Era de manhã e já tinha tomado o café. Minha mochila já estava com tudo pronto e a dos meninos também.

-Romana, quando você quiser. — Louis disse a respeito do plano contra Octavian.

-Preciso ver onde ele está. — Falei. — Está tudo em ordem?

-Sim. — Ele abriu um largo sorriso.

Fui dar uma olhada onde Octavian estavam, mas acabei me encontrando com Reyna. Aproveitei e pedi um favor a ela.

-Reyna, posso te pedir um ultimo favor?

-Depende.

-O cavalo, o que eu montaria para nos levar até o terminal rodoviário... Pode ser Relâmpago?

Ela pareceu pensar um pouco.

-Vai mesmo se juntar aos gregos?

-Acho que só passar uma longa temporada.

-É, me deixou um pouco mais tranqüila. Tudo bem em usar Relâmpago.

Não escondi minha alegria e comecei a pular. Eu adorava Relâmpago.

-Não pense em levar nosso cavalo!

-Só se eu quisesse abrir uma guerra. — Sorri. Agradeci ela mais uma vez.

Estava andando sem direção, pois tinha me esquecido de Octavian. Me encontrei com Lottie e Jay.

-Já estão se despedindo? — Falei.

-Ainda não. — Lottie sorriu.

-É legal saber que tem romanos que não nos querem ver mortos. Apenas comentando isso com ela. — Jay disse.

-Vocês se deram muito bem, fico feliz.

-É. Achava que alguns gregos fossem...ãn...estupidamente estúpidos!

-Alguns sim. — Falei. — Mas isso é detalhe.

-Antes que eu me esqueça, Tresh estava te procurando. — Jay disse.

-Droga! É verdade! Ele me pediu para encontrá-lo, mas eu esqueci. Obrigada!

Antes de sair para ver as ultimas coisas Tresh tinha dito que queria falar comigo. Combinamos que seria na margem do pequeno Tibre, e de acordo com o meu senso estava atrasada uns quinze minutos.

Ele estava sentado com os pés na margem. Uma cara de emburrado, um bebê lindo emburrado. Tresh já estava com a blusa laranja do acampamento por baixo da roxa, sua típica bermuda solta, e seu tênis preto e azul.

-Me desculpe! Me desculpe! — Falei o abraçando por trás.

-Eu não deveria. Quinze minutos.

-Eu sei! Eu acabei me esquecendo, eu estava ocupada.

-Com o que?

-Com... — Pensei um pouco. Tresh ainda não sabia sobre a vingança, não iria contar agora. — Ah... Só algumas brigas por ai.

-Romana...

-Louis. Estava com ele, calma.

-Menos tenso. — Ele deu risada. Sentia suas mãos molhadas tocarem as minhas, que estavam em volta de sua cintura. — Senta do meu lado, quero falar olhando para você. — Eu estava sentada por trás dele.

-Diga o que te incomoda, meu bem.

-Não sei como falar isso. — Ele estava nervoso. Ele mexia nas mãos.

-O que aconteceu? Suas mãos...

-É que não sei como começar.

-Você está me deixando nervosa.

-Só não sei como começar isso.

-Você quer terminar comigo? — Sugeri.

-Não. Claro que não! Bem, é só que... É que você está voltando com a gente por ser sua decisão, não é?

-É... Mas o que tem isso?

-Não está se sentindo forçada a fazer isso por mim, não é?

-Como assim?

-É que eu te disse aquelas coisas, e talvez isso tenha influenciado. Eu quero muito que você volte, mas não que se sinta obrigada a deixar Brayan por minha causa.

-É, eu estou voltando por você, garotão. Mas não só por isso. Tio Sandy, Jay, o pessoal. Eu gosto mais de lá. Eu até chamei Brayan para ir com a gente, mas ele não quis. Ele adora aqui.

-Mesmo?

-Assim como Tresh e Romana juntos.

-Gostei dessa definição. — Ele me abraçou. — E se você ficasse eu iria ter chilique. E eu também iria pesar sua consciência para ir comigo. E...eu dei um soco em Craig.

-O que?

-Despedida. Mas nada aconteceu. Separaram a gente antes de nos matarmos.

-Não me faça besteira no ultimo dia. – Disse a ele, como se eu não fosse aprontar nada. – O pessoal está preparando os cavalos para nos acompanhar. Eu vou lá.

Os cavalos já estavam posto para fora do estábulo. A hora de irmos se aproximava.

Hora de colocar o plano em ação.

-Lottie, já pode ir. – Falei para ela quando nos encontramos no horário combinado.

A primeira parte do plano estava sendo colocada em prática. Na noite seguinte combinamos de Lottie avisar um campista para chamar Octavian, mas não dizer que nós estávamos por trás de tudo. O garoto foi Spencer, um dos campistas da primeira coorte.

-Louis, vamos. – Subimos a uma à única parte alta que tinha ali no acampamento Júpiter, era perto dos templos.

E lá vinha o espantalho humano, Octavian se aproximava.

-Quem quer falar comigo? O que está acontecendo aqui? Quem fez isso? – Ele estava rodando a área toda.

O meu plano basicamente foi colocar todos os ursinhos de pelúcia dele para o lado de fora do templo. Mas claro, com um complemento.

-Quem se atreveu colocar vocês aqui fora? – Ele se aproximou dos bichinhos.

-Quem você acha, querido? – Falei descendo de uma árvore.

-Romana! Como você se atreve?

-Vamos ver... Você fez eu lutar até a morte, você acabou comigo aqui dentro, você é uma pessoa chata. Ta ai!

-Coloque isso para dentro, agora!

-Ou...? Eu vou embora, estou livre! E só mais uma coisa, isso é por Tresh, também.

-Você está louca?

-Sou mais ainda quando mechem com meu namorado.

-O que você quer?

-Ver o bicho pegar fogo! – Ri. -Tenho uma proposta.

-Qual?

-Vem aqui.

-Não. – Ele falou.

-Então eu vou até ai. – Tirei minha Adaga da cintura.

-Você quer lutar? – Ele retirou a sua faca da cintura.

-Claro que não. – Falei. — Quero só que você veja uma coisinha.

Guardei minha Adaga e segurei no pulso de Octavian.

-Me larga!

-Olha, eu quero ser rápida, ta? Você já beijou uma garota?

-Que tipo de pergunta é essa? Isso não é da sua conta!

-Me dê um beijo!

-Você tem um namorado. Eu nunca beijaria você!

-A é? – Puxei ele pela gola da camiseta e o levei até a árvore.

-Me larga! Eu vou furar você.

-Eu te dou um beijo e depois me fure, ta?

Foi muito engraçado ver a reação de Octavian. Acho que nenhuma garota chegou tão perto dele quanto eu. Encostei-o no troco e ele ficou me olhando, ele tinha parado de se debater.

-É só encostar os lábios... – Falei me aproximando.

-Você não tem um namorado?

-Talvez... – Sorri.

Octavian estava corando cada vez mais enquanto eu me aproximava.

-No fundo eu sabia que você me desejava! – Ele disse.

-Sempre...

Foi até fácil pegar a corda atrás da árvore e amarrá-lo.

-Você não ia me beijar?

-Já olhou para Tresh? Eu não preciso de nenhum outro menino para beijar além dele.

-Me tire daqui! O que vai fazer comigo e com os bichos de pelúcia? – Ele se debatia entre as cordas.

-Veja! – Sorri. – E só mais uma coisa, isso é pelo que fez com Tresh. – Segurei o cabelo dele e dei-lhe um soco na boca.

-Aaaaah! – Ele gritou.

-Agora, saboreie a vingança.

Peguei um isqueiro que estava em bolso e fui em direção aos ursinhos.

-Não vai pegar fogo, não tem álcool, sua tonta.

-Já fui esperta e coloquei alguns minutos antes. Agora sofra! – Ascendi o isqueiro e coloquei em uma das patas de um pelúcia. – Eu deveria colocar fogo nesse seu chumaço de cabelo loiro. Mas tenho que ir embora.

-Louca! Apague isso! Apague agora! Apague!

-This girl is on fire! Ops, o certo é pets, não é? This pets is on fire, talvez? Burn baby, burn baby!

Então esse era meu plano, queimar a pilha de ursos de pelúcias de Octavian na frente dele, e ele de mãos atadas sem poder fazer nada. Tudo era dedicado aqueles brinquedos e ele realmente tinha afeto por eles. Ele tinha. Louis e Lottie me ajudaram em algumas coisas.

-Até um dia, cara de pastel! Espero que o fogo te atinja!

Desci correndo até onde Fora marcado para ir embora. Enquanto corria escutava os gritos de Octavian pedindo ajuda e me ofendendo em latim.

Quando cheguei Tresh estava de mãos dadas com Louis e Jay abraçando Brayan.

-Onde você estava? – Perguntou Tresh.

-Eu conto mais tarde. – Sorri.

Reyna estava com uma pequena comitiva de soldados. Craig estava lá.

-Espero que tenham uma boa viajem, Romana. E gregos. – Ela olhou para eles com indiferença.

Também notei que tinham algumas campistas por perto.

-Jay e Tresh, vocês dois arrumaram tanta amizade assim? – Falei.

-Não sei de nada. – Tresh disse. – E eu vou querer saber onde você estava.

-Já disse que depois. – Disse.

Me despedi de Louis e de Lottie.

-Cuidem-se, e cuidem de Brayan. Nada de filhos na adolescência.

-Digo o mesmo para você e Tresh! – Lottie retrucou.

-Cale a boca, vocês dois já se viram nus.

-Não saia falando isso para todo mundo. – Louis riu.

-Obrigada por tudo! Você sentir a falta de vocês.

-Nós também. – Louis me abraçou.

-A gente vai se ver de novo? – Lottie perguntou-me.

-Eu não sei. Mas espero que sim. – Nos abraçamos e fui para a direção de Brayan.

-Afinal, o que tinha naquela caixinha que Meridia te deu?

-Um pégaso de bronze. Uma lembrança legal.

-Você vai ficar bem?

-Vou.

-Sabe, se quiser tem espaço na família. Tio Sandy vai até gostar...

-Eu vou sim ficar bem, Romana. Você que deve se cuidar.

-E vai! Ela tem um enfermeiro para ela! – Jay gritou.

-E um namorado. – Tresh gritou em seguida.

-Deixe eu me despedir em paz, silêncio os dois! Continuando... Brayan, obrigada por tudo! É bem legal ter um irmão, e você faz isso direito.

-Eu tento. Tenho que agradecer aos deuses por te mandar, eu realmente amo ter quem eu possa confiar.

-Pode mesmo. – Sorri.

-Alguém ta sentindo cheiro de queimado? – Um dos soldados disseram.

-Essa é a minha deixa. Obrigada por tudo, fique bem, ta?

-Ok, senhorita.

Demos um forte abraço e fiquei com medo de não vê-lo mais.

-Craig, até mais. – Tresh me olhou torto quando fui até Craig.

-É uma besteira isso, tipo, ir embora com eles. – Ele balançou a cabeça.

-Minha decisão.

-Errada a sua decisão.

-Foi bom te conhecer. – Sorri.

-Foi bom também. – No abraçamos.

-Obrigada Reyna, eu vou me lembrar de tudo isso. – Falei para ela em sua direção.

-Talvez você seja cobrada. Que cheiro de queimado é esse?

-Reyna, temos que ir. – Sorri. Era bom eu sair logo antes que descobrissem. – Mas uma vez obrigada.

-Adeus, Romana. Talvez até logo. – Ela me disse.

Montamos nos cavalos e saímos de vez do acampamento Júpiter.