Guarda Costas
28 Passado Revelado
Notas iniciais
Este capítulo acaba com o maior mistério, parcialmente detalhado, o passado de Emma.
Espero que gostem!
– Então... Sua vida foi meio complicada, né? — Emma perguntou já sabendo a resposta.
– Um pouquinho, mas valeu a pena. — Observou Emma deitar na cama.Se deu a liberdade de deitar ao lado da mais nova.– Me conta agora sua história? — Regina pediu sem olhar para a garota.– Não quer voltar a dormir? — Tentou enrolá-la.Regina olhou o rádio relógio, já eram seis horas da manhã.– Não, já perdi o sono mesmo. — Se aconchegou deitando no bíceps da agente que deixara o braço esparramado na cama. — Fiquei curiosa, você me disse que foi feliz até certa parte da sua pré-adolescência.– É sim...– Quer contar?– Quero. — Tomou o fôlego que acho necessário. — Mas ainda tô criando coragem.– Foi muito ruim?– Digamos que sim....Eu nasci aqui em StoryBrooke, bom amanhã fará exatamente 21 anos. Nasci em 94, numa segunda-feira nublada aqui no hospital local. Meu pai é David Swan, como você mesma conheceu, minha mãe era... A mulher que era sua amiga, como minha avó mesma diz. Eu tinha cabelos loiros cacheadinhos e olhos azuis. Por algum motivo eles ficaram verdes. Sei lá, obra maligna do destino, pois nas fotos meus olhinhos azuis eram lindos. Passei grande parte da minha infância me metendo em confusões com Hansel, e a Gretel também, Gretel é a irmã do Hans, só para você saber. Eu era até uma menina bem adorável. Um diabinho adorável. Uma coisa que sempre gostei era de viver aqui na casa dos meus avós. Sempre fui próxima da minha avó Eva e de meu avô Leopold. Como eu era muito desajeitada, eles brincavam comigo, me chamavam de "patinho". Eu só entendi a brincadeira pouco tempo depois dos meus seis anos, era a referência à história do patinho feio, que um dia se tornou um lindo e majestoso cisne, meu sobrenome Swan é e sempre será motivo de piada. Minha mãe era uma das professoras da escola de ensino fundamental daqui, nunca tive aulas com ela lá, mas ela gostava de reforçar tudo que eu aprendia lá, aqui. Na casa de vovó. Até os meus oito anos, meus pais e eu vivíamos em um apartamento próximo do centro, mas como era um pouco demais para nós. Já que éramos três pessoas, saímos de lá e como minha vó, sendo quem é, sentenciou que viéssemos para cá."- Vovó, obrigada."Era muito legal, viver aqui perto dos meus avós. Isso deixava o caminho para escola mais difícil por eu morar longe pra caramba, mas mesmo assim feliz. Meu avô saía todos os dias para caminhar de manhã, então se dispunha a me levar. Ficamos muito mais próximos. O meu primeiro namoradinho, minha primeira decepção, ele foi o único que soube disso. Eu acho que minha avó soube por ele, pois ela me levou para tomar sorvete no outro dia dizendo que coisa ruim a gente esquece tomando sorvete."- Oi loirinha." "- Oi, quem é você?" "- Quem deveria perguntar sou eu, afinal quem estragou as rosas da minha mãe foi você, não é?"Eu conheci uma garota que morava há uns vinte minutos daqui, ela era já uma mulher praticamente, nem lembro quantos anos tinha. Eu sei que eu estraguei as rosas da mãe dela, porque eu estava brincando de beisebol com Hansel e Ruby. Aí o Hans jogou a bola de beisebol alto e eu não consegui pegar e bom, a merda tinha acontecido. Eu fiquei muito curiosa para saber quem era aquela garota, aquela mulher, ela era muito bonita, confesso que foi platônico. Uma espécie de Stalk, pois eu a seguia para todos os lados sem que ela desconfiasse. Num domingo quando eu estava seguindo ela, o pacote de compras dela rasgou, derrubando tudo no chão. Acabei revelando minha posição, fui ajudá-la a pegar as coisas dela. Nós conversamos bastante enquanto eu a ajudava levar as coisas na mão mesmo. Não entrei pois ouvi uma gritaria vindo da casa dela, que por sinal era muito grande, era quase uma mansão. Ela pediu desculpas e já foi entrando dentro de casa. Depois daquilo às vezes nos encontrávamos no parque e começávamos a conversar, bom, eu mais respondia perguntas do que conversava mesmo. Foi o ano em que eu não cortei meu cabelo, ele era lindo. Ruby me alertou um dia, que eu deveria me afastar dela. Eu fiquei estarrecida e quis saber o porquê."- Ela é mais velha do que você Emms." "- Você também é." — Eu era bem invocadinha. "- É diferente Emms, fica longe dela." Eu deveria tê-la ouvido. Eu passei a frequentar a casa dela, mas sempre que a mãe dela não estava. A primeira vez que pisei os pés na casa dela fique surpresa. Era uma casa linda, tinha um lindo piano no centro da sala. Ela disse que não sabia como tocar, a mãe dela nunca quis lhe ensinar, me explicou que aquele piano era da irmã dela. E que um dia talvez ela pudesse vir a me apresentar à ela. Algum tempo depois disso eu apareci na casa dela, e ela parecia até um pouco surpresa. Eu notei que há algum tempo ela vinha me olhando estranho, só que não liguei para isso. Bom, é a partir daqui que tudo se complica. Espero que eu tenha coragem para contar até o fim.
Nesse dia que citei, eu fui à casa dela, a mãe dela não estava. Como sempre. Nesse dia em especial ela me convidou para conhecer a casa. E eu ingênua, aceitei. Quando chegamos no que parecia o quarto dela, ela me mostrou uma pelúcia linda. Disse que se eu quisesse era minha. Eu me sentei na cama dela e peguei, ele era lindo. Foi aí que ela... Ela... Ela me beijou, tudo bem se fosse apenas isso, ela era linda e eu... Tinha uma espécie de paixão platônica por ela, mas... Ela se aproveitou de mim, me tocou de forma que eu nunca imaginei que pudesse um dia ser tocada. Foi como se uma casinha que eu tivesse construído fosse derrubada por aquelas bolas de ferro muito pesadas. Eu não conseguia fazer nada. E quando ela se satisfez, o namorado porco dela saiu do banheiro do quarto dela, eu nem imaginava que tinha um banheiro no quarto dela. Bom, cê deve imaginar o que ele fez não é? Eu saí sem nenhum tipo de vida dali, parte dele ainda tava dentro de mim, aquilo era asqueroso. Não queria ir para casa, estava com muito medo do que meus pais iam me dizer. Eu fui para a outra única pessoa que poderia me ajudar. Fui para a casa da Ruby. Por sorte ela estava sozinha em casa. Eu nem esperei muito e a abracei. Contei o que acontecera, e ela com muita raiva, pegou um pé de cabra de algum lugar da casa dela e disse que ia matar "os dois sem vergonhas miseráveis" como ela mesma intitulou. Eu pulei nas costas dela e pedi para que não fosse até lá. Algum instinto meu aqui dentro me fez a abraçar tão forte. Ela me levou para o banheiro dela e me trouxe algumas roupas. Ela me abraçou forte, talvez uma tática para conseguir tirar minha roupa. Eu não facilitei em nada para ela. Ruby cuidou de mim enquanto pôde, disse que me levaria para casa, queria ter certeza de que eu chegaria muito bem. Durante o percurso eu fiquei calada. Acho que tudo foi muito difícil, para todos aqui. Minha mãe quis no mesmo instante ir até a casa daquela mulher, de acordo com ela, iria matar, esquartejar e jogar para os cães, falou os piores impropérios que podem existir. Meu pai me pôs em seu colo e me ninou para que pudesse dormir, mas antes de eu cair no sono eu ouvi os soluços dele, ele chorou. No outro dia quando acordei, minha avó me disse que vovô fora até a capital com o meu pai e minha mãe. Minha avó ficou o dia inteirinho comigo. Quando os três haviam chegado, já era hora da janta. Meu avô me abraçou e disse que ia resolver tudo em breve. Eu ainda não sabia da vida do meu pai e do meu avô no campo militar ou da espionagem. Um mês após o ocorrido, comecei a sentir tontura. Nunca desconfiei de nada, achava que era a minha menstruação chegando, desde o começo do ano quando havia iniciado meu período de menstruação, era tudo tão dolorido, eram cólicas de matar, tonturas, remédio fortes. Foi quando comecei a vomitar, e ter mais tonturas. Meus pais com medo de eu estar doente me levaram ao médico. Fiz vários exames, dentre eles, um de sangue. Dr. Whale disse que gostaria de falar a sós com meus pais. "Emma está grávida", eu fiquei chocada. Como assim? Eu achava que para engravidar tinha que casar e morar junto. Minha ingenuidade foi por água abaixo. Meus pais ficaram desolados, pediram segredo à Whale, me levaram para casa e contaram aos meus avós. Meu Deus, nunca senti tanta vergonha em minha vida. Um filho. Eles me falaram que em casos como "o meu caso" o hospital podia fazer um aborto. O que eu achei um absurdo, era ruim. Sim, mas ninguém inocente deveria pagar por isso. Um processo contra os dois estava correndo. Quando marcaram a audiência que ia condená-los ou inocentá-los eu fiquei em choque, ter que ver os dois novamente. O julgamento ocorreu em Boston. Fiquei em choque ao ver os dois lá, ao lado do juíz. Um senhor de idade, o pai dela também estava lá, ele era a defesa deles. Foi muito difícil estar ali."- Senhorita Swan, os réus presentes são as pessoas que a estupraram?"Acho que a vergonha de aquilo ser dito em voz alta, somado ao meu choque em ver os dois ali, mais o enjoo que eu estava sentindo resultaram em minha saída dali. Eu saí correndo dali em direção de algum lugar que pudesse ser o banheiro. Uma mulher muito gentil que mal pude ver o rosto segurou meus cabelos quando me viu ajoelhada sobre o vaso sanitário. Um segurança maluco entrou no banheiro armado, a mulher gentil disse para ele baixar a arma. Ela provavelmente era alguém muito importante, ele baixou na hora. Eu não lembro do rosto dela, até porque não vi seu rosto, mas me lembro das mãos macias e o cabelo escuro. Ela me levou até a sala de julgamento. O advogado dela me fez duvidosa perante os outros. Ninguém ali acreditou no meu testemunho. Acharam que eu era uma menina muito confusa. Até mesmo as provas que tinham contra os dois não fora o suficiente para prendê-los. Eu fiquei desolada. Os dois foram sentenciados inocentes. Além disso minha sanidade passou a ser contestada, fui sentenciada à fazer tratamento terapêutico. Não existia mais justiça. Acho que aquele foi um dos piores momentos da minha vida. Soube que o cara foi embora dois dias depois do julgamento, nunca mais pisou os pés na cidade. Meus pais tentaram recorrer na justiça, mas não surtiu efeito. "O juíz era comprado". Foi o que meu avô disse. Já estava com cinco meses de gravidez, meu filho e eu estávamos sendo acompanhados em um pré-natal com Whale. Era tão estranho uma criança estar dentro de mim. Em uma noite de sábado, saímos eu e minha avó, ela não queria que eu ficasse sozinha. Só que eu não podia sair de casa, deveria estar em repouso constante. Então ela me disse que iria ao centro da cidade e que era para eu voltar para casa. Acho que era melhor eu ter feito isso. Eu decidi que como estava no caminho mesmo, fui até a casa daquela traidora desgraçada, notei a porta da casa aberta. Havia uma trilha de sangue desde a porta até a cozinha. Eu comecei a chorar compulsivamente, minha mãe tinha uma faca de carne nas mãos e continuava a golpear a cabeça daquela vadia. Minha mãe era uma assassina."- Você acabou com a vida da minha filha!!!"Quando ela notou que não estava mais sozinha, seu semblante raivoso tornou preocupado, não sabia o quanto eu tinha assistido provavelmente. Quando ela tentou me tocar eu não deixei. As mãos da minha mãe estavam cobertos do sangue dela. Eu chorei e tentei sair dali o mais rápido possível. Ela tentou me seguir, mas não conseguiu, eu era rápida ainda, a despistei. Chamei a polícia de um telefone público e expliquei o que eu conseguia. Eles vieram e levaram minha mãe. A partir daí, aquela não era mais minha mãe. Por mais que no fundo eu saiba que ela fez tudo aquilo por sentir-se mal por mim. Não deveria ter chegado à aquele extremo. A vadia também tinha uma mãe, e seja lá quem ela fosse, também era mãe, ia sofrer. Minha mãe foi julgada e condenada à 20 anos de cadeia, ainda não entendi o porque não ter sido sentenciada à perpétua, mas tudo bem. Eu tive meu filho, e o chamei de Baelfire Swan. É! Eu sei, o Bae é meu filho. Eu não o via assim, não conseguia. A única vez que fui visitar minha mãe na cadeia, ela notou o quão difícil era para mim vê-la, ela disse à mim que sabia que estava sendo difícil para mim, e como minha mãe ela me entendia."- Eu deveria ter abortado quando pude." — Fui cruel, mas eu também já tinha sofrido. Com meu próprio erro. "- Não fale assim querida. Eu... Eu assumo a maternidade dele. Não se preocupe, ele será meu filho." "- É. É perfeito. Um assassino, filho de uma assassina." "- Emma." — Minha vó me repreendeu. "- Por causa dele, eu nunca mais vou ter um filho. Eu... Se um dia eu resolver ter filhos novamente, não poderei ou a senhora se esqueceu que minha gravidez era de risco? Esse monstro levou meu útero." "- Emma!!!" — Minha avó me repreendeu de novo. "- Ela está nervosa mamãe." — Mary disse para minha avó. "- Nós vamos conversar quando chegarmos em casa."Depois disso nunca mais vi Mary na minha vida, eu entrei em depressão, chorei noites seguidas, eu não conseguia amamentar meu filho. Meu pai foi convocado à ir para o Iraque, ele se despediu de mim e disse que voltaria em breve, se despediu do neto dele e dos meus avós. Bae chegou a ficar tão doente, mesmo com todos os cuidados que minha avó tinha com ele. Uma noite fui até o quarto dele, ele estava muito quieto, fiquei com muito medo. Quando o vi roxinho. Gritei pelos meus avós e eles vieram acudir ele. Levamos ele para o hospital rapidamente. Whale disse que não havia nada de errado com ele, nada mesmo que não compreendera o que havia acontecido com ele. Minha avó diferente dele sabia agora perfeitamente o que era. Bae sentia falta de mim, de sua mãe. Ele sabia que eu era a pessoa que lhe dera a luz. E estava o negando, acho que ele sempre sentiu isso. Passei a ficar mais próxima dele. Já que eu não conseguia dormir direito com todos os pesadelos que vinham me passando todas as noites, passei a vigiá-lo e isso parece que surtiu o efeito esperado por todos nós. Decidi que permitiria Mary assumir sua maternidade, ele merecia no mínimo isso. Uma figura materna.
Como eu não dava sinais de melhora, meu avô resolveu se posicionar quanto à isso. Me levou com ele para Boston, trabalhar na divisão em que ele era o responsável. Ele cuidou para que eu tivesse a melhor educação particular e também foi quem me treinou para atuar dentro da agência. Foi um período difícil. Eu me machuquei muito, sofri muito, aprendi muito, errei demais. Só que foram todas essas coisas que me fizeram melhorar. Três anos. Foi o tempo em que fiquei em Boston para treinar e trabalhar na agência, lá acabei descobrindo que meu pai passara a trabalhar sob as ordens de meu avô ainda no exército na divisão de sequestros e transporte. Me formei de verdade com dezesseis anos, aulas particulares eram ótimas mesmo. Todo a minha personalidade havia ido embora, junto com a coloração loira do meu cabelo. Quando voltei para cá, eu já estava muito diferente, bem mais alta do que o esperado, mais cretina e com uma orientação sexual completamente confusa. Passei a dormir com Ruby, transei duas vezes com Hansel e transei com muitas outras pessoas quando retornei à Boston, garotas pra falar a verdade. Quando fiz dezessete anos passei a liderar a divisão de segurança e rastreamento, a divisão que é responsável pelos mais importantes alvos jurídicos do país. Passei a coordenar as missões de dentro da agência. Nesse meio tempo descobri a existência de Mad Hatter, um bandido nada comum, chefe da família que ordenava o tráfico de drogas, humano e assassinatos dos meus alvos jurídicos. Passei dois anos tentando pegá-lo, mas não há um cara mais escorregadio que Mad Hatter, então descobri que seu irmão, pouco mais novo que ele, Killian Jones estava nas Bahamas. Eu mesma fui atrás dele. Ele é um tremendo cagão, então acabou me entregando alguns esquemas muito importantes do irmão. Eu enviei anonimamente para seu pessoal esses esquemas. Por sorte, eu acertei para quem enviar. Você recebeu minhas informações e mandou o vagabundo para julgamento. No dia que tentei conseguir mais coisas para te enviar eu conheci pessoalmente Sidney Glass, ele precisava de alguém para protegê-la, então eu me "apresentei", ele e meu avô discutiram os termos e aceitou pagar meus serviços....Regina a olhava boquiaberta, já fazia algum tempo. De seus olhos começaram a sair lágrimas. Estava chorando, mas não era só isso. Os soluços eram altos, bem altos mesmo. Se agarrou à Swan, pedia desculpas.– Não chora Regina, o que aconteceu?– Zelena, aquela piranha desgraçada. Ela mentiu para mim. — Os olhos de Emma que arregalaram agora.– Você... V-você conhece ela? — Ela afastou Regina para olhá-la nos olhos.– Ela é minha irmã, Emma.
Notas finais
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