Green & Yellow
9 Monstro
Fazia uma semana desde que Freed foi atingido pela Magia de Anulação de Giriki. Ele ainda não havia acordado, e praticamente em todos os dias da semana ele teve pelo menos um período de alto e baixo na recuperação. Todos da guilda já foram visitá-lo, e todos estavam preocupados. Laxus não ia mais trabalhar na Fairy Tail, só ia para visitá-lo. Uma vez de manhã, outra de tarde e uma última vez de noite. Bickslow e Evergreen ficavam praticamente todo o dia lá, esperando Freed acordar.
A esperança de todos estava a ponto de acabar.
Todos chegaram ao ponto de pensar em desistir dele.
Mas isso não é o que um mago da Fairy Tail faz.
Todos rezaram pedindo ajuda.
Todos ainda tentavam manter uma última esperança viva.
Polyushka já estava dormindo na guilda para cuidar de Freed. Ela aceitou até mesmo conviver com pessoas para salvá-lo. Mesmo estando do jeito que estava, Polyushka ainda tinha esperanças em Freed. Ela não podia deixar Laxus do jeito que estava. Todos contavam com ela. Ela não queria nem imaginar o olhar que Laxus lhe daria se deixasse Freed morrer. Ela não iria suportar viver com o peso daquele olhar. E por isso ela não desistiu. Polyushka estava dando seu máximo.
As coisas começaram a melhor quando Levy achou um livro que falava somente sobre Magia de Anulação. Nele continha tudo. Como funcionava, porque funcionava, as magias e seus efeitos, tudo. Até como desfazer as magias. Entregou para Polyushka na página da Anulação de Vitalidade. Era uma magia poderosa, que só não era mais poderosa que a Anulação de Vida. E lá continha plantas mágicas que se misturadas de um certo jeito, poderiam recuperar a vitalidade da vítima da magia. Polyushka voltou para sua casa no mesmo instante, para que assim pudesse pegar as plantas que o livro indicava. Não havia nenhum segredo, o que não dificultou as coisas. Após fazer a receita – resultando em um líquido azul marinho – levou alguns frascos para a guilda. Chegou no quarto de Freed, e logo lhe fez tomar o líquido. Foi difícil, já que ele estava inconsciente.
Tomou três garrafinhas do líquido. Polyushka o deixou descansando , e disse para Makarov que dali umas duas horas o efeito da magia passaria. Makarov correu até o balcão da guilda, anunciando a informação para todos. Celebraram, como de costume. Evergreen desabou em lágrimas, e Bickslow comemorava alegremente, e Makarov sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto.
Ao receber a notícia, Laxus subiu até o quarto de Freed e sentou-se na cama dele. Olhou para Polyushka, que sentiu-se feliz e aliviada ao ver o olhar de Laxus. Agora era um olhar feliz e esperançoso, que dizia "obrigado".
Era um olhar que sorria.
Laxus contemplou o sol pela janela do quarto. Era meio dia e meia. Estava um dia lindo. Não se via uma nuvem sequer no céu. Laxus sorriu. Olhou para Freed, e não conteve suas lágrimas. Estava aguentado aquilo por muito tempo. Polyushka lhe disse que voltaria para casa, e lhe deu instruções para cuidar de Freed. O efeito da magia passaria, mas Freed com certeza acordaria ainda debilitado, e com as consequências de ter ficado parado em uma cama por mais de uma semana. Laxus escutou a tudo atentamente e acompanhou até o primeiro andar. Makarov a agradeceu, e ela apenas disse que quando precisassem dela, estaria no lugar de sempre. Laxus a acompanhou, atravessando o hall, enquanto todos gritavam e comemoravam, agradecendo e gritando o nome de Polyushka. Quando saiu do hall, percebeu que ela deu um leve sorriso, quase imperceptível. Depois ela foi para casa sozinha, abanando para Laxus em um último momento.
Laxus não esperou muito para correr de volta para o quarto de Freed. Evergreen e Bickslow o acompanharam. Freed estava com uma aparência melhor. Pelo menos não parecia velho. Parecia estar tranquilo. Em um simples sono leve. Isso animou os três que o olhavam. Freed voltaria a ser quem era. Em breve. Era confortador pensar assim para os três.
Era quase três horas quando Freed acordou. O sol estava forte, e iluminava toda a sala, dando um aspecto lindo ao ambiente. Eu, Laxus e Bickslow estávamos sempre olhado para Freed. Ele finalmente abriu os olhos. A primeira coisa que viu foi o rosto de Laxus, que estava praticamente em cima dele. Isso foi refletido na sua primeira fala: "L-laxus?" Ele falou com uma voz fraquinha e rouca. Nós três nos atiramos em cima dele para abraçá-lo. Vi que Laxus acabou sendo prensado contra ele. Os seus rostos estavam pertinho, e eu vi Freed corar. Tive vontade de rir. Freed estava de volta! Meu amigo estava de volta! Nosso amigo estava de volta! Queria gritar para o mundo tudo isso. Mas me contentei em sair da sala e correr para o segundo andar até ter a visão de todo o hall. Gritei para todos ouvirem – isso me resultou numa leve dor momentânea – "Freed acordou! Freed está bem!". Foi lindo ver todos celebrarem. Chorei ao ver a cena, e logo voltei para a sala na companhia de Makarov. Logo Makarov começou:
— Você está louco Freed? Como você faz isso e nos deixa preocupado assim? Você sabe, a guilda inteira estava apreensiva! Seu idiota!
Freed apenas sorriu para o mestre. Foi lindo ver aquilo, realmente. Depois disso, um por um foi visitar Freed. Lucy, Natsu, Levy, Gajeel, Wendy, Cana, Juvia, Gray, Erza, Lisanna, Elfman... Mirajane…
— Freed… Como você está?
— Eu estou bem. Agora você pode ir.
— Freed, me desculpe. Eu não-
— Saia daqui. Eu não quero mais ouvir sua voz.
— Freed! Por favor! Me escute, pelo menos uma vez! – Mirajane começou a chorar.
— Eu já falei. Eu não quero ouvir mais sua voz. O que eu vi foi suficiente. Agora saia.
— Não foi suficiente! Você está entendendo errado as coisas!
— Mirajane, por favor. Não deixe Freed agitado. Ele precisa descansar. Agora não é a hora de falar sobre isso. – Eu tive que intervir. Freed estava nervoso.
Depois disso, Mirajane saiu, me deixando sozinha com Freed. Eu tive que dar minha opinião, pois não estava aguentando ver ele tratar Mirajane daquele jeito.
— Freed, você deve escutar Mirajane qualquer hora. Ela quer te falar algo e você não deixa.
— Não importa o que ela fale, eu não vou acreditar. Meus olhos não mentem para mim.
— Mas pode ser algo importante. Mesmo que você não acredite, escute-a. Dê uma chance a ela. Ela só precisa de uma chance.
Freed bufou, e Laxus entrou, um pouco perturbado. Acho que ele se esbarrou com Mirajane enquanto ela chorava. Ele pediu para que eu saísse da sala. Fiquei com medo, mas quando me dei conta de que ele estava com um prato de comida na mão, fiquei um pouco mais tranquilizada.
Evergreen saiu da sala e desceu as escadas da para o primeiro andar, encontrando-se com Bickslow. Ele iria ver Freed, mas ela disse para ele esperar. Sem entender, Bickslow obedeceu. Já no quarto, Laxus andava lentamente em direção á Freed, se sentando na cama, e ajeitando-o para ficar sentado também. Freed mal conseguia mexer os braços de dor, e não conseguia fazer quase nada sozinho. Laxus então lhe entregou o prato de comida, mas Freed disse para ele que não conseguiria comer.
— Pare de frescura, Freed.
— Mas eu sinto muita dor ao mexer meus braços! Eu não vou conseguir!
— Não quero fazer tudo por você. Isso vai ser irritante!
— Então chame alguém para fazer! – Freed bufou.
— Não! Polyushka disse para que eu cuidasse de você.
— Então o que você vai fazer?
— Te ajudar a comer. – Pegou o braço de Freed que gemeu baixo. Laxus parou no mesmo instante. – Você tá bem, Freed?
— Sim. Eu falei que não vai dar. Você vai ter que fazer isso por mim.
— Ahn?- Laxus fez uma careta engraçada. Freed riu. – Ei, pare! E eu não vou fazer isso.
— Então de que adianta você estar aqui? É melhor chamar a Ever.
— Polyushka foi clara: eu cuido de você! – Laxus queria se livrar de seu arrependimento cuidando de Freed.
— Então faça. – Laxus suspirou.
— Ok, ok. Mas você nunca me verá fazer isso de novo! – Deu uma colherada na sopa que trouxe e levou até a boca de Freed. Ele só a abriu.
Ficaram fazendo isso por bastante tempo. Freed ria o tempo todo, e Laxus bufava quando ele fazia isso, o que o fazia rir mais. Freed comeu bastante, e ainda comeu bem mais do que devia ou conseguia, somente para ver Laxus naquela situação.
As coisas estavam indo bem, até então. Freed começou a ter sono, e Laxus não desgrudava o olho dele. Freed sentiu seu corpo estremecer com a ideia que teve. Ele mal pensou, e acabou por tentar:
— Laxus, venha aqui. – Falou com voz baixinha.
Laxus estava sentado ao seu lado e acabou por se aproximar.
— Mais. – Falou mais baixo ainda.
Laxus bufou e se aproximou mais, ficando bem perto dele. Freed se levantou um pouco, ficando bem perto do rosto de Laxus. Sentia sua respiração em seu ombro. Laxus estava estranhando o que ele queria. No fundo tinha uma idéia, mas não iria estragar tudo sem ter certeza.
Freed corou,
Impressionado com a própria coragem.
Estava sentindo a respiração agitada de Laxus.
Se aproximou mais de seu rosto,
E sentiu estar junto de seus lábios.
Mas ele não esperava ver Laxus se transformar.
Ver seus olhos tornarem monstruosos.
Fale com o autor