Greco-romana: O Segundo Lado

18 Sinal de recuperação


Durante três dias altas coisas aconteceram no acampamento Júpiter. Mas nenhuma foi que a noticia sobre a melhora Tresh. Jay me contou que pelos exames ele tinha fraturado o maxilar. Ele também tinha quebrado o braço direito e machucados três dedos da mão esquerda. Jay me deixava ver ele poucas vezes. Jay era meu amigo e sabia o quanto acabava comigo ver meu namorado em uma cama lutando para sobreviver.

Umas das coisas que aconteceu durante esses três dias foi que recebi uma mensagem de Íris de Verona.

-Romana? Deuses, eu estou super preocupada. Fred ligou para Jay e disse sobre Tresh. É verdade?

-É sim.

Ela ficou em silêncio.

-Mas e você? Como está? – Ela me perguntou.

-Bem, talvez. Eu não sei. Como vão as coisas ai?

-Está tudo em ordem.

-Oi Romana! Ai, avise a Jay que eu arrumei alguém! – Era Tyler gritando.

-Garoto, sai daqui. – Verona o empurrou.

-Eu conto para você depois! Melhoras para Tresh. – Ele disse e depois saiu.

-Ãn...obrigada, eu acho. – Esperei Tyler sair. – Você e ele?

-Talvez. Estou tentando me adaptar.

-Felicidades. – Sorri.

Nesses dias também ocorreram sessões de conversas com Reyna.

-Matou em defesa, certo?

-Sim. Mas a surra foi por Octavian ter me provocado.

-Até te entendo.

Mas a pior coisa que aconteceu durante os três dias foi eu ter sacado toda a estratégia de Octavian durante um julgamento.

-Como podem deixar uma assassina aqui? Os augúrios revelaram!

-Ela está em processo de ser julgada. Ainda é cedo para qualquer coisa. – Reyna disse.

-Os augúrios revelaram que você iria apanhar de mim? Acho que não...

-Deveria tomar cuidado com o que fala. – Ele me olhou.

-Porque eu deveria? Você é tão indefeso quanto esses pobres ursinhos que você destrói só para ver algo.

-Deveria porque talvez ocorra o mesmo que aconteceu com o fraco do seu namoradinho. Nunca se sabe, né?

Eu quis voar no pescoço de Octavian só por chamar Tresh de fraco. Mas algo me fez parar. Assimilei tudo.

-Você... – Eu estava sentada olhada para o chão. Mas assim que esse pensamento que me ocorreu me levantei rapidamente para ir na direção de Octavian. Os guardas me seguraram.

-Como você pode ter feito isso? Sua briga é comigo, não com ele, seu desgraçado!

-Do que está falando? – Ele disfarçou.

-Do que? Achou que eu nunca ia perceber? Você mandou alguém bater em Tresh!

-Isso é um absurdo, garota!

Começamos uma breve discussão e Reyna mandou nós dois nos calarmos. Eu queria matar Octavian, e era o que eu estava pensando, em uma forma de assassiná-lo.

-Posso ter minha Adaga de volta? – Perguntei para Reyna quando voltei para meu lugar.

-Ainda não. Dispensada.

Sai do fórum com a cabeça fervendo em pensamentos. Esperei todos saírem para eu ter uma chance de pegar Octavian. E lá estava aquela coisa magrela saindo do fórum. E para minha sorte e azar dele, estava sozinho.

-Então você acha que poderia mesmo se vingar de mim? Acho que não. – Estava atrás dele com os braços cruzados.

-Fique longe de mim.

-O que você disse? – Eu andei em sua direção.

-Guarda...

-Acho que não!

Eu consegui imobilizá-lo, embora ele fosse maior que eu. Levei-o para um canto e encostei ele na parede com toda a violência.

-Você teve sorte que agora estou sem minha Adaga. – Puxei o cabelo dele e ele gritou. – Cala a boca! Dobre seus soldados Octavian, vai precisar. Estou tão disposta a te matar quanto você está determinado a destruir ursos de pelúcia! E por falar nisso, pode ver nos augúrios, eles vão revelar sua morte. Vai ser a mais dolorida possível. – Bati a cabeça dele com força na parede e sai andando.

Achei que depois desse dia iria ser espancada. Então voltei a colocar minhas facas no meu tênis alado. Me sentia uma trouxa sem minha Adaga, mas a facas iriam quebrar o galho. Nada me aconteceu. Nem comigo e com nenhum do meu pessoal.

Pedi para que eles ficassem espertos e que Octavian era capaz de qualquer coisa para se vingar de mim. Também pedi para que Jay deixasse alguém na enfermaria, para que Tresh não fosse vitíma de atentado nenhum.

Depois desses três dias não sabia o que esperar de Octavian, do julgamento e da recuperação de Tresh. Ele só regredia, eu pensava isso.

Eu estava com o pessoal da primeira coorte tomando o café da manhã.

-E você quer mesmo matar o cara? – Louis disse.

-Sim. Mas estou pensando sobre isso. – Falei.

-Romana! – Era Jay entrando gritando meu nome. Ele estava com o jaleco branco e com olheiras. – O que foi? Nunca viram um médico bonitão berrando chamando sua amiga? Eu em...

-Jay? O que faz aqui? – Disse indo até ele. – O que aconteceu com Tresh? – Disse me aproximando até ele.

-É melhor que veja você mesma.

Desci correndo para a enfermaria. Louis, Lottie e Brayan aguardaram lá fora enquanto Jay me acompanhava.

Quando entrei na divisão de Tresh e fui até ele meus olhos encheram de lágrimas.

Vi os olhos castanhos mel abertos. Ele estava com o tubo de respiração ainda. Mas ele estava de olhos abertos!

-Deuses! – Eu peguei em sua mão.

-Romana, cuidado. Essa é a mão que os dedos estão quebrados.

Tirei minha mão rapidamente da dele e subi para seu pulso. Com a outra mão passei em seu hematoma roxo nos olhos.

-Você acordou! Meus deuses! – Eu estava chorando.

-Ele está em estado vegetativo. – Jay disse. – Mas ele acordou e isso é ótimo!

-Mas e o aparelho? – Me referi ao que ajudava ele respirar.

-Ainda é preciso, ele precisa de ajuda.

Eu estava tão empolgada por Tresh ter acordado.

-Lembra de mim? Sou sua namorada, lembra?

Ele piscou.

-Eu estou feliz por ter sobrevivido. Mas você ainda está em estado critico. Mas você abriu os olhos!

Tresh me olhou. Piscou.

-Seus olhos são tão reconfortante.

Fiquei alguns minutos com ele, mas Jay mandou eu sair dali. Tive que obedecê-lo.

O resto do dia foi bem agradável. Tresh tinha aberto os olhos, ainda que estivesse em estado vegetativo era um progresso. Queria saber o que Jay tinha a dizer dele.

-E ai? – Falei depois do almoço para Jay.

-Foi um progresso. Fiz alguns testes nele, mas ele está totalmente longe desse mundo.

-E...?

-E que ele ainda está em estado critico. Temos que esperar.

A cada dia que passava Tresh nos surpreendia a cada momento. Ele estava dando sinal de recuperação.

Conforme os dias avançavam, eu passava por mais e mais sessões de julgamentos. Minha situação não era nada boa.

Pensava mesmo se valia à pena matar Octavian. Sim, e muita. Mas se eu fizesse isso ia ir contra o que eu mesma havia dito a Tresh. Ia ser mais um problema para mim, mas estaria vingando ele por isso.

Já tinha se passados duas semanas e meia desde que voltamos para o acampamento Júpiter e tudo tinha acontecido.

O estado dele não era mais grave e graças aos deuses ele havia saído do estado vegetativo. Seu estado agora era de atenção, saiu daquela ala destinado aos casos graves e foi para o do lado, que é onde se mantinham os que não eram nem graves nem bons. Embora ele tivesse fraturado o maxilar já estava tentando falar. Também havia tirado o aparelho respiratório e usava o inalador na hora de dormir.

-Ro... – Ele tentava se comunicar comigo.

-Você não pode se esforçar. Qual parte do ‘maxilar fraturado’, você não entendeu? E você saia daqui, porque toda vez que ele te vê ele fica agitado! – Jay falou para mim.

Era um bom sinal ele ficar agitado quando me via.

Octavian insistia para Reyna que eu tinha que ser punida a altura, ou seja, com pena de morte. Era como escapar de uma coisa e cair em outra.

-Quer dizer, e se você for mesmo morta? Não posso perder você! – Brayan me dizia.

-Que isso, você sobrevive sem mim. Agüentou por tanto tempo.

-Mas é diferente quando se acostuma a ter a pessoa ao seu lado.

Eu gostava muito de Brayan, mas eu sabia que uma hora ele ia se prejudicar por se dedicar tanto a mim.

-Está decidido, o julgamento final de Romana será daqui alguns dias. Não tenho uma data, mas assim que tiver eu lhe avisarei. Dispensada. – Isso foi o que Reyna me dissera em uma das ultima sessões.

Todos sabiam, menos Tresh. Ele estava bem melhor, mas não quis dizer nada para não o preocupá-lo e não fazer ele ter algum ataque do coração.

O acampamento me olhava com uma cara de quem queria me matar. Afinal, Octavian contou mesmo para todos que eu era responsável pelas quatro mortes. Embora a maioria não os conhecesse ficaram revoltados. Só não me batiam porque Reyna deixou bem claro que se isso acontecesse iria haver uma punição.

Eu tinha esquecido que tudo estava ruim para mim quando Tresh conseguiu falar.

-Ro...Romana...

-Isso! Você conseguiu falar! – Eu me joguei em cima de Tresh com um abraço. Jay me tirou de cima dele.

-Você quer matar ele antes de ficar totalmente bom? – Ele ficou bravo.

-Desculpe, mas ele falou! – Disse rindo.

Tresh tinha passado por uma cirurgia no maxilar, que o ajudou. Jay passava horas com ele tentando progredir, e acabou dando certo. Ele também estava tentando a falar e Jay me deixou alguns dias sem vê-lo.

-É por uma boa causa. Ele está tentando falar e isso está sendo difícil. Se ele te ver vai ficar nervoso e ansioso, isso só vai piorar. Dois dias no máximo sem ver ele.

-Te trouxe uma flor. – Falei quando finalmente o vi.

Jay fez um sinal de positivo para ele. Tresh estava com um gesso no braço agora. E a mão que tinha os dedos quebrados, eles estavam enfaixados.

-Obr...Obriga...do! – Ele disse.

-É isso ai! – O abracei com o maior cuidado dessa vez.

-Vo...você...é...min...nha na...namo...rada. – Tresh sorriu.

-Sim, eu sou! Você me deixou louca, sabia?

-Me...descul...desculpe.

-Claro que sim! Você é o melhor!

-Você... – Tresh respirou fundo. – voc...você é a...me...melho...or.

Ele falava muito lentamente, mas para ele eu tinha toda a paciência do mundo.

Passaram os dias e nada de julgamento.

-Sabe que estou ocupado com Tresh e por isso não posso te ajudar com seus problemas, né? – Jay me disse.

-Sei, esqueça isso. Seu problema agora é Tresh. Foque nele.

-Olha, essa cama...ela sobe e desce. – Tresh me disse quando estava com o controle da cama na mão e já falava um pouco mais rápido. – Sobe... – A cama subiu o deixando sentado. – Desce... – Ela o deixou deitado. Ele fez uma pausa para respirar. – Sobe... – Ele ficou sentado e olhando para mim.

-Não tenta falar, vai te deixar cansado.

-Mas eu quero falar. O que está acontecendo lá fora? As... – Ele pareceu perder o fôlego.

-Fale devagar! Não me mate de novo!

-Desculpe. Mas e as novidades?

-Nenhumas. – Menti. Não queria contar que era quase certeza que iria morrer.

-Senta do meu lado.

-Jay vai ficar bravo comigo.

-Dois minutos. – Ele pediu.

Sentei-me do lado dele. Ele colocou a cabeça em meus ombros.

-É estranho ficar em coma. – Ele disse.

-É estranho ficar sem você.

-Digo o mesmo. – Ele sorriu.

-Achei que ia morrer, eu teria enlouquecido.

-Sou um meio... – Ele se sentiu cansado.

-Não fale. Está tudo bem. Volte a dormir, em? Tenho que fazer umas coisas, Brayan está me esperando.

-Estou bem. Olha até consigo beijar. – Ele beijou minha bochecha.

-Acha que tem fôlego para um beijo? Tipo, o nosso beijo.

-Tenho. – Ele se agitou.

Era a primeira vez depois dele ter se machucado que eu ia o beijar.

Fiquei na sua frente, ainda sentada. Tresh abriu seu lindo sorriso.

Ele avançou e nossos narizes se tocaram.

-Vai ter gosto de hospital. – Ele disse.

-Vai ter gosto de ‘seja bem-vindo novamente’ – Retruquei.

Ele então fechou os olhos e me beijou. Coloquei a mão em seu rosto. Aquela sensação que nunca mais achei que fosse ter de volta, voltou. Eu me senti feliz novamente. Tresh fez um grande esforço para mover sua língua até minha boca. Tentei ir o mais devagar possível, parecíamos duas crianças que nunca haviam beijado na vida.

-O que está acontecendo aqui? – Jay berrou. Soube que depois disso ele iria ficar enlouquecido. – Não se beija um cara que nem tem fôlego para falar.

Tresh não sabia se ria o se respirava.

-Romana, suma daqui ou te proíbo de vê-lo até ele ter alta! Sai logo! – Ele estava vindo para cima de mim.

-Se ele deixar eu volto. – Falei, mas Tresh segurou meu braço e me roubou um selinho.

-Você vai acabar se prejudicando. – Jay disse para Tresh.

-Eu precisava dela!

-Você precisa se recuperar!

Dali uns dias ele teria alta e a última parte do meu julgamento aconteceria.