Guardando Um Anjo
11 Cúmplices
Ennie descansava em seu quarto, faltam apenas três dias para seu aniversário e a festa de noivado. Estava tudo tão diferente naquele dia, as horas se arrastavam pesadamente dia adentro. Parecia que as horas passavam devagar para que ela pudesse aproveitar os últimos momentos de paz em sua vida. A partir da meia-noite da véspera de seu aniversário seus dias virariam um campo de batalha e ela era refém de seu próprio destino que não lhe permitia dizer não. Quanto mais a hora se aproximava mais ela temia não conseguir cumprir sua missão e falhar. Se ela ao menos soubesse o que os anjos sabem, ou ainda o que Deus preparou para ela, entraria em desespero por não poder mudar nem ao menos o final de quem ela ama. Olhando pela janela para o lugar em que viu o bater de asas pela primeira vez, ela sentiu um vazio. Kael fora embora pra ajudar a pequena cartomante, ele havia lhe explicado que a garota poderia ajudá-los, pois conseguia adivinhar o futuro e era uma importante peça no jogo. Mas era uma arma poderosa contra eles, se ela sucumbisse a Aysla. Ennie já estava cansada desse jogo de possibilidades, queria jogar tudo pro alto e ficar com Noah de quem ela nunca mais teve noticias depois que seu pai o transferiu de banco, do centro foi para o interior da cidade, perto dos subúrbios. Noah havia mandado uma carta para ela se desculpando por não poder ir ao seu casamento por não haver roupas adequadas e nem poderia lhe dar um presente suficientemente bonito. Ela conhecia o real motivo para ele não ir ao casamento, Ennie havia mostrado a carta a sua mãe que lhe respondeu com um mero “Ele sabe o lugar dele”.
Eleonor entrou no quarto da filha e não gostou de vê-la parada na janela em vez de estar tomando banho para provar os vestidos de noivados, junto dela havia quatro mulheres que deveriam ser as costureiras. Uma em especial tinha os olhos curiosos e errantes. Era misteriosa, havia se apresentado como ajudante da costureira. Era morena e tinha os cabelos recém cortados na altura dos ombros. De estrutura frágil, mas ágil. Sorriu ao ver Ennie, mas se a garota soubesse quem era a ajudante de costureira ficaria mais feliz, por saber que era a ex-noiva sumida de Natanniel. A atual noiva se afastou da janela com hesitação e parou no meio do quarto para que as demais mulheres pudessem tirar suas medidas. Eleonor lhe mostrava inúmeros vestidos elegantes e glamorosos, mas para todos a garota fazia com que não para a imagem. A jovem viu um numa pilha de folhas jogadas de canto que sua mãe havia lhe dito que não eram para ela. Ela apontou para a pilha.
–Eu quero aquele ali! – Saiu do meio do quarto e foi em direção a pilha de papéis no chão e pegou o modelo simples, sem babados, nem chita, nem laços grandes, apenas um longo vestido branco, com o decote coberto com uma renda e uma fita na cintura arrematada com um laço nas costas.
– Mas este é muito simples e como filha do banqueiro da cidade a senhora deveria estar radiante. O sol que desceu para iluminar a todos. – A costureira mais velha lhe falava.
– A senhora vai se casar com o seu amor e deve estar bonita para lhe honrar a escolha. – Outra lhe falava agora. Ruth nessa hora baixou os olhos para esconder os olhos marejados pela emoção.
– Natanniel não é meu amor, vou me casar com ele forçada por meus pais que pensam que sabe o que é melhor para mim. – Ennie enumerava cada motivo. – Além do mais, não o amo, o rapaz que eu amo fora afastado de mim sem que eu pudesse fazer nada para impedir. – Ennie olhou para baixo e viu de relance o suspiro de alivio que Ruth soltou. As duas sorriram uma pra outra em cumplicidade. Ruth terminou de recolher os papéis no chão e entregou as outras costureiras o modelo de que Ennie havia gostado.
–Amor se aprende a ter com o tempo, riqueza é que não se consegue com amor! E você irá se casar com que aquele rapaz de boa família e ponto final. – Eleonor disse de forma ríspida para que não houvesse hesitação de nenhuma parte.
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