Grand Chase Heroes

14 Capítulo 13 - O Caminho a se Seguir


Notas iniciais
Grand Chase segue viagem procurando pelo Castelo de Gaicoz.

– Então, esse é o plano completo. – finalizava Elesis, no começo daquela noite. – Eu e Ryan iremos na frente para prevenir eventuais ataques, agora que estamos próximos a cidade abandonada. Texugo, Arme e Wendy cuidarão da Lire até que Ryan volte a buscá-las. Desse ponto em diante, eu irei agir sempre à frente, deixando mensagens nas árvores.

“É. Ela realmente está séria demais. Talvez a invasão no Castelo de Gaicoz tenha algum tipo de importância para ela estar tão presa à vitória assim”, Lire observava. “Ela não parece querer falhar de jeito nenhum”.

Ryan e Elesis avançaram. Estavam próximos da entrada da cidade. Conta a história que aquele lugar era uma antiga base de Canaban para que, mesmo longe do verdadeiro reino, tropas pudessem se mobilizar quando conveniente, em casos extremos como uma guerra. A mesma guerra em que se encontravam agora, no entanto, foi o motivo da destruição da base.

Casas destruídas, pedras impedindo passagem entre ruas e restos mortais eram apenas alguns dos detalhes que compunham o cenário. Elesis já estava nervosa. Odiava o fato de, a cada esquina, ver um de seus guerreiros morto.

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Repentinamente, ao virar à direita, um grande monstro que flutuava cobriu o céu, soltando lasers para tentar atingir Elesis e Ryan.

“Separe” – pediu Elesis, indo para um lado e Ryan para outro. O monstro seguiu Ryan e logo, outro monstro igual apareceu pela frente, este seguindo Elesis.

Elesis olhou para o lado para garantir que não tomaria o mesmo caminho de Ryan. Ele já estava sob forma de lobo escapando dos ataques com sucesso.

“Também vou fazer minha parte”, obrigou-se.

Correndo o máximo que pôde, começou a fugir. O monstro flutuante de forma losangular não dava oportunidades para Elesis. De baixo, jamais cessava seu laser. De cima, atirava bolas de raio na sua direção.

“Vai ser difícil manter-me ilesa”. E mesmo concentrando-se para que tudo desse certo, Elesis trombou com Ryan ao virar mais uma rua. Ambos se levantaram reclamando:

– Isso não é bom!

Por todos os lados, vários e vários monstros iguais àqueles apareciam. Todos atiravam seus lasers na mesma direção, e a estratégia deles era óbvia: somariam os lasers e direcionariam então a um ponto. Seria impossível qualquer pedacinho de vida não ser reduzido a pó, na área de acerto.

Encurralados, Ryan deu um abraço em Elesis, por cima, sendo que esta já estava abaixada. Tentaria proteger ela, se é que ajudaria.

“É agora”, Ryan sentia. Seria agora, sim, aquele som dos lasers se somando era inconfundível.

Um barulho enorme se seguiu.

***

– Que tremor foi esse? – indagou Arme. Estava preocupada.

***

Elesis saía dos braços de Ryan, aliviada como nunca. Prestes a acertarem a dupla, os monstros que aparentemente eram feitos de resistente metal caíram no chão, causando estupendo barulho e tremor.

– Vamos, já consigo avistar o fim. – falou Elesis.

Passando pelo portão da cidade e avistando um conjunto de montanhas, Elesis se preparava para ir à frente enquanto Ryan daria conta de vasculhar o local, até ter a certeza de que novos inimigos não apareceriam por ali, afinal era a última área de guerra pela qual passariam antes de chegar, a vários quilômetros dali, ao castelo de Gaicoz.

Os dois, porém, foram apanhados de surpresa. Dois, dentre um total de seis cavaleiros, jogaram-se nos corpos de Elesis e Ryan usando uma tática para conter todos os movimentos deles.

– Quem são vocês e o que querem conosco? – perguntou aquele que segurava Ryan. Ryan olhava-o com desprezo como quem não daria respostas.

– Ei, pai, aquela parece a famosa “órfã da nuvem”. – falou um garotinho, o menor dos seis cavaleiros. – Elesis Sieghart, não parece?

O pai concordou e sinalizou aos que imobilizavam que os soltassem.

– Você é mesmo Elesis Sieghart? O que faz aqui?

Elesis principiou assentindo e então puxando algo do bolso interior de sua camisa. Instintivamente os cavaleiros puxaram as espadas, preparados para lutar. Mas o que Elesis tirava de lá não era uma arma.

– Somos membros da Grand Chase e estou aqui para solicitar a parada do esquadrão de Paradons. – pediu, mostrando o distintivo que guardava antes em seu bolso.

Em posição de sentido, obedeceram. Ainda que tudo isso tivesse ocorrido, eles não pareciam dispostos a só deixá-los prosseguir. Queriam falar alguma coisa, certamente!

– Venha conosco, Elesis. – falou o guarda. Elesis seguiu e Ryan foi atrás. – Temos algumas coisas a contar.

Assim que puxaram uma cadeira para ela na salinha improvisada, ao ar livre, Elesis foi tomada pelo pânico. A frase que se seguiu machucou. Machucou demais!

– A primeira delas é... Phil foi morto em combate. – lamentou o mais velho dos cavaleiros.

– Nós mal a conhecemos, mas sabemos de seu potencial e sua fama. Sua ligação com Elscud e Phil eram famosas, e agora nenhum dos dois sobreviveu.

Elesis não chorava. Olhava diretamente em uma única direção, pressionando a própria mão demonstrando o ódio que sentia, mas não queria admitir sentir.

– É péssimo saber disso, mas em sua memória, deveríamos contá-la. Reze por ele, minha filha. – pediu o velhote.

– Já aconteceu. – falou Elesis, permanecendo firme. – Isso não importa mais. Mais que tudo, eu gostaria de saber o que aconteceu aqui e o que cerca a cidade abandonada.

O mais resumidamente possível, o velhote contou a história daquele lugar.

Há quase cem anos, a cidade abandonada foi destruída. Logo em seguida, as casas que ainda eram no mínimo habitáveis passaram a servir de lar para famílias de guerreiros de Canaban, que montaram o esquadrão de paradons – os monstros que atacaram a Grand Chase mais cedo – e há poucos meses, a cidade abandonada foi destruída uma segunda vez. Aqueles seis foram os sobreviventes e estavam cercados por várias áreas de guerra. Vivendo da agricultura de subsistência, forneciam informações das áreas ao redor para Canaban agora, mas suspeitavam que logo deveriam se mudar de lá pelo fato de monstros estarem em busca do controle dos paradons, os robôs projetados pelos engenheiros do reino.

– E a direção que você se locomovia era a única que não virou uma área de guerra. Algum motivo para isso?

Elesis não respondeu. Não deveria dar informações confidenciais da Grand Chase, mesmo a um dos seus!

– Aliás, por que os paradons pararam de funcionar durante o ataque?

– Ah, sim, a falta de energia por todo o continente está enorme. A cidade abandonada está sem nenhuma energia de natureza elétrica! Então, para gerar energia, nós seis andávamos movimentando aquelas turbinas através de força braçal, para que os paradons pudessem conter os invasores. No entanto, a energia mecânica têm falhas se comparada a outras fontes, ainda mais quando estamos tão distantes daqueles que recebem a energia, como os paradons no caso.

– O.K., O.K., agora que tudo foi passado a limpo, por favor, mantenham os paradons fora de funcionamento até o momento em que Ryan voltar com as outras membras da Grand Chase. Isso é uma ordem de primeira classe de emergência, da Grand Chase, sujeita a prisão no caso de negação.

Os cavaleiros se olharam com medo, mas disseram que fariam tudo como Elesis mandou.

Com uma despedida sem emoção alguma, Elesis prosseguiu sua viagem. Corria rapidamente, pouco demorou para que sumisse completamente de vista. Ryan, por outro lado, chegava ao encontro das amigas.

– Podemos ir. – avisou.

***

O grupo de Ryan chegava à cidade abandonada enquanto Elesis parava para tomar água e os seis cavaleiros eram atacados. Nenhum sobreviveu. Os dois olhos cuja expressão lembrava a palavra “vingança” logo sumiram de onde estavam os cavaleiros mortos. Contudo, ele deixou seu presentinho ali: a magia jogada fez com que as turbinas de geração de energia se movimentassem na velocidade máxima, velocidade a qual nem mesmo os cavaleiros atingiam quando juntavam suas forças para mantê-la em funcionamento.

Assim que pisaram na cidade se depararam com um gigante paradom atirando lasers para todo canto.

“Dessa vez tem só um, mas esse é poderoso. É melhor separarmos e o primeiro que chegar ao fim parar a turbina... Ou ficarmos juntos e derrotá-lo visando a sobrevivência de todos?”, deparou-se Ryan com sua dualidade.

– Segure-se Lire. – pediu Wendy, que sabia que o maior dano de Lire estava nos braços, mas ainda assim teve que pedir que ela mantivesse suas mãos firmes em sua pele, para não cair.

Lire agarrou as costas de Wendy, que pulou no prédio semi-destruído e de lá rugiu, esperando que aquilo detivesse o paradom.

– O paradom é um robô. Esse metal resistente não será arremessado com uma ventania desse porte. – lembrou-a Lire.

– Nesse caso só resta isso. – pressupôs Wendy, pulando no monstro de metal enquanto o mesmo apontava uma de suas saídas de laser nela.

O grande Paradom caiu e instantaneamente teve ao seu redor uma barreira mágica criada.

– Essa barreira só aguenta alguns ataques. – falou Arme. – precisamos sair daqui agora!

Enquanto o paradom derretia a barreira com seus lasers atirados para todo lado, todos corriam. Chegando ao fim, escutaram a quebra da barreira.

– Ele está vindo! – avisou Arme, aflita.

Ryan agiu rápido e quebrou a turbina, em pleno funcionamento, em duas partes. O gigante paradom caiu.

– Ufa. – falou Arme, jogando-se no chão.

– Julgando a atitude de desespero de Elesis, temos realmente tempo de descansar como Arme está fazendo? – quis saber a arqueira.

– Está tarde. Hora de dormir.

***

Elesis estava com seu vigor restaurado pela água da fonte que encontrou. Pegava sua espada, antes jogada ao lado, para continuar andando.

“Elesis, aquele que matou os cavaleiros de Canaban e acionou a turbina está chegando. Fique preparada”, Elesis ouviu. Sabia que aquele voz era da sombra que a perseguia. Fez um “tsc” de raiva por ela reaparecer, mas considerou o aviso como sendo verdadeiro.

No mesmo instante um vento puxou tudo ao seu redor. As árvores se despedaçaram, a água era puxada. Elesis também era cortada pelo vento, mas ela mantinha seu corpo duro para que fosse puxada com pouca força. De qualquer forma, uma vez que o local que o vento vinha era óbvio, Elesis também sabia por onde deveria atacar.

“Já sei!”.

Elesis atritou sua espada com o ar da maneira que apenas ela sabia fazer, criando chamas, e o vento puxou as chamas de tal maneira que o próprio vento as fortalecia e propagava.

O vento cessou. Elesis não enxergou nada.

“Se eu fosse dar um palpite, aquele era o Gaicoz”, falou a sombra sem mostrar-se. “Mas ele se teletransportou, não está mais por aqui”.

Elesis considerou aquilo outra verdade. Outra vez as intenções da sombra (a quem ainda detestava por avisar da morte de seu pai) eram as melhores. Ela a avisou do perigo e a ajudou assim, mas por que diabos a perseguia?

– Seja como for. – falou a si mesma, tentando achar conforto em agir sem as parceiras de equipe a quem já estava acostumada – Esse é o caminho que devo seguir.

Elesis tentava reunir confiança. Sozinha e praticamente sem dormir no intuito de chegar logo. Deveria invadir o local de Gaicoz e isso era uma grande tarefa! Teria que dar conta disso!

Notas finais
A imagem foi retirada da internet e não é de minha autoria.