Era dia 24 de Julho. Festival da Fortuna.

Todos estavam empolgados. Era o dia em que eles se divertiam. Uma diversão diferente. De manhã se via alguns campistas decorando alguns cantos do acampamento com tiras roxas. Tudo parecia mais animado.

No geral o Festival era para descontrair, todos lá adoravam essa data.

-Já tomou sua decisão? – Brayan veio conversar comigo enquanto estava enfeitando uma árvore.

-Sim. Espero não me arrepender.

-Seja lá qual for, acho que fez uma decisão sábia.

Aquela manhã fiquei com Brayan. Ele me contou que o relacionamento dele e de Meridia acabou dando errado.

-Você é um cara bonito, vai tirar essa de letra.

-Talvez.

-Porque acabou?

-Ela disse que precisava de alguém perto dela.

-Entendo. Ruim para ela, vai perder um cara lindo.

-Você é minha irmã, não conta se me acha bonito.

-Se você fosse feio eu te falaria. Não se abale por isso, ok?

-Não irei.

Fiquei meio mal por meu irmão. Gostava de Meridia, mas ela quebrou o coração de Brayan. Por uns trinta segundos tive vontade de bater nela, mas logo em seguida passou, lembrei que ela era gente boa, foi só uma coisa da vida.

Depois do almoço teve o sorteio para a clássica luta que era realizada no dia 24. Eram dois times. Os de azuis e os de amarelo. Eu fiquei com Louis e Jay em meu time, equipe amarela.

A luta seria realizada as quatro e o time vencedor receberia o troféu e as glórias na hora da celebração no Festival, de noite.

-Eu vou poder te bater. – Tresh me agarrou por trás.

-Eu também. E você sabe que eu levo a sério.

-É, eu sei. Por isso que eu não quero cruzar com você durante essa luta. – Ele riu.

-Boa sorte. Não se machuque, é sério! Os romanos não lutam só por passatempo.

-Certo. Você também. E sobre sua decisão?

-Hoje à noite.

Tivemos um tempo para nos prepararmos para a luta. Eu estava ansiosa, queria ação.

O fundamento da luta era o seguinte: entrar no território inimigo, acabar com os soldados, e colocar a bandeira da sua equipe do topo da outra equipe.

Às quatro horas em ponto a nossa luta começou.

Quando escutamos o cantar da águia a correria começou. Algumas pessoas que ficaram responsáveis pela linha de frente estavam suportando bem a investida da outra equipe. Eu fui para perto dos soldados na parte de cima, um pequeno altar improvisado. Lá acontecia as melhores luta.

Vi Jay sendo atacado. Ele acabou sendo ferido no braço, nada grave, porém fora rendido. Louis combateu três soldados, um deles sendo Lottie.

Lá em cima chegará o primeiro soldado.

-Esse é meu. – Craig disse chutando o peito dele e o fazendo cair.

-Craig, lá em baixo! – Uma garota gritou, e ele foi correndo ajudar.

Aos poucos vi o time azul adentrando em nosso espaço. Eles pareciam mais fortes.

-Bú! – Era Tresh. Estava com armadura e um elmo de crina azul. Empunhava sua espada na mão.

-Não vai passar por cima de mim! – Falei.

-Veremos. – Ele sorriu. Retirou o elmo e logo em seguida a armadura.

Ele avançou com a espada. Dessa vez não tive tanta dificuldade para desviar dos golpes de Tresh, eu já conhecia alguns.

-Se olhe quando estiver lutando. É tão fofa.

-Você fica com os músculos mais destacados. – Disse me esquivando de um golpe.

Segurei firme minha Adaga e parti para cima dele. A espada dele fez um pequeno rasgo na minha camiseta.

-Desculpe! Eu te machuquei?

-Está tudo bem! – Falei rindo.

-Que susto, me desc... – Eu passei uma rasteira no momento em que ele se distraiu. – Romana! Isso não vale!

-Me mostre às regras, filho da beleza! – Disse com minhas mãos em cima dos seus pulsos, mas ainda segurando minha Adaga.

-Engraçadinha!

-Ganhamos! – Olhei para cima e vi um campista colocando a bandeira da equipe azul no solo. Era Brayan.

-O que? Como...? Ahhhh! – Tresh tomou força e agora estávamos em situações opostas.

-E agora filha de carteiro?

-Engraçadinho! Saia de cima de mim, Tresh!

-Nana, Ni, Nana, Não!

-Tresh, sai! – Comecei a me debater.

-Ui, ui. Temos uma guerreira agitadinha. Para essa eu tenho um tratamento especial. – Tresh sorriu e tirou minha Adaga colocando ao lado de sua espada no chão.

-Tresh...

-Shiu. – Ele me calou com um beijo.

-Tem como vocês pararem de se lamber? Mesmo que sejam adversários?

-Esqueci do detalhe. – Tresh saiu de cima de mim.

-Minha adaga.

-Nem pensar, só à noite.

-Nem pensar, chega de graça.

-Não.

-Tresh!

-De noite.

Eu fiquei brava com ele. Tresh sabia que odiava ficar sem minha Adaga.

-Se algo acontecer a ela...

-Nada vai acontecer. Vá tomar banho. De noite temos a premiação.

De noite, o jantar seria servido lá fora, junto com a enorme fogueira acesa e a comemoração rolando. Tomei um banho, e claro, fui vitima das filhas de Vênus.

-É uma noite especial, Romana. – Uma me disse quando me recusei.

-Mas é uma noite especial! — Outra retrucou.

-Droga! – Acabei cedendo. Afinal, cinco contra uma.

Estava vestida com minha calça jeans nova. Nova mesmo. Nunca tinha usado, fora um presente de tio Sandy. Ela era clara e agarrada. Usei também minha camiseta do acampamento Júpiter, novinha em folha. Guardei meu tênis alado, e coloquei um all star azul claro. Roubado especialmente dos Stoll para mim.

-Ual! Você esta linda! Mais que o normal! – Tresh me disse quando me viu. – Quem fez isso com você?

Ele se referiu a minha maquiagem e cabelo. Estava com o cabelo de lado, com uma presilha brilhante no formato de uma asa. Rimel preto, batom vermelho. Podia reclamar de maquiagem, mas adorava rimel preto.

-Filhas de Vênus. Nunca escapo.

-Você está realmente bonita! Adoro sua beleza natural, mas... ual!

-Está me deixando constrangida. – E ele sabia que era verdade, pois eu me encolhia e ficava vermelha.

-Desculpe. Sei que não está acostumada.

Tresh também estava produzido. Blusa nova do acampamento, calça Jeans preta e um tênis casual.

-A onde arrumou essa roupa?

-Lottie. Gostou?

-Sim!

Encontrei o resto do pessoal. Lottie estava linda maquiada. Entendi o porque da surpresa de Tresh comigo. Jay e Brayan estavam com roupas combinadas. Louis com uma calça verde bem chamativa.

No jantar sentamos todos perto. Naquele dia poderíamos comer em qualquer lugar, perto de quem bem entendêssemos. A fogueira estava alta e bem quente. Um pop estava tocando e os campistas estavam se divertindo.

Depois do jantar houve a premiação do time azul. Todos do time ganharam uma medalha de bronze com uma águia na frente. Atrás estava ‘SPQR – Vencedores’. Brayan, foi o único a ganhar uma de ouro, por ter colocado a bandeira em solo inimigo.

-Agora, vamos voltar a nossa atenção para a Romana! – Reyna disse. Todos me olharam. – É chegada a hora de saber sua decisão, Romana!

Eu me levantei e fui para perto de Reyna.

-Boa noite, pretora.

-Boa noite. – Ela me respondeu. – E então?

-Gostaria de dizer que pensei muito em minha decisão. Pensei em cada pessoa e em cada acontecimento de minha vida. Espero que entendam. – Senti um frio na barriga ao ver todos me olhando. – Minha decisão é voltar com Tresh e Jay.

Ouvi o murmúrio da multidão.

-Você é fraca para ficar conosco! – A voz irritante de Octavian se manifestou.

-Silêncio! – Reyna ordenou, e todos se calaram. – Se essa é sua decisão, — Ela se dirigiu a mim – tudo bem. Mas é o que você quer?

-Sim, pretora. Eu pensei muito, e acabei chegando a essa conclusão. Espero que entenda.

-Eu não entendo, mas se assim é de seu desejo, não vou contestar.

-Obrigada. Podemos usar os cavalos para nos levar até o terminal rodoviário?

-Sim. Quando vão?

-Amanhã, às dez da manhã. – Eu ainda não tinha falado disso com os garotos, mas eles iriam aceitar.

-Tudo bem. Espero estar certa de sua decisão.

-Estou sim.

-Pretora, eu acho que está equivocada em deixá-la sair impune dessa. – Octavian disse.

-Octavian, agradeça que não vai mais ver, agradeça.

Ele fez uma careta. Rapidamente olhei para Tresh e Jay, que sorriam.

-Então, que continue a celebração! – E todos os campistas gritaram.

Falei com os meninos que queria sair as dez porque não agüentava mais aquela vida.

-Quer mesmo sair daqui? – Tresh disse.

-Sim. – Falei. – E vocês também devem estar sentindo falta de lá.

-Eu estou! – Jay disse.

-Você está com saudades de Fred! – Falei.

-Sim! – Ele riu.

-Já avisou para Reyna que quer ir embora esse horário?

-Sim. Amanhã vão nos ceder cavalos até a rodoviária. – Falei para Tresh.

-Que bom que isso acabou.

-Shiu! – Cobri a boca dele.

-O que?

-Isso atraí coisa ruim, Tresh!

-O que?

-Dizer que acabou. Nós somos semideuses, nunca acaba, e isso pode acabar dando errado.

-Puxa, isso é verdade!

Depois de ter comemorado o Festival da Fortuna, com danças, conversas e muita conversa fomos dormir.

-Guerreira, aqui está sua Adaga! Obrigada por voltar com a gente. – Tresh disse sorrindo.

-É o certo a fazer. Amigos, parente e namorado...todos em New York City!

-Obrigada! – Tresh repetiu.

Me despedi dele com um beijo e fui para minha coorte.

-Então, amanhã faremos o esquema! – Louis disse quando estávamos dentro da primeira coorte.

-É! O Octavian vai saber que não se meche comigo. – Falei.

-Espero não me arrepender. – Lottie disse.