Grey Hollow
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Em meio às árvores, Christopher assistia ao funeral meio vazio no cemitério antigo, apenas uma mulher chorava enquanto outras senhoras encaravam com um contido pesar as flores sobre o caixão sendo cobertas pela terra úmida e escura. O céu eternamente cinzento de Grey Hollow combinado à névoa rarefeita criava uma atmosfera sempre fúnebre. A cidade era perfeita, as nuvens bloqueavam grande parte da incidência de raios solares, permitindo que saídas diurnas fossem suportáveis.
Por um momento ele se imobilizou, ouvia passadas mansas que vinham por trás dele. Christopher se concentrou no cheiro, era um que ele conhecia. Lobo. Mais especificamente, era o cheiro da loba vadia que setenta anos antes estraçalhara, por ciúme, a única mulher que ele julgou ser digna da imortalidade.
— Eu sabia que o veria novamente – era a voz suave e inconfundível de Ivy.
— Eu esperava nunca mais vê-la. – Ele a olhou inexpressivo.
Ela riu.
— Então não sentiu a minha falta?
— Você sabe que não. – Ele respondeu sem olhar para a mulher ruiva ao seu lado. — Eu deveria ter matado você.
— Vampiros... – Ela revirou os olhos e ignorou a ameaça. – Duas garotas já sumiram. Já escolheu a próxima?
— Não tenho certeza, ela é um pouco diferente do usual... Talvez seja um pouco difícil.
— Nenhuma garota resiste a você. Nem eu resisti, a diferença é que você não é capaz de me matar.
— Não estou dizendo que ela é difícil nesse sentido, digo que a moça é amargurada – Christopher olhou para Ivy explicando como se ela fosse uma criança –, consegui perceber isso falando com ela apenas uma vez.
— Pessoas depressivas têm um cheiro diferente, de fato. – Ela ignorou o tom dele e acrescentou com um sorriso diabólico: – E um gosto também.
Em uma fração de segundo, Christopher agarrou o pescoço de Ivy e a segurou contra uma árvore, atingindo-a com força. O impacto assustou os corvos que repousavam nos galhos secos e os fez fugir grasnando suas maldições.
— Ah, Christopher... – Ela sorriu, os rostos a centímetros de distância um do outro, e colocou as duas mãos sobre a dele. – Isso me excita. – Ivy arfou, a voz estava entrecortada e o peito subia e descia ofegante.
— Puta de Satã! – Ele rosnou entredentes e a soltou.
— Não finja que se importa – ela disse se aproximando por trás e repousando a mão sobre o ombro dele, como se o consolasse –, nós dois sabemos que você não consegue. O fato é, Christopher, que você tem um fraco por garotas tristes e quebradas por dentro.
— Não vou cometer o mesmo erro de novo, a última vez que transformei alguém foi há cerca de 300 anos...
— O que a pessoa tinha de especial? – Ivy perguntou mas Christopher não respondeu, em vez disso, a segurou pelo pulso e com uma velocidade sobrenatural adentrou a floresta. – O que você está fazendo?!
— Alguém nos viu.
— Que diferença faz? – Ela revirou os olhos. – Eu vou embora. Amanhã é noite de Lua cheia, fique longe das florestas. – Ivy avisou e soprou um beijo, por fim, desapareceu por entre os carvalhos.
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