Guardando Um Anjo
10 Pontas soltas
Notas iniciais
Durante a manhã Noah caminhava de sua casa no subúrbio até o banco em que trabalhava. Ele notou um movimento estranho no beco à frente, caminhou até lá para ver o que acontecia. Deparou-se com uma jovem morena, vestida com roupas caras, desmaiada perto das latas de lixo. Tentou acordá-la, mas não conseguiu, carregou-a até a enfermaria do subúrbio. Ele deixou a jovem em uma maca e foi conversar com o médico do posto hospitalar. Ao retornar para onde ele havia deixado a jovem, notou que ela não estava mais lá. Perguntou a todos os enfermeiros aonde ela poderia ter ido. Uma enfermeira apontou o centro da cidade, Noah mal agradeceu a mulher e saiu correndo pela porta da frente.
Ruth corria pelo centro da cidade, ainda desnorteada. Tentava encontrar a casa de seu noivo, precisava avisá-lo que corria risco de morte. Mas ela sabia que poderia ser tarde demais para os dois ficarem juntos. Aysla havia lhe contado que Nataniel está noivo de uma moça rica, filha do banqueiro da cidade. A moça tentava manter as esperanças, mas sabia que os dois não poderiam ficar juntos, pois ele deveria cumprir seu destino e ela era como uma pedra no caminho. Ela tentava se lembrar de tudo o que aconteceu após ser possuída por Aysla, mas sua memória não passava de breves flashes.
Quanto mais corria, mais desnorteada ela ficava. Passos veloz a acompanhava pelas ruas. Em meio a tropeços e desequilíbrios, tentava manter a distância. Mas seu corpo não estava a ajudando, ficara muito sem comer e estava fraca demais. Após alguns passos seu corpo pendeu para o lado, caindo desvanecido. Sua mente estava vazia, mas aos poucos ela sentiu seu corpo sendo carregado por alguém. Ruth se debatia enlouquecidamente a fim de se soltar. Mas os braços que a segurava a apertava com mais força. Uma voz firme soou perto de seu ouvido.
-Calma, só quero te ajudar, você está fraca demais. – A voz lhe falou calmamente.
-Solte-me, preciso falar com meu noivo... Ele corre perigo!! Já disse para me soltar! – Ela deu chute no rapaz, que caiu no chão a levando junto. Sua visão voltou ao normal e ela pode enxergar quem era o rapaz. – Quem é o senhor?
-Meu nome é Noah. Noah Bow. Prazer em lhe conhecer, agora será que a senhorita pode me deixar a ajudá-la? – Ele tentava ser gentil com a moça.
-Prazer. Chamo-me Ruth. Agora me deixe em paz! – Ela vociferava.
A moça saiu correndo novamente pela cidade. Noah ficou parado a olhando, agora pensava que a jovem era uma maluca que tomou muito sol. Ruth corria pela cidade, pensando que fora uma idiota. Deveria ter pedido ajuda do rapaz para chegar à casa de Nataniel. Sentia-se idiota e incapaz. Cada minuto poderia fazer diferença na vida de ambos. Cansada de correr e faminta demais para continuar, Ruth deitou em um dos bancos da praça e adormeceu. O banco era frio e as madeiras a incomodava, no entanto era tudo o que tinha no momento. Sua cabeça latejava e um som distante de asas batendo não saia da sua mente, apesar dela saber que tudo estava dentro de sua cabeça e ninguém mais poderia ouvir, somente ela. A noite caia e o frio aumentava, o corpo da jovem adormecida no banco estremecia de uma ponta a outra por causa dos ventos frios. Uma pessoa que Ruth não conseguiu identificar em meio a seu sono, a cobriu no banco e deixou um pacote de comida próximo a ela. Um sono profundo atingiu Ruth, deixando ela desnorteada e fazendo-a esquecer da fisionomia da alma caridosa que a ajudou. A manhã lhe reservava muitas surpresas e ela deveria estar preparada para as batalhas que se aproximavam.
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