Guardando Um Anjo

9 Cheiro de Carne


Notas iniciais
Cada vez mais o cerco, em volta de Ennie, se aperta e o encontro entre o bem e o mal está mais próximo. Dulce e Kael estão cada vez mais próximos de achar uma resposta, mas a solução deles irá contra todas as ordens angelicais. Será a guerra dos degenerados contra Deus?

Dulce jogava tarô enquanto esperava notícias do anjo. Uma brisa passou pelas frestas da janela da sala de consultas da cartomante trazendo o pedido de Kael. A garota teria que ajudar Nataniel a se encontrar com sua fé. As cartas lhe mostravam que seria uma batalha difícil e que grandes empecilhos a esperava nessa missão. A avó da garota a interrompeu.

-Minha pequena, vá dormir! Não há nada que possa fazer acordada ainda, durma um pouco. Amanhã será um novo dia. – A cartomante se encaminhou para seu quarto sem pestanejar.

A noite seria longa para Kael. Ennie não queria dormir com medo de seus sonhos. Seus pensamentos ficavam girando em torno de sua mãe e Aysla. Ela não conseguia acreditar que sua mãe a vendera antes mesmo dela nascer. A garota não conseguia assimilar a idéia de que sua vida estava interligada ao céu e inferno duplamente. Ela era a “Guardiã” dos céus e a oferenda ao inferno. Ela resolveu conversar com Kael na esperança de que ele pudesse lhe dar alguma resposta que a confortasse.

-Kael, quando Aysla virá cobrar a divida da minha mãe? – a pergunta dela foi seguida de um enorme silêncio.

-Ennie, não há nada que você possa fazer para impedir Aysla. A única coisa que posso fazer é lhe proteger, impedir que ela a leve para te transformar em escrava de suas maldades. – Ennie suspirou cansada. Aquela não era a resposta que desejava ouvir de seu anjo da guarda.

-Uma ultima pergunta, Kael. Por que suas asas ficaram negras depois que você matou Rafael? – Ela não sabia até onde sua curiosidade poderia significar um risco.

-Hãm? Você viu quando minhas asas ficaram negras? Isso é impossível, humanos não podem ver as asas dos anjos! – A garota se sentiu estranha. Se humanos não poderiam ver as asas dos anjos como ela viu as dele? Seria ela uma aberração?

A informação chocou Kael. Isso deveria ser impossível, então como ela viu a mudanças da asa dele? Se ele ainda fosse oficialmente um anjo poderia perguntar a seus superiores. Mas o anjo sabia que ele estava próximo a perder suas asas e eles tinham pouco tempo antes que um novo anjo assumisse o posto de vigia. Agora era eles contra Deus e o mundo literalmente. Teriam que formar uma nova ordem, constituída por Dulce, Kael e a “Guardiã”. A missão deles se resumia a achar a “Descendente”.

Faltavam apenas três semanas para a vigésima primavera de Ennie, e está previsto que na vigésima primavera da “Guardiã”, Mayana encontraria sua protetora. Mas no caminho ainda havia o fato de que Ennie era o pagamento da divida de Eleonor. E no aniversário da garota Aysla a acharia instantaneamente. Kael e Dulce têm exatamente três semanas para conseguir que Nataniel se una a eles na batalha. Os “enviados” são guerreiros divinos que foram mandados a terra para auxiliar os anjos na guerra contra o mal. Quanto mais se aproxima a data dos encontros de Ennie com Mayana e Aysla mais difícil fica proteger ela contra os perigos de ser uma “Guardiã”. Kael teria que ensiná-la a lutar, pois ele não poderia protegê-la sempre. Suas asas estavam perdendo a força, em pouco tempo o anjo as perderia para sempre.

Dulce tentava dormir, mas não conseguia um cheiro de carniça a atormentava. No quarto ao lado Aysla estripava a avó de Dulce viva. A demônia cortava a pele da senhora devagar, enquanto via o sangue escorrer pelas rugas dela. No corte a aberto a demônia tentava tirar o fígado da velha sem fazer mais cortes. A velha se debatia amarrada na cama, a sua boca estava amordaçada. A gargalhada de Aysla era baixa quase inaudível. Aysla tirou o globo ocular da senhora com as próprias unhas, assim fez com o outro olho. A dor era intensa demais para a senhora. Por fim depois de brincar com os órgãos da avó de Dulce, a demonia matou a senhora e retirou todos os órgãos que usaria em seu ritual macabro. Aysla estava tão entretida em seu joguinho que não notou Dulce encolhida no canto do quarto chorando ao ver a dor de sua avó. O espírito de Lia surgiu ao lado da garota e sussurrou.

-Você tem que sair daqui. Não demorará muito até ela te perceber escondida. Fuja enquanto há tempo. Vá para um casebre perto do parque, avisarei Kael para você. Vá! — A garota permaneceu imóvel por longos segundos. Levantou-se e fugiu a pé mesmo. O parque não era muito longe dali. Cada passo da garota era acompanhado por uma lágrima. Quando ela chegou ao casebre Kael já a esperava. Dulce se jogou nos braços do anjo e chorou até adormecer. O anjo se sentia inútil não era capaz de proteger ninguém que estava próximo a ele. Mas do que nunca ele desejava matar Aysla.

Notas finais
Com o cerco se fechando os anjos tomaram medidas extremas para que nada saia do lugar em seus planos. Nem que eles tenham que colocar uma nova peça no jogo para interferir nos planos de Kael. O que os anjos querem e quem será a nova peça nesse jogo de xadrez?