Grand Chase Heroes
13 Capítulo 12 - Um Lugar Assustador
Notas iniciais
– Eu as falei que Gaicoz as espera em sua base ao nordeste. – recordou Lothos. – Por que, afinal, estão indo ao noroeste?
– Nós nos perdemos. – reclamou Arme, a causadora do erro, evitando que as colegas reclamassem dela para a comandante.
Lothos aparentemente observava algo. Se observava de fato, isso significava que sua holografia conseguia enxergar aqueles que a enxergavam.
– Quem é esse?
Foi longa a conversa. Explicar que Ryan as salvou, e era de confiança, foi um tanto complicado, mas como Lothos acreditava em suas guerreiras, falou que ele deveria se juntar oficialmente à Grand Chase.
– Se juntar? – indagou Arme. – Mas ele não tem um distintivo da Grand Chase o esperando como nós, não é?
– Sim, sim. Eu programei para que tanto o distintivo, como o projetor holográfico, se duplicassem sob magias que fossem feitas apenas por você, Arme. Julgando que você permaneça na equipe, você terá o poder de dar um distintivo. Aliás, eu não as contei antes... Mas a propósito, o distintivo da Grand Chase lhes garante estadia gratuita em qualquer hotel.
Sob essa última frase, Lothos desapareceu. Elesis ficou de cara! Poderiam ter dormido nos mais chiques hotéis... E passaram noites em meio a florestas.
– Qual é, a floresta é legal. Muito calma perto do estresse da cidade!
– Ai, Ryan. Deixando isso pra lá... É melhor pegarmos esse caminho para contornar ao nordeste, não? Aliás, a porta de entrada do Castelo de Gaicoz é a cidade abandonada, e essa é uma das rotas a se tomar para chegar lá.
– Eu não gosto disso! – falou Arme, olhando para a estranheza do local que Elesis indicou. – podemos tomar outro caminho?
As amigas negaram, uma vez que foi a maga quem os fez ficarem perdidos. Aceitaram o caminho de Elesis.
Um passo a dentro do portão de entrada enferrujado já fez com que a visão dos quatro mudasse por completo. Mais do que repentinamente, tudo ficou escuro.
“Apareçam”. Foi tudo o que ouviu-se. Quem falou, no entanto, não mostrou o rosto.
Já brotavam, ao simples pisar do solo, mortos saindo de seus túmulos. Aquilo era um cemitério!
– Droga. – choramingou Arme, encostando na porta de entrada na tentativa de abrí-la. Estava selada. Não seriam capazes de sair!
Aqueles corpos em decomposição que se levantavam formavam zumbis, ressuscitados provavelmente por uma poderosa magia. Aqueles que já estavam decompostos, cuja sobra era apenas a ossatura, ressuscitavam sob forma de esqueletos.
– Essa é a última vez que deixo você decidir o caminho, Elesis. – jurou Arme.
– Ah, sim, agora a culpada sou eu, que faço o caminho que precisamos, ao invés da senhorita, que foge de qualquer lugar que tenha meros insetos! – rebateu. – Eles estão vindo, se preparem!
Ryan olhava assustado. Começava a se acostumar com as brigas inconvenientes, mas não gosta daquilo. Enfim... Não teria tempo de reparar nisso, já que os zumbis começavam a se mover.
Lentamente, com suas mãos levantadas horizontalmente, sob aparência apavorante de corpo humano desgastado, amarelado e cheio de poros, os zumbis se aproximavam. Seu cheiro, para ajudar, não era nada agradável!
– Vamos lá.
Elesis cuidou dos esqueletos. Tinham tremenda força, e usavam partes do próprio corpo como arma. Eram oponentes formidáveis! Ryan mataria os zumbis, sob ações de suporte de Arme e Lire. Porém, não foi bem assim.
***
Enquanto Elesis chocava sua espada com o osso do último esqueleto, soltando faíscas de atrito entre as armas, Ryan e Lire iam socorrer Arme, aproveitando que não tinha mais nenhum zumbi.
– Mas você nem fez nada, como puderam te machucar se não te encostaram? – reparou Lire. Não por maldade, como Elesis faria, mas por observação.
– Vá embora. – pediu. Arme olhava para o longe. Estaria consciente?
As poucas luzes roxas que faziam parte do cenário, não paravam de piscar. Aquilo tudo contribuía para o medo que se formava em Arme e então, Lire soube o que fazer.
O último inimigo de Elesis caía, e Lire atirava em todas as luzes do local. Estava agora um breu absoluto.
– Por que fazer isso, Lire? – indagou Elesis.
Lire não pôde explicar para Elesis. Não achou um argumento convincente, que era basicamente um pré-requisito para se conversar com a amiga, durona no papo.
Arme se levantava. Segurava com as duas mãos no braço de Lire. Tremia demasiadamente.
– Obriga... – tentou falar a maga, sem saber que mal terminou sua frase.
Conforme avançavam pelo cemitério, novas luzes apareciam. Arme gritava e Lire tinha que voltar a atacar as luzes. Até mesmo a cavaleira notou que eram as luzes que estavam fazendo aquilo com a companheira de cabelos roxos.
– Somente Arme pode sentir a presença do inimigo, mas ela está nesse estado. – raciocinou Elesis. – Como podemos descobrir onde está a pessoa que deu vida aos zumbis, então?
– O texugo é capaz de sentir forças vitais. – lembrou-a Ryan, alegremente. Seu sorriso logo desapareceu ao reparar em sua mascote: – Não, não. Nem mesmo forças vitais são sentidas!
A conclusão era uma só: se aquele que ressuscitou os mortos não tinha forças vitais, o próprio deveria estar morto.
“Se ao menos Arme estivesse em seu perfeito estado”, lamentava Lire.
– Não podemos lamentar. Temos que procurá-lo, e precisamos estar juntos! – enunciou a cavaleira, cheia de garra.
***
Aquele lugar parecia mais um teste de Lothos. Lembrava o estilo de desafio que tiveram na Torre Sombria. Longo cenário, cheio de armadilhas que se repetiam ao longo do trajeto e os fazia pensar: “estamos andando em círculos?”, mas não. Não andavam em círculos, tampouco faziam parte de algum dos testes da comandante. Aquele era o momento em que encontravam o dono de toda a confusão. Estavam cansados, mas mesmo o cansaço agora era encarado de uma boa forma, pois estavam todos habituados.
– Proteja-a. – pediu Ryan ao texugo, que apontou sua folha defensivamente à frente da maga. Ryan, Elesis e Lire já corriam para o inimigo em formação.
Morto, meio perdidinho e estranho, o inimigo tinha também seu outro lado. Não era tão bobo quanto a aparência preceituava. Prova disso era que, percebendo a formação tripla de dois na linha de frente, e um na retaguarda, ele se esgueirou pelo meio de ambos os guerreiros de curto alcance chegando ao espaçamento entre um e outro, e se infiltrando para dar um ataque direto em Lire, corporalmente ainda que fosse com uma arma mágica, um longo cajado de pau.
O inimigo, identificado como “Lich, o mago caído”, não era veloz, mas perspicaz. Tamanha velocidade de raciocínio o fazia dar conta dos três simultaneamente. Lire atirava nele, que balançava seu cajado tentando atacá-la. Enquanto Elesis chegava por trás, ele pulava para o lado escapando e logo arremessando-a longe com sua magia de levitação. E quando Ryan completava a combinação dos ataques, Lich o prendia com sua magia de planta, cujas raízes se entrelaçavam pelo corpo do elfo.
Lire era pressionada. Era a única que se mantinha em pé. O texugo queria ajudar, mas Ryan sob seus próprios empecilhos mandou que ele permanecesse guardando a maga.
Pulinho para trás, quase levou uma cajadada. Outro pulinho, escapou por pouco do soco. Girando o corpo, chegou nas costas do Lich. Lich se atirou com tudo e acertou mais um ataque físico em Lire, que ia escapando com sucesso até o momento.
Elesis mais uma vez corria atrás do Lich, mas o problema dela parecia ainda pior que o de Ryan. Sempre que chegava numa determinada parte, uma barreira mágica inquebrável a jogava para longe assim que encostava, como fez a magia de levitação antes.
Elesis tentava achar uma maneira lógica de sair da atual situação, Ryan batia seu corpo para todos os lados e não se livrava nunca da planta, e novas raízes o puxavam. Lire continuava apenas escapando. E Arme? Arme ainda não se mexia. Aquela tremedeira. Aquilo a lembrava de quando Lire esteve com medo no calabouço de Gorgos, tirando que Lire conseguiu enfrentar o próprio medo, e ela não seria capaz.
Lire desviou outra cajadada, e atirou na luz que cercava as paredes do cemitério. Uma das quatorze lâmpadas quebrou-se, sem emitir luz.
Enquanto Lich olhava diretamente para a lâmpada quebrada, Lire acertou outra. Lich agora começou a atacar para todos os lados na maior velocidade. Ainda desconfiava-se do fato daquele mago preferir o ataque corporal às próprias magia.
Na frequência de ataques que Lire tinha que escapar, seria impossível atingir as outras doze fontes de luz que compunham o campo visual.
“Então eventualmente devo ser atingida”, reconheceu Lire, preparando seu ataque e também sua derrota:
– Chuva de flechas! – berrou atirando o mais rápido possível doze flechas para cima.
Enquanto começava a guiar o sentido das flechas, programando para todas acertarem as luzes, Lire foi acertada pelo cajado de Lich. Em menos de um segundo, o cajado já havia soltado um círculo de raio no qual o corpo da arqueira estava agora contido. Ela não seria capaz de se mover e logo desmaiaria. Felizmente, as luzes foram atingidas para compensar sua perda.
“Está tudo bem. Eu acredito em Arme”, foi seu último pensamento.
***
Arme sonhava. Estava em sua casa, com seus pais. Nem imaginava como seria o rosto do pai, o qual não tinha notícia há tanto tempo. Mesmo assim, escutava ele gritando. Apenas gritando. Um choro nada tímido e cheio de berros se iniciava. Era exatamente igual ao seu próprio choro. A voz de quem chorava também era muito parecida, mas Arme não sabia dizer o que ela estava falando ao certo.
“Está tudo bem. Eu acredito em Arme”, falou uma voz no fundo. Arme sabia de quem era a voz.
***
Os olhos de Arme reabriram. Ela não parecia estar consciente, mesmo assim levantou-se por vontade própria. Seus olhos, vermelhos como os de quem sofre por insônia, estavam sem pupila nem íris. O que era aquilo?
– Arme, Arme! – escandalizava a amiga Elesis, imaginando que era capaz de ouvir. – ele está ali!
Levantada, Arme apontou seu cetro e sem falar nada soltou seus relâmpagos horizontais apontando para Lich. Lich retribuiu o movimento com uma magia idêntica. Assim que ambas se acertaram, uma anulou a outra.
Em seguida, Arme acertou o raio paralisante. Permanecia calada.
O Lich retribuiu soltando outro ataque igual, ao mesmo tempo, e ambos ficaram imóveis. Aquilo restringia todíssimos os movimentos, mas num intervalo que variava entre três e cinco segundos.
Ao mesmo tempo que Lire se levantava, agora que foi livrada do ataque graças à paralisia, ambos os magos se soltavam do raio paralisante que os prendia.
Lire notou os olhos de Arme, sem a íris. Ia acordá-la, mas Lich jogou a arqueira pelos ares com magia de levitação. O corpo de Lire chocou-se com o de Arme.
Os olhos de Arme voltaram ao normal, e Lire abriu um sorriso, mesmo que jorrando sangue de seu braço.
Arme levou as mãos à boca. Estava aterrorizada. Lembrava das palavras da amiga, ouvidas em seu sonho. Era tudo o que precisava se lembrar. Recompondo sua postura, olhou diretamente nos olhos de Lich. Acertando outro “relâmpago” e vendo que um relâmpago anulava o outro, Arme pensava em algo que o derrotasse sem ser derrotada.
Sempre que pensava por um intervalo de tempo que desse brecha, Arme seria atacada também. Aquilo dificultava o pensamento, tendo que ao mesmo tempo sobreviver.
Enquanto checava outra vez a situação de Lire, Arme invocava um escudo-mágico perdido no momento da invocação. “Que inimigo formidável”, admitia.
Com Arme em pé, Texugo nem pensou em proteger Lire. Aproveitando que Ryan não podia dar ordens agora que as raízes taparam até mesmo sua boca, Texugo foi tentar acabar com as tais plantas que o prendiam.
– A parede, Arme! – gritou Elesis, por trás da barreira que a impedia de prosseguir.
Arme olhou a parede e viu as lâmpadas quebradas. Assim que viu, pulou de susto. Mas então pensou melhor no que Elesis tentou dizê-la, e concluiu... “É claro”.
Enquanto Arme apontava seu cajado novamente, Lich imitava o movimento antes que desse seu próprio ataque, assim ambos os ataques se anulariam.
Arme disparou uma magia de vento, sabendo que Lich (que era bem mais alto que ela mesma) fazia uma pose na qual o ângulo atingiria a mesma parte da inimiga, levando em conta a diferença de altura. Como Arme atirou pouco acima da cabeça do Lich, Lich atirou pouco acima da cabeça de Arme. Arme não foi atingida, assim como o Lich.
Contudo, aquela era a única tática certa, pois nenhum dos ventos tocou o outro, assim eles não se anularam. Se fossem direcionados entre o pé e a cabeça, nessa área magias de qualquer proporção iriam anular uma a outra.
Arme aliviou-se ao ver o vento invocado por Lich desaparecer acima de sua cabeça. Ah, mas o melhor ainda acontecia. O vento que passou pela cabeça de Lich acertava agora a parede que havia atrás. A parede pesada caía sob os restos do que um dia foi um mago. Este, voltava ao seu descanso.
– Você conseguiu, Arme. – vibrava Elesis que chegava mais perto, agora que a barreira foi desfeita.
Quando chegou em Ryan percebeu que o Texugo rasgava as raízes na mesma proporção em que novas nasciam. Logo, rasgou todas com sua espada livrando o amigo delas.
Ryan agradeceu. Ele tinha notado que, caso não escapasse das raízes, alguma hora seu corpo seria puxado para dentro do solo e era provável que quando saísse de lá, estaria sob forma de zumbi!
– Lire. – lamentava Arme, indo direto à amiga. Ryan e Elesis a seguiram.
A situação dela não era nada boa. Mesmo a magia de Arme não faria diferença, sendo que basicamente estancava a ferida e não evitava os danos internos.
– Vamos embora. – falou Elesis. – Quanto mais cedo sairmos, mais cedo providenciamos ajuda.
***
Lire acordava no hospital, dois dias depois. Arme correu abraçá-la.
– Arme, você está me apertando.
Elesis e Ryan levantaram-se de suas cadeiras para ver a amiga de perto. Sua aparência realmente estava horrível!
Lire olhou sem soltar uma única das palavras entaladas na garganta. Queria demonstrar gratidão por ter parado de apertá-la daquele jeito. Lire sentia-se estranha por estar ali.
– Ela não só recuperou a consciência! – festejou Ryan. – a aparência dela também está um pouquinho melhor!
Enquanto Elesis só soltava um “hehe” sem jeito, Lire olhava para Ryan parecendo um cachorro sem dono. Os três amigos passaram todo aquele tempo juntos a ela na apertada salinha de hospital?
– Que dia é hoje? – perguntou, reparando que já era de tarde.
Após longas explicações sobre o dia, estadia e o que fariam em seguida, Lire indagou:
– E você, Arme? – quis saber, curiosa. – Dormiu várias vezes em escuras florestas. Seu medo não era exatamente do escuro, naquele cemitério, era?
Arme negou. Realmente não era. Quando indagada outra vez de qual era o motivo, Arme não replicou. Não gostaria de falar sobre aquilo.
– Ela não quis falar sobre isso nenhuma vez. – resmugou Elesis. – O que faria mudar de decisão justo agora?
Lire sentiu-se ruim. Esperava que a companheira a contasse qualquer segredo, independente da situação. Sob constante negação, em uma pose decidida, Arme apenas ficou em silêncio.
Um barulho veio da janela. Todos os quatro membros da Grand Chase olharam para fora. Quem batia do lado de fora do hospital era Wendy, a protetora da Torre Sombria. Mais cedo, Elesis explicou a Lire que Wendy viria e cuidaria de Lire no tempo de viagem até o Castelo de Gaicoz (com previsão de quatro ou cinco dias de viagem). Isso incluía o transporte, ou seja, Lire o tempo todo viajaria na garupa de Wendy.
O ar de seriedade tomou conta do lugar enquanto se preparavam para sair, horas mais tarde após ajeitarem os detalhes com a arqueira. Aquela expressão no rosto de Elesis, o modo com que Ryan encarava o rosto da mesma e também o fato de Wendy estar ali e Arme se sentir mais ausente de confiança do que qualquer uma ali sentiu esse tempo todo. Aquilo indicava que o próximo desafio seria realmente difícil!
– Ficou combinado que eu vou na frente. – falou Elesis. – a partir de amanhã vamos nos separar. O primeiro grupo cuidará de você, Lire, e o segundo (que sou eu) vai se adiantar em relação ao primeiro para conseguir se infiltrar no castelo do inimigo, criando vantagens para o segundo grupo, que já terá o caminho aberto. Ao menos, esse é o plano que Lothos me passou.
“O plano que Lothos a passou?”, zangou-se Lire. “Ela está atrasando todos apenas no intuito de me ajudarem? Eles conseguem se virar sem mim, se for o caso eu poderia ficar para trás”.
Wendy cutucou Lire, que já estava em sua garupa. A gentil monstra sabia o que ela pensava por causa de sua expressão, e discordava do pensamento dela.
Assim, Grand Chase partiu.
Notas finais
A imagem foi retirada da internet e não é de minha autoria.
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