Graduation

2 Capítulo 2 - Eric Cartman


Notas iniciais
GENTE MUUUUITO OBRIGADA PELAS REVIEWS DO CAP 1 ♥♥♥ Ok, eu sei que demorei para postar, mas saibam que toda vez que eu desanimava para escrever, eu vinha aqui ler trechos da história e os reviews! Deram a maior força, sério *-* Bom, aqui está o cap. 2 todo cheio dos tramas Cartman HAHAHAHA Espero que vocês gostem e peço que ao final por favor deixem reviews. Pode ser xingamentos, elogios e monólogos; eles dão aquela força pra continuar! BOA LEITURA ♥

– Senhor Mackey, você não percebe que ele só quer bagunçar toda a organização? Não é nenhum segredo que ele implica comigo desde quando éramos crianças, porque acha que o Cartman estaria fazendo isso por uma boa ação?

Olhei o relógio de meu pulso com a expressão visivelmente entediada. Fazia quinze minutos que eu estava na sala do orientador ouvindo as intermináveis reclamações de Kyle sobre as minhas intenções na organização da festa.

– Sinto muito, Broflovscki, mas ficou decidido que Eric Cartman o ajudaria na organização, m’kay. – E o Mackey usava sempre do mesmo discurso. O que ele estava demorando a entender era que Kyle não engoliria aquilo tão fácil.

– Mas antes estava decidido que eu faria isso sozinho! – O ruivo retrucou em alto tom.

– Antes, você disse certo Kyle. Agora eu irei ajuda-lo.

– Cale sua maldita boca Cartman!

– Borflovscki controle suas palavras, m’kay? – Mackey interveio, mas era tarde demais, eu já havia me irritado o suficiente para conseguir me conter.

– Por que custa tanto a entender que eu irei fazer parte da organização, decorar e planejar a formatura junto com você? Será que isso não consegue entrar nessa sua cabeça de judeu?!

– Ah não, você não vai fazer parte da organização coisa nenhuma seu gordo imbecil! Com certeza o senhor Mackey irá repensar nessa decisão precipitada e dispensar sua ajuda, não é senhor Mackey?!

– Ele não vai, porque você é um judeu estúpido e egoísta que acha que pode fazer tudo sozinho sem ter mais opiniões sobre como vai ficar a festa! Eu não confio em você, Kyle!

– Eu tenho muito mais razões para desconfiar de você do que você de mim! – Ele disse apontando o dedo em minha direção. Quem ele pensava que era para fazer isso?

– Você é um judeu! Um estúpido judeu! Como pode achar que eu tenho menos credibilidade que você, um idiota que só faz coisas imbecis?! – Cobri a voz dele com a minha.

– Argth! Já chega Cartman, dessa vez você passou dos limites!

Dito aquilo, ele voou em minha direção e me empurrou com força da cadeira. Cai desastrosamente e gemi com a pancada, mas a adrenalina que subiu foi tanta que quase não senti dor.

– Kyle, seu filho da puta! – Levantei com tanta raiva transbordando em meu olhar que cheguei a sentir o discreto medo do ruivo. Eu ia matar aquele judeu desgraçado.

– Parem já com isso! Kyle, o Cartman irá fazer parte da organização com você, independente do que você fale, e Cartman, se chegar a fazer alguma gracinha, como você bem gosta de fazer, Kyle irá contar diretamente para mim e você terá a devida punição! Espero que eu tenha sido bem claro, porque não vou mais estender essa discussão, m’kay? Agora os dois saiam já da minha sala! Vocês tem um mês para organizar tudo e é bom se apressarem!

– Mas senhor Mackey você não pod...

– Não ouviu o que eu disse Kyle? Não irei mais estender essa conversa! – É, ele havia perdido o completamente o controle, apesar de estar longe de colocar medo em qualquer um de nós.

Saímos da sala a contragosto e paramos em frente à porta. Olhei o ruivo de canto e percebi que ele permanecia com os braços cruzados, muito irritado para falar comigo. Mas precisaríamos conversar, afinal, estávamos juntos na organização. Eu e Kyle, Kyle e eu. Invariavelmente sorri com a primeira vitória.

– Então, o que faremos, hm Kyle? – Obviamente minha voz ostentava ironia.

– Por hoje nada. Irei para minha casa porque preciso descansar. – A voz de Kyle soou derrotada; ao que parece estava se conformando de nossa cooperação em prol a uma boa festa de formatura.

– Casa? Descansar? Não ouviu o que o Mackey disse? Um mês para os preparativos, Kyle, um mês. Deuses, será que sou o único responsável com algum senso de tempo? – Resolvi brincar mais um pouco com a situação, mas parei assim que senti o olhar de Kyle me fuzilando de forma drástica. Não estava assustado, todavia irritar demais aquele judeu estava longe dos meus planos. Com a dose exagerada, ele poderia desistir da organização e me encrencar. – Estou brincando. Seu senso de humor está péssimo, Jesus.

– Cartman, estamos juntos nessa, infelizmente, mas isso não te dá nenhum direito de conversar comigo, olhar no meu rosto e sequer chegar perto de mim. Mantenha pelo menos um metro de distância e só abra sua maldita boca se realmente precisar da minha ajuda. – Tom ameaçador, confesso que tremi um pouco com aquela voz tenebrosa e ligeiramente baixa. – Então não venha com essas brincadeiras desnecessariamente importunas e tampouco tente me irritar, porque quando eu explodir Cartman, eu juro que não vou me segurar para voar em seu pescoço e arrancar sua cabeça com um soco certeiro no seu nariz... Estamos entendidos?!

Enquanto falava, o ruivo invariável e gradativamente se aproximou de meu corpo. Racionalizando mais que ele, eu me afastei o máximo que podia, até por fim encontrar os armários que se estendiam pelo corredor e me impediam de ir além. Abaixei o olhar, visto que o judeu era alguns centímetros menor do que eu, e arqueei a sobrancelha em entonação sarcástica, exibindo um sorriso de quem tinha poucos amigos só para desafiá-lo.

– E você está em posição de falar alguma coisa, judeu estúpido?

– Cartman, o qu...

Não dei a chance para ele completar a frase. Em um movimento rápido, um tanto brusco, troquei as posições que nos encontrávamos e joguei-o contra os armários, prendendo ambos os pulsos com minhas mãos numa pregada forte para impedi-lo de movimentar os braços. Como já sabia que ele tentaria me chutar, ou fazer algo similar, juntei os corpos de forma ousada e os pressionei com alguma força, chegando até mesmo a fricciona-los maliciosamente só para deixar o judeu constrangido.

– C...Cartman..!

Obviamente consegui. A fraqueza corporal e batimentos cardíacos acelerados vindos do ruivo acabavam entregando-o. O que eu não esperava – e não esperava mesmo – era que eu também fosse ficar assim. Mesmo não vendo eu sabia que meu rosto estava descaradamente corado, sem falar do ritmo cardíaco que explodia em meu peito de forma inexplicável. Cedi, e nisso acabei dando uma brecha para que Kyle pudesse se soltar; brecha essa que não foi aproveitada.

Ficamos nos encarando por algum tempo, em silêncio, ainda com resquícios da tensão da recente briga. Sequer havia reparado em como nossos rostos estavam próximos, só senti as respirações se misturarem com um leve toque sensual, ainda que predominantemente romântico.

Meu corpo, que até então realizava uma locomoção perversamente dissimulada, paralisou por completo. Meu olhar, que antes fitava os orbes esmeraldas do judeu, desceram rapidamente para os lábios róseos que ele possuía e ali ficaram. Era estranho admitir, levando em consideração, principalmente, que eu sempre odiei Kyle, mas eu queria beijá-lo. Algo em meu interior gritava para fazê-lo... E quase fiz. O que me impediu foi o estrondo causado logo atrás de nós pelo senhor Mackey, o qual, ao sair da sala, derrubou algumas das muitas pastas que carregava.

O ruivo me empurrou pelo susto sofrido. Ele estava desequilibrado por minha repentina atitude. E eu? Deixei-me levar; impus uma distância significativa entre nós e encostei meu corpo numa parede próxima, precisando de alguns segundos para conseguir raciocinar novamente. Onde estava meu senso, afinal?

– Senhor Mackey... Precisa de ajuda?

– Gostaria, Broflovscki. Será que poderia pegar as pastas para mim, m’okay?

– Claro. Vamos, eu levo metade.

– M’kay.

Fiquei olhando os dois se afastarem, particularmente com o foco voltado para Kyle. O que eu tinha acabado de fazer? Empurrei o judeu contra os armários e quase o beijei? Eu quase beijei Kyle? Só podia ser um pesadelo.

Pesadelo esse que não queria acordar.

– Argth! O que estou pensando?! Eric Cartman, você só pode estar enlouquecendo. É isso que dá ficar muito perto de um judeu: você enlouquece. – Disse para mim, tentando me convencer que minha imaginação libidinosa era culpa do ruivo, o que, de uma forma ou de outra, fazia sentido. A culpa era do Kyle.

Bufei. Aquilo não estava fazendo com que eu me sentisse melhor. Normalmente, quando sentia minha consciência pesada, simplesmente jogava a responsabilidade para longe, culpando alguém mais vulnerável e que não me questionasse quando fizesse isso. Nos tempos passados a vítima era o Butters, mas agora ele era meu namorado.

– Butters... Ah, droga!

A discussão com o orientador e minha briga com o Kyle fizeram com que eu me esquecesse do compromisso que tinha com o Butters. Fiquei de me encontrar com ele logo após as aulas em frente ao colégio, mas havia se passado quase uma hora desde que o sinal da última aula tocou.

Sai correndo com a esperança de que ele ainda estivesse lá, e para a minha não surpresa, ele estava.

– Butters.

– Eric! – Ele se virou para me encarar com aquela animação singular. No mesmo segundo eu torci o nariz em uma careta e evidenciei certo irritamento com o comportamento dele. Quase uma hora atrasado sem dar qualquer satisfação, acho que no mínimo um tapa eu merecia.

– Acabei me atrasando. Culpa daquele judeu filho da puta.

– Kyle? – Que pergunta óbvia.

– E por acaso tem outro judeu filho da puta no colégio? – Fiz questão de repetir o “filho da puta”.

– Ah... Não...

Estava acontecendo de novo. Na verdade acontecia todo dia. Magoar Butters sempre foi uma rotina, e eu acabei me acostumando a ela; estava tão acostumado que não via limites em minha grosseria. Só depois de alguns longos segundos percebi que minha resposta-pergunta rude havia, de alguma maneira, deixado meu namorado constrangido.

– Butters, você não vai nem me perguntar o porquê eu cheguei atrasado? – Optei por mudar de assunto já que se desculpar nunca foi meu forte.

– Stan me falou que você foi conversar com o orientador junto com o Kyle. É por isso que você está com tanta raiva dele?

Comecei a andar pela calçada do colégio, seguindo a caminho de minha casa enquanto era acompanhado por Butters. Então ele já sabia o motivo de minha ausência. Será que ele tinha conhecimento da minha participação nos preparativos da festa?

– Sempre estou com raiva dele. Mas olha, não vamos falar de judeus, isso acaba me deixando mais estressado do que o normal. Como foram as aulas hoje? – Perguntei, mas sequer estava interessado na resposta.

Butters se animou um pouco com minha iniciativa em conversar, e depois que começou a falar, não parou mais. A voz dele entrava por um ouvido e saia pelo outro, nada daquele – muito extenso – monólogo fixava na minha cabeça. Eu estava distraído, pensando em outra coisa bem distante dali.

Ah, não tinha como me enganar, era tudo culpa do Kyle! Porque eu quase fui beijá-lo? Acho que pior do que trair Butters, seria trair a mim mesmo; Kyle sempre foi tudo o que eu mais odiei. Ruivo e judeu, com um adicional de que vinha de Jersey. Nossa inimizade nasceu ainda quando éramos crianças e só foi crescendo com os anos. Confesso que algumas vezes, no decorrer de nossa convivência, eu me senti atraído por ele e obviamente quis me matar pelo tipo de pensamento que contornava minha cabeça, mas me perdoei, afinal, não fazia muito tempo que eu havia assumido minha homossexualidade.

A questão era: tudo o que tinha guardado para mim estava se libertando, como se alguém tivesse aberto o baú dos meus sentimentos ocultos e eles estivessem escapando sem eu nem mesmo ter a chance de pegá-los. E posso dizer uma coisa, essa sensação é uma merda.

– É estranho, não é, Eric? – Butters me cutucou enquanto soltava risadinhas ofensivas. Provavelmente estava falando mal de alguém. Mas o que ele havia falado mesmo?

– Muito. – Tentei parecer ansioso e provavelmente devo ter conseguido; minha sede por manipulação me ajudava a ser um ótimo ator. – Você está muito falante hoje.

– Ah, estou? Isso está incomodando?

Um pouco. Pensei em falar, porém me segurei.

– Não. – Respondi sem demonstrar minha indisposição com aquela conversa. – E você ficou aqui sozinho ou Stan te acompanhou?

– Stan me acompanhou. Ele estava esperando o Kyle.

– O que? E por que quando eu cheguei, ele não estava com você?! – Porque raios estou tão alterado? Ah, aquilo estava começando a me irritar de verdade.

– E...Eric? – Obviamente deixei o coitado com medo, afinal, minha pergunta mais se assemelhou a um grito do que a uma pessoa civilizada conversando.

– Se ele falou que ia te acompanhar... Ele... Ele deveria ter te acompanhado até a hora que eu chegasse! – Cocei minha cabeça um pouco constrangido pela cena feita. A verdade era que escutar o nome “Kyle” numa frase que envolvesse Stan me deixava realmente puto.

– Ah, na verdade ele saiu alguns minutos antes de você chegar. Falou que ia ver se vocês já tinham acabado de conversar.

– E pelo visto não voltou. Droga... – Pigarreei alterado. – Mas que se foda ele! Venha, vamos para minha casa.

Butters apenas concordou comigo, ele não tinha outra opção ao final das contas.

Estávamos andando. Nós poderíamos muito bem pegar um ônibus ou até mesmo um táxi, mas caminhar relaxava, e eu estava muito nervoso para conseguir me controlar. Butters insistia em puxar assunto, muito animado do jeito que ele sempre foi, porém minha cabeça continuava vaga. Meus olhos focavam a rua, nada muito específico, e de pronto se esbarraram em Kenny. Ele estava sentado na calçada enquanto fitava algum ponto perdido no céu como um alguém distraído. Eu me certifiquei que ele estava mesmo “nas nuvens” quando me aproximei de maneira rude e relativamente barulhenta e ele não me notou. Butters foi o primeiro a se manifestar sobre, logo chamou a atenção de Kenny.

– Hey, Kenny!

– Ah, oi Butters, oi Cartman.

Ele me pareceu desanimado.

– E aí Kenny. O que você está fazendo aqui? – Perguntei só para ter algum assunto. Provavelmente ele estava lá por conta dos pais, afinal, a família Mccormick estava longe de ser uma das mais agradáveis de South Park.

– Nada, apenas pensando. – Ele me respondeu e deu de ombros.

– Você anda muito desanimado esses dias Kenny, tem se sentido bem? – Butters mostrou preocupação, como sempre fazia.

– Estou parecendo desanimado? – Kenny soltou risinhos. Ele era tão bonitinho quanto Butters. – Impressão sua. Na verdade eu estou esperando o St...

– Kenny! – Era o Stan. Por que aquela voz irritante dele sempre intervinha tudo? Que merda! – Desculpa a demora, o Kyle teve alguns problemas com o orientador. Butters! Conseguiu encontrar o Cartman?

– Lógico que ele conseguiu me encontrar! – Virei meu corpo para encarar Stan, mas ao invés disso eu me deparei com Kyle. O ruivo estava encolhido em seu casaco alaranjado e parecia estar bem tímido, tanto que estranhei o fato dele não me comparar com algum gordo ou me xingar com palavras análogas como costumeiramente fazia ao me ver. – ...

Bom, a verdade foi que nem eu consegui falar alguma coisa. Fiquei paralisado, me senti estranho, não sei o que deu em mim para não conseguir sequer fazer alguma brincadeira de mau gosto que envolvesse judeus ou ruivos. Olhei os orbes esmeraldas na minha frente e simplesmente emudeci.

– É, eu consegui encontrar o Eric!

Só fui acordar daquele “transe” quando meu namorado agarrou meu braço e contente o suficiente até me beijou no rosto.

– Cartman, não precisa tratar o Stan assim, ele cuidou do seu namorado enquanto você fazia uma cena desnecessária com o orientador. Será que você não pode ser um pouco mais grato? – Kyle por fim se manifestou.

E assim as coisas se normalizaram.

– Devolveram sua língua de judeu para que você voltasse a falar? Achei que tivessem tirado na segunda guerr...

– Nem ouse a completar essa frase, seu gordo desgraçado!

– Não comecem. – Kenny interveio meio irritado, e tinha motivos o suficiente para estar. Do meio do ano para cá eu e o Kyle começamos a brigar com uma frequência maior do que o normal, e isso gerava estresse até em terceiros. Mas na boa? Estava pouco ligando para o que Kenny ou qualquer outro ali pensasse sobre meu relacionamento com o Kyle; minhas brigas com ele tinham gostos melhores do que os frangos do meu querido KFC.

– Kyle, às vezes acho que você trata muito mal o Eric. – Butters interveio.

Obviamente não gostei nenhum pouco daquela intromissão, ainda mais porque Butters sequer sabia se defender.

– Como é? Eu o trato mal? – Houve um sorriso irônico por parte do ruivo perceptível para qualquer um ali. Estava claro que ele não queria brigar, mas o meu nome causava efeitos colaterais mais graves do que o próprio Kyle podia imaginar. – Você só pode estar cego e surdo, Butters. Não vê que todos os dias ele me xinga com algo relacionado sobre minha religião e sobre o meu físico? Isso é pouco pra você? É algo que se pode ignorar?

Apesar de muito bonita a atitude do meu namorado, não tinha como ele me defender... Não havia argumentos que fossem contra as palavras daquele ruivo.

– Você chama-lo de gordo também significa algo.

– Algo que eu chamo de troco. Argth! Quer saber? Esqueça o que eu falei. – Kyle pressionou os olhos cansado o suficiente para dar continuação àquela briga.

– Só viemos aqui encontrar o Kenny. Já estamos indo embora. – Era a voz do Stan de novo? Será que ele não sabia ficar quieto? – E só para deixar as coisas claras: Butters, eu fui te encontrar assim que esbarrei com o Kyle, mas como não te vi na entrada supus que você havia ido embora com o Cartman, e foi o que aconteceu de qualquer forma.

– Celular existe para comunicação. Você poderia ter mandado uma mensagem explicando a situação. – Reagi.

– Eu mandei mensagem, bundão.

– Você me chamou do que?

– Do que eu sempre te chamo. De bundão.

Todos sentiram o clima pesando, era impossível ignorar aquele ar denso. Se minha relação com o Kyle estava ruim, eu podia dizer com toda a certeza que com o Stan estava ainda pior.

A bem verdade é que eu nunca me dei tão bem assim com eles. Éramos do mesmo grupo, e sim, sempre houve muita consideração de ambos os lados, porém de uns tempos para cá eu via o Stan mais como um inimigo do que como um amigo. Se havia um motivo? Nenhum em especial... Eu acho.

– Já me encontraram, então podemos ir agora. – Kenny se intrometeu antes que eu explodisse. Eu devia estar com o rosto vermelho de raiva para ele agir de forma relativamente desesperada.

Kenny começou sua caminhada em direção oposta a minha, Stan deu de ombros e passou a segui-lo e Kyle, de primeira instância, permaneceu no mesmo lugar. Os orbes esmeraldas me encararam por um tempo que eu achei razoavelmente longo e os lábios entreabertos permaneceram imóveis. Não saíram palavras ordinárias deles, como pensei que sairia. Na verdade ele ficou quieto, apenas me olhando. Um silêncio incômodo, uma expressão que me pareceu triste e uma atitude que me deixou inquieto; Ele se virou e seguiu o caminho junto aos outros dois, mas havia deixado uma incógnita que me atormentou.

O que raios havia acontecido nesses segundos?

– Eric, não liga para eles. Você não é bundão.

– É, eu sei Butters. Venha, vamos para a casa.

Segurei a mão dele e caminhei em direção a minha casa. Nesse meio tempo conversamos sobre algumas coisas que aconteceram no nosso dia. Butters reclamou sobre Craig e Clyde, que acabavam sempre pegando no pé dele, já eu falei sobre meu desentendimento com o orientador e Kyle, aproveitando para explicar minha participação na organização da festa. Engraçado foi que ele não me pareceu surpreso com minha atitude repentina envolvida com o preparo da nossa formatura, o que me deixou confuso. Curioso do jeito que era, meu pequeno namorado jogaria mil perguntas ansiosas para saber mais sobre o assunto, o que não veio a acontecer. Foi até melhor, na verdade, pois eu não teria paciência de ficar respondendo nenhuma delas.

– Chegamos. – Finalmente havíamos chegado. O arrependimento de optar por voltar a pé já estava começando a me atormentar. – Está cansado?

– Não muito. – Butters me respondeu, mas a mentira estava escancarada no rosto dele. As bochechas coradas e os lábios ofegantes mostravam o contrário, como também incitavam algo que ia além do cansaço... Eu e minha mente fértil, tsc.

– Beba um pouco de água. – Enchi o copo com água e entreguei para ele. – É bom ficar bem hidratado. – Maliciei minhas palavras, mas elas não foram percebidas por Butters, aliás, ele não entendia nenhuma malícia.

– Obrigado, Eric. – Butters pegou o copo de minha mão e bebericou o líquido com bastante satisfação. – Sua mãe está em casa?

– Não. – Fui direto.

– Onde ela está?

– Você quer mesmo saber onde ela esta? – Sorri. Lentamente tirei meu casaco e o joguei por cima do balcão, aproveitando também parar despir minha camisa. Não necessariamente estava calor; minhas atitudes tendiam muito mais para a sedução do que qualquer coisa ligada ao clima. – Você não acha que está muito quente? Que tal me dar um gole da sua água? – Tive que mentir para dar continuidade àquele “jogo”, porém não esperei resposta.

Caminhei até o meu anjo e o empurrei contra a pia. Uma reação positiva veio dele e me fez sorrir com uma malícia descarada. Calmamente retirei o copo da mão de Butters e bebi o resto do líquido sem nenhuma pressa, deixando escorrer, propositalmente, filetes de água que iam até meu queixo e caiam no meu peitoral. Ele entreabriu os lábios, demonstrando que queria mais. Com as minhas mãos eu o levantei e fiz com que ele se sentasse no mármore gelado. Um gemido baixo escapou dos lábios do meu namorado e fez com que cenas futuras explodissem em minha cabeça – minha libido já estava alta o suficiente para que eu conseguisse me locomover até o quarto.

Segurei com força o rosto inocente de Butters e o virei para o lado, deixando o pescoço alvo à mercê de meus incontroláveis desejos. Com a ponta da língua toquei a jugular dele e subi até a orelha, lambendo-a enquanto dava leve mordidinhas. “Vou te comer tanto.” Sussurrei e logo depois experimentei daqueles lábios macios. Enquanto o beijava, minhas mãos faziam o trabalho de retirar a blusa dele, e por um segundo, na hora de levantar a peça de roupa, tive que me separar do meu anjo. Joguei o traje para longe e voltei a toma-lo para mim com furor, segurando aquele rosto com a palma esquerda à medida que a direita explorava sua silhueta. O beijo se intensificou, as pernas de Butters se entrelaçaram em minha cintura e me pressionavam contra ele. Sorri em meio aos beijos. Infelizmente tive que parar de tocá-lo, minhas mãos agora focavam em despir-me para que o processo continuasse. Rapidamente tirei meu tênis, meias e calça, olhando para Butters em seguida. Meu pênis estava duro, e era nítido mesmo por baixo da boxer. Os olhos dele brilhavam de desejo, eu conseguia ver mesmo atrás daquela expressão inocente que ele naturalmente exibia.

– Pode me chupar, Butters. E faça sem nenhum pudor. – Autorizei.

Inicialmente houve resistência, mas não perdurou. Ele lentamente se levantou da superfície de mármore e caminhou em minha direção, ajoelhando-se em uma altura bastante desejável para depois tocar no meu pênis. Senti os dedos dele deslizarem por cima da minha boxer e soltei um suspiro rouco. Butters, então, abaixou a peça íntima e vislumbrou meu pênis relativamente rijo. Tomando a frente da situação, eu segurei meu membro e comecei a me masturbar; minha mão percorria a extensão razoavelmente grande e depois voltava para a base, isso repetidas vezes. Butters via de muito perto a masturbação, e eu sabia que aquilo o incitava, assim como tirava a timidez que eu não sabia por que ele vinha a ter. De repente eu parei. Queria que ele continuasse, e o recado mudo foi prontamente atendido. Meu anjinho tomou meu pênis com ambas as mãos e prosseguiu com a masturbação, começando, em seguida, um delicioso boquete.

A língua dele tocou no corpo do meu membro e subiu até a glande, dando uma atenção especial para ela. Sentia a saliva quente percorrer meu pênis, a boca apertada de Butters sugando-o e a língua completando o boquete muito bem feito. Aquilo durou longos minutos, e admito que quase gozei. Empurrei a cabeça do meu namorado levemente, fazendo com que ele parasse o ato e o olhei maliciosamente. Estava arfando, provavelmente ele sabia que eu estava no ápice da satisfação, e... Droga, ele sabia mesmo como me excitar. Segurei-o pelo cabelo e o joguei contra o chão, livrando-me, finalmente, das vestes dele. Primeiro tirei a calça de forma que ele perdesse o equilíbrio e depois, lentamente, a cueca.

Bati na nádega do meu anjinho e fiz com que ele ficasse de quatro, dando-lhe em seguida outro tapa. A pele havia ficado avermelhada, e tinha por onde. Minha mão era pesada e eu não controlava minha força. Na verdade não conseguia, aquele corpo era tão quente... Abri-lhe as nádegas e deparei-me com a entrada vulnerável dele. Sorri, principalmente quando o vi se remexer com um incômodo positivo. Comecei a beijar-lhe a lombar e desci em linha reta, forçando minha língua na entrada na tentativa de umedecê-la para algo maior. Ouvi gemidos baixos e roucos, mas aquilo não me satisfazia. Lambi meu indicador e o médio para logo em seguida coloca-los dentro de Butters.

– Ahn... Eric...

– Relaxe, Butters. – Disse, mas não fazia o mínimo para deixa-lo à vontade. Estocava meus dedos com força e o alargava de forma violenta. Sorri sádico e, novamente, bati na bunda daquele lindo ser. – Geme mais alto. – Ordenei.

– Eric... – A voz trêmula e os gemidos mais altos demonstrava que ele sentia prazer, muito além da dor.

Não esperei mais para fazer. Retirei os dedos de dentro do Butters e encaixei-me atrás dele, segurando meu pênis pulsante com a palma esquerda enquanto que a direita abria as nádegas para expor a pequena e apertada entrada. Maliciei um sorriso sádico e encaixei meu membro ali, forçando-o a entrar mesmo que Butters lutasse contra.

– Eu falei pra relaxar. – Disse autoritário, mas Butters não conseguia. – Relaxe... – Tentei uma voz mais mansa, por mais que eu odiasse fazer aquilo. Foda-se.

Eu não me apeteci a dor dele. Invadi-o sem delicadeza alguma, e depois de ouvir o grito de dor escapar dos lábios dele, estoquei com mais violência. Com ambas as mãos eu segurei a cintura de Butters e passei e controlar a velocidade do sexo, ora mais rápido, ora mais devagar. O movimento de vai e vem se intensificava, e eu senti que a dor do meu anjinho espaireceu – os gemidos agora eram totalmente de prazer e ele mesmo começou a se mexer diante meu pênis. Sai de dentro do Butters e o virei para cima, colocando as pernas dele apoiadas em meus ombros para estoca-lo novamente. Segurava as pernas com firmeza e gemidos roucos também começaram a sair de meus lábios. O movimento se intensificava, e mesmo que eu estivesse cansado, continuava a ação de forma enérgica.

– Ahhhn...

Olhei-o com o gemido mais alto.

– Então é aqui, hm? – Indaguei, mas não precisava da resposta. Apoiei minhas mãos nas pernas dele e as tirei de meus ombros. Fiz com que Butters ficasse de lado e ajoelhei-me por cima de uma das pernas, enquanto que colocava a outra, mais uma vez, em meu ombro. – Você fica tão vulnerável... Você é muito gostoso, apertado... Vou foder você. – Invadi-o de forma a tocar no ponto recentemente descoberto, o que arrancou gemidos mais intensos dele. Os movimentos começaram lentos, mas não demoraram a se tornarem rápidos e bruscos. Butters não aguentava mais, e no suspiro mais agudo ele derramou-se de prazer. Eu também não demorei, mas o fiz dentro do meu lindo namorado. – Ah... – Jorrei-me e deitei derrotado no chão.

Os minutos de silêncio foram precisos. Só conseguíamos escutar o som de nossas respirações ofegantes na tentativa de nos reconstituirmos.

– Eric... – Butters foi o primeiro a falar, evolvendo-me num abraço pós-sexo que ele sempre insistia em fazer. Eu retribui, dando-lhe também um beijo na testa.

– O que foi?

– Eu te amo.

Eu apenas consegui retribuir com um sorriso.

(...)

Notas finais
Mais uma vez pedindo reviews! HDOUHAUHDOAU Espero que tenham gostado e o próximo cap. será POV Kyle! Até a próxima gente *---*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.