Greco-romana: O Segundo Lado

22 Lutar como Roma antiga


Durante a tarde, depois do almoço fomos retiradas para nos prepararmos.

-Pessoal, não precisa disso. Quer dizer, acho que eu volto. – Falei isso quando Tresh e companhia se juntaram em uma fileira para me desejarem sorte.

-Qual é? Precisa de um agrado. – Louis riu. Era o primeiro da fila.

-Obrigada. – Sorri.

– Boa sorte. — Louis me abraçou.

Logo em seguida vinha Lottie, ela estava com uma reação triste.

-Eu ainda poderia ter assumido tudo. – Ela me deu as mãos.

-Já falamos sobre vocês não assumirem mais meus problemas. – Sorri.

-Boa sorte. – Ela me abraçou.

Agora era a vez de Brayan.

-Romana... – Ele me abraçou e estava com algumas lágrimas.

-Ei, para! Já viu sua irmã matar caras daquele depósito, lembra? Eu dei um jeito neles, e foi mais difícil.

-Sim, mas... Droga! Só tome cuidado. – Ele me soltou e enxugou as lágrimas – Isso é para você. – Ele me deu um pequeno frasco com néctar. Eu agradeci.

Jay estava do lado. Ele me fitou com seus olhos claros.

-E minha encrenqueira se encrencando de novo. – Ele me deu a mão.

-Pois é. Inevitável. – Sorri.

-Isso é para você. – Ele estendeu a mão e colocou nas minhas o seu soco inglês, no qual era um escudo.

-Jay, não há necessidade disso!

-Romana, não torne as coisas difíceis, em? Isso é um presente de luta. Mas isso é emprestado.

-Tudo bem, se for emprestado eu aceito.

Jay me abraçou.

-Cuidado. Sobreviva, e me devolva o escudo em minhas mãos.

Ele me soltou. E prossegui, e por fim, Tresh. Cabelos bagunçados, olhos castanhos mel e sua beleza. O cara bonitão.

-Não faça essa cara. – Falei para ele.

-Não faz assim. Sabe que só estou preocupado.

-É, eu sei.

Ele assentiu.

-Quer eu ou ela? – Perguntei.

-Que tipo de pergunta é essa?

-É o tipo de pergunta que quero uma resposta. Quer eu ou ela? Uma de nós vai sair dessa, e com vida. E aí?

-Sabe que é você...Sabe que eu não gosto da idéia de ter que matar alguém.

-Quer eu viva?

Ele hesitou.

-Quero. – Ele falou.

-Certo. –Falei.

– Isso é para você. – Ele me deu sua espada em uma bainha. – Sei que você não sabe manejar espada direito, mas é um presente emprestado. Vai me deixar mais seguro.

-Tenho meu cinto de facas que Brayan me ajudou a escolher. Mesmo assim, obrigada. – O abracei.

-Sobreviva, por favor! – Ele me beijou.

-Eu vou voltar. – Falei.

No beijamos novamente. Perdemos alguns segundos.

-Torna as coisas sempre mais difíceis. – Pendurei no pescoço de Tresh.

-Você mais ainda. – Ele me beijou no rosto.

-Preciso ir. Vamos nos beijar de novo, bonitão.

Sai correndo para que as coisas não fossem mais difíceis.

À hora da luta enfim chegou. Na réplica do Coliseu nós estávamos dentro de um calabouço com grades. Ela seria aberta quando autorizassem o início da luta.

Fique na sombra, pois o sol pegava a parte da frente. Dentro do calabouço vi os campistas enlouquecidos. No topo, em um altar estava Reyna, Octavian e as demais autoridades do acampamento. Ouvia a multidão indo à loucura.

-Então vamos dar início à luta! Que entrem as competidoras pela vida. Lembrando que não há vencedora sem uma morte. – Era a voz de Reyna.

As grades se abriram e saímos. Cada uma de seu calabouço.

A multidão estava ovacionada. Estava indo a loucura. Eu não soube dizer se eles estavam empolgados com a luta e com a diferente atração, ou com as roupas que usávamos.

Estávamos vestidas como lutadoras sensuais. Não sei de quem foi aquela idéia, mas não tinha gostado de expor meu corpo daquela maneira.

Amanda estava com o cabelo amarrado. Seu traje eram sutiãs de aço. As ombreiras eram embutidas junto com o sutiã. A barriga toda exposta, e também usava uma saia. Tudo na cor bronze. E claro, típicas sandálias romanas.

Eu também estava vestida, ou melhor, quase despida. Meu traje era quase igual, só havia algumas mudanças. Por exemplo, minha ombreira era como se fosse uma mini-blusa, cobria a metade das costas e tinha uma grande gola protegendo o pescoço. Era só isso o que mudava, e a cor do traje, que era prata. Na minhas costas estava a espada de Tresh. Eu tinha um cinto com as facas. E na minha mão o soco inglês.

Vi Tresh e o pessoal na primeira fileira. Também vi alguns cartazes como ‘Romana vai pegar a novata fácil’ , ‘Amanda é fraca mas talvez ganhe’ , ‘Romana traidora, se bandeou com os gregos agora morra’, e por ai ia.

Dei uma rápida olhada na arena. Só eu e Amanda. Ela estava com uma espada na mão, se ela sabia usar, iria descobrir.

Rodamos. Nenhuma atacou.

Dois portões se abriram e de lá duas coisas grandes saíram de lá. Leões.

-O que? Não existem leões na Califórnia!

A multidão pareceu mais empolgada. Olhei para o Octavian e ria. Como não esperar algo dele?

O leão que estava vindo em minha direção me chamou a atenção, pois estava com um cinto de couro em suas costas. Reparei que tinha algo nele. Minha Adaga. Reyna uma boa líder e sempre com idéias ótimas. Confesso que foi uma boa sacada. O problema seria pegá-la.

Ia dar uma olhada para trás, porém o leão investiu. Eu esquivei para a esquerda rolando no chão e abrindo o escudo de Jay. Fique de pé e retirei uma das maiores facas. Não avencei, esperei que ele viesse. E veio. Quando ele veio com sua boca aberta para me devorar joguei o escudo com força em sua boca, que fez uma parte do dente do animal se quebrar. A fera ficou mais brava e investiu de novo. Minha Adaga seria bem mais útil, então, quando a fera avançou me pendurei em sua juba e ele saiu me arrastando. Tentei manter o controle, que depois de umas três vezes de ter batido meus joelhos no chão foi possível. Eu consegui subir em cima dele, e enfiei uma faca em suas costas.

Ele diminuiu a velocidade, tirei a faca das costas de novo, e enfiei em um outro local. A fera me derrubou de suas costas. Ela estava mais lenta, porém ainda queria me matar. Enquanto eu estava caída no chão vi ele vindo com toda velocidade. Me levantei e peguei a tempo o escudo de Jay. Quando o leão estava a mais ou menos dois metros de distância, eu abaixei e me cobri com o escudo, ele veio para cima de mim e o impacto foi mais potente do que eu preverá. Com muita dificuldade levantei com as patas do leão sob o escudo. Agora na mão eu estava com três facas, que foi diretamente para o pescoço dele. A fera pareceu meia tonta, tentou golpear de novo, ele ainda estava forte. Peguei rapidamente a espada de Tresh e desferi no pescoço. Ele caiu, morto.

Estava arfando, fiquei muito cansada em pouco tempo. Minha motivação aumentou, pois eu ia ter minha Adaga de volta. Usei a espada para cortar o cinto de couro. Assim que peguei minha Adaga na mão abri um largo sorriso.

Olhei para trás e um leão estava sobre o corpo de Amanda. Achei que ela havia sido morta, mas depois vi que o corpo do bicho se ergueu e de baixo dele ela sairá com uma parte da testa sangrando.

Eu fiquei parada, esperando que ela me atacasse, mas ela ficou parada. Ouvi mais um portão se abrir. Quando me virei haviam três soldados de aço, com mais ou menos 1,90 de altura.

Eles vinham caminhando até mim. O que me fez recuar, mas parei, pois o corpo do leão me atrapalhou. Achei que do outro lado também tinha sido aberto os portões para Amanda também lutar, mas os soldados estavam só em minha direção.

Olhei para cima e vi o riso psicótico de Octavian. Minha raiva foi grande, pois como era possível virem guerreiros de aço só para o meu lado? Coloquei minha Adaga na parte de trás da minha saia e segurei a espada de Tresh.

Eles me fecharam em uma formação de circulo. Os três carregavam uma lança. O primeiro tentou me acertar, mas quando eu abaixei a lança atravessou a lança do segundo, que caiu com faísca em todo o corpo.

Levantei a espada com muita dificuldade e desferi em seu braço de aço esquerdo. Uma leve faísca saiu, mas isso não o retardou. O terceiro vinha vindo em minha direção, então esperei ele chegar uma distância boa para poder atacá-lo. Quando ele chegou perto sua lança veio de encontro com a espada, bloqueei o golpe, mas senti uma pancada no ombro.

Foi quando cai e vi os dois soldados com as lanças apontadas. Meu ombro doía bastante, mas fiz o possível para levantar. Soube que o golpe que queria realizar tinha que ser certeiro, ou seria em vão.

Levantei rapidamente tentando ignorar a dor no ombro, a espada fez uma diagonal fazendo o corpo do terceiro soldado cortar-se. Foi uma chuva de faísca, sai de lá rapidamente.

Agora restava só uma lataria a ser derrubada. Ele veio para cima de mim com a lança e me esquivava como podia. Conseqüentemente fui avançando para o lado de Amanda, que empunhava sua espada.

Reparei que tinha chegado perto dela quando senti uma dor nas costas. Ela havia me cortado. Me virei rapidamente e ela sorria como se já tivesse ganho.

-Vou acabar com essa palhaçada. – Amanda passou do meu lado e vi ela travar uma luta com o guerreiro de aço.

Enquanto ela estava ocupada tirei de meu sutiã o frasco que Brayan me dera. Virei tudo na boca e em questões de segundos o Néctar estava fazendo efeito.

-Você não agüenta nem com você. – Falei golpeando o soldado por trás. Ele cairá e estava soltando faísca.

Peguei o escudo de Jay e o fechei, deixando-o como soco inglês. Coloquei a espada de Tresh de volta na bainha que estava em minhas costas. Caminhei até o leão morto e retirei minhas facas dele as colocando no meu cinto.

-Eu teria dado conta dele sozinha. – Ela me disse quando me aproximei.

-Cala a boca. Vamos logo acabar com isso.

Só com o soco inglês na mão fiquei parada na frente dela, que por sua vez não atacou.

Então eu agi. Minha perna levantou em noventa graus e meu chute acertou o peito dela, vi ela desmoronando e a multidão gritando.

Peguei ela pelo rabo de cabelo.

-Vou te mostrar que seu maior erro foi mexer comigo e ter me chamado para esse duelo.

Joguei o rosto dela com toda a força no chão. O nariz dela começou a sangrar. Dei espaço a ela e me levantei.

-Essa foi por ter magoado o Tresh. – Falei. – Levante e venha lutar.

-Sua vadia! – Ela levantou e segurou firme a espada.

Ignorei o xingamento, afinal aquilo nunca servira para mim.

Ela veio correndo para me acertar. Eu lembrava que havia treinado como desviar de golpes de espada com Tresh, quando ainda estávamos no acampamento grego e ele ainda era um gordo. Desviei daquele golpe facilmente.

Todos os golpes que ela tentou foi frustrados, o que fez Amanda ficar irritada, largar a espada e partir para cima de mim.

Suas mãos foram de encontro com meu pescoço. Ela me apertou com toda sua força, confesso que ela tinha me pego de surpresa. Como o soco estava em minha mão o utilizei e aquilo deixou o rosto dela sangrando, e muito. Se ela saísse viva dali ela precisaria de no máximo cinco plásticas para que o rosto dela ficasse da mesma forma.

Com dor, ela caiu no chão com a mão sob o rosto. Larguei o soco e fui para cima dela. Fiquei sob seu corpo e minha mãos estavam avulsas.

-Esse é por me desafiar! – Dei um soco nela. – Esse é por me humilhar! – Mais um. – Esse é por ter achado que eu fosse fraca. — O ultimo até ela ter força e mover as mãos para o meu cinto.

Ela pegou uma faca, e naquele momento senti uma dor muito forte. Me dei conta tarde de mais. Uma de minhas facas estavam enfiada em meu abdômen.

Olhei para o lado e vi meus amigos com cara de espanto. Foi um golpe certeiro e surpreso.

Eu tombei para o lado. Fiquei sob meus joelhos a procura de ar. Respirar doía e aquilo tinha muita pressão. Havia sangue por toda a parte. Fiz o que tinha que ser feito. Segurei firme o cabo da faca e a retirei, mas ela não saiu. Faltou uma boa parte.

-Eu te ajudo. – Amanda estava com o rosto cheio de sangue. Ela segurou pelo meu coque e retirou a faca. Quando senti ela sair de mim, Amanda chutara meu ombro e eu cai.

-Eu não...Não te desafiaria se não soubesse que ia sair viva.

Eu queria xingar ela, mas não conseguia abrir a boca. Doía muito, meu abdômen latejava, e queimava como fogo.

-Meu rosto, você destruiu meu rosto. Mas não tem importância, Tresh vai me querer assim mesmo. – Ela estava de pé. – Olha o desespero dele.

Ela pegou de novo em meu coque. Quando ela me colocou sentada, vi Tresh gritando e com lágrimas em seu rosto. Jay estava com a mão sob os olhos. Brayan estava gritando com os guardas para deixá-lo entrar. Lottie e Louis estavam abraçados, segurando as lágrimas.

-Eu ganhei. – Ela me jogou de novo no chão. Eu gemi de dor. Ela sentou em cima de mim e tirou meu cinto. – Vou retirar isso para não ser tão burra quanto você. – E o jogou de lado. – Tresh é meu, e você agora morre. – Ela colocou a lâmina em meu pescoço. – Ultimo pedido?

Tentei falar.

-Qu...

-Fala! – Ela colocou o ouvido perto de minha boca.

Foi o erro dela.

Minha Adaga era minha ultima chance. Estava com a mão para trás, foi quando senti o cabo dela e a peguei na mão. Assim que eu vi ela se aproximando, golpeei. Precisei de mais força que o normal.

E foi. A boca dela agora estava jorrando sangue e os olhos dela haviam virado na hora.

Amanda fora morta com um golpe de Adaga no pescoço.

A espada caiu sobre mim. O peso dela também, o que me fez cair e ela cair em cima de mim. Joguei ela para o lado e tentei me levantar.

-Quem...quem é...vadia? – Olhei para Tresh, que estava surpreso.

Dei uma ultima olhada, e vi Octavian morrendo de ódio.

Minha visão turvou, minha cabeça doía e rodava. A dor fora grande e a perda de sangue maior ainda.

E tudo escureceu.