Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino

5 Capítulo 5 - Descobrindo Meus Poderes


Roxye me armou dos pés a cabeça, com uma armadura um pouco leve. Não parecia leve para ela, mas não me incomodara em nada. Ela me deu mais uma faca, que pendurei no cinturão de couro da armadura. Ela também usava uma armadura, não era inteira, mas isso iria ajudar ela a se locomover melhor, ela também tinha uma faca no quadril. Roxye abriu a porta devagar, olhou para os lados, então mandou eu sair. Seguimos observando o topo do vale, mas não havia nenhum sinal dos Cavaleiros de Chardes — Eles eram os guardas de Lunia Schorban, a Bruxa Maior do fogo, do pecado e da traição — Acho que tinham ido para a aldeia, tomara que não encontrassem nós. Mas nossa sorte foi pouca. Enquanto descíamos o enorme vale verde, um grupo de 10 Cavaleiros nos viram, eles estavam subindo a colina, e quando nos viu, murmuraram algo, e saíram em nossa disparada. Roxye me jogou no chão sem mesmo eu me dar conta do que acontecera — um Cavaleiro jogara uma lança em minha direção — Então Roxye apunhalou o seu enorme arco dourado, e com uma flecha só, acertou bem no rosto do Cavaleiro, que caiu sem fazer nenhum barulho na grama verde e macia.

— Vamos para a direita — Disse-me Roxye — Vamos tentar atrair a atenção deles.

— Certo — Assenti — Vamos rápido. — E saímos em disparada para a direção da direita.

Como havíamos previsto, todos os Cavaleiros correram em nossa direção, porém nenhum mais jogou nada em nós, acho que com medo de levar uma flechada no meio da cara, como Roxye fez com o outro Cavaleiro. Corremos o mais rápido possível, mas os Cavaleiros também corriam rápido demais. Então tive uma ideia.

— Vamos nos dividir Roxye. Você vai para a direita e vai entre as pedras. E eu desço o vale.

Ela me olhou com uma cara de: quem é você pra me dar ordens? Mas ela assentiu com desprezo e fez o que eu falei. Desci o vale em uma velocidade absurda. Era como se a grama fosse parte de mim. Eu pisava tão levemente, que parecia estar flutuando.

— Ele já está reconhecendo seus poderes — Disse um Cavaleiro logo atrás de mim — Precisamos matá-lo. Agora mesmo.

Eu não sabia do que estavam falando, mas então eu parei, virei para trás e disse, apunhalando a ex-espada do pai de Roxye:

— Estou louco para matar cada um de vocês. Venham.

Os Cavaleiros hesitaram um pouco, mas os 6 que ficaram para me pegar, vieram em minha direção, e a única coisa que eu me lembro era de estar de joelhos no chão, com a espada de vidro negro do pai de Roxye, cheia de sangue. Roxye veio em minha direção, com os olhos arregalados.

— Você...você é...você foi fantástico. Essa espada, esse solo, você é mesmo o herói, o verdadeiro herói.

— E por algum momento você achou que eu não fosse o herói? — Disse a Roxye, levantando e fazendo um leve sorriso no canto da boca.

— Não...não é isso, é que alguns heróis, ou seja, todos fracassaram, até mesmo meu pai. E você está caminhando para a vitória, o jeito que você conseguiu fazer aquilo...foi...foi fantástico.

— Mas seu pai derrotou um Bruxo Maior. Ele não fracassou.

— Você ainda não sabe de tudo, não é Greco? Existem 6...quer dizer 5 Bruxos Maiores. Meu pai só conseguiu matar um. E isso deu a ele alguns anos de vida. Ele precisava arrumar uma mulher, e ter muitos filhos. Meu pai teve 9 filhos, e eu sou a mais nova. Meus outros irmãos e irmãs foram para qualquer lugar que eu não faço ideia. E eu fiquei como Borbon de Lunia, todos eles devem estar trabalhando em reinos, ou construções.

— Qual dos 6 Bruxos Maiores, seu pai matou?

— Blacko. Ele era o Bruxo do medo, da escuridão, da solidão, e da inocência. Ele era muito mal, mas parecia não saber o porque de nada. Ele era mal, só porque falaram que ele deveria. Meu pai disse, que ele não foi fácil matar, mas talvez, sentiu dó dele.

— Não devemos sentir dó deles, é...Lunia prendeu meus pais, e mesmo eu não lembrando direito de como eles são, eu sinto muita raiva dela por isso. Ela vai matar eles, mas eu preciso me preocupar com mais coisas primeiro, e também não quero ver eles virem corvos, nem eu, nem ninguém.

— Meu pai fez a mesma coisa, ele se deu o máximo, mas seus pais viraram corvos, como punição. Ele não matou os 6 Bruxos Maiores, e isso fez ele pagar um preço. Ele viveu até os 50 anos trabalhando feito escravo em minas.

Por um momento, eu senti dó de Roxye, mas ai lembrei que eu estava quase na mesma situação.

— Precisamos sair daqui — Disse a Roxye — Precisamos acampar em algum lugar afastado.

— Se conseguirmos passar pela divisão, iremos entrar em uma floresta, e talvez do outro lado, podemos achar o Caneca dos Ladrões, talvez Godofredo e Guilhermina possam nos arrumar um quarto.

— Eles são os donos do bar? Aquilo é um bar?

— Sim, e é o dono, e não donos, menino tolo. Bom, vamos seguindo.

Eu não entendi de cara, mas assenti e comecei a descer mais o vale, junto a Roxye. Descemos o vale em disparada, eu não conseguia ver outra coisa, a não ser grama verde. Mas em um momento, se Roxye não tivesse me segurado, eu teria batido de cara em uma parede invisível.

— O que é isso? — Disse a Roxye — Ah, e...obrigado.

— Isso é a divisão do Reino de Lunia — Disse-me Roxye — Se passarmos por aqui, iremos chegar naquela floresta que eu te disse, lembra?

— Então vamos, ué. O que estamos esperando? Rápido.

— Você não usa a cabeça. Como vamos passar por essa parede invisível? Precisamos achar a pequena porta.

— Não precisamos lutar né?

— É claro que não. Me ajude a achar a maçaneta.

Não demoramos muito...e já estávamos quase desistindo, era impossível achar a maçaneta no meio do nada. Roxye olhava para trás nervosa, se alguém no castelo fosse à janela, iria nos ver, e chamar os Cavaleiros de Chardes. O sol batia de trás da parede, vindo em direção ao lado que precisávamos ir. Então uma ideia louca subiu a minha cabeça.

— Roxye, rápido, preciso de um espelho, ou algo que reflita luz, minha espada não serve. Mande sua faca de prata. — Ela tirou do bolso uma faca de prata que reluzia a luz do sol, podíamos ver a luz refletindo no chão através da espada. Roxye, percebeu isso, e sorriu.

— Você usa a cabeça sim, rápido, ache essa porcaria de maçaneta logo.

Refleti o sol atrás de mim, coloquei a faca do lado do meu corpo, refleti na parede invisível. Não achei nada, até que mais ou menos uns 2 metros do chão, estava uma maçaneta quase transparente como a parede, se não tivesse aquela ideia, acho que a essa altura, já seria um corvo.

Mandei Roxye subir em mim, e então ela abriu a maçaneta. Pulou do outro lado e jogou a corda que estava em sua bolsa para mim. Eu fui subindo por ela, e cheguei até a pequena porta — que se fosse fosse um pouco gordo, não iria passar por ela também. A paisagem era completamente diferente. O céu era cinza, como nuvens de chuva de granizo. Ouvia-se rugidos de animais, e o chão era de terra molhada. Fazia muito calor, ali era um lugar extremamente úmido. E bem em nossa frente, estava a maior floresta que eu já vira. Ela tinha muitas árvores enormes, de todos os tipos, mas não era tão escura como a Floresta dos Corvos.

— Não me diga que... — Disse a Roxye —...que essa floresta tem corvos também.

— Felizmente não, Greco — Disse uma voz que eu desconhecia, logo atrás de mim — Bom, eu sou Carybin, o rei da floresta. — Era uma voz de tigre.