Guardião

9 A pena para traição


Notas iniciais
Olá gente! Boa noite! Enfim, não tenho palavras que consiga me desculpar pelo atraso gritante, mas talvez eu explicando o que está acontecendo vocês entendam.... O mês de dezembro não foi meu mês e foi, ao mesmo tempo. Muita correria no inicio do mês e acabou que no final eu tive que fazer uma viagem e só retornei dia 9 desse mês.. Uma viagem de passeio, então não consegui pegar no pc em momento algum nesses treze dias. Para completar a desgraceira, minhas aulas começaram no dia 11 de Janeiro. Sim, eu faço faculdade de Enfermagem na federal de meu estado (UFBA) e as aulas começaram logo quando cheguei de volta a Salvador. Então vejam só a merda que foi meus dias desde Dezembro. Não tenho dormido direito desde lá e estou só o trapo aqui, mas finalmente consegui terminar esse capítulo para vocês e revisá-lo (não aprofundado, mas está revisado. Se acharem alguma coisa, me avisem... por favor)... enfim, foi isso... espero mesmo que me entendam e me perdoem... Amo vocês!!! Vamos ao capítulo então...

Os meses se passaram e Dylan não ouviu mais falar a respeito de Elizabeth Blowest. Exceto quando pedia ajuda ao seu informante, para que a encontrasse. Deixava bem claro que somente ele deveria saber sobre aquele pedido e a pessoa sempre concordou em manter segredo a respeito da busca por aquela família de bruxos.

Conforme ficou acertado com William, ele não seguiu na caça com os irmãos. Exceto quando descobriram onde ficava a casa da bruxa que eles buscavam. Dylan aliviou-se ao perceber que a ruiva fez, exatamente, como ele havia mandado e fugiu o mais rápido que conseguiu. As roupas ainda no chão, os moveis revirados e os animais soltos na propriedade mostrava que eles não se demoraram muito por ali.

Com o passar do tempo, ele foi convocado para seguir novamente com o legado da família, mas o rapaz usou a desculpa de que ainda não sabia o que estava acontecendo com ele e não queria fazer mal a seus irmãos e amigos.

A realidade era que Dylan já não sabia se a prática de caça às bruxas era certa. Elizabeth era a prova viva de que ele mataria um inocente naquele dia. Se perguntava: quantas outras jovens ele deve ter ceifado a vida, desde quando seu pai lhe levou para a caça pela primeira vez? O sangue de mulheres que não tiveram culpa alguma, agora estava em suas mãos. Se odiou por isso, por ser o legado maldito da família Norton.

Estava distraído, lendo uma das cartas informativas que falavam sobre os primeiros confrontos da Revolução Americana, quando Charles entrou correndo na biblioteca.

— Bill, nós a encontramos — informou colocando um sorriso no rosto — os Wayle os viram em Charleston. Se instalaram em uma fazenda ao norte e não parecem preocupados em serem pegos. Querem saber se iremos até lá ou eles dão cabo da situação.

— Mande uma carta avisando que eles podem dar continuidade ao trabalho.

— Se não se importa, irmão. Eu gostaria de pegar a bruxa que me lançou o feitiço. Não queria que outros se encarregassem dela. É quase como uma vingança — informou Dylan e William assentiu.

— Então partiremos assim que os nossos homens retornarem com a notícia da caça às bruxas de Virginia. Uma carta chegou hoje cedo, estão há um dia daqui. — William levantou-se rapidamente da cadeira e fechou um livro que lia — Por isso, não vamos perder tempo. Deixem tudo preparado para partimos o mais rápido possível.

O homem deixou a sala e os irmãos seguiram para seus quartos, para que pudessem começar com os preparativos da viagem. Exceto Dylan. Ele entrou em seu quarto com outros planos em mente. Pegou o papel, a pena e o tinteiro. Estendeu em uma mesa e começou a escrever.

Fazia uma carta endereçada ao Sr. Blowest, informando que ele deveria deixar o lugar imediatamente. Que caçadores estavam indo ao encontro de sua família, com o intuito de matar a sua filha Elizabeth por ser uma bruxa. Ao findar a carta, não assinou — Não queria que fosse descoberto, caso interceptassem a carta — apenas escreveu “de seu amigo” e selou com algumas gotas de vela vermelha. Também não colocou o brasão da família.

Pagou a um moleque que estava ali na estalagem, para que ele fosse discreto e que levasse um recado a um entregador. Não demorou muito para que o homem, montado em um cavalo, se encontrasse com Dylan no local onde o rapaz previamente havia marcado. O jovem lhe ofereceu uma excelente quantia em ouro e mandou que ele cavalgasse, o mais rápido que conseguia, e levasse o recado até a família. Que daria metade da quantia agora e o encontraria na cidade com a outra metade.

O homem informou que estaria lá em cinco dias, porque trocaria de cavalo no percurso. Pararia apenas algumas horas para dormir e prosseguiria conforme o combinado. A viagem da sua família, até a cidade, demoraria um pouco mais. Talvez seis ou sete dias. A realidade era que Dylan queria dar tempo para que aquela família escapasse. Se a carta de seu irmão chegasse nas mãos dos Wayle, Elizabeth não teria chance alguma.

Ele sabia que se sua família inteira fizesse aquela viagem, demoraria um pouco mais que um mensageiro, visto que Georgiana iria com o grupo e para viajar com uma mulher precisava de um pouco mais de cuidado e tempo. Ainda mais sendo sua irmã como era — bastante delicada e com a saúde fragilizada.

Quando o grupo de caçadores chegou, a família Norton partiu em direção a Charleston. Conforme Dylan previu, chegaram sete dias depois e não encontraram mais ninguém da família Blowest ali. Por dentro, o rapaz vibrava por Elizabeth ter conseguido fugir, mas por fora demonstrava frustração e raiva.

— Levaram tudo. Como não perceberam que estavam de partida? — William socou a mesa, na frente de George Wayle — Se estão cientes de que possui uma bruxa na cidade, o mínimo que devem fazer é vigiá-la, porém ao invés disso permitiram que partissem com todas as suas coisas. Acredito que foram embora há dois dias, no máximo.

— Nós descobrimos sobre a partida da família ontem à noite — o homem informou. — Então enviamos o mensageiro ao encontro dos senhores, mas ele informou que já estavam a poucas horas daqui. Não havia mais o que se pudesse ser feito.

— Incompetentes — William bradou — Não entendo como podem receber o nome de caçadores. Não o merecem.

— Cuidado, meu jovem, está em minha casa e em minhas terras. Aqui eu mando.

— Ainda sou seu superior, George — o rapaz informou. — Quer você queira ou não.

— É melhor irmos andando, irmão. Temos que rastrear essa bruxa antes que se afastem demais. Alguém deve ter visto alguma coisa — Charles chamou a atenção de Bill para o que estava acontecendo.

— Você tem razão — ele admitiu retomando a postura e ajeitando os cabelos — Vamos começar a interrogar os locais. Principalmente aqueles que mantinham negócios com a família. Alguém deve saber de algo — William deixou a casa sem sequer se despedir de quem vivia ali e a busca por resposta começou em seguida.

Todos da localidade foram interrogados e, como o jovem disse, principalmente quem trabalhou com os Blowest. Pareciam que estavam em um beco sem saída, até que um dos vizinhos informou que um mensageiro chegou na casa, durante a noite, e que quando ele saiu começou a movimentação. Pela manhã, os Blowest já haviam ido. Assim, William descobriu que alguém contou para aquela família que deveriam partir e que tinham um traidor no meio de seu grupo.

Então teve a iniciativa de chamar todos os mensageiros que estavam no lugar e pediu que identificasse quem havia levado a mensagem até eles. Quando Dylan pagou o que devia ao homem, ele pediu para que deixasse a cidade imediatamente, mas o sujeito não o fez conforme lhe foi mandado. Quando a noite chegou, Bill interrogou o mensageiro com muita agressividade, ao ponto de tortura-lo para que revelasse quem era o traidor.

A essa altura, Dylan já arrumava sua mala, na intenção de se afastar de seus irmãos. Sabia qual era a pena para traição e não estava disposto a morrer por isso. Um pouco mais cedo, a mensagem que enviou ao seu informante chegou e ele descobriu o local exato onde os Blowest estavam. Seguiria para lá antes de desaparecer. Queria ver como Elizabeth estava, depois de tudo o que aconteceu a ela e depois de toda aquela fuga. Daria algumas dicas para o pai da garota, para que ele conseguisse se esconder por mais tempo e então iria embora de vez.

Esperou que a casa estivesse adormecida para que pegasse a mala e seguisse até o estábulo. Roubaria seu próprio cavalo e iria ao encontro deles. Quando estava selando o animal, Bill apareceu.

— Quando o mensageiro me informou que o meu próprio irmão era o traidor, confesso que não acreditei. Achei que estivesse tentando fazer uma desunião entre nós, visto que isso nos fragilizaria completamente, mas a sua fuga só corrobora para que eu acredite no que aquele pobre coitado me confessou — o rapaz ouviu o barulho do canhão da arma sendo posto no lugar. — Então foi realmente você, Dylan? — virou-se, dando de cara com o irmão e a arma sendo apontada para suas costas, na altura de seu peito.

William era o tipo de sujeito que não suportava e nem perdoava traição, mesmo que tenha sido dentro de sua própria família. Ele não teve problemas em assassinar os pais, quando descobriu que eles liberavam algumas bruxas. Imagine então o que faria com o irmão.

— A senhorita Elizabeth não é má, Bill — o rapaz respondeu. — Eu não podia, simplesmente, deixar que assassinasse um inocente. Não somos assim.

— Ela é uma bruxa, Dylan — ele gritou — É má por natureza. Esses demônios nos confunde o cérebro e nos embaralham a mente. Ela deve ter lhe lançado um feitiço de controle.

— Georgiana teria identificado, não acha? Não entendo como pode acusar as moças de serem bruxas, sendo que nossa própria irmã é uma tão poderosa, ou até mais, do que elas — Dylan alterou a voz enquanto falava. — Que senso de justiça é esse Bill? Pare e pense, irmão. Não somos obrigados a isso.

— Sim, nós somos — Dylan percebeu que o irmão pressionou o gatilho. A maioria dos caçadores, se não todos, possuem poderes que facilitam na hora de lutar contra uma bruxa. Não são iguais a elas se comparado a força, mas unindo aquilo tudo ao treinamento pesado que levam, conseguem sempre combatê-las e sempre vencer. Uma das habilidades que Dylan desenvolveu é a velocidade superior a um humano comum.

Dessa forma, conseguiu fugir da bala que certamente lhe atingiria o coração e findaria a sua vida ali mesmo. Correu na direção do irmão e lutou com ele, dando um tapa em sua mão e fazendo a arma cair no chão. Dylan poderia ser mais rápido, mas William conseguia ser forte.

Foi uma luta difícil, mas o jovem não saiu muito machucado. Pelo contrário. Mesmo seu irmão sendo duas vezes mais forte que ele, conseguiu nocautear William com um soco que lhe partiu o nariz. Isso lhe deu tempo para terminar de selar o animal e colocar suas coisas ali. Montou no cavalo e já seguia para fora da propriedade quando Bill acordou, mirou e atirou. Um tiro certeiro que o atingiu pelas costas.

—___ ღ ____

Dylan acordou de seu transe quando terminou de mostrar a cena para Julia, mas não pareceu que a história havia acabado. As memórias suprimidas vieram com tudo para a garota e por isso ela permaneceu na mesma posição que se encontrava. O rapaz logo percebeu o que estava acontecendo e por isso segurou em sua mão outra vez. Também queria compartilhar aquela lembrança.

Percebeu que era uma manhã na memória da garota, mas não uma manhã qualquer. Elizabeth ajudava Willa a alimentar os porcos, ao lado de Marie, enquanto Tina estava abaixada mais à frente, plantando algumas batatas na horta da família. Considerando o fato de terem fugido ás pressas da cidade anterior, elas pareciam tremendamente bem à vontade no novo lugar.

Conversavam tranquilas até que a mais nova das garotas avistou o cavalo escuro entrar na propriedade. A princípio parecia que ninguém o montava, mas quando se aproximou foi que as mulheres conseguiram ver o rapaz deitado por sobre o lombo do animal e a camisa branca completamente ensanguentada.

— Sr. Blowest! Sr. Blowest! — Willa gritava desesperada. — Ajuda! Depressa.

O homem deixou a casa às pressas. Achou que alguma coisa estava acontecendo com uma de suas filhas ou mesmo com sua mulher, mas entendeu por fim quando Tina fez o cavalo parar em frente a porta principal.

— Santo Deus. O que está acontecendo? — ele perguntou se aproximando, segurando o rapaz pelo braço e o retirando do cavalo. O colocou deitado no chão, de barriga para baixo e tocou com os dedos em seu pescoço.

— Ele está morto? — Marie perguntou com uma das mãos tampando a boca.

— Ainda não, mas vai estar logo se não o levarmos para dentro — informou. Tina e Elizabeth correram para ajudar o pai a carregar o homem, mas a mais velha arregalou os olhos ao reconhecê-lo.

— É ele — ela comentou. — O caçador que me deu o cavalo, em New Hampshire.

— Um caçador? — Marie perguntou. — Não podemos ajudar um caçador.

— Deixe que morra, pai — Tina concluiu. — Será menos um.

— Não — Elizabeth repreendeu as irmãs. — Se não recordam, deixe-me fazê-lo. Esse homem tinha tudo para matar-me, mas ao invés disso preferiu dar-me seu cavalo e se deixar ser enfeitiçado. O mínimo que devemos a ele é um retorno e um agradecimento por isso. Se não fosse por ele, eu não estaria aqui hoje.

— Lizzie tem razão. Mesmo ele sendo um caçador, não matou a vossa irmã — Bruno as olhou, principalmente para Tina que seria aquela que auxiliaria a levar o homem para dentro. — Cuidaremos dele até que esteja sarado e pediremos para que parta em seguida. Não somos monstros e provaremos isso a ele.

— Eu tenho um mal pressentimento — a jovem concluiu. Auxiliando a irmã mais velha e o pai a levar Dylan para dentro de sua casa. Colocou o rapaz deitado de bruços, na cama de Elizabeth. Com o auxílio de uma tesoura, a Sra. Blowest lhe cortou a camisa e examinou a ferida na parte lombar das suas costas, que estava previamente envolvida por um trapo que auxiliou a estancar o sangramento.

— Tina, esquente um pouco de água no fogo e traga imediatamente para cá — ela virou o rapaz de lado, percebendo que a ferida também havia sido feita na parte da frente do homem. — Elizabeth, preciso de toalhas limpas e Marie, traga folhas para que possamos fazer um unguento. Também me traga sumo de alho e equinácea. Ele está com a doença do sangue e precisamos tratá-lo imediatamente — concluiu por fim, identificando que a ferida de Dylan havia infeccionado. — Depois disso, ele estará por conta própria e que Deus o ajude.

—___ ღ ____

A jovem permanecia naquele quarto, onde estava desde que o trouxeram para ali. Lembrava-se exatamente quem ele era. Como poderia esquecer?

Esperou que a toalha aquecesse, em contato com a testa do jovem, para só então retirá-la. Mergulhou novamente na bacia com água gelada, espremeu o excesso e a encostou novamente nele. Tentava fazer com que a febre cedesse. A infecção ainda estava em seu sangue, devido aos dias em que ficou exposto e sem cuidado devido. Era por isso que ele tremia.

Ela o observou, enquanto a toalha permanecia em sua testa. Lembrou-se do dia em que se encontraram na floresta, quando descobriu que ele era um caçador de bruxas. Mesmo tendo o legado correndo em suas veias, ele preferiu acreditar nela e a libertou, deixando que voltasse sã e salva para casa.

Mas mesmo assim, não podia esquecer que ele ainda era um caçador. Talvez depositasse confiança demais nele, insistindo para que fosse tratado em casa. Sua família inteira era bruxa, desde a irmã mais nova até os pais. Era arriscado, ela sabia, mas não podia negar cuidados a ele. Não depois do que ele fez por ela.

Novamente retirou o pano da sua testa e voltou a molhá-lo na bacia, mas quando voltou-se ao jovem, o encontrou encarando-a com os olhos castanhos arregalados.

— O senhor levou um tiro e o ferimento não foi bem tratado e por isso desenvolveu a doença do sangue. Está queimando em febre e precisamos baixá-la — estendeu o pano para ele, mostrando que não havia nenhuma armadilha ali. As gostas de água gelada escorreu pela pele do braço da garota e arrepiou-lhe os pelos. Ao menos foi isso que pensou ter causado aquela sensação — Eu posso prosseguir? — O rapaz respirou fundo e assentiu. Ela novamente deitou o pano em sua testa e o pressionou. — Já cuidei da ferida e agora é só questão de tempo até que fique bom. Não se preocupe.

— Com licença, senhorita — uma jovem negra, de no mínimo quinze anos, entrou no quarto levando uma bandeja. — A senhora sua mãe me pediu para trazer essa sopa para o moço.

— Obrigada, Acélia — agradeceu e afastou-se do rapaz, deixando o pano molhado ainda em sua testa. Esticou o braço e pegou a badeja. — Vou deixá-la aqui e já o sirvo.

— Ela também mandou perguntar se a senhorita não deseja descansar um pouco. Está aqui desde que ele chegou — continuou. Elizabeth olhou para Dylan e sorriu.

— Por favor, diga a minha mãe que eu estou bem. Adormeci na cadeira, há algumas horas, e me sinto ótima. Quando estiver muito cansada, mando avisar.

— Sim, senhorita. Com licença — ela abaixou a cabeça e saiu do quarto rapidamente.

— Por quanto tempo eu fiquei desacordado? — o rapaz perguntou em um sussurro. A garota o olhou novamente, colocando um sorriso largo no rosto e retirando o pano de sua testa.

— Um dia, desde quando te tiramos de seu cavalo. Não sei quantos antes disso — respondeu e levantando-se. O vestido que usava era verde claro, apertado na cintura por um espartilho e com uma saia bastante volumosa. Tinha um laço de fitas bem no centro do busto, abaixo da barra de renda. Seus cabelos, bastante compridos, estavam metade presos e metade soltos. Emoldurava o rosto da jovem. Ela seguiu até um armário e de lá retirou um travesseiro.

— Elizabeth, não é? — perguntou e ela assentiu sorrindo.

— Injusto saber o meu nome e eu desconhecer o vosso. Não me disse aquele dia.

— É Dylan Norton — respondeu por fim. Lizzie retornou e parou ao lado dele, abraçando o travesseiro.

— É um prazer, senhor Norton. — Sentou-se na cama. — Vou precisar que fique sentado, para tomar a sopa. Consegue fazer isso sozinho? — perguntou. O rapaz assentiu e se esforçou para que conseguisse encostar-se ao travesseiro que a jovem trouxe. Gemeu quando a ferida latejou. — Sinto muito, ainda não está completamente curado, mas logo não vai mais doer.

Ela sorriu e esticou-se para pegar a tigela de sopa. Iria servi-lo, mas ele preferiu beber sozinho. Elizabeth lhe entregou a tigela e acomodou-se na cadeira, pegando um livro que estava na cômoda e começando a ler.

— Porque está fazendo isso? — o jovem perguntou. Lizzie ergueu as vistas com um sorriso largo no rosto.

— Eu jamais deixaria alguém morrer. Nem que essa pessoa fosse um caçador — concluiu, voltando a atenção para as páginas amareladas do livro. — E me deixou ir. Tenho uma dívida de vida com o senhor.

— Sabias que pode estar abrigando o inimigo, não é? — perguntou. Elizabeth fechou o livro e o encarou. O sorriso ainda permanecia em seus lábios rosados, mas não tão amplo quanto anteriormente.

— Sim, eu sei que posso — respondeu — Mas te devolvo a pergunta de uma forma diferente: És um inimigo, Sr. Norton? — o jovem voltou sua atenção para ela, até segundos atrás olhava a sopa na sua frente. Se encararam por alguns poucos instantes, antes que negasse com a cabeça. O sorriso de Lizzie voltou a se expandir. — Então estamos acertados assim. Termine a sua sopa, porque está muito debilitado e precisa descansar. Se não dormir, não tem como recuperar suas forças.

— Obrigado — falou por fim e entregou a sopa para ela —, mas não estou mais com fome.

— Então deite-se e descanse. Vai estar bem logo mais. É uma promessa — Lizzie abriu o livro e recostou-se na cadeira outra vez. O rapaz aconchegou-se nas almofadas e relaxou. A observou por um tempo grande o suficiente para notar cada expressão que fazia enquanto lia. Sorria a cada mudança que acontecia. Sentia-se à vontade com Elizabeth, tanto que não demorou muito a pegar no sono outra vez.

Notas finais
É isso, a continuação da história de Dylan e Julia já está pronta, mas falta revisar.. vou tentar correr com ele.. não garanto amanhã (porque tenho aula o dia inteiro - esse é o mal da universidade federal), mas tentarei fazer isso na quarta. Okay??? Um beijão enorme para vocês e até o próximo capítulo... Bye!!!