Greco-romana: O Segundo Lado
15 O que fazer?
Notas iniciais
Estava na frente da quinta coorte com Tresh, já tínhamos acompanhado Jay até a quarta coorte.
-Romana, quero conversar com você sobre seu passado. – Estávamos com as duas mãos dada. Ainda se via o rosto de Tresh por causa do choro.
-Vamos acabar brigando e...
-Não vamos brigar, só quero dizer uma coisa, ok?
-Ok. Fale, mas se eu achar que está errado sabe que vou falar.
-Eu sei. Então, você sabe que não apoio que você mate ninguém. Eu te aceitei, não estou jogando isso na sua cara, mas é que é importante para mim ter uma namorada que não mate mais ninguém, sério.
-O que quer dizer?
-Que não quero que mate mais ninguém. Você sabe que é isso que eu quero.
-Não vou mais matar ninguém. Se eu achar que não deva, claro.
-Romana, é sério.
-Tudo bem, fique tranqüilo. –Ele me beijou.
-Tenho que descer, parece que não, mas estou cansada.
-Mesmo?
-Mesmo.
-Sabe, — ele me abraçou – achei que íamos terminar.
-Também achei.
-Que bom que não aconteceu isso.
-Mas e se eu tivesse mesmo te mandado ir embora?
-Eu não iria. Você acha mesmo que eu te deixaria aqui? Com Craig? Ta enganadinha.
-Porque ele te incomoda tanto?
-Ele não me incomoda.
-Não? Montou naquele cavalo porque? Agiu como um bobo. Você estava morrendo de ciúmes.
-Não quero falar sobre isso.
-Sobre Craig, ciúmes ou montar no cavalo?
-Dos três. – Ele riu.
-Vou descer, ta?
-Eu vou te acompanhar. Romana?
-Sim?
-Precisamos de um tempo para nós.
-Como assim?
-Só nós dois, oras.
-Vamos ter, calma. Vamos agora?
Ele desceu comigo até a primeira coorte e logo subiu. Assim que deitei logo dormi.
Na manhã seguinte ainda estava insegura do que Tresh e Jay iriam pensar de mim. Sai lá fora e os dois estavam me esperando.
-Oi meninos. – Eu já havia me trocado.
-Bom dia. – Jay disse.
-Bom dia. – E aquela mania de coçar os olhos de Tresh os deixavam tão fofo.
Mais um dia havia se passado e ainda não tinha sinal de julgamento e nenhum sinal de Octavian. Isso estava me preocupando. Depois do jantar quando estávamos reunidos Tresh acabou percebendo.
-Tem algo te incomodando, o que é?
-Ninguém me chamou para conversar ainda, isso está me deixando inquieta.
-Não esquente a cabeça, ta? Olha, se eles não falaram nada é porque ainda não é hora.
Levei o que Tresh disse em consideração. Consegui descontrair, afinal o pessoal todos eu estava lá. Lottie, Louis, Brayan, Jay e Tresh.
-Brayan, eu já estou indo dormir, você vai ficar aqui? – Jay disse.
-Não. Vou ir. Boa noite, gente. – Brayan disse.
-Meu dia foi cansativo, amanhã nos falamos. Tchau. – E Jay e Brayan foram dormir.
-Romana acho que vou ir também. Me acompanha?
-Mas já, Tresh?
-Cansa correr atrás de cavalos.
-Teve que laçá-los? – Perguntei.
-Sim, chato isso.
-Eu sei. Então Louis e Lottie, vejo vocês daqui a pouco.
-Até amanhã. – Tresh se despediu e fui com ele até a quinta coorte.
Quando cheguei na frente da quinta coorte Tresh ficou me olhando.
-Que foi?
-Você fica uma gracinha olhando para o nada.
-Me disse isso quando me viu de pijama.
-Já se viu com aquele pijama? Fica sim, uma gracinha... – Ele me beijou. – Sabe aquele tempo para nós dois? Que tal agora?
-Entendi seu cansaço.
-Ficamos o dia todo longe um do outro. – Isso era verdade. Só nos vimos no café da manhã, almoço e janta. Senti a falta dele e acabei concordando.
Ficamos no mesmo lugar da noite dos botões, só que estávamos sentado dessa vez. Eu estava em seus braços e ele me beijando. Foi a primeira vez que ficamos a sós sem conversar, simplesmente só se beijando. Fazia alguns minutos ali quando Tresh disse:
-Vem aqui. – Ele levantou e eu o segui.
-Onde está me levando?
-Um cara da minha coorte disse que tem um depósito aqui atrás que os campistas costumam se pegar.
-E se tiver alguém ai?
-Espero que não tenha. – Ele sorriu.
As luzes começaram a se apagar.
-Tresh, as luzes se apagaram. Temos que voltar.
-Damos um jeito depois.
Chegamos na porta do tal depósito. Tresh abriu-a e não havia ninguém lá dentro, então entramos e ele a fechou.
-Tresh, tem certeza? Nós dois sozinho, em um quartinho. Somos dois adolescentes e não sei se vai dar certo...
-Vamos devagar, não é? Nada de ãn...você sabe.
-Certo.
Ele começou a me beijar, só que acontece que ter um namorado filho de Afrodite que tem músculos é uma enorme tentação. Enquanto nos beijávamos minhas mãos entraram por baixo da blusa de Tresh e comecei a passar a mão em sua cintura. O beijo começou a acelerar mais um pouco e as mãos dele desceram para meus quadris. Minhas mãos escorregaram propositalmente para sua bunda. Era redondinha e fofa, adorei.
Tresh parou de me beijar e foi com os lábios para meu pescoço.
-Golpe baixo, Tresh.
-Sua mão na minha bunda mais ainda.
Seus lábios voltaram para os meus. A velocidade do beijo aumentou e ficamos mais perto. Minhas mãos voltaram para debaixo da camisa de Tresh e faziam movimentos em suas costas. Ele se aproximou de novo e aquele barulho dos botões chegaram aos meus ouvidos. Me senti mais nervosa do que antes.
-Está tudo bem. A menos que queira que pare. Fica por sua conta. – Ele disse.
-O que temos a perder?
Ele sorriu e voltou a me beijar.
-Romana...eu não sei você, — ele estava respirando aceleradamente – mas eu estou morrendo de calor. Eu posso tirar minha blusa? Juro que não vou tentar nada.
-Fique a vontade.
Foi aquela hora em que fiquei com raiva por não saber onde ficava o interruptor daquele depósito.
Durante o beijo minhas mãos passeavam com a maior liberdade pelo seu corpo. E que corpo! O beijo ainda estava acelerado.
-Me desculpe por isso. – Disse interrompendo o beijo.
-Pelo que? Ahhhh! – Eu havia mordido seu peito, e foi com força.
-Ou era ai, ou seus lábios, ou seu traseiro. – Estávamos rindo.
-Vai ter volta, mas não agora. Você me deixou animadinho.
Estávamos motivados e empolgados. Tresh me colou com toda precisão em seu corpo, nosso beijo agora não se sincronizava. Estava perdido na velocidade que estava. Passei a mão pelo cós da calça de Tresh. Não soube o que fazer a partir daquele momento.
-Romana, abre a porta. – Era a voz de Lottie.
Como ela soube? Ela já tinha ido dormir. Era o que eu achava.
-Romana e Tresh vocês estão ai? –Lottie repetiu.
-Faz silêncio. Talvez ela vá embora. – Tresh estava com a respiração acelerada. Nós estávamos.
-Olha, se vocês estão ai e estão fazendo silêncio para eu ir embora vão se dar mal. Se eu abrir a porta e vocês tiverem em... ãn... em situação amorosa irá ser vergonhoso. Louis está comigo e as luzes se apagaram. É punição para os dois. Os quatro se nos pegarem.
-Droga! – Ele sussurrou em meus ouvidos. – Ok, vocês venceram. Já saímos. – Ele disse para ela.
-O que? Podíamos ficar. Era só travarmos a porta.
-Senhorita Romana, o amasso estava bom eu assumo. Mas ela está certa, se descobrirem vamos ser punidos.
-Certo. Quero deixar bem claro que eu não iria a mais nenhum lugar depois que o senhor ficou sem camisa.
-Relaxa. Estamos no começo de namoro. Tem muito chão para andarmos antes da nossa primeira relação.
-Obrigada por me entender.
-Eu sou um virgem, não quero que isso mude dentro de um depósito. – Ele riu. – Tenho que achar minha camisa, não sei onde joguei. Vou acender a luz.
Quando Tresh acendeu a luz vi ele pela primeira vez sem camisa. Que visão dos deuses!
-Olha, você me marcou! — Ele colocou a mão em cima de uma mancha roxa que estava se formando.
Saímos lá fora já com Tresh vestido.
-Nem vou falar nada. As luzes se apagam, campistas dentro das coortes. – Lottie disse.
-Sim senhora. – Falei.
Despedi de Tresh e fomos embora.
Entrei na primeira coorte, me troquei e deitei. Eu decidi que conversaria com Tresh para falar o que eu estava pensando.
Foi o que fiz quando o vi, no dia seguinte.
-Bom dia. Cadê o Jay?
-Se arrumando. Temos que passar de lá, ele pediu. E bom dia!
-Ta. Olha antes de ir me ouve.
-O que houve? – Ele tomou aquela expressão de preocupação.
-Não quero que nada aconteça antes da hora, ta legal? Ontem se esquentasse algo mais eu iria parar. Está me entendo?
-Ai que alivio!
-O que?
-Sabe...ãn...eu sou um virgem, como te disse. Não sei como iria te satisfazer se algo acontecesse. Eu sou um mané e ia te decepcionar e...
-Tresh, olha não interessa. Somos dois virgens então não esquenta. Você é meu primeiro namorado e não quero que isso aconteça cedo, sem termos uma conversa e sem eu me sentir pronta.
-Não quero que isso aconteça sem eu ter te levado para conhecer meu pai. Quero dizer, eu te apresentar. Sei que já o conheceu. E não quero que isso aconteça em nenhum dos acampamentos. E também não quero que isso aconteça quando eu não me sentir um homem. Me sinto um menino ainda. Você é a primeira garota que eu namoro sendo bonito, ou sendo gordo. Não quero que minha primeira relação com minha primeira namorada fosse um desastre.
-Isso é um alivio!
-Então, por enquanto só nos amassos, certo?
-Certo. E você sentiu calou mesmo ou...?
-Calor. Eu juro!
Meu namorado era virgem, eu outra. Estava feliz porque ele não é o tipo que faz o que não se sente bem. Se ele se sentisse incomodado ele me falaria. E não é o tipo dele fazer pressão. Não para essas coisas.
Pegamos Jay e fomos tomar café.
-Escutem bem. – Octavian disse no Templo Jupiter Optimus Maximus. – Romana tem um namoradinho. O tal filho de Vênus na versão grega. – Ele estava falando com cinco soldados. – Quero que o machuquem. E não é esse machucado de arranhão. Machuquem ele, detonem ele. Se for preciso o deixe com um por cento de vida. Mas prestem atenção! Longe da Romana e do outro amigo dela. Hoje a tarde ele treinará com a quinta coorte. Será cinco contra um. Digam que querem treinar.
-Mas o que vamos dizer a ela? – Um dos garotos disse.
-Nada. Façam o serviço em minutos e depois sumam. Quero ele acabado, desmaiado, sem forças. Quero ele quase morto. Pensando bem... ela não sofreu ainda. Matem ele. Mas ouçam, não pode ser com arma. Vai ser cinco contra um mesmo, acabem com ele com suas próprias forças. Romana vai aprender a dor de apanhar... Só que não na pele dela. E não citem meu nome. Se perguntarem digam que foi treino. Vamos ver como ela age sem o namoradinho fora de cena, fora de cena pra sempre.
-Mas e o amigo dela? – Outro perguntou.
-Esse eu dou um jeito depois. – Octavian disse.
Eu estava no Campo Marte quando parei de conversar com Jay e Tresh.
-Romana? O que houve? – Tresh segurou minhas mãos. – Você está gelada! O que houve? Romana? – Ele entrou em um breve desespero.
-Tresh... – Uma dor enorme tomou conta do meu peito. Jay estava segurando a outra mão. – Eu...eu acho que tive um péssimo pressentimento. Me abracem...
Não precisei falar duas vezes. Jay e Tresh me fecharam em um abraço.
-Jay, vamos montar. – Brayan foi o chamar para sua tarefa.
-Cuidado! O dois. – Disse.
Jay ficou em dúvida de ir ou não. Mas teve que ir por ser a tarefa de coorte.
-Tresh, eu estou com medo. – Falei.
-Viu alguma coisa?
-Não. Mas eu senti. Foi assim com minha mãe antes dela morrer! – Eu comecei a chorar. Tresh me colocou para junto dele e me abraçou com força.
-Calma, vai ficar tudo bem. Estou com você.
Meu peito apertou mais, e minhas lágrimas aumentaram.
-Tresh, não me largue!
-Eu não vou! – Ele beijou o canto de minha testa.
Aquela sensação horrível dentro de mim e não sabia com quem ia ser. Tresh, Jay ou Brayan. Meu pânico aumentou quando tivemos que nos separar novamente por causa dos treinos da tarde.
Tive a impressão que ia ficar sem alguém.
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