Greco-Romana
18 A Filha do Viajante pede ajuda
Eu acordei e Jay estava com uma garrafa na mão. Ele também estava molhado. Eu estava molhada e Tresh segurava a garota que deu a bebida para nós.
-Eu não estou seminua! -Disse me apalpando.- Você não está de lancinho rosa!- Falei para Tresh.- Você não usa boia!
-Ta vendo.- Disse a garota.- Funcionou.
-Cala a boca Molly.- Falou Jay.- Romana, o que você quer dizer?
Contei em detalhes o meu sonho e eles pareceram confusos.
-Sem nada de anormal?- Falou Tresh ainda segurando a tal Molly.
-É. -Falei.- Quem é ela?
-É uma encrenca. Menor que você Romana, mas ainda assim, é encrenca.-Jay disse.
-Explique-se.
-Filha de Hécate, deusa da magia. Vivia fazendo poções que colocavam vários campistas em apuros. Ela está passando uma temporada com o pai.
-Mas Jay, o que ela faz aqui?
-Fuji. Ele mora pelas redondezas, mas já já eu volto para a casa dele.- Ela respondeu.
-Cala a boca, Molly!-Jay disse. Ele dificilmente era rude com alguém. Molly deve ter aprontado com ele.
-Só me trata assim porque sem querer botei fogo nos seus equipamentos.- Ela respondeu.
-Equipamentos? Eu tive que trabalhar muito para ter aquilo, sabia? E depois? Você apareceu e pingou aquele troço laranja e CABUM! Acabou com tudo. Meus sentimentos são de raivas!
-Foi para a experiência, Jay. Você deveria me desculpar.
-Mas não vou!- Jay se aproximou dela e de Tresh.
-Ta, mas porque tinha sonífero no negócio?-Falei.
-Porque é uma experiência. É para ver se os semideuses pudessem ter sonhos normais e sem ser atordoante.
-E só funciona se a gente tomar esse treco?-Perguntei.
-É.- Molly respondeu.- Ainda é um teste.
-Bem, eu não vou tomar isso. Na verdade...eu acho que eu devo, mas e se tiver efeitos colaterais?
-Romana, não da trela para ela.- Ele me disse.- Escuta aqui Molly, some daqui com suas tranqueiras, e se eu e meus amigos formos suas vitimas de novo, você não vai escapar de mim, ok?
-Ãn...tudo bem.- Ela disse com uma expressão confusa.
-Ótimo. Tresh, vai soltar você. Vai embora, está entendo? Te vejo no acampamento em alguns meses. E por favor, espero que tenha entendido o recado.- Jay cruzou os braços e estava com uma expressão brava. Fiquei surpresa. A menina saiu correndo quando Tresh soltou ela.
-Nunca achei que fosse te ver bravo.- Falei.
-Eram meus equipamentos novinhos!
-Só coisas de médico.- Falei.
-O que? Olha, sou seu amigo. Mas jamais em sua vida se refira as minhas coisas da medicina com 'só'. Ou mato você. E eu to falando sério.
-Jay!- Falei.
-Aquele bisturi foi uma fortuna!- Ele parecia que ia ter um treco ao lembrar das suas coisas chamuscadas.
-E porque Tresh está seco?
-Porque ele acordou mais rápido. Ele tomou a menor quantidade entre nós três.
-E porque eu sei que se eu jogasse água em você a gente ia brigar.- Tresh disse.
-Puxa! Achei que você fosse burro.- Disse levantando do chão.
-Hahaha!- Ele retrucou.
-Como pegou a garota Tresh?
-Eu acordei ela estava olhando para nós de pé, ela disse que estava esperando o resultado. Eu fui socorrer vocês e tentei sacudi-los. Molly disse que o efeito duraria duas horas, então peguei água e joguei em Jay. Ele quase bateu em Molly, por sorte eu o deti ela a tempo. Dai, o resto da história você já sabe.
-E um detalhe- disse Jay,-Perdemos o ônibus.
-O que? Como? Ele não podia ir sem a gente.- Falei.
-Mas foi.- Disse Tresh. Eu o xingaria, mas estava confuso.
-E agora?- Falei.
-E agora?- Jay repetiu.
-Vamos comprar o que comer, e depois vemos o que fazemos. — Tresh disse.
-Eu ainda quero entender porque o ônibus foi embora!- Eu estava com a mão na cabeça e olha para fora, realmente o ônibus não estava mais lá.
-Romana, não foi tão ruim. Ainda estamos com nossas coisas.-Jay disse.
-Eu...Maldita garota! Ela sabe fazer magia? Eu vou fazer uma de desaparecer com ela para sempre!
-Eu sabia que você ia odiar ela também. Ela é apenas um detalhe, temos que sair daqui.- Jay disse.
-Mas em que parte do país estamos?- Tresh perguntou.
-Vamos comprar algo para comer e ai vemos onde estamos e lançamos uma estratégia para sair daqui.- Jay disse.
Deduzi que estávamos já em outro estado, pois quando saímos de Nova York era apenas oito da manhã. Na nossa primeira parada era quase cinco e quarenta e já estava anoitecendo.
-Estamos em Kentucky.- Jay disse.
-Estamos longe ainda. O que fazemos?- Tresh perguntou.
-Entramos escondido em um caminhão, ou roubamos um ônibus. Tem várias maneiras.- Eles me olharam com desaprovação, mas como a situação não era muito boa ficaram em silêncio. Fomos para fora.
-E agora?- Tresh disse.
-Sentamos e esperemos.
-Porque?
-Porque eu sou filha do deus viajante e blá blá. Espere que eu tenho que dar uma analisada por ai. Apenas sentem aqui e me esperem.- Eles sentaram-se no banco enquanto eu fui rodar o posto.
-Vamos na onda dela?- Tresh perguntou.
-Acho que sim. Não tenho outro plano. E não sei que horas um ônibus passa aqui.
Passado alguns minutos eu cheguei e sentei no meio dos dois.
-E ai?- Falou Tresh.
-Nada.
-Nada...?
-É.- Eu sorri.
-Ta, o que faremos?- Tresh parecia em pânico.
-Esperamos.
-Romana, a gente vai...
-A gente vai esperar, ok? Conheço postos tipo esse. Daqui a pouco aparece um caminhoneiro e pegamos carona.
-Eles vão deixar?-Tresh perguntou.
-Como se eles fossem ficar sabendo.
Ficamos sentados quase uma hora e meia. Algumas vezes eu e Tresh discutíamos. E algumas vezes eu e ele conversamos sem nos estranharmos.
-E sua mãe?- Perguntei a ele.
-O que?
-Ela é mortal?
-Não. Eu vivia com meu pai em Nova York. Ele tem uma loja.
-Video Game?
-Sim, de video game. Não sei da minha mãe. Nem meu pai. Na verdade, se ele sabe, ele não me contou.- Imaginei o pai de Tresh gordo.
Então uma mulher parou um caminhão.
-Acho que temos uma carona.- Falei.
-Com essa mulher?- Disse Jay quando a moça entrou na loja de conveniência. A mulher estava de óculos e tinha o cabelo loiro curto amarrado. Ela não pareceu notar a nossa presença.
-Vamos esperar ela no caminhão dela.
-Romana, e como espera que ela nos de carona? -Tresh perguntou.
-Porque ela parece ser legal.
-Está julgando por fora. -Disse Tresh.
-Cala a boca e vamos logo.
Esperemos uns quinze minutos até que a moça saísse. Fiquei parada no porta da direção e ela me viu.
-Você? De novo?- A mulher falou.
-Ãn...oi. Que bom que se lembrou de mim. -Sorri.
-O que você aprontou agora?- Ela colocou a mão na cintura.
-Bem, nada. Nada ainda. Eu perdi meu ônibus de viagem. Poderia da carona para mim e meus dois amigos?
-Mas eu posso não estar indo do seu lado. -Ela disse.
-E vai para a onde?
-Califórnia.- Ela respondeu.
-É Perfeito!
-Não sei. Você tem cheiro de encrenca, mocinha.
-Por favor! Eu tenho que ir para Nevada. É importante. Eu e meus amigos ajudamos na gasolina. Damos vinte dólares cada um.
-E onde eles estão?
-Meninos.- Chamei. Eles saíram de trás da parte traseira do caminhão.
-Seu eu dar carona, não vou ser cúmplice sua, não é?
-Não. Eu prometo.- Falei.
-Subam. E se eu me encrencar, eu vou te encrencar.
-Acho difícil, mas obrigada.
Eu conheci essa mulher quando estava saindo do estado da Califórnia e a policia me parou porque houve um roubo e suspeitaram de mim. Essa mulher estava parada na hora e disse que era minha responsável e me deu carona até Utah. Era óbvio que eu não havia roubado nada. Se eu tivesse feito isso ninguém me descobriria.
-E como você chama, afinal?- Perguntei a ela. É, eu não sabia o nome dela.
-Você não sabe o nome dela?- Perguntou Jay.- Como pedi carona para uma pessoa que nem sabe o nome?
-Jay, cala a boca. Então, seu nome é...
-Meu nome é Lucy. Posso saber o seu nome, encrenca?
-Porque todos me chamam assim? Meu nome é Romana, esse é Jay e o que está na porta é o Tresh.
-A ok. Agora por favor, se virem a policia, se abaixem. Provavelmente eles vão me parar se virem vocês três aqui. Vamos embora?
-Sim.- Falei. Ela ligou o caminhão e demos inicio a viagem.
-Você é bonita. -Disse Tresh.- Porque escolheu essa profissão?
-Obrigada.- Ela sorriu.- Eu gosto de ser livre. Ser caminhoneiro parece ser exatamente o que é ser livre só que com compromisso.
-Você tem namorado?- Perguntou ele de novo.
-Lucy, se ele estiver te incomodando, pode mandar ele calar a boca.
-Está tudo bem. Não, eu não tenho um. Tenho amores de estrada.- Ela disse.
-Ãn...tudo bem.- Tresh respondeu.
-Vocês estão indo para onde?-Perguntou Lucy.
-Visitar a mãe de Jay. Perdemos o ônibus e deu no que deu. — Respondi.
-Claro...Mas porque das vassouras?- Ela se referiu a espada de Jay e Tresh que foi colocado no chão.
-São para arrecadar fundos para nosso acampamento.- Jay passou a mão pela camisa laranja do acampamento.
-Ta ai. Legal. Façam o que quiserem aqui, desde que não me façam bater o caminhão e não o deixe fedendo. De preferência não urine nas calças.
Eu considerei aquilo. Jay disse a mim e Tresh que poderíamos dormir que ele ficaria acordado. Mesmo com a moça lá dentro nós não confiávamos nela. Eu já peguei carona com ela, nada do que reclamar, mas era por precaução.
Sonhei de novo com os grandes cassinos de Las Vegas. Isso me fez lembrar que não tinha contado aos meninos que tive um sonho antes vendo a tal criança.
Nesse sonho eu vi que ele agora entrava em um cassino. Não vi a fachada mas parecia ser uma coisa de alto luxo. Eu estava atrás dele para acompanhar a entrada.
Acordei com uma Luz forte em meu rosto. Estava escuro. Levantei as pressas mas Jay pegou em minha mão.
-Pesadelo? Estamos em viagem ainda. Lucy disse que talvez pare daqui alguns instantes.
-Eu tenho que te contar algo.- Falei para Jay.- E pare no posto, tenho que ir ao banheiro.
Depois de uns vinte minutos paramos na estrada. Levamos nossas coisas junto, nossa insegurança era grande que o caminhão explodisse.
Contei a Jay e Tresh o meu sonho.
-Então, vamos para Vegas? – Tresh disse.
-É, nós vamos. -Falei.
Entramos de volta no caminhão e dessa vez eu estava no meio dos meninos. O relógio de pulso de Lucy marcavam três da manhã.
-Acho que antes da dez vocês estão no estado de Nevada. Vão parar a onde? –Lucy perguntou.
-Qual a cidade mais próxima de Las Vegas que você passará perto?- Falei.
-Poucas. O que vão fazer em Vegas?
-Não vamos para lá. Curiosidade, apenas.
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