Notas iniciais
Eu chorei escrevendo este cap. UHASIDUHDIUSDHDSUIADHSIUDSHSUAHDSIUAHUISHSDAIUDHIDUS. Boa leitura!

Era hora de trocar de turno com a quarta coorte. Eles sairiam das fronteiras para que o pessoal da primeira coorte fosse para lá. Estava subindo o Campo Marte para montar guarda. Algo me fez parar. Os campistas dali pareciam todos agitados e percebi que mais para frente tinha um pessoal aglomerado. Um nervosismo tomou conta de mim.

-Com licença, o que está acontecendo ali? – Perguntei para um campista que estava indo para algum lugar.

-Um campista ficou gravemente ferido no treino.

Eu quis ver quem era.

-Oi, da licença. Quero passar. Cara, não me alisa! Gente, quem está ai? – Era impossível, ninguém me deixava passar.

-Romana?

-A, oi Sophi. Olha, eu estou trocando de turno. Cadê Tresh?

-Ãn...

Eu olhei para aquela multidão e olhei para Sophi novamente.

-Cadê Tresh? – Eu disse mais agressiva.

-É melhor checar com seus olhos.

E em questão de segundos meu mundo deu pequenas voltas. Estava me sentindo tonta. Fui mais que depressa para o meio dos campistas todos unidos.

-Saiam da minha frente!

Enfim consegui passar pelos campistas e a visão que tive foi horrível.

-Tresh? Tresh!

Meu namorado estava caído todo ensangüentado e com as peças de roupa rasgada. A cor branca do rosto dele havia sumido em meio a tanto sangue que havia em seu rosto. Ele estava estirado no chão com cortes, hematomas e mais e mais sangue, por todo o corpo.

-Tresh! O que aconteceu? – Estava gritando. – O que aconteceu? Andem, me respondam! Que merda houve aqui? – Eu estava girando em torno do meu eixo para ver se alguém me respondia.

-Treinamento... Não vimos, estávamos fazendo nossos exercícios. Vimos um pessoal perto dele e achávamos que eles estavam treinando, percebemos quando ele saíram e Tresh caiu. – Um campista falou.

-O que fizeram com você? – Ele me ajoelhei. Minhas mãos pousaram em seu rosto coberto de sangue. Eu encostei e o sangue dele estava quente. Encostei em sua testa, quando eu olhei para minha mão estava toda vermelha. Comecei a tremer, comecei a chorar. Tresh não se mexia, não falava, estava sem ação, estava desmaiado. – Tresh, fale comigo! – Eu não conseguia falar com tanta carga emocional que eu estava soltando. Eram muitas lágrimas.

Coloquei a cabeça dele em meu colo e a abracei como se isso fosse o ajudar. Mas não iria.

Todos ali olhavam, ninguém se aproximou.

-O que aconteceu? Romana, me falaram que... Por Apolo! – Eu olhei para Trás Jay estava com as mãos na boca e começava a chorar. Minha expressão era de pânico. Eu estava toda ensangüentada agora.

Ele veio para cima de mim.

-Coloque ele no chão, me da licença. – Ele tirou a cabeça de Tresh de cima de mim. Esticou os braças e começou a tocá-lo.

-Jay o que você...

-Romana, Tresh está sem pulso.

O meu mundo foi para baixo.

-Impossí... – Eu não conclui, pois comecei a chorar.

-Você vai sair dessa! – Jay começou a fazer aquelas típicas massagens cardíacas, na qual colocam a mão no peito e começam a pressionar. – Não fiquem parados! – Jay gritou. – Romana, faça isso com força. Quer seu namorado, certo? Eu quero meu amigo. Coloque sua mão na reta do Esterno dele. – Esterno é o osso. E ele não tinha parado de fazê-la. – Use sua força, não tenha dó.

Eu assumi o lugar de Jay.

-Vocês, vão até a enfermaria e traga uma maca. Vocês três revezem a massagem cardíaca com Romana. Você me acompanha e me mostre a onde fica o um inalador. Você, vai até a quarta coorte. Terceira cama à esquerda. Uma bolsa beje, leve para mim até a enfermaria, se eu não estiver lá deixe em um lugar visível. Vão! – Jay sumiu no meio de todos.

Eu estava nervosa, meu namorado sem pulsação e eu tentando reanimá-lo.

-Eu assumo. – Um dos meninos me disse. Eu confirmei.

-Você vai sair dessa! – Eu o toquei tremendo.

Em minutos Jay chegou com o inalador e um pessoal com uma maca para transportá-lo até a enfermaria.

-Sei que confia em mim. Mas a partir de agora vai ter de confiar à vida dele a mim. Me entendeu? – Jay estava com os olhos vermelhos e segurando meu rosto firmemente.

Eu assenti desesperadamente.

As mãos de Jay trabalhavam rapidamente instalando o inalador em Tresh.

-Levantem ele no Três. Um... dois... Três! – Os quatro rapazes o levantaram e foram descendo para levá-lo a enfermaria.

Acompanhei o caminho todo tentando pegar nas mãos de Tresh, mas não era possível, pois os meninos estavam o carregando rapidamente.

Chegaram até a enfermaria. Jay me barrou.

-Não pode!

-Jay...

-Me perdoa, mas não. – Ele me empurrou e bateu a porta na minha cara.

Eu comecei a gritar, bater nas janelas. Eu chorava e ia de um lado para o outro. Eu estava mais tonta do que o normal. Estava em um estado critico. Cheia de sangue que havia secado e chorando, chorando muito. Gritava como se tivessem me tirado tudo. E tinham me tirado quase tudo.

Eu cai no chão de joelhos e comecei a chorar. O meu estado era desesperador. Quer saber realmente meu estado? Pense você no meu lugar com a pessoa que mais ama dentro de uma enfermaria, e seu melhor amigo tentando voltar à pulsação dessa pessoa. Tortura.

Eu deitei sobre a grama e comecei a falar coisas.

-Ele vai sair dessa. Ele é forte. Nós vamos ser felizes. Vamos, sim. Eu sou a namorada dele, ele gosta de mim, eu gosto dele. Nossos deuses vão salvar ele, não é? Papai... Oi papai, lembra da sua filhinha? – Falava como uma criança. – Eu só quero meu namoradinho de volta. Só ele...aqui...comigo. – Me encolhi e comecei mexer com meus dedos. Perdi naquele momento meus sentidos racionais. – Mamãe dizia que tudo ia ficar bem. Mas mamãe morreu, ela está morta... Tresh vai morrer?

-Romana! – Brayan veio correndo em minha direção. Ele me levantou com sua força e me manteve em seus braços. – Eu soube...

-Tresh, Brayan. – Recobrei meus sentidos. Eu comecei a tremer mais do que o normal.

-Ta tudo bem. Eu estou com você. Ele vai sobreviver. – Ele começou a me balançar.

-Eu suportei a morte da nossa mãe, não sei se eu...

-Não pense nisso. Pense em...

-Tresh... Eu quero ser mãe, sabia? – Acho que comecei a perder o sentidos novamente. – O nome ia ser Junior, porque eu queria que fosse como o dele... – Eu estava me balançando no colo de Brayan.

-Vai passar, vai sim, meu anjo. – Ele beijou minha cabeça.

-Minha nossa! Olha o estado dela! – Lottie disse, mas eu nem percebia nada a minha volta.

-Ela está fora de si. Arrumem algo para ela apagar. –Brayan disse.

Bebi algo com um gosto estranho. Acordei no final da tarde, com dor de cabeça. Louis estava de mãos dada para mim.

-Tresh...

-Não temos noticias ainda...

-Cadê Brayan e Lottie?

-Eles estão resolvendo algo. – Me aninhei a ele. Ele só retribuiu.

-Romana? – Senti a mão de Brayan em meu rosto.

-Quero ele...

-Estão te chamando no fórum. Vai ter de ir... Tem que ser forte.

-Ele...ele...?

-Não é com ele, meu amor. – Brayan passou a mão em meus cabelos bagunçados e armados. – É o julgamento, em? Vamos... Eles querem ver você...

Eu confirmei. Eles me ajudaram a levantar e me acompanharam até o fórum. Louis, Lottie e Brayan ficaram lá fora.

Assim que entrei Octavian foi de costume idiota.

-Suja de sangue? Ai a prova de que ela é uma assassina!

Eu o ignorei.

-Romana, eu soube o que aconteceu com Tresh e...

-E meu namorado pode estar morto agora! – Eu comecei a chorar e coloquei a mão sobre o rosto.

-De quem foi a ideia de trazê-la aqui e agora? Ela está um...

-Regaço? – Olhei para ela. – Pretora, eu me sinto um regaço. Meu namorado... – Eu me sentei no chão frio dali. – Deuses? – Gritei. Reyna, Octavian e os de mais presentes me olharam. – O que querem para trazer ele de volta? – Balancei a cabeça. – Outro sacrifício. Justo. Uma pessoa pela outra. Tome aqui um sacrifício. – Minha Adaga estava em minha cintura, levantei com uma velocidade incrível e fui para cima de Octavian com minha Adaga pronta para enfiá-la em seu pescoço.

Me seguraram. Eu ainda chorava. Soltei minha Adaga no chão. Cai e os guardas me seguraram.

-Me leve para a enfermaria, por favor! – Segurei no rosto de um deles. – É meu namorado! Me leve até ele.

-Ela enlouqueceu! Vamos puni-la! – Octavian berrou.

-Tresh! – Eu gritei.

-Tirem ela daqui. Ela não está em condições de fazer nada! Levem ela daqui e prestem serviços a ela. Vão logo! – Reyna ordenou.

Um deles me pegou no colo.

-Me de ela. – Escutei uma voz familiar novamente.

-Reyna disse que temos que prestar serviço a ela. – Um guarda falou.

-Todo o serviço dela está com a gente. Somos os amigos dela. Pode ir, e obrigado. – Senti trocar de braço.

-Tresh...

-Olha para mim!

-Meu namorado, Jay! – Ele estava ali. Era Jay. Com uma noticia. Talvez boa, ruim ou péssima.

-Me diga que não! — Gritei. – Quanto tempo se passou desde aquela hora? — Olhei para ele.

-Olha para mim. – Ele me segurou pois perdi as forças da pernas. Ele me manteve em pé em seus braços. – Três horas. Me responda, qual o seu nome?

-Meu nome?

-Isso.

-Romana.

-Isso. Onde você está?

-Acampamento Júpiter.

-Quem sou eu?

-Meu melhor amigo, Jay. – Eram resposta automáticas.

-Recobre seus sentidos, em?

-Tresh... Jay... Acampamentos...

Jay me abraçou.

-Ele...Tresh sobreviveu. Que tal?

-Graças aos deuses! – Brayan suspirou com um enorme alivio.

-Me deixe o ver. – Disse.

-Tudo bem. Mas vai ter que ser rápido, ta?

-Ta...

Entrei na enfermaria e Tresh estava na ultima divisão. Na qual era o tipo grave.

Ele estava com aquelas camisolas de hospital. Frágil. Indefeso. Machucado. Meio vivo e meio morto. Vários fios ligavam em alguma maquina. Ele estava com o inalador no rosto. Jay me levou até o lado dele. Peguei em sua mão. Fria.

-O que fizeram com você? – Esperei que ele me respondesse. Mas nada. – Quem foram os monstros? Que tipo de pessoa machuca uma delicadeza feito você, Tresh? – O nome dele suava como pedra. Pesado. – Eu sou seu frágil amor! Se você se for, quem vai me amar? Você é...é o que eu tenho... Quem vai cuidar de mim? Me fala...

Eles me deixaram sozinho com ele.

-Ela está em um estado deplorável. Romana está em estado de choque, temos que fazer algo. – Brayan disse.

-Vão ter que cuidar dela. Não posso sair daqui. – Jay disse.

-Te aceitaram bem aqui. – Lottie disse.

-Dei um barraco, ou eles me deixavam cuidar dele ou iam ter mais um ferido.

-Como está o caso de Tresh? – Louis perguntou.

-Conseguimos reanimá-lo, o que foi um enorme passo. Mas é grave, se ele recair, o sistema de Tresh talvez não agüente. Dei néctar e ambrosia, mas ele ainda precisa de um atendimento pela parte humana.

-Se ele não agüentar, ela não vai agüentar... – Brayan disse.

-Por isso não vou sair daqui. Estou fazendo isso pelos dois.

-Quais são suas recomendações para ela? – Brayan disse.

-Remédios. Para dormir, e acordar, só. Calmantes. Conversem com ela. Não a deixem sozinha. Vamos tirar ela dali, isso pode a prejudicar. Dêem banho nela. Digo, entrem no banheiro com ela. Façam com que ela coma e coloquem-na para dormir. Se ela quiser ficar lá fora depois da janta, ótimo. Se não coloquem ela para dormir. Sem vir para cá, certo?

Eles vieram até mim.

-Ei, acabou sua hora. Tenho que fazer mais um exames nele. – Jay disse.

-Tresh, vou ter que ir amanhã eu venho. Os deuses vão te ajudar, bonitão. – Beijei a testa dele.

...

-Lottie, já disse que consigo tomar banho sozinha! – Disse.

-Ou tira logo essa roupa e entra no chuveiro ou vou fazer isso à força. Um...

É constrangedor tomar banho com alguém te fiscalizando.

-Esfrega minhas costas. – Falei.

Terminei de tomar banho e fui jantar. Comi pouca coisa e não falei nada na janta.

-Eu vou dormir. Se quiser podem ficar aqui fora. – Falei para Lottie, Louis e Brayan.

-Eu fico com ela no quarto. Fiquem aqui fora. – Brayan disse. – Vamos maninha.

Cheguei na primeira coorte e tive que tomar um remédio.

-É para te acalmar. Seu dia foi cheio.

Não hesitei. Se era para dormir, que fosse para ser logo, então.

Brayan me colocou em seu colo quando estávamos na cama. Meu irmão estava me ajudando muito.

-Acha que ele sai dessa? – Peguei-o de surpresa com a pergunta.

-Não sei, mas estamos torcendo por ele.

-Brayan, se ele for... Eu não...

-Não pense nisso. Você é forte, você é minha guerreira. Vamos passar por essa juntos! – Ele começou a acariciar meus cabelos. – Pense em dormir.

Em poucos minutos havia dormido. Não tive sonhos. Mas a realidade me acordou e lá fora Jay não estava me esperando e muito menos Tresh.

-Se troque, vamos tomar o café da manhã. – Lottie disse me puxando de volta para a primeira coorte.