Graduation

1 Capítulo 1 - Eric Cartman


Notas iniciais
Galeeeera, minha primeira fic South Park e eu abordei o casal mais lindo do planeta: Kyman! Infelizmente será uma fic curta (5 capítulos no máximo), e se gostarem poderei escrever também Creek e Stenny no mesmo universo. Vamos ver se dará certo *-*Por favor, comentem com suas críticas leitores lindos ♥

Olhei pelo corredor com um ar de superioridade e fui até meu armário. Todos me encaravam quando passava; eu não estava normal, não estava tirando sarro como costumeiramente fazia, algo estava me desanimando... Só não sabia o que.

Abri o armário e remexi em algumas coisas dentro. Os materiais ficavam escondidos em baixo de tantos presentes que recebia, e aquilo estava me cansando. Soltei um suspiro longo e joguei os lembretes para o lado, colocando com algum esforço os livros que não usaria mais.

– Eric! – Assustei-me com a voz.

– Butters. – Disse, friamente como o de costume.

– Ah... Ern... Eu, eu gostaria de saber se... Você... Quer comer comigo! Se quiser pode comer meu lanche, trouxe coisas realmente gostosas. – Aquele loiro era tão inocente. Uma gracinha.

– Butters, quantas vezes tenho que falar para não ser tão idiota como esta sendo agora? – Franzi o cenho, ainda que não estivesse bravo com o comportamento dele.

– Ahhh! É, você sempre fala isso, mas é que... Às vezes eu não sei como reagir e...

– Ah, que seja. – Aproximei-me daquele anjo e colei meus lábios imediatamente com os dele, pressionando-os com alguma força a ponto de fazer com que ele desse um passo para trás. Abri meus olhos por segundos e percebi como o rosto dele estava corado. Afastei-me e não deixei de exibir um sorriso irônico. – Ainda se envergonha com isso? Já devia estar acostumado, fizemos coisas piores... – Provoquei, adorava ver Butters envergonhado.

– Waaaah! Eric! – Ele bateu em meu ombro com sua costumeira delicadeza, fazendo com que eu soltasse um riso bruto. – Desculpe!

– Butters, seu imbecil. Vamos almoçar. – Levantei meus olhos para seguir o corredor e parei quando vi aquela pessoa.

Ah, Kyle Broflovscki... Meu sangue subiu no instante em que me deparei com ele.

O judeu estava na presença de Stanley Marsh, seu melhor amigo, e ambos se direcionavam até seuss respectivos armários conversando animadamente.

Vê-los juntos me estressou mais que o normal.

– Vá indo ao refeitório, daqui a pouco apareço por lá. – Disse para Butters, meu atual namorado.

Quando ele já atravessava o corredor, aproximei-me da dupla inseparável e usei de minha palma para fechar o armário de Kyle, sequer me importando com o que ele estivesse fazendo.

– Qual é seu problema, bundão?! – Não esperava menos do ruivo. O cenho franzido e a voz agressiva mostrava que ele estava pronto para o “combate”. – Eu estava arrumando minhas coisas! Quer tirar essa mão daí?

– Não quero – Respondi, simplesmente.

– Cartman, tire sua mão daí já. – Ele tentou ser paciente, mas sabia que não daria certo, afinal, me conhecia.

– Porque você não vem tirar? – O desafiei com meu sorriso que o tirava do sério. – Seu judeu estúpido.

– Chega! Hoje não vou discutir. Estou com um ótimo humor para você estragar. – Ele me respondeu com um ar cansado, mas obviamente eu não pararia tão cedo.

– Oh, o judeu está de bom humor? Só pode ter dinheiro envolvido! – Ri alto, chamando atenção de quem estava por perto.

– Arght! Você não vai me deixar em paz mesmo, não é seu bundão?! Acho que vi o Butters indo para o refeitório, porque não vai lá já que ele é seu namorado? Saia da minha frente!

Olhei Kyle um pouco surpreso. O tom que ele usou aparentou um leve interesse na minha relação com Butters... Ou era só impressão?

– Porque esta colocando o Butters nisso?

– Por que... Porque ele é seu namorado e está sozinho no refeitório. Ah, só... Só saia da minha frente. – Sem cerimônias, aquele ruivo empurrou minha mão do armário e tirou dali o livro que usaria na próxima aula. Exibi um sorriso vitorioso quando vi a matéria: incrivelmente a mesma que a minha.

– Biologia, huh, Kyle? É uma matéria bem legal. – Não consegui evitar meu sarcasmo.

– E porque eu iria querer saber sobre as matérias que você gosta?

– Porque a próxima aula dele também será biologia. – Stanley, que até então estava quieto, tomou a frente para explicar minha ironia. Tremi de raiva. Stan sempre tinha que se meter nas minhas brigas com Kyle.

– Judeu lerdo. – Foi só o que consegui comentar, visivelmente irritado.

– O que? Não me chame de lerdo. – Ele prontamente me respondeu, trancando o armário. – Vamos Stan, não quero perder mais um minuto do meu intervalo com esse gordo.

– Nos vemos depois Cartman. – Stan disse de forma indiferente e acompanhou Kyle até o refeitório.

Antes de me encontrar com Butters fui ao banheiro, e obviamente não pude deixar de encarar meu reflexo. Quando eu era criança não controlava minha alimentação e por conta disso tive algumas complicações no meu peso, mas agora? Toda a gordura havia virado massa e eu me esforcei muito para perder os (muitos) quilos extras. Não estava magro igual àquele judeu estúpido, porém estava longe de ser gordo.

Cheguei ao refeitório bufando. As palavras de Kyle não saiam da minha cabeça e eu nem sabia o porquê impliquei-me tanto com elas.

Sentei-me ao lado de Butters com rudez e fiz com que ele desse um pulo de susto.

– Eric...Você está bem? – A voz saiu insegura, como sempre ocorria quando ele me via irritado.

– Shiu. Só come. – Resmunguei enquanto roubava alguns filetes de batata do prato dele.

– Ahhn... Ok. – Ele me respondeu.

O silêncio perdurou por um bom tempo. Eu realmente não estava a fim de falar. De longe via Stan e Kyle conversando animados e quis me apedrejar por não conseguir escutar sobre o que falavam. Meus olhos se concentraram em algo que eles viam sobre a mesa – um tipo de panfleto – e me perguntei o assunto. Até pensei em ir lá e matar minha dúvida, mas o orgulho falava mais alto.

Tinha que pensar em outra saída para descobrir sobre o que se tratava o panfleto. Logo me veio à cabeça Kenny. Kenneth McCormick andava conosco — o que era para ser um quarteto — e dividia de muitos segredos com Stan e Kyle; e para minha sorte ele estava lá partilhando sobre o assunto que parecia tão legal!

Exibi um sorriso satisfatório e virei-me para Butters. Envolvi os ombros dele com meu braço e o puxei para mais perto, dando-lhe um beijo provocativo no rosto.

– Eric? – A voz dele tremia.

– Hm...? – Desci os lábios para o pescoço do meu loirinho e comecei a distribuir beijos rápidos, tocando a perna dele com minha palma direita. Inicialmente houve resistência, mas ele desistiu, sabia que era inútil lutar contra as minhas vontades.

– O que raios estão fazendo? – Ah... Aquela voz.

– Kyle! Waaah, nós... Nós estávamos comendo! – Butters me empurrou com força para o lado. Droga.

– A gente estava se pegando, e você, estraga prazeres, atrapalhou tudo. – Retruquei.

– Que seja, só vim deixar esse panfleto com vocês. – Passei o olho rápido pelo folheto, que era, inclusive, aquele que me matava de curiosidade.

– Festa de formatura? – Indaguei. Nem ligava para aquilo.

– É. Eu sei que você nem se importa com isso, ma...

– Acertou em cheio. – Interrompi o ruivo, que me olhou como se eu tivesse cometido um crime. – Tá, tá, continue.

– Mas tem muita gente que se importa, e infelizmente é obrigatória a presença de todos os formandos. Então se não vai fazer alguma coisa, pelo menos não atrapalhe. – Ele disse olhando diretamente pra mim, como se eu atrapalhasse algo!

– Oh, com certeza iremos participar! – Butters olhou Kyle com um doce sorriso.

– Só não deixe com que o inútil do seu namorado atrapalhe.

Cada vez que ele falava para eu não atrapalhar, dava mais vontade de estragar aquela festinha!

– Eu não vou atrapalhar, porque tem essa impressão de mim? Judeu estúpido!

– Só quero me certificar que você vai ficar longe da organização, seu gordo idiota!

– Organização? – Perguntei. Porque eu me meteria na organização? Ela era feita pelos coordenadores e professores, afinal. Que judeu burro.

– Você está tomando a liderança da organização, não é Kyle? Nossa, deve ser muito trabalhoso.

– Sim Butters. Da trabalho, mas eu consigo dar conta.

O que? Kyle era quem estava organizando os preparativos da festa? Para mim ela era feita por responsáveis pela instituição, mas pelo visto errei... E que erro delicioso.

– E quero deixar tudo perfeito para a festa. – Kyle pareceu entusiasmado, e eu mais ainda.

– Eu com certeza vou adorar participar dessa formatura! O que tiver que ser feito, eu farei. – Bati na mesa com o punho fechado.

– O que é isso?

– Isso o que, Kyle?

– Essa repentina animação. Cartman, o que é isso?

– Eu só fiquei animado, porra!

– Não, você não só ficou animado. Com certeza está armando alguma coisa.

– Não, não estou. – Respondi. Ele me conhecia bem, esconder-me dessa era difícil.

– Cartman, se fizer alguma coisa contra a organização saiba que se arrependerá amargamente. Todos querem que essa formatura dê certo.

– O que está acontecendo? – Era Stan, que como sempre estava na cola de Kyle. No mínimo irritante.

– Nada Stan. Já estava de saída. Só vim avisar esse casal sobre a festa de formatura. – O judeu deixou conosco os panfletos e, antes de sair, virou-se para mim. – Espero que minha mensagem para você tenha sido clara Cartman: nem pense em estragar essa festa.

Ele estava fazendo de propósito? Se tinha algo que eu gostava de fazer era contrariar.

– Pode deixar comigo, Kyle. – Minha voz saiu em tom de um recruta respeitando seu major, obviamente recheada com muita ironia.

– Estou falando sério! – Ele soltou aquele grunhido que só aparecia em momento de muito estresse, como eu adorava esse som!

– E você acha que eu estou brincando? – Perguntei inocente.

– Argth! Que seja. – O ruivo deu as costas para mim e caminhou para fora do refeitório junto com Stan.

Fiquei olhando os dois de relance. Aquele estranho desânimo que estava sentindo antes começou a me intrigar de novo. Não entendia o porquê estava daquele jeito. Soltei um suspiro longo e comi a pouca comida que me restava, virando-me para Butters pronto para me despedir.

– Estou indo para a aula, se quiser podemos nos ver na saída, pode ser? – Perguntei já me levantando. Teria a mesma aula que o judeu, e irritá-lo poderia me alegrar um pouco.

– Tá bom Eric, então... Nos vemos na saída.

Tomei o loiro em um abraço e depositei um beijo rápido nos lábios dele. Logo após soltá-lo caminhei em direção à sala de biologia, mas antes de chegar nela, deparei-me fronte a porta do orientador.

Olhei-a longos segundos. Diversos pensamentos vieram a minha cabeça; Estávamos no último ano do colegial e tão logo nos separaríamos para tomar rumos diferentes em nossas vidas... A faculdade era outra fase e a maioria nós ficaríamos separados. Kyle tinha razão, eu não podia estragar a formatura, não queria que todos se lembrassem de mim como um destruidor! Mas eu também não podia deixar esse momento passar em branco, sem algo realmente memorável.

Bati na porta do orientador até ser atendido.

– Eric Cartman? Hmm... O que fez agora?

– Senhor Mackey. – Cumprimentei o orientador, adentrando a sala quando me foi permitido. – Eu não fiz nada. Porque raios acha que fiz alguma coisa?

– Porque você é o Eric Cartman, m’kay? Então me diga, o que fez agora?

– Eu já disse que nada! – Disse sem paciência, mas no instante seguinte minha voz se apaziguou. – Porém eu gostaria de fazer.

– Como assim? – Ele se sentou e indicou para que eu fizesse o mesmo.

– Sobre a festa de formatura... Quero saber mais sobre ela.

– Alguma dúvida em específico? – Deu para perceber que ele estranhou meu interesse. Todos sempre ficavam um pé atrás quando eu tentava ser sério.

– Sobre a organização.

– A festa, apesar de ter acordo entre os superiores, é totalmente organizada pelos alunos, m’kay? Você gostaria de fazer parte da organização?

– Sim. – Respondi totalmente interessado. Não era só fazer uma festa realmente memorável, era estar ao lado de Kyle, irritando-o ao máximo antes que ele partisse para a faculdade. – Tem como?

– Na verdade o Broflovscki pediu para que eu não deixasse ninguém entrar na organização principal além dele. Ele tomou as rédeas para fazer tudo sozinho, m’kay?

– O que é isso, senhor Mackey? Kyle pediu para que ninguém entrasse na organização? Eu quero fazer parte disso tanto quanto ele!

O senhor Mackey me olhou desconfiado e logo depois pegou uma pasta que continha papéis dentro, analisando-os apressadamente e voltando a me encarar quando terminou a prévia leitura. Arqueei uma de minhas sobrancelhas, bastante confuso.

– O que foi? – Perguntei nervoso.

– Bom, parece que seu histórico no colégio, não só no comportamento como também nas notas, é péssimo. Eu posso coloca-lo na organização e dar-lhe notas complementares por conta disso. Mas terá que se esforçar muito, m’kay?

Só podiam estar brincando comigo. Aquele era realmente meu dia de sorte! Iria participar da organização da festa, ter a possibilidade de encher Kyle durante as tardes e ainda por cima ganharia notas complementares. Sorri de modo bem satisfatório e levantei-me da cadeira.

– Claro que eu me esforçarei. – Disse no meu costumeiro ar convencido. – Estou atrasado para minha aula de biologia, se não se importa.

– Oh, vá para a aula e mais tarde conversaremos. Quando sair feche a porta, m’kay?

Assenti positivamente com a cabeça e sai da sala, fechando a porta como assim me foi ordenado.

Caminhei até meu armário e o abri cuidadosamente, procurando no meio de tantas lembrancinhas meu livro de biologia. Que droga, o que se passava na cabeça de Butters ao deixar tantas tranqueiras se acumularem desse jeito? Tinha algumas cartas de amor extensas, que sinceramente nem cheguei a ler, e presentinhos de pequeno porte, como bichinhos e chaveirinhos; como ele poderia achar que gostaria de receber essas coisas? Fechei os olhos pacientemente e peguei – com muito esforço – o desejado livro.

Com o material em mãos, fui para a sala de biologia, e chegando lá me desculpei pelo atraso. O professor relevou e pediu para que eu me sentasse, e eu andei diretamente para onde Kyle estava.

– O que temos aqui? – Perguntei com um sorriso sacana.

– Caso não tenha percebido, estamos dissecando um sapo. – Kyle me respondeu seco.

– Então farei dupla com você.

– Não, não fará. Clyde está comigo.

Olhei para Clyde. Já sentia a raiva me dominar.

– Oi Cartman.

– O que você tá fazendo Clyde?

– Estou prestes a dissecar o sapo. – Ele me respondeu com indiferença, e isso fez com que minha paciência chegasse ao limite.

– Porque você não vai fazer com outra pessoa? Caso não tenha reparado, o Tweek está livre! – Resmunguei de uma forma que não chamasse atenção do professor, mas visivelmente irritado para quem estava nas proximidades.

– Então porque não vai você?

– Porque o Tweek é seu amigo porra! Agora dê o fora daqui e vá fazer dupla com ele.

– Cara, o Tweek é totalmente problemático com isso.

– Cartman, vá fazer com ele. – Kyle se intrometeu, e ele me pareceu estranhamente frio.

– Eu já disse que vou fazer dupla com você, então Clyde, porque raios você ainda está aqui?! Vá com o Tweek, ele é seu amigo!

– Ok... Irei com ele. – Clyde bem me conhecia, e sabia que eu não o deixaria em paz até que ele saísse de perto do Kyle... Afinal, quem ele pensava que era pra ficar tão próximo assim do judeu? Que estúpido.

Quando Clyde saiu, eu rapidamente tomei seu lugar. Meu olhar se direcionou para o ruivo e eu soltei um suspiro vitorioso já começando minhas implicações com ele.

– Sou sua dupla. – Sorri maldosamente.

– Argth, que seja. – O judeu simplesmente deu de ombros. Como podia?

– Está fazendo errado. Judeus não sabem dissecar sapos.

– Quer fazer você?

– Que?

– Perguntei se você quer fazer. – Aquela não era uma reação normal. O Kyle que eu conhecia com certeza iria bater de frente e me xingar. O que estava acontecendo?

Fiquei os segundos seguintes quieto, até que uma ideia relevante surgiu na minha cabeça.

– Parece que passaremos a tarde juntos. – Disse, vendo-o dissecar o sapo.

– Do que você esta falando?

– Essa tarde, e as próximas até a decoração e organização da festa de formatura estarem prontas.

Ele parou de mexer no sapo assim que terminei de falar.

– Como assim, Cartman?

– Ah, acho que você não esta sabendo por que é uma notícia muito recente, mas eu ficarei, a partir de hoje, ajudando você com a festa de formatura. Legal não é?

– Não ficará, pois eu farei tudo sozinho. – Voltou a dissecar o animal.

– Ah, o senhor Mackey comentou algo sobre você estar querendo armar tudo sozinho, mas então me colocou para ajuda-lo! A gente vai se divertir muito nas tardes, temos muitas até a formatura! – Ri. Dessa vez sabia que tinha tirado Kyle do sério.

– Ok Cartman, pode parar agora o que esta planejando em fazer! Vou falar com o senhor Mackey no final do tempo e pedir para te tirar, porque com certeza está pensando em fazer algo para estragar a festa que eu irei organizar! – O judeu jogou as ferramentas em cima do balcão.

– Pode falar, mas não penso que fará com que ele mude de ideia. É Kyle, acho que o jeito é aceitar que eu irei te fazer companhia todas as tardes para que façamos a maior festa de todas.

A expressão irritada de Kyle alimentava minha alegria. Pensar em passar todas as tardes com ele não me parecia uma má ideia; eu estava feliz.

Estranhamente feliz.

(...)

Notas finais
HEHE pedindo novamente reviews, assim posso me comunicar com vocês :3