Notas iniciais
A música que aparece ai (que n vou falar se n é spoiler c:) ta aqui o link http://letras.mus.br/ed-sheeran/1933768/#traducao Boa leitura! Beijos.

-O que? Ele sobreviveu? Como? Vocês me disseram que iriam acabar com ele, e ainda disseram que ele estava sem pulsação. – Octavian falava naquela manhã com os responsáveis por baterem em Tresh.

-O amigo grego dele conseguiu reanimá-lo. Pelo que eu sei ele ainda corre risco. – Um deles disse.

-Pelo menos eu sei que aquela maluca sofreu com isso. Preciso pensar, saiam daqui!

Comi pouca coisa no café da manhã, estava também sem animação. Tive que tomar outro remédio que nem sabia para que era.

Decidi fazer uma visita a Jay e Tresh na enfermaria. Peguei um prato com algumas coisas para alimentar Jay.

-Jay? – Disse entrando na enfermaria.

-Não pode entrar aqui. Vamos lá fora. – Ele estava na frente de uma prateleira.

-Só vim fazer uma visita...

-Lá fora. – Ele veio até mim, pegou em meus ombros e me colocou para fora.

-Trouxe isso para você. Deve estar com fome. – Estendi o prato para ele.

-É, eu estou. Obrigada por isso. – Ele sorriu. – E bom dia!

-Bom dia. Posso vê-lo?

-Sabia que um prato de café da manhã ia ter um preço. – Ele disse de boca cheia.

-Jay, ele é meu namorado...

-E também meu paciente. Visita depois das duas. Minha nossa, essa panqueca ta uma delícia!

-Qual é? – Eu comecei a chorar.

-Não chora, por favor...

-Eu só quero que ele esteja ao meu lado e ele ta quase morrendo ai dentro, me deixe vê-lo.

-Não chora, por favor! É horrível te ver chorando. – Ele me abraçou com o prato ainda na mão.

-É horrível não ter seu namorado com você.

-Eu sei que é! Por Apolo, você vai acabar me encrencando. Para de chorar e você tem permissão de vê-lo.

-Mesmo?

-Sim. Mas pare de chorar, ta anjo?

Ele terminou de comer e eu parei de chorar.

-Te dou exatamente dez minutos. – Ele me disse quando chegamos até onde Tresh estava.

-Como é a situação dele?

-Mais tarde se eu sair daqui, falamos sobre isso.

-Jay...

-Dez minutos! – E ele saiu dali.

Tresh estava sem o inalador, mas agora ele estava com um tubo de respiração em sua boca.

-Te quebraram mesmo, em? – Peguei em sua mão que estavam frias. – Quando você vai sair dessa? Quer dizer... sem pressão. O tempo que precisar para se recuperar, mas me da um sinal, ta bom? – Esperei que ele reagisse, se mexesse, abrisse os olhos, qualquer coisa. Mas nada.

Fiquei uns minutos olhando para Tresh e passando minhas mãos em sua testa. Claro, em um local que não tivesse curativo ou hematoma.

- Another day another life Passes by just like mine It's not complicated (Outro dia, outra vida Passa como a minha Não é complicado) – Minha voz saiu tremula, mas continuei a cantar. — Another mind Another soul Another body to grow old It's not complicated (Outra mente Outra alma Outro corpo a envelhecer Não é complicado) Do you ever wonder if the stars shine out for you? Float down Like autumn leaves Hush now Close your eyes before the sleep And your miles away And yesterday you were here with me (Você já se perguntou se as estrelas brilham para você? Flutuam baixo Como folhas de outono Silêncio agora Feche os olhos antes do sono E as milhas de distância E ontem você estava aqui comigo) Another tear Another cry Another place for us to die Its not complicated (Outra lágrima Outro choro Outro lugar para nós morrermos Não é complicado) Another life that's gone to waste Another light lost from your face It's complicated (Outra vida que se foi para o lixo Outra luz perdida de seu rosto É complicado) Is it that it's over or do birds still sing for you? Float down Like autumn leaves Hush now Close your eyes before the sleep And your miles away And yesterday you were here with me (Será apenas imaginação ou os pássaros ainda cantam para você? Flutuam baixo Como folhas de outono Silêncio agora Feche os olhos antes de dormir E você está a milhas de distância E ontem você estava aqui comigo) Ooh how i miss you My symphony places the song that carries you out Ooh how i miss you I miss you and i wish you'd stay (Ooh como eu sinto sua falta Minha sinfonia coloca a música que te leva para fora Ooh como eu sinto sua falta Sinto saudades de você e eu gostaria que você ficasse) And your miles away (E você está a milhas de distância) Touch down Like a seven four seven Stay out and we'll live forever now (Touch down Como um sete quatro sete Fique de fora e viveremos para sempre agora).

Havia lágrimas em meu rosto.

-Sou péssima cantando, mas sinto sua falta. Foi ontem, mas parece que já estou sem você à um tempo. Dói, sabia?

-Benzinho, três minutos. – Jay colocou a cabeça sobre o pano que separavam a cama, mas logo desapareceu.

-Meu tempo está se acabando, talvez eu volte, ta? Só tenta se recuperar. – Fiquei de mãos dadas para ele e passando minhas mãos sobre o se cabelo suavemente.

-Deu o tempo, vamos. O dia está lindo, se distraía e se ocupe.

-Até mais bonitão. – Beijei a mão dele.

Jay me acompanhou até a saída.

-O quadro de estado dele, quero saber. – Falei.

-Mesmo?

-Sim!

-Grave. Encontrei traumas e alguns danos internos.

-Ele vai agüentar?

-Vai depender da força dele. Ele é um semideus e nosso corpo está compactado a agüentar grandes esforços. O tempo vai dizer se ele sai dessa ou não. Preciso entrar, vou fazer um exame neurológico nele. – Jay me deu um beijo, entrou e fechou a porta.

Tentei o máximo para me distrair. Ajudei Lottie com a distribuição de suprimentos nas coortes, depois ficamos um tempo conversando. O ultimo horário antes do almoço ela me chamou para montar. Foi relaxante, mas assim que desci de Relâmpago automaticamente pensei em Tresh. Na verdade eu não havia parado de pensar nele.

Fiquei calada enquanto estava me dirigindo ao refeitório. E acho que naquele momento uma pequena parte de mim estava se reerguendo.

-Lottie, quem você acha que pode ter feito isso com Tresh?

-A Romana, eu não sei. Tem suspeitas?

-Nenhuma. Só quero saber o motivo no qual fizeram isso. E quem fez isso também, claro.

-Mas isso foi por treinamento. Não acho que foram capazes de fazer isso com ele.

-Tresh é grego, e os romanos odeiam os gregos... Tresh não iria mexer com ninguém... A menos...

-A menos que o que?

-Craig!

-Ãn?

-Craig disse que pretendia tirar Tresh da jogada para ficar comigo. Só pode ter sido ele, e propositalmente!

-Isso é loucura, sabe disso, não é?

-Talvez. Olha, coma por mim.

-O que? Onde você vai? Romana, volta! — Deixei Lottie falando sozinha e sai correndo atrás de Craig.

Confesso que foi difícil achá-lo, mas por fim ele estava nas fronteiras.

-E ai, Romana! Fique sabendo do seu namoradinho, uma pena. Sério mesmo. Minha proposta, deixa ele morrer na cama da enfermaria e volta para mim...

-Foi você! – Eu fui para cima dele. Minhas mãos seguraram com força o colarinho de sua blusa.

-Eu o que?

-Que deixou ele daquele jeito!

-Não fui eu!

-Como não? Tudo aponta para você! Mentiroso! Desgraçado, como pode machucá-lo tão friamente?

-Já disse que não fui eu! O grupo que pegou ele nem sei de qual coorte era. Saiba que se eu fosse fazer algo com ele, seria armado e sozinho!

-Você vai me pagar seu... – Fui pegar minha Adaga em minha cintura, mas onde ela estava? – Droga... – Eu tinha a deixado cair dentro do fórum enquanto estava desesperada. – Que bom que você tem sorte, Craig. – Soltei-o.

-Teria mais sorte se você voltasse para mim.

-Sem chance. Pelo menos faz ideia de quem tenha feito isso com ele?

-Não. Eu estava com a quarta coorte naquela hora. Pergunte para seu irmão.

Deixei Craig e desci para o refeitório.

-Onde você foi? – Lottie perguntou.

-Atrás de Craig.

-E...? – Ela fez uma cara de curiosa.

-E que ela não está suja de sangue. Craig está vivo. – Louis riu.

-Louis! Esse não é o momento para piadas! – Ela parecia querer bater nele.

-Oh deuses! Me perdoe, eu me...

-Sem problemas, Lou. A questão é que ele me disse que não foi ele. Ele disse que estava com a quarta coorte. Preciso falar com Brayan depois. E minha Adaga está com alguns de vocês?

-Não. – Lottie disse.

-Sem chance. – Louis disse.

Depois do almoço Brayan veio falar comigo.

-Está melhor? Ia ir falar com você de manhã, mas não deu tempo.

-Eu estou melhor, mas ainda quero Tresh. Minha Adaga ficou com você?

-Não.

-Ótimo. Mais um problema. Craig estava com vocês nas atividades?

-Estava.

Passei metade da tarde com Brayan. Ficamos conversando, fizemos atividades e ele me contou como eu tinha ficado desnorteada com tudo que acontecera um dia antes.

-Você está bem melhor hoje. – Ele sorriu.

-Reyna quer te ver no fórum. – Um cara com armadura parou do nosso lado.

-Para que?

-Ela quer ver se você já pode ser julgada. – Ele respondeu.

-Tem que ser agora? – Falei.

-O mais rápido possível. E devo te acompanhar.

Olhei para Brayan em um olhar de ajuda.

-Vou subir com você. Também te espero lá na porta, vamos.

Eu ia ser julgada com meu namorado em uma cama em um estado critico? O que estava acontecendo? Tudo de uma vez? Isso era um teste? Estava ficando cada vez mais nervosa. E ainda teria a possibilidade de ter que agüentar a cara nojenta de Octavian.

-Estou aqui fora te esperando. Fique tranqüila. – Ele sorriu para mim.

Assim que entrei soldados fecharam a passagem.

-Pelo menos você não está com cara de acabada. – Octavian disse logo de cara. Ele estava com o lençol em seu corpo. Provavelmente ele tinha pego de sua cama.

-Guarde seus comentários para você, Octavian. – Reyna se levantou. Seus cães estavam ao seu lado. – Sinto muito com o que houve com seu namorado, Romana.

-Eu sinto também. Sinto muito, e por sentir muito acabo me machucando.

-Ele tem toda assistência que precisa. Espere que ele saia dessa. Mas claro, hoje você foi chamada aqui para ver ser está apta a ser julgada. Pelo que vejo está bem melhor que ontem. Confirma?

-Sim. – Falei.

-Ótimo. Sente-se.

E fiquei lá dentro na companhia de Reyna, cachorros de latões valiosos, guardas e Octavian. Ela e ele estavam na minha frente, sentados.

-Já que ninguém abre a boca, eu serei o primeiro. – Octavian levantou parecendo um espantalho vivo, com um típico urso preso em seu cinto. – Eu acho que ela deveria ser punida, afinal, ela foi a responsável pelas mortes.

-Octavian, já disse que não temos provas. – Reyna disse.

-Mas ela me agrediu! – Ele disse.

-Te agredi? Eu te dei uma surra. – Falei.

-Você assume? – Reyna me olhou.

-Que eu soquei a cara dele? Que eu dei umas boas bofetadas na cara de espantalho dele? Que eu também deixei ele no chinelo? Sim, eu assumo.

-Ta vendo! Ela deve ser punida! Você voltou para ter sua cabeça decapitada. – Ele me olhou profundamente.

-Francamente, vamos brincar de calar a boca. Você começa. – Falei para ele.

-Calem-se. – Reyna mandou. – Quero saber se você foi a responsável ela morte dos quatro campistas, e por quais motivos. – Ela se referiu para mim.

-Dois deles ela o matou na noite em que eu fui agredido. – Octavian disse.

-Octavian, a pergunta foi para ela.

-Mas o augúrios disseram e...

-E você vai deixar ela falar.

-Em legítima defesa, pretora. – Falei.

-Você assumiu! Eu sabia! Peguem as armas matem-na!

Os guardas empunharam lanças, espadas e qualquer tipo de arma que houvesse em sua mão. Eles começaram se aproximar quando os cães de Reyna avançaram para cima deles.

-Vocês vão ficar onde estão, guardas. Eu mando aqui, entendeu Octavian? Romana, continue.

-Mas...- Octavian queria justificar, mas Reyna lançou um olhar e ele parou.

-Defesa. Foi por defesa. – Falei.

-Ela tem que ser punida à altura. Pena de morte! – Octavian berrou.

-Você está dispensada. Aguarde e a chamaremos de novo. – Reyna disse.

-Minha Adaga...

-Lhe entregarei depois, saia.

Não fiquei na sala, mas sabia que Octavian surtaria, pois Reyna não me tinha dado sentença, não ainda. Ele queria me ver de todo o jeito arruinada.

Também soube que assinei minha sentença ali. Confirmei que havia matados os campistas.

Sai lá fora e Brayan estava me esperando com Louis do lado.

-O que houve? – Brayan perguntou.

-Vamos descer e eu conto.

Antes do jantar eu contei a Louis, Brayan e Lottie que agora estava do nosso lado, tudo que havia acontecido no fórum.

-Octavian não vai engolir essa de legitima defesa. Se prepare, pois ele vai fazer todos quererem sua cabeça. – Lottie disse.

-Sem meu namorado, o acampamento daqui algum tempo vai querer minha cabeça, estou sem minha Adaga... Minha vida é difícil!

Não vi Jay o resto da noite. Na hora em que poderíamos ficar lá fora eu quis entrar. Brayan me acompanhou. Ficamos na cama novamente, só que dessa vez eu estava com umas fotos nas mãos.

-Adoro essa foto. – Disse sorrindo quando vi minha foto com Tresh e Jay, na minha primeira missão pelo acampamento meio- sangue. Era a foto das caretas.

-Tresh está mesmo diferente.

-É... – Falei. – Esse é o Tio Sandy. Ele é um bom homem, vocês tem que se conhecer. – Dei uma foto em que eu e o Tio Sandy estávamos na frente de uma estatua em um museu.

-Quem sabe um dia. – Ele riu. – Gosto dessa sua foto com nossa mãe.

Sim, eu tenho uma foto com minha mãe. Eu tinha nove anos na época. Minha mãe me segurava no colo e meu rosto estava sujo de bolo. Tinha aquelas orelhas de Minnie na cabeça como tiara. Meus cabelos no ombro todo armado. Minha mãe era morena, dos cabelos longos. Usava um brinco grande e seus olhos pretos combinava com o sorriso.

-Que bom que tenho uma cópia dela. – Brayan disse.

-Nossa, esse pentelho é você? – Disse quando peguei uma foto que havia tirado acampamento meio-sangue com Brayan. Estávamos abraçados e ele sorria. – Você parece com nossa mãe.

Cada uma daquelas fotos me trazia uma lembrança. Aquilo me deixou pior, pois senti uma saudade muito maior. Tio Sandy, mãe, Tresh, acampamento meio- sangue. Sentia falta.

-Bom sonhos. – Senti Brayan me beijar depois de alguns minutos que tomei o remédio. Adormeci e tive um sonho.

Tresh estava ao meu lado sorrindo. Talvez isso fosse um sinal.