Greco-romana: O Segundo Lado

25 Não quero tomar decisão


Notas iniciais
A fic ta acabando D: Mas talvez eu faça outra, só que não é sobre mio-sangue.

Na mesma tarde pedi para que me deixassem sozinha com Tresh e Jay. Tinha alguns assuntos para tratar com os dois. Ficamos sentados olhando um para a cara do outro por alguns instantes. Jay por alguma razão estava sério, e Tresh com expressão curiosa.

-Meninos, vocês sabem que são minha família e que vocês são tudo para mim, certo? – Eles concordaram com a cabeça. – Vocês também sabem que se precisarem de mim é só chamar, certo?

-Sabemos. O que tem para nos falar? – Jay disse.

-Está tudo bem, Jay? Você parece bravo.

-Não é nada, só preocupado. Continue.

-Fred?

-Não. Continue.

-Sabem que eu adoro o acampamento meio- sangue, sabem também que agora arrumei um irmão e ele é importante para mim, não sei se fico ou se vou. – Nenhum deles respondeu.

Não sabia o que fazer, Brayan era meu único parente mais próximo, antes de tio Sandy. Sentia que meu irmão precisava de mim.

-Sabemos também que odeia esse lugar. – Tresh disse.

-E a maioria das pessoas daqui. – Jay terminou.

-É, mas eu tenho o Brayan. Meninos, eu não sei o que fazer.

-Era com isso que eu me preocupava. – Jay disse. – Você um dia ia ter que voltar para cá e um dia iria ter de decidir. – Ele estava com um olhar vago e triste. – Embora você seja namorada de Tresh, e eu tenha o meu namorado, ainda é minha amiga, a melhor. Não quero perder você. Mas seja qual for sua decisão, eu lhe apoiarei.

Foi compreensivo da parte dele e isso me acalmou. Até Tresh se manifestar.

-Nunca fiz nada de infantil, nunca de privei, nada. Não quero que fique aqui. Sabe que lá todos te tratam bem. Ta certo que demoraram um pouco, mas eu acho que seu lugar não é aqui. Quero que volte conosco. – Tresh estava sério.

-Não é o seu querer, tem uma pequena parte minha aqui.

-Mas e a maior parte? Está em Nova York e se chama Verona, Tyler, Meridia, Fred, amigos, namorado, e principalmente, tio Sandy.

Eu esqueci do tio Sandy. Não podia fazer que ele se mudasse para a Califórnia, ele já abandonara a Irlanda por mim. Agora o mercado estava indo bem, não podia fazer isso.

-Não sei o que fazer.

-Sou seu namorado, devo te apoiar. Quero ficar perto de você e se ficar aqui, será difícil. Pense com calma. – Ele simplesmente se levantou e saiu.

Tresh naquele momento não agiu como um filho de Afrodite, cadê a sensibilidade? Era uma decisão difícil a ser tomada. Preciso de ajuda, não que me lembrem o que eu tenho. Ou talvez precise.

-Está sendo difícil para ele, calma. Ele achou que fosse te perder, ele só está nervoso, confuso e com medo.

-Sei que eu deixei Brayan nesses tempos, mas eu me sinto mais próxima dele. E também tem Louis e Lottie. Jay, me ajude.

-Como seu amigo, faça o que você acha que tem que fazer. Esqueça Tresh por uns minutos, ta? Pense direito e me procure se precisar. Vou estar por ai. – Ele riu. Me deu um beijo no rosto. – Pense com carinho e cuidado.

Fiquei sozinha pensando. Os acampamento eram diferentes, campistas diferentes e regras quase semelhantes. Deuses, porque tinham que complicarem com tudo?

-O que vai fazer? – Era Brayan deitando em meu colo e sorrindo.

-Eu não sei.

Silêncio.

-O que você sentiu quando ficou longe de mim? – Perguntei.

-Eu não sei. Só senti que tinha ganhado uma irmã e mesmo assim eu a perderá.

-Brayan, você precisa de mim...

-Eu? Você precisa de quem te faz bem. Fiquei sabendo o quando odeia isso aqui.

Era verdade. Podia ser filha de Roma, porém o acampamento Júpiter era muito chato. As pessoas mais ainda.

-Não é assim tão simples. Somos irmãos e nós temos que nos unir.

-Não precisa de mais um garoto para você.

-Não fala assim.

-Mas é. Lá você tem o que tem e o que deseja. Você sabe que lá com os gregos não é nada militar.

-Adoro isso lá. – Sorri.

-Romana, faz o que você acha que tem que ser feito. Não se prenda por mim. Independente de onde estaremos, sempre seremos irmãos.

Tudo parecia ser mais difícil, tudo. Brayan saiu de lá e me deixou um tempo sozinha. Acabei subindo para o estábulo porque se eu cavalgasse talvez me sentisse melhor.

Estava colocando a sela em Relâmpago quando Tresh apareceu.

-Oi. – Ele disse encostando na cerca.

-Oi.

-Queria que você soubesse que, se você quiser ficar aqui eu entenderei.

Não respondi nada.

-Quer dizer, você é daqui. Sua origem toda é daqui. E se você acha que tem que ficar aqui com Brayan, quem sou para falar algo?

-Jay falou com você?

-Como sabe?

-É meio óbvio.

-Ele disse que mesmo longe nós estaríamos perto.

-Acho que não. Eu sentiria muito sua falta. Quer dizer, quem vai me tirar das brigas com os filhos de Marte caso fique aqui?

-Ou quem vai ceder o banheiro da sua coorte para você usar?

-É. – Às vezes lá no acampamento meio-sangue, Tresh me deixava usar o banheiro, porque o de Hermes estava uma fila muito grande.

-Quem vai te dar beijinho de bom dia? – Tresh pulou a cerca e veio me abraçar.

-Essa é fácil. O Craig.

-Não tem graça.

-Quem vai ter crise de ciúme se eu ficar?

-Engraçadinha. – Ele beijou o canto da minha testa. – Eu achei que fosse te perder para sempre. Se isso acontecesse eu não ia saber como lidar com aquilo.

-Da forma mais difícil você iria aprender, pois é.

-Me lembre de agradecer a Reyna.

-Tresh, obrigada por tudo.

-Tudo?

-É, desde o começo. Desde que eu arrumei briga com você, desde quando você cuidou de mim e eu neguei. Desde a vez em que eu te roubei um selinho e você não me achou idiota. – Sorri.

-Eu te achei atirada.

-Você quem me deu um beijo desentupidor de pia. Meu gordo. – Apertei a cintura dele, mas esqueci que agora ela não tinha onde pegar.

-Para sempre gordo.

-Tresh, quero te dizer algo. – Levantei minha cabeça e olhei nos olhos dele.

-Diga, senhora Slaterton.

-Ãn?

-Você nunca me disse seu sobrenome, então, se alguém perguntar é Slaterton. O sobrenome do seu homem.

-Garoto. – Corrigi.

-Ta, garoto. Mas continue, Slaterton.

-Ta. Tresh, eu...te am...eu, Tresh eu am… — Ele me interrompeu com um beijo.

-Não precisa me dizer nada. Sabemos o que sentimos um pelo outro. Não se preocupe com isso. – Ele me beijou novamente.

O resto da tarde eu fiquei com Tresh. Fizemos algumas coisas juntos, incluindo atividades do acampamento.

Decidi que iria tomar minha decisão ao longo da semana, afinal, tinha até terceira feira da semana que vem. Uma semana.

Antes do jantar Craig veio falar comigo.

-Fiquei sabendo do que aconteceu. Quase morre, em?

-Acho que tenho alguém a meu favor. – Dei risada.

-Cadê seu namorado?

-Acho que ele está tomando banho.

-Ah...

-Não pense em fazer nada.

-Eu estava pensando, mas não vou mais fazer.

-O que ia aprontar?

-Nada. Só puxar você para algum canto e te beijar a força.

-Você é um tolo.

-Um tolo muito lindo.

-Talvez. Prefiro o Jay e o Tresh.

-Quero te dizer, que se escolher aqui você me terá. Tenho certeza que você não vai agüentar ficar longe de mim enquanto o seu namoradinho estiver longe.

-Você viaja mais que eu. Se toque.

-Mas é verdade. Se eu tirar minha camisa você não vai me recusar.

-Eu te recusei muitas vezes, então não ia funcionar.

-Você está dizendo.

-E fazendo. Se eu quisesse te pegar, isso já teria acontecendo.

-O que te impede?

-Nada.

-Nem o Tresh?

-Claro que não. Se eu não gostasse dele eu já teria te pegado. Ele não é só meu namorado, em primeiro lugar ele é meu amigo. Confio nele, ele confia em mim, nós temos confiança. Eu tenho segurança com ele, Craig. Não teria isso com você. Tresh não me impede porque não precisa. Ele sabe o quanto eu gosto dele.

-Profundo.

-É. Diga a Tresh, caso veja ele, que vou tomar banho antes do jantar.

Craig saiu e eu fiquei pensado no que acabará de dizer. Disse a verdade.

Uns dias antes do festival da fortuna falei com Lottie e Louis para me ajudaram com a vingança de Octavian.

-Romana, eu não sei se isso é uma boa ideia. – Lottie disse.

-Pensa comigo, pelo menos não vou matar ninguém.

-Eu até gostei da ideia, temos só que arquitetar o plano. – Louis disse.

-Louis, não da corda para Romana.

-Lottie, por favor! Octavian é um mala, ele merece e você sabe. – Falei.

-É arriscado. Não só para você, mas para nós também. Ele vai desconfiar que nós te ajudamos.

-Não vai, não. Vai, é por mim!

Ela olhou para mim e para Louis.

-Tresh sabe disso? – Ela perguntou.

-E nem vai saber.

-É bom não me meter em encrenca, senhora Romana.

-Obrigada! – Abracei ela.

Agora era só esperar. Minha vingança não era uma coisa muito cruel, mas eu sabia que Octavian iria me odiar para o resto da vida.