Greco-Romana
19 Abriram as portas do asilo
Lucy sabia que provavelmente iriamos aprontar alguma, mas não pareceu ligar. No dia seguinte, mais ou menos umas sete e meia chegamos a uma cidade de Nevada que Lucy disse que ficaria a cinco Horas de Las Vegas. Nosso destino não era mais Carson City então, qualquer cidade que ficasse a menos tempo de Vegas era lucro.
-Vou deixar vocês aqui nessa estrada, não posso entrar na cidade se não meu tempo de entrega expira. Até mais .- Assim saímos do caminhão e fomos obrigado a andar até a entrada da cidade.
-Logo cedo esse sol. Vou queimar!- Disse Tresh.
-Não reclama, não é você que está com dor no pescoço.- Falei.
-Reclamam de mais. -Jay disse.
-Você é filho de Apolo. Não é você que vai ter insolação. -Tresh disse.
-É verdade! Filhos de Apolo tem insolação? -Perguntei.
-Não...eu acho. Acho que somos mais resistentes ao calor. Nunca pensei nisso.
-O pessoal que está passando por essa estrada deve achar que fugimos de algum internado.- Tresh falou.
-Ou que vocês dois me sequestram. -Falei.
-Eu não te sequestraria- Falou Tresh.- Cruzes, você não cala a boca em momento nenhum.
-Ta. Jay então me sequestraria. Né?
-Não também. O que eu ia fazer com você? Pedir para roubar algo? Acho que sim.
-Vocês são inconvenientes.
Estávamos nos aproximando de um posto de gasolina que demarcava a entrada da cidade.
-Gente, u estou cansada. Vamos parar, é quinze minutos só.
-Você é filha do deus dos pés ligeiros. Porque está sempre cansada?- Tresh disse.
-Faz sentido. -Jay concordou.
-Meus pés vão ser ligeiros quando eu acertar o traseiro dos dois. Preciso beber água. Ja venho.
Enquanto fui beber água no bebedor do posto, Jay e Tresh falavam com um frentista.
-Onde pegamos um ônibus para ir para Vegas?- Jay perguntou.
-Rodoviária. Meio óbvio, né?- O frentista respondeu.
-Ãn...claro. Onde ela fica?
-Bem longe desse posto. Centro da cidade.
-Se irmos de a pé acha que vamos andar quanto tempo?
-Umas duas horas. Demora andar dessa parte da cidade até o centro. Se não for duas hora, é mais.
Quando eu cheguei Jay falou sobre demorar a chegarmos ao centro da cidade. Nossa única escolha era andar.
Começamos a andar. Andamos ainda na estrada, pois tínhamos que atravessar uma ponte para poder chegar a cidade.
-Cadê essa maldita ponte?- Falei. Nenhum me ouviu.
-Eu preciso de um banho. Estou fedendo!- Disse Tresh.
-Só estamos a dois dias sem tomar banho. Acreditam que fiquei quase duas semanas sem tomar um banho?- Falei.
-Ual!- Disse Jay.
-Eu sei! É pouco tempo!
-Não, garota. Nojento! Você é uma menina, qual o seu problema com chuveiros?- Disse Tresh.
-Embora eu seja totalmente garota e goste de meninos, consigo ser mais garoto que você. — Falei para Tresh.
-Não me diga!
-Sério!
-Os dois, calem a boca-Jay disse.- Romana, você vai ser a primeira a tomar banho se rolar uma oportunidade. Olha para o seu cabelo!
-O que? Meu cabelo está solto a dois dias, ele tem o dom de não ficar ruim até que passe do terceiro dia.
-Hoje é o terceiro- Falou Jay.- Sinto muito, já ta ficando ruim.
Após andarmos mais um pouco achamos a tal ponte. Depois de atravessa-la entramos oficialmente na cidade. Andamos e pedimos algumas informações.
-Temos uma caminho de 30 minutos até o centro, segundo uma moradora. -Jay disse.
-Quer que eu procure uma casa e desmaie alguém para tomarmos banho?- Falei.
-Metade de mim quer saber cadê sua metade que não gosta de água.- Tresh disse.
-Vou rolar você pela estrada sua toupeira.
-Vamos logo!- Jay saiu andando na nossa frente. Eu podia ser a mais velha. Mas ele sempre colocava ordem nas coisas.
Achei que as coisas estavam até tranquilas para nosso lado. Só achei.
-Claro que ajudo.- Jay pegou pelo seu braço e estava atravessando a rua quando a velha atirou ele para a parede. Jay foi lançado a seis metros da onde estava.
-Jay!- Gritei ainda na calçada. Sai correndo em sua direção para ajuda-lo.
-Romana...minhas costas.- Eu coloquei Jay de pé.
-Sabia que a nossa viajem estava tranquila de mais!- Falei.
-Galera!- Tresh apontou para nós. Aquela velha asquerosa estava vindo em nossa direção.
-Eu vou te proteger!- Falei para Jay. Peguei minha Adaga da cintura e esperei que ela chegasse perto.
Enquanto eu esperava que ela viesse para nossa direção Jay saiu correndo de trás de mim com sua vassoura na mão. Quer dizer, espada.
-Jay!- Tarde de mais para ter gritado. Ele estava pendurado nas costas da velha.
Eu não sei o que os mortais estavam vendo, pois nenhum deles saiu para ajudar uma pobre senhora sedo atacada por um adolescente gato.
Eu não ia ficar parada, ainda mais eu que adorava me meter em encrenca. Enquanto Jay estava em cima das costas da velha fui correndo para direção dela. Mas Tresh começou a falar comigo e não estava entendo nada. Parei para escuta-lo.
-O que?- Eu gritava para Tresh.
-Pessoal!- Jay gritou.- Uma ajudinha aqui se não for atrapalhar a discussão de vocês.
-Tresh, pela esquerda.- Gritei. Ele entendeu e correu pela esquerda. Foi quando alguns mortais saíram de seus carros para ver o que ocorria.
Ela atirou Jay de cima das costas dela para cima de do capo de um carro.
-Jay!- Eu estava correndo, mas quando vi ele indo para cima daquele capo fiquei parada.
Tresh foi para cima dela e se esquivava a cada golpe que Tresh tentava desferir. Jay se recuperou e tentou ataca-la por trás. A velha se abaixou e ambas das lâminas da espada dos garotos passaram zunindo uma por cima da outra. A espada de Tresh acabou cortando sem querem o braço de Jay.
-Ai!- Ele gritou.
Peguei minha Adaga da cintura e me aproximei da velha. Tentei primeiro chuta-la. Deu errado, pois ela segurou a meu tornozelo e me levantou de cabeça para baixo.
-Para uma velho você realmente ficou revoltada com a perda de uma simples partida de bingo. — Ela apertou forte meu calcanhar e senti que uma lança estava atravessando-o. Que bom que não era uma lança.- Ai! Desculpa, você não é velha. Só um monstro em fúria.
Tresh tentou ataca-la por trás mas acho que ela deve ter previsto o movimento e virando-se me atirou em cima de Tresh. Eu cai em cima dele e a queda pareceu machuca-lo.
-Ahh! Para uma magrela você é bem pesada.- Ele disse.
-E você como um bom gordo foi ótimo segurando minha queda.- Levantei de cima dele.
Agora a rua estava um caos pessoas com celulares na mão, uns gritando, outras pessoas buzinando e Jay se atracando com o monstro.
-Qual é a forma verdadeira dela?-Perguntei.
-Não sei. Mas temos que fazer algo antes que o asilo chegue e nos acusem de agredir uma simples senhora fugitiva.
-O que?
-Temos que fazer algo. E depressa. Se ela é forte assim, imagina transformada.
Foi uma boa explicação. Não tínhamos tempo para pensar em um grande plano, mas Tresh teve uma ideia.
-Aqui. -Ele tirou um frasco dentro de um baú com um monte de pano e com uma sacola. Naquele frasco havia um liquido verde.
-O que é isso?
-Fogo grego.- Ele respondeu.
-Você trouxe um fogo grego com você? Isso poderia ter matado todos nós!- Disse Jay que agora estava virado para nós. A velho deu um chute nas suas costelas.
Eu não sabia o que era fogo grego, mas pela reação de Jay era algo que nos colocaria em apuros.
-Seja lá o que for isso, usa logo!- Gritei com Tresh.
-Não da. Isso vai causar uma grande explosão. Jay esta perto de mais.
-Eu vou dar reforço a ele.
-Espera.- Ele me segurou pelo braço.
-Perdeu a noção do perigo, garoto? – Me referi a Tresh segurando em meus braços. Desde o dia em que nos falamos, acho que essa foi a maior aproximação que tivemos como amigo. É claro, tirando as vezes em que nos batíamos. Detalhe.
-Já estamos em perigo. — Ele retrucou.
-É. — Assenti.- Desembucha, Jay está quase se dando mal.
-Olha, assim que você ajudar Jay corra o mais longe possível.
-E você?-Falei.
-Detalhe. Tento levar ela para um lugar afastado. Não sei o quanto o fogo grego pode atingir aqui.
-Tresh, e se...
-Se eu morrer? Simples, vejo você no Tártaro.
-Eu não...Arg! A gente se tromba, gordo.
Jay estava caído no chão e aquele monstro chutava ele. Eu estava com raiva daquela coisa. Qual o problema dela, ou dele, de não se mostrar?
Enquanto ela o agredia atirei minha Adaga nela. A Adaga acertou o pé dela. Aquilo fez ela sibilar e recuar há alguns metros. Minha Adaga caiu do pé da velha e acreditem, algo estranho acontecem na vida de meio-sangues, mas o pé de um monstro trincar, nunca tinha visto.
-Bingo! Se você não acertou a carreira cheia, eu sim, baby.
-Romana...- Jay estava com a boca sangrando e ouvia-se a dor.
-Pelas sandálias alada de Mercúrio! Ou Hermes...
-Ei coisa velha!- Tresh estava atrás de mim.- Vamos da um passeio.- Tresh chegou atrás de mim e sussurrou.- Corre.
Tresh foi para cima da velha e eu estava torcendo para ele fazer o que tinha de ser feito sem morrer e sem nos machucar.
-Ei amigo!- Me abaixei e segurei a cabeça de Jay.- Cara, você precisa de um médico!
-Eu...-Jay sorriu- sou o médico dessa missão.
-Então vamos. Vou ser sua ambulância. -Eu era magra, mas tinha força. Coloquei Jay nas minhas costas e ele estava pesado como os filhos de Vulcano (Hefesto). Os caras são pesados, acreditem.
-A onde...a onde a gente vai?
-Vamos em busca de salvação. E por favor, você é magro e pesa. Não se mexa muito.
-Não tem nem como. Dói tudo. E...Tresh?
-Vai usar o treco do fogo grego. -Ia indo no pela calçada e os mortais nos olhavam como se nós fossemos um perigo. Tecnicamente, nós eramos.
-Romana, ele...ele não...
-Não quero que ele morra. Por favor, não acabe com minha esperança- Em meio aquele pensamento de Tresh morrendo pensei que estava sendo egoísta. Eu era uma guerreira, fui treinada para acabar com monstros. Simplesmente ia deixar o gordo chato morrer? Odiava Tresh, mas ele era meu amigo, ou colega. Meu grau de amizade por ele não estava definido. Tinha que fazer algo.
-Eu não posso ajuda-lo, Romana.- Jay estava com a cabeça apoiada em meu ombro. Minha camisa estava com o seu sangue.
-Esse menino está ferido- Disse entrando em uma loja de Jardinagem. Dirigi a palavra para o senhor que estava no caixa -Não tire ele daqui. Vou ajudar um amigo. E Jay, -Disse colocando ele no chão do lado de uma estátua de anão.- Eu quero que você saiba que você lutou bravamente. Eu já venho.- Ia saindo correndo mais Jay segurou meu braço.
-Encrenca, toma cuidado...-ele se limitou. Jay estava com os olhos com lágrimas. Tive que me manter forte para não me jogar em cima dele e dizer o quando estava com medo de perde-lo ou perder o Tresh.- Vai com cuidado, e...eu...me orgulho de você. Convivi pouco tempo para saber o quão boa você é e...
-Cara! Eu vou retribuir cada coisa que você fez por mim. Eu ja venho.- Simplesmente beijei o rosto de Jay e estava quente. Jay estava quase dizendo que me amava, se ele dissesse aquilo eu ia desmoronar.- Eu volto!
E assim sai correndo para o encontro com Tresh.
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