Green & Yellow

8 Arrependimento


Eu e Bickslow estávamos lutando contra aqueles ratos imundos, e vimos Laxus matar aquele cara estranho. Acho que o nome dele era Giriki. Ele voltou e foi até onde largou Freed. Alguns minutos depois, e os ratos estavam mortos. Alcançamos Laxus e eu vi ele... Soluçar. Quando eu estava distante vi ele soluçar. Ou fazer algo realmente parecido. Parecia estar chorando. Confirmei isso quando perguntei se estava bem. Ele me respondeu com a voz chorosa e rouca. Tentei olhar seu rosto mas ele se esquivou. Andou mais rápido e não me deixou olhá-lo. Eu perguntei de Freed e... Ah, como é ruim lembrar daquela sensação. “Ele não está respirando.” Foi a resposta em tom desesperado que obtive de Laxus. Desejei mil vezes não ter perguntado. Chorei tanto. Bickslow também ficou triste, e tentou me consolar. Ele não é bom nisso, com certeza.

Voltamos para a taverna no subsolo, depois subimos a escada. O dono da taverna nos pagou descontando o prejuízo da destruição que causamos. No outro dia recebemos uma carta do conselho nos agradecendo por termos destruído uma guilda das trevas. Ganhamos um dinheiro extra em função disto. Mas isso não vem ao caso. Depois de recebermos o pagamento nós fomos para a guilda. Laxus estava andando apressado, e parecia mal se importar com seus machucados. Ele sempre estava na frente, para esconder seu rosto. Foi o que percebi, pelo menos. Ele não tirou Freed de seus braços um segundo sequer depois de tê-lo pego novamente após matar Giriki. Fomos rápido para a guilda, em busca de ajuda. Passamos pela casa de Polyushka. Ela nem abriu a porta, disse que iria para Fairy Tail o mais rápido possível, e que era para nós irmos na frente. Chegamos lá e eram meio dia e meia.

Laxus correu para colocar Freed na cama da enfermaria lá na Fairy Tail. Polyushka chegou logo depois. As notícias dela não foram muito animadoras. Ela disse que a Magia de Anulação pode ser irreversível. Ela disse que Freed estava vivo. Quase beijei seus pés quando disse isso. Mas também disse que ele pode ficar em estado vegetativo para o resto da vida. Ela iria tentar reverter a Anulação de Vitalidade, mas se não conseguisse, talvez Freed nunca mais saísse de uma cama. Ela também disse que ele podia ficar velho se demorassem para reverter a magia. A magia já estava fazendo efeito há muito tempo, e ela estava preocupada. Laxus ouviu tudo aquilo ao meu lado e ao lado de Bickslow. Ele tremia muito. Estava muito nervoso. Até mais que eu, que chorava freneticamente ao pensar que Freed nunca voltaria a ser o mesmo. Mas ainda tínhamos esperanças.

Polyushka entrou e começou seu tratamento. Laxus se isolou sei lá aonde. Só sei que não o vi por bastante tempo. Eram três horas quando Polyushka pediu por sua presença para que pudesse dar novas notícias sobre Freed. Eu e Bickslow o procuramos pela guilda, mas ele não estava lá. Bickslow foi para a casa dele em seguida, e eu fui andar pela cidade á sua procura. O achei em um local inesperado. Ele estava na Catedral Kardia. Ele estava sentado perto de um altar. Estava desolado. Eu tremi ao vê-lo daquele jeito. Já não chorava mais, mas tinha seus olhos vermelhos. Tremia um pouco, e olhava para o chão com medo. Eu me aproximei e ele se assustou. Não tinha notado a minha presença.

O levei para Fairy Tail e Bickslow já estava lá. Fomos até Polyushka e ela começou a falar. Disse que Freed já estava medicado, e que os remédios deveriam fazer efeito em breve. Ela disse que agora já tem mais esperanças quanto á cura dele. Eu fiquei tão alegre. E Laxus... Ele... Recuperou a esperança. Recuperou o brilho dos seus olhos. Ele voltou a ser o Laxus. Ele pediu para ficar na sala com Freed. Polyushka disse que ele precisava de descanso, e conforme ele melhorasse, ela iria deixar um a um visitá-lo. Nós três ficamos esperando no hall da guilda. Makarov foi o único a entrar antes de Polyushka nos chamar. Não sei sobre o que conversaram, mas Polyushka parecia... Como posso dizer? Acho que esclarecida. Entendia mais a situação e seu contexto. Makarov deve ter contado como as coisas são aqui na guilda para Freed. E não sei se isso inclui os sentimentos dele.

Eram nove horas da noite. Na guilda, só estavam eu, Bickslow, Laxus, Mirajane, Lisanna, Elfman, Levy, Cana e Makarov. Além de Polyushka e Freed, obviamente. Levy ficou para pesquisar um pouco mais sobre a magia de Anulação. Ajudou bastante Polyushka nisso. Ela nos chamou para ver Freed. Ela chamou Bickslow, depois Mirajane, depois eu. Ela chamava os que estavam mais controlados emocionalmente primeiro. Eu chorei um pouco ao ver Freed descuidado daquele jeito. Estava com a aparência de um velho. Polyushka disse que esse efeito seria revertido em breve. Ainda bem. Ele respirava pouco e seu coração batia fraco. Era horrível vê-lo daquele jeito. Fiquei lá bastante tempo, até que Polyushka pediu para que saísse, já que faltava Laxus. Quando saí, Freed já não estava tão velho. Estava com a aparência de trinta e poucos anos. Laxus quase me atropelou para entrar. Estava apresado. Antes mesmo de eu fechar a porta, vi ele parar. Estava chocado quanto a aparência de Freed. Fechei a porta lentamente. Depois desci com Bickslow até o hall da guilda, onde todos estavam. Pelo menos os que ainda ficaram na guilda.

Evergreen e Bickslow estavam sentados numa mesa, junto de Levy, Lisanna e Elfman. A mesa não tinha copos ou pratos. Tinha vários livros que Levy estudava. Cana, Mirajane e Makarov estavam no balcão. Enquanto isso, no segundo andar, Laxus estava no quarto de Freed. Polyushka estava sentada numa cadeira, os observando. Laxus sentou lentamente na cama onde Freed estava. Tirou o seu cabelo do olho direito, e quase chorou ao vê-lo tão mal. Sentiu sua pele seca e áspera. Seus olhos estavam um pouco inchados e roxos. Seu cabelo estava bagunçado e ruim. Sentia-se culpado pelo o que havia acontecido a ele. Arrependeu-se do soco que lhe dera. Arrependeu-se de deixá-lo ver estuprando Mirajane.

Elfman tinha razão. Ela não queria aquilo. Estava drogada e um pouco bêbada. Talvez ela não tenha contado a ninguém por medo. Laxus achava que ela não se lembraria, mas viu que ela lembrava, devido ao jeito que olhava para ele. Será que ela ainda tinha compaixão para com ele? Esse pensamento o fez se arrepender do fato de ter estuprado Mirajane, ao invés se só se arrepender de deixar Freed ver aquilo. Na verdade não teve culpa quanto a isso, mas poderia ter um pouco mais de cuidado. Era o suficiente para deixá-lo com mais esse peso na consciência.

Uma fina lágrima saiu de seu rosto e caiu no rosto de Freed. Laxus não conseguiu contê-la, e viu que não poderia ficar ali – mesmo que quisesse – já que choraria na frente de uma mulher. Ainda tinha seu orgulho. Saiu da sala, olhando nos olhos de Polyushka, que mesmo sem ouvir algum som da boca do loiro, entendeu o que ele queria lhe dizer. Freed tinha que ser salvo. Polyushka enfiou isso na cabeça, e não se perdoaria ao deixá-lo morrer. Não aguentaria olhar nos olhos de Laxus novamente.

O olhar que ele lhe dera, era um olhar triste, cheio de dor e arrependimento, que dizia claramente: “por favor, salve-o”.