conhecia, de onde e quando não se lembrava, o homem se virou pra ela, por alguns segundos os dois se encararam, por alguns segundos... o bastante para Anie ver um brilho diferente surgir e depois sumir de seus olhos, como se algo estivesse errado com ele. May se aproximou mais de Hélios, passo a passo, mesmo seu sexto sentindo dizendo-lhe para manter-se longe, chorava sem perceber e se ajoelhou chamado baixinho o nome dele, mas quando foi tocar-lhe o ombro ele começou a gritar quando viu sangue correr por sua testa May tentou chegar mais perto dele, foi quando percebeu, na mão dele surgira uma espada que se formou de sua própria sombra, ele a olhou frio e com um sorriso estranho, parecia possuído, sua mente mandava ela correr mas suas pernas não obedeciam, viu quando ele se levantou diante dela, sentiu por um segundo o coração para e a única palavra que disse foi sussurrada para ele.
_May!!!!!!
Anie gritara vendo o corpo da irmã ser golpeado e jogado longe, correu ate ela e de imediato a virou, ela tinha um corto profundo que ia ascendendo na transversal indo da cintura ate o braço direito, o sangue quente manchava o vestido branco, em desespero Anie a abraçou soluçando:
_May agüenta firme... por favor.
Naty se ajoelhou na frente das duas, ficando de costas para o homem e para Hélios, ela se virou com raiva nos olhos, mas viu que mesmo com os olhos expressando prazer por ter machucado May ele tinha lagrimas que corriam pelo rosto “_Helios?”. O homem uniu as mãos lentamente e alargou o sorriso, parecia se deliciar com a situação, ele então disse:
_Amem.
Hélios gritou, da sua testa emergiu uma jóia rasgando-lhe a pele, o sangue escorria pelo rosto e pescoço, segundos depois ele caiu inerte, com os olhos vidrados, assistindo tudo aquilo em pânico, Anie e Naty se abraçaram olhando para o homem de cabelos vermelhos, chorando Anie abraçou May com mais força e olhou para o rapaz caído e gritou para o homem:
_Nos deixe em paz!!!
O homem andou na direção delas, seus pés tocavam a superfície da água como se fosse uma pena, ele parou a poucos metros delas, diante do corpo inerte de hélios, ao falar suas palavras demonstrava não só cinismo, mas também raiva:
_Para que a profecia não se cumpra eu terminarei o que a 384 novas luas eu comecei!
Quando ele fechou os olhos nuvens escuras e pesadas cobriram o sol, o vento tornou-se cada vez mais violento, as árvores pareciam que iam quebrar diante de sua força, raios caim com força na no chãos, destruindo arvores e incendiando o mato rasteiro, Anie se encolheu abraçando ainda mais a irmã, Naty fez o mesmo e o olhou pensando:
“_Por que faz isso?”.
Ele abriu os olhos que tinham tomado um tom prata e disse sem nenhum sentimento na voz:
_Resquescat in peace...
Os raios obedecendo ao comando dele miraram direto nelas, quando viu os raios vindos em sua direção, em um ato de proteção instintiva Naty abraçou suas irmãs e fechou os olhos.
“_Aqueles raios vão nos matar e não podemos fazer nada para nos defender, que inferno de pesadelo é esse???”.
_Prohibere...
Quando os raios iam acertá-las uma voz macia invadiu o lugar e um brilho intenso surgiu envolvendo-as. À frente delas uma mulher surgiu, Anie abriu os olhos e a se espantou quando ela disse:
_Intestato ab mundi.
“_Eu conheço essa voz”.
Anie pensou antes que a luz a cegasse e perdesse a consciência. Uma enorme redoma de luz as envolveu e no segundo seguinte desapareceram. O homem se aproximou, seu olhar era passivo a sua frente ele viu uma enorme cratera, uma voz trazida pelo vento lhe sussurrou:
_Então você... Ainda esta viva Kaira.
Enquanto caminhava a capa dele parecia ganhar vida envolveu o corpo inerte de Helios absorvendo-o, uma voz grave surgiu com o vento.
_Bellenos volte e me traga o Umbra
Ele fechou os olhos e a capa o envolveu transformando-se em fumaça, depois que ele se foi tudo voltou ao normal, nem fogo ou raios, com o se nada tivesse acontecido.
Uma musica suave, parecia ser cantado por um rouxinol...
“Se esta rua, se esta rua fosse minha...”.
Risos, flores... Belas flores vermelhas como fogo, alguém chega perto e põe em seu pescoço um cordão e a abraça, cheiro de orquídeas... Suave... Um estrondo muito forte, correria e gritos. Alguém a pega no colo, perfume de jasmim, ela vê um homem de capa com uma enorme espada de fogo.
“Eu mandava, eu mandava ladrilhar...”.
Anie abriu os olhos e escutou a alguém lhe chamando:
_Anie...
Ela escutou bem longe a musica novamente:
“Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes...”.
_A música... Eu conheço...
_Ela acordou...
A sua frente esta Naty, sentada em uma espécie de cama, Anie se levantou e colocando as mãos na cabeça dizendo:
_Que dor de cabeça... O que acont...
_Nem queira saber.
Anie olhou pra cima, May estava encostada em uma sacada de madeira do lado de fora da casa, estava com a parte de cima do corpo todo enfaixado, usava uma espécie de saia de cor azul, parecia bem apesar de seu olhara estar perdido na paisagem, Anie olhou em volta a casa era feita de madeira e tinha poucos moveis nela, uma cama enorme, na qual Anie estava deitada e uma mesa no canto esquerdo da sala. May sem se virar disse:
_Veja por si mesma.
Anie se levantou com a ajuda de Naty e foi ate a sacada. O que viu a fez paralisar, um vasto pasto verde se estendia ate o infinito, a esquerda havia um imenso lago aonde três unicórnios bebiam tranqüilamente sua água, ao longe havia duas montanhas que pareciam ser iguais, tinham a forma de meia lua. Anie impressionada falou:
_Onde estamos!?
_Eu só posso garantir uma coisa...
May falou se curvando sobre a sacada, um vento quente e úmido passou por elas levemente.
_Aqui não é o Rio de Janeiro.
Naty suspirou e disse:
_Não devemos nem estar no Brasil!
Anie se virou pra Naty e agarrando-lhe os braços gritou:
_Eu nem fumei nada e tô vendo unicórnios???
May se virou exasperada e disse:
_Pare de dizer asneiras!
Anie olhou meio assustada com o tom de voz de May, Naty passou a mão pela cabeça dela sorrindo-lhe meio triste e sussurrou:
_Ela não esta bem monstrinho.
Anie abaixou a cabeça olhando de relance para a irmã, Naty se afastou e se sentou falando:
_Eu queria saber quem era aquele cara que nos atacou! Olhou para Anie e completou _E por que nos atacou?
Anie olhava pra fora quando disse:
_Queria saber mesmo como chegamos aqui.
A porta da cabana se abriu e uma mulher entrou, apenas Naty a percebeu, ela tinha longos cabelos de tão loiros pareciam prata, vestia uma blusa que fechava por fivelas de um lado do corpo marrom, uma calça branca e calçava uma bota de cano longo marrom e uma tiara de couro que prendia seu cabelo como um arco, trazia um saco com frutas e as colocou em cima da mesa dizendo:
_Tuas perguntas, minha jovem, serão por mim respondidas.
Anie se virou olhando-a, o sorriso dela era belíssimo, May continuou olhando pra fora quando disse:
_Você demorou...
Anie observava a mulher mexer nas frutas e de repente ela a olhou, seus olhos demostravam um certo alivio algo neles e na sua atitude mostrava que ela as conhecia.
_Como estão seus ferimentos?
Anie não entendeu ate mover um dos braços, um dor fina fez com que ela encolhesse a mão, quando fora machucada?
_Um dos raios te acertou de raspão.
Anie passou a mão no braço com curativo, May não falou nada apenas continuou a olhar pro nada, Naty deu um passo à frente e disse:
_Você disse que ia esperar Anie acordar para nos responder... Então...Onde estamos?
_Em uma fenda dimensional, chamada por nós de “Clef”. A mulher respondeu rápido nem dando tempo para que Naty terminasse de fazer pergunta, Anie e naty ficaram paradas sem saber o que falar, foi quando May entrou no cômodo e falou:
_Então nos mande de volta!
A mulher ficou seria olhando a menina a sua frente.
_Nos mande de volta...helios ainda pode estar la , ele...
_Assim que voltarem eles iram atrás de vocês e mataram... tudo e todos que vocês amam e prezam...
A mulher falava de uma forma forte e com convicção, May cerrou os punhos e começou a gritar com ela.
_eu não me importo so quero vê-lo...
Anie e Naty ficaram petrificadas nunca viram May assim, ela sempre fora a mais calma das três, a mulher suspirou e disse em um tom amargo.
_Ele esta nas mãos de Katires e seu exercito... Com certeza sua alma já se tornou dela, agora é um de seus mais eficazes assassinos ou Umbral como ela os chama.
May sentiu como se uma faca atravessasse seu peito e deixou o corpo cair “_Assassino?”, seu corpo pendeu de cansaço, Naty correu e a segurou pelos ombros chamando seu nome, May a abraçou chorando sem controle, Anie se aproximou da mulher, os olhos dela era tão azuis quanto o céu e as olhava com carinho, olha dentro dos olhos, sempre fazia isso quando procurava respostas, foi quando ela perguntou:
_Por que nós?
A mulher se espantou, mas sabia que devia ser assim, era da natura do povo dela tanto nas palavras quanto no olhar intimidar, mas ela o fazia de maneira suave “_Tem os olhos da mãe, tinha me esquecido de como tão intimidadores são os olhos de um puro sangue Furion”.
_Por que ele queria nos matar?
A mulher se encostou à mesa e cruzou os braços, ficou uns segundos em silencio e quando falou sua voz estava séria:
_Vocês são as únicas que podem detê-la!
Naty se virou espantada, May respirou fundo ao olhá-la e Anie a encarava, mas sem dizer nada como se pedisse que continuasse a falar.
Um frio subiu lhe a espinha, sabia que era diferente desde criança, sua intuição aguçada, lembrou-se de quando, em uma viagem de férias a Curitiba, ficara sozinha dentro do chalé e num momento ela se sentiu hipnotiza pelo fogo da lareira e conforme ela movimentasse as mãos o fogo acompanhava... Sentia como se fosse algo normal pra ela... Anie só voltou a si quando escutou a voz de Naty alterada falando:
_Nós? O que tem...
A mulher se virou para elas e começou a falar:
_Isso começou a muitas eras atrás, antes de qualquer um de nós nascer, quando um ser que ninguém sabe de onde veio ou como se originou invadiu Órion com uma horda de seres malignos, os Umbrais. Sua natureza era de puramente maligna, numca tínhamos visto um ser com tamanho mal,um ser com prazer na destruição, ela ou ele se autodenominava Katires. Esse ser tomou a mente dos mais fracos, corrompendo-os e assim formando seu exército e enfim após muitas lutas ela atacou com toda sua força o palacio de Phoebe, em uma noite de eclipse total da Lua. Muitos morreram e vendo que as defesas não resistiriam aos ataques daquele exercito, a rainha Yuna e sua filha Eleonor convocaram a ultima linha de defesa, As guardiãs, a última batalha foi sangrenta, Katires conseguiu matar a rainha, mas foi lacrada pela princesa Eleanor e as guardiãs em uma ânfora. Mas antes de ser lacrada caída no chão ela amaldiçoou Eleanor.
As três a olhavam estavam sentindo como se a historia fosse conhecida, Kaira suspirou, notara que de alguma forma a memória delas fora esquecida.
“_Com o nascimento do primogênito da 5º dinastia, eu retornarei, quando ele for portador da coroa dele me apossarei. Com o sangue do portador sagrado eu renascerei. E então o Orb e Orion pagarão pelo mal que fizeram.”
_ Com o passar das Luas a batalha caiu no esquecimento e as palavras de Katires só não foram esquecidas por uma sociedade de magos e sacerdotisas. Desde daquele dia se passaram 8.832 luas e o príncipe da 5º dinastia, Karshue, foi possuído ao ser coroado, ela se apossou não só dele, mas de sua guarda pessoal, ao ver isso uma sacerdotisa reuniu os descendentes das guardiãs, o portador sagrado do orb e quatro aliados; um mago, um jovem guerreiro e dois guardas que não haviam sido possuídos por Katires e fugiram, mas não por muito tempo logo foram achados, um dos guardas teve sua alma possuída e levou consigo o portador do orb, mas como ultima esperança a sacerdotisa enviou as guardiãs e o jovem guerreiro...
_Esse jovem é o Hélios?
Anie perguntou erguendo umas das sobrancelhas, começando a juntar as peças da historia com sua própria, A mulher apenas balançou a cabeça positivamente, May sentiu o estomago revirar.
_Ela os enviou para a Terra e com o resto de suas forças ela criou esse espaço paralelo. protegendo os artificies sagrados e as vilas onde elas nasceram e todos que se opunham a Karshue.
Naty cruzou os braços e disse:
_O que nós temos a ver com isso?
Anie olhou para Naty e May, sua mente não queria admitir mas era a verdade, ela olhou para Kaira e disse com certeza:
_Nós somos essas Guardiãs, nós nascemos em Orion... E não na Terra.
Naty ficou perplexa e contrariada olhou pra irmã.
_Você esta aceitando isso rápido demais!
_É o obvio, ou você acha que mais pessoas podiam ficar em baixo da agua sem respirar por mais de meia hora Naty?...
May olhou para Anie, que falava segurando o queixo.
_Agora eu sei o porquê daqueles sonhos, de sempre me sentir meio perdida... Nós nunca fomos daquele lugar.
May olhou para a mulher e disse:
_Se voltarmos, eles iriam atrás de nós para garantir que nunca possamos impedi-los... E eu não sairei daqui sem Hélios.
Naty pôs a mão no ombro de May e disse;
_Então tá, pegamos Hélios e ajudamos vocês...
Naty olhou para Kaira.
_Mas depois eu quero voltar para casa!
Anie virou para a mulher estendendo a mão e disse:
_Acho que isso não vai se resolver muito rapido... Meu nome é Anie Soares.
Naty se apoiou na Anie, May chegou perto e ambas disseram:
_Eu sou a Natasha Soares...
_Eu sou May Soares.
A mulher sorriu olhando-as
_Foram criadas juntas?
_Sim.
Disse Anie sorrindo ela as observou por um longo tempo, unidas como sempre.
_Eu sou Kaira... – Elas cresceram tanto mais do que o tempo que se passou aqui. -- Quantos anos tem?
Naty apontou para si e disse sorrindo:
_Eu tenho 19, Anie tem 18 e May tem 19 também...
Kaira deu um passo para trás, mas se passou muito tempo, tanto assim. Vendo a reação dela May disse:
_Quantos anos achava que teríamos...
_O tempo na terra então passa o dobro do que em Orion... Vocês teriam entre 14 e 13 anos.
_Isso é ruim...
Kaira acenou negativamente com a cabeça e suspirou.
_Mais ou menos, teremos que correr com seu treinamento, pois seus poderes já estão no auge de serem totalmente liberados...
_Isso é bom né?
Kaira se manteve em silencio, na sua mente apenas uma resposta : -- Isso e perigoso...
As quatro andavam pela mata verde esmeralda que parecia estar viva, pássaros belamente estranhos voavam no magnífico céu turquesa , às vezes uma ou outra fada passava pelos seus cabelos, rindo trazendo consigo um vento fresco. Anie olhava tudo em volta meio deslumbrada, May estava mais calma e as vezes ria com chuva de perguntas pela qual Kaira ainda passava com Naty:
_Como podemos ter poderes... Eu nunca senti nada?
_Bem vocês eram muito novas quando partiram... Seus poderes ainda não haviam sido doutrinados.
Naty parou assustada
_E o que faremos, sem eles... A menos que tenham arma nuclear...
Kaira a olhou sem entender.
“_O que é arma nuclear...” Pensou _ Bem já que completaram a idade da transição e eles viram naturalmente, como eu disse.
Ela olhou-as admirada, May olhou seria e disse:
_Como podemos quebrar o encantamento sobre Hélios?
_Só o portador sagrado pode.
May abaixou os olhos.
_Todas as guardiãs tem poderes que equivalem... A lenda diz que o poder máximo da guardiã do ar pode curar o corpo e trazer de volta da morte, mas somente o portador sagrado consegue curar a alma.
De repente Kaira sentiu algo e parou fazendo com que todas trombassem nas costas das outras e fossem ao chão.
_Poxa Kaira buzina antes!
Disse Naty levantando-se, Anie olhou pra frente e se impressionou havia um homem muito bonito, vestindo uma capa branca com fios dourados, seus cabelos longos era marrons, moreno de profundos olhos azuis escuros, ele as olhava fixo:
_Saia da frente Kaira!
Ela abriu os braços como se criassem um escudo para protegê-las e disse:
_Nunca, eu não deixarei que as mate... Karshue... Elas são a única esperança para Órion!
As três se espantaram e Naty disse com as mãos unidas:
_Nossa ele é uma graça!!!
_É e quer nossos corações no jantar! Gritou May para ela.
_Um gato desse pode comer o que quiser meu!
May abaixou a cabeça e disse:
_Pervertida!
Ele abaixou a cabeça e disse:
_Não vim matá-las... Elas também são minha ultima esperança!
Kaira o olhou e de repente um pássaro passou por dentro dele, sua imagem começava a desaparecer.
_AH!!!!! O cara é um fantasma!!!
Anie e Naty gritaram e May tapou os ouvidos e dizendo:
_Escandalosas...
Kaira abaixou os braços dizendo:
_Essa é a consciência dele.
Ele olhou para a mão que sumia, sua expressão era de tristeza, sua voz saiu fraca como um sussurro:
_Não tenho tempo, me desculpem.
Anie notou uma lagrima que escorreu pela sua face, a mesma que Kaira deixou cair. De repente embaixo de cada uma surgiu uma luz forte, a força era tanta que as elevou do chão.
_Kaira!!! Gritou Anie estendendo a mão
Quando Kaira se virou as viu desaparecer e a luz se extinguir, ela se virou pra ele confusa:
_O que você fez?...
Quando ela o olhou ele estava sumindo como fumaça.
_Se apressem... eu não vou agüentar muito tempo...
Ele estendeu a mão e continuou:
_... Elas precisam dos poderes para salvar a mim e a portadora.
Kaira se aproximou e tentou tocar-lhe o rosto, lagrimas caiam pelo rosto dos dois, em seus ultimo sussurro antes de desaparecer por completo ele disse:
_Minha amada esposa.
Com lágrimas nos olhos ela disse:
_Por favor, agüente mais um pouco...
Quando ele desapareceu Kaira deixou o corpo pender ao chão chorando, ela juntou as mãos e mentalmente lhes enviou uma mensagem.
“_Por favor, meninas, estarei no Speculo...”.
“Lembrem-se Speculo.”
Três grandes globos de energia invadiram três lugares distintos em Clef, neles as três meninas apareceram, Naty em uma mata densa, May dentro de um poço seco, por ultimo Anie surgiu em uma clareira perto de um lago.
“Speculo”
Alguém se aproximou do corpo de Anie desacordada e a pegou no colo, levando-a.
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