Greco Schmidt - Em Uma Viagem Sem Destino
6 Capítulo 6 - Nunca Confie em Místicos
Bom, eu nunca falara com um tigre, ainda mais um tigre Rei das Florestas. Carybin me pareceu tranquilo quando eu olhei com os olhos arregalados para ele. Ele tinha pelo menos, a minha altura, quando estava nas quatro patas. Sua pele era laranja com listras pretas, algumas falhas em sua pele, o deixava mais branco. Tinha olhos cor de ouro, e um bigode enorme. Ele poderia ser imortal, ele tinha o pelo lustroso, e mesmo parecendo novo, não deveria ter virado o Rei das Florestas assim, de um hora para outra. Olhei para Roxye, ela não estava espantada como eu, acho que ela contia um riso. Talvez porque estava acostumada a ver pessoas como eu, olhando para o tigre. Olhava para ela, pensando em o porque dela estar rindo, mas logo desviei o olhar, pois Carybin, ou tigre Rei das Florestas, disse:
— Então é você Greco Schmidt, é um prazer. Bom, acho que estou aqui para ajudar vocês atravessarem a minha floresta. Porém, não irá ser de mão beijada...
Agora, nem mesmo Roxye tinha a cara de tranquilidade, ela tinha a mesma cara que eu tivera quando olhei para Carybin na primeira vez, porém não pudi rir dela agora, pois eu também estava surpreso, e confuso.
— Me desculpe, Senhor das Florestas — Disse Roxye — mas não entendi o porque de você estar nos falando isso. Podemos atravessar a floresta sozinhos.
— Roxye Ruschel, acertei? Pois bem. Não sei quem deu essa informação a você, minha jovem. Mas a floresta guarda enormes perigos.
— Com licença Senhor, preciso falar com Greco um instante. — E então Roxye me puxou para o lado, e mesmo sendo levado por ela, não tirei meus olhos de Carybin, era fascinante olhar para ele. Ela me levou para atrás de um arbusto e falou:
— Ele é o Rei das Florestas, alguma ideia de quem seja?
— Não — Disse eu — é você quem vive mais nesse mundo.
— Ele é Abernath Carybin, ele é um Místico. Ele também, caso queira saber, é o chefe dos Místicos, e pode se transformar em o que quiser.
— E o que diabos são Místicos?
— São espíritos sem corpos, Greco. São capazes de entrar em um corpo vivo, e manipulá-lo. Os Bruxos Maiores já liquidaram a maioria dos Místicos, porém não encontraram Carybin, pois ele possui a forma de um tigre a muito tempo.
— E Por que os Bruxos Maiores mataram quase todos?
— Os Místicos, podiam assumir qualquer forma. Uma vez, assumiu a forma de Tarantêla, para anunciar a Perínfina toda, que dariam uma semana inteira de festas, e tudo seria por conta dos Bruxos Maiores. Eles são espertos, porém bobos, foram descobertos pela própria Tarantêla.
— E então, o que devemos fazer?
— Eu não sei direito, mas talvez ele quer seu corpo, para vingar-se por matar todos, ou quase todos os outros Místicos.
— Eu já sei o que fazer, venha.
Voltamos para perto de Carybin, que roía um osso, que se não me enganara, era de um outro tigre. Ele se levantou, e jogou o osso de lado.
— Bom Místico, quero dizer, Carybin. — Disse a ele — Sei que você quer se vingar dos Bruxos Maiores, mas eu preciso completar minha missão, não posso te dar meu corpo.
— Então, isso quer dizer, que terei que tirar a força de você? — Carybin deu um pequeno sorriso.
— Você pode tentar, mas primeiro terei que fazer minha oferta.
— Fale mais, jovem herói.
— Deixo você matar Tarantêla. Mas primeiro, preciso que me ajude a atravessar a floresta, e preciso de algumas dicas, e armas para lutar contra os Bruxos Maiores.
— E como eu posso confiar em você?
— Eu sou o herói, Carybin. Eu terei que matá-los, ou vivarei corvos, como minha família, e acho que não estou afim de virar um pássaro. Gosto do meu corpo, assim.
— Bom, eu sou um Místico, espero que se lembre disso, caso traia minha confiança. E eu posso entrar em qualquer pessoa.
— Não sou como os Bruxos Maiores, eu sou melhor, e bom.
Seguímos Carybin pela floresta. Ela não parecia tão misteriosa, quando se tinha o rei dela, nos ajudando a atravessa-lá. Vimos muitos animais diferentes, talvez nem eram animais, talvez eram qualquer coisa. Macacos, chamados Mongloges — segundo Carybin — passavam de galho em galho em cima de nós. Eles faziam um zumbido como abelhas gigantes, e tinham ferrões no rabo. Passamos por um pequeno lago vermelho. Aparentemente, ele só era um lago vermelho, até saírem de lá, algumas sereias, que pelos contos, não tinha nada haver com elas. Eram verdes, com 5 olhos, quase formando uma pirâmide decrescente, as suas línguas eram repartidas em dois, até o meio, e seus dentes eram finos, e pontiagudos. Elas se chamavam Maristelys, mas o que me chocou mais, foi saber que elas se locomoviam na terra. Chegamos mais ou menos ao meio da floresta, ela estava começando a ficar mais escura, e quase não reparei no monte de escorpiões a minha frente. Eram muitos, mais ou menos 100 mil, dava pra fazer churrasquinho de escorpião o ano todo, e ainda iriam sobrar vários. Carybin parou. Ele olhou para os lados e começou a falar em uma língua que eu não entendia, não fazia ideia do que estava falando, até Roxye olhou para mim confusa. Carybin então colocou uma pata pra trás, e como se soubesse o que iria acontecer, um enorme escorpião surgiu no meio dos escorpiõezinhos. Todos aqueles, formaram um só, enorme. Aquilo não era algo bom, ou normal, não é todo dia que você tem que derrotar um escorpião gigante, para passar do outro lado de uma floresta sinistra, com um tigre como guia. Estava com a minha espada na mão, e Roxye com uma flecha já preparada no arco. Carybin não se mexia. Mas então fez uma reverência, que nem eu e nem mesmo Roxye entendeu o porque.
— Rainha dos Escorpiões, Carbona — Disse Carybin —Deixem-nos passar, deixem-nos seguir viagem.
— Meus filhos estão com fome, Carybin — Disse Carbona — e você sabe que a Rainha Lunia, como todos os outros Bruxos Maiores, não deixam humanos — E jogou um olhar fuzilante em mim e Roxye — passarem por essa floresta.
— Recompenso você com muitas Borbons, Deusa dos Escorpiões. Vou recompensar com carne fresca.
— Você é um Místico, Carybin. Místicos não são confiáveis, e essas criancinhas tolas, não devem saber disso.
E então algo que eu não esperava aconteceu. Carybin sorriu para Carbona. E foi andando na direção dela.
— Vocês dois acharam mesmo que iriam passar por nós, tão fácil? Roxye vai ser o jantar de Carbona, enquanto eu vou ser o heroizinho ai. — E apontou para mim, com o focinho.
— Você não presta, Carybin — Disse Roxye — Muito menos você, Carbona. — Então, Roxye lançou uma flecha ao corpo de Carbona, que só caíram pequenos escorpiões, mas logo, eles voltaram ao lugar, e Carbona estava inteira de novo. Carybin rugiu, e avançou em mim.
Eu desviei a mordida, com a minha espada de vidro negro. Mas não consegui atacar. Revidei, mas o tigre era experiente, desviou o ataque, e me deu uma patada no braço direito, que fez cair a espada, e eu rolar para o lado. Roxye havia gastado quase todas as flechas, e estava machucada, mas pelo menos, ela não havia levado nenhuma ferroada. Então uma sombra passa por mim, no alto. E quando eu olho para trás, continuo não vendo nada. Mas Carybin não estava mais ali, quando voltei a olhar para frente. Ele estava parada a uma pedra, com uma lança na barriga. Ele tirou essa lança da própria barriga, e saiu resmungando e choramingando, algo com "eu vou pegar você" "ninguém mandou você se intrometer." que de cara, não havia entendido.
— Carybin, seu covarde — Arquejou Carbona, indo em direção a Carybin — volte aqui, seu monte de bola de pelo.
Corri em direção a Roxye, ela estava sentada encostada em uma árvore. Segurava sua mão, e pelo que parecia, ela havia quebrado a munheca. Me assustei quando eu ouvi uma voz grossa, não tão grossa, talvez em estado de transformação, mas parecia ser bem mais de um adolescente da minha idade.
— Vocês são mesmo uns idiotas, especialmente você Roxye. — Ele então saiu das sombras das árvores, e eu pudi ver que ele sorria para Roxye. Ele tinha 1,80 m, tinha cabelos castanhos, olhos castanhos, orelhas de elfo, um dos seus dentes era de ouro. Usava roupas de escoteiro, ou melhor, de algum ajudante da floresta. Tinha mais ou menos, uns 17 anos.
— Porch? O que.. o que você faz aqui? — Disse Roxye.
— Um obrigado, seria bem útil agora — Disse Porch.
— Ah, obrigado — eu e Roxye falamos juntos. E depois olhamos um para o outro, constrangidos.
— Tudo bem galera, venham, precisamos sair daqui, antes que aquela Carbona e aquele Místico idiota, volte.
Ele nos levou até o final da floresta, que eu fiquei muito feliz em vê-la. A vista lá fora, era mágica. Era um enorme vale, rodeado por 4 montanhas marrons, com terra abatida no chão. Nos centros das 4 montanhas, havia um povoado. O topo das montanhas eram cobertos por gelo. E eu até conseguia ver, por incrível que pareça, um dragão, rodeando as nuvens geladas. Roxye me olhava, acho que estava tentando ver o porque da minha cara estar paralisada, e o porque meus olhos estarem arregalados. Aquele afinal, era o povoado que Roxye morara, e que talvez, Porch também. Roxye passou as mãos sobre meu rosto, tentando me acordar de um transe. Olhei para ela, e para Porch, querendo perguntar telepaticamente: que lugar é esse?
Bem vindo, Greco — Disse-me Porch — à Paraízzo
Eu pensei: literalmente.
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