Got My Heart In Your Hands
140 Gritando nessa escuridão, completamente sozinho
Notas iniciais
Alguns meses se passaram, as coisas estavam bem, a banda estava numa pausa, pois agora tinham muita coisa para se preocuparem, e também estavam trabalhando no novo projeto do Simple Plan: o livro.
David’s POV: ON
Acordei cedo naquela manhã de domingo, realmente difícil de acreditar que David Desrosiers acorda cedo, eu sei, eu sei, mas esses últimos dias têm sido meio perturbados pra mim, eu não sei o porquê, parece que tem alguém perto de mim, a todo o momento, talvez Lachelle, mas eu acho que não, pois ela não me faria sentir essa sensação ruim. Às vezes tenho a sensação de ouvir coisa, então quando eu me viro nada, simplesmente nada. Não contei a Pierre, não quero que ele fique preocupado.
Assim que me levantei Delilah veio me acompanhando até o quarto de Melanie e Lennon, dei uma olhada e não vi Melanie em lugar algum, sai pela casa e nada, olhei em todos os cantos, até mesmo no quintal, perto da piscina, estava muito preocupado. Voltei até o quarto e Lennon estava sentada na cama com um dos filhotes de Delilah ao seu lado, ela estava com o cabelo bagunçado, com cara de sono e... Choro?
–Pequena? – Eu disse me aproximando.
–Papai. – Ela deu um sorriso fraco e voltou seu olhar para Delilah que estava na porta.
–O que foi? Você ta triste?
–Ela se foi. – Ela disse olhando no fundo dos meus olhos.
–“Ela se foi”? De quem você está falando pequena? – Eu disse na esperança dela não estar falando de Melanie.
–Melanie. – Nesse momento eu travei, o que ela queria dizer com “ela se foi”?
–Como assim?
–Eu não sei, no meio da noite eu acordei e vi a sombra de alguém, acho que uma mulher e de repente ela se foi.
–Sabe que horas era isso?
–Não papai, ela. . .
–Ela?
Lennon me mostrou seu braço com hematoma, fiquei horrorizado:
–Ela me disse pra não gritar, me ameaçou com uma faca.
–Calma, vai ficar tudo bem minha pequena, vamos encontrá-la. – Eu disse abraçando-a.
Depois de tranqüilizar Lennon eu fui até Pierre, ele já estava acordado sentado na cama olhando pela janela, antes de eu poder falar, ele começou:
–To com uma sensação ruim, parece que meu coração está congelado. – Ele disse se virando.
–Alguém pegou a Melanie.
–O que? – Ele disse assustado.
–Lennon me disse que foi uma mulher, ela ameaçou nossa pequena e levou a Melanie. – Eu disse chorando.
–Mas e como não ouvimos nada?
–Acho que porque a Delilah ta tomando remédio e ela não deve ter acordado.
–Droga! É verdade.
–Vou ligar pra policia.
–E eu vou avisar os outros.
Liguei pra policia e Pierre foi avisando os outros, depois liguei pra Hayley:
–Alo.
–David, você ta bem? O Pierre disse pra gente o que houve.
–Eu só vou ficar bem quando ela estiver aqui.
–Tem alguma idéia de quem foi?
–Eu não sei.
–Você acha que Marcela pode estar envolvida nisso?
–Meu Deus! Como eu podia não ter pensado nela, Hayley vou desligar, obrigada.
–De nada, por favor, se cuida.
–Ta bem.
Desliguei o telefone, chamei Pierre, nos arrumamos rapidamente, levamos Lennon pra casa de Avril, e seguimos pra onde Marcela morava, em poucos minutos estavam lá, prontos pra tocar a campainha.
Estávamos com casacos pesados, o frio de Montreal estava rigoroso, a fina camada de neve caía sobre nossos cabelos, meu rosto estava gelado, meu nariz esta rosado assim como o de Pierre. Tomei fôlego e toquei a campainha:
–Olá. – Uma senhora atendeu a porta, provavelmente mãe de Marcela.
–Oi, com licença, Marcela está?
Ela ficou com a cabeça abaixada e disse:
–Acho que conheço vocês de algum lugar, talvez da TV.
–Somos do Simple Plan. – Pierre disse.
–Ah, então é isso, vocês são amigos de Marcela?
–Na verdade, acho que ela nos odeia e está nos fazendo muito mal.
A velha senhora olhou para os lados da casa que ficava na parte menos movimentada de Montreal e disse:
–Vamos, entrem.
Eu e Pierre entramos, nos sentamos e ela nos trouxe uma xícara de chá, depois de um longo suspiro começou a falar:
–Não vejo Marcela faz meses, ela sumiu, sabem ela estar fazendo mal pra vocês não me deixa surpresa. Ela sempre foi assim imprevisível, quando era criança eu ainda podia controlá-la, mas agora se tornou impossível, eu acho que... Falhei como mãe. – Ela simplesmente começou a chorar.
–Senhora, nos desculpe, nós não queríamos incomodá-la, mas é que, ela levou uma de nossas filhas.
–Ela se tornou tão cruel. – Ela disse secando suas lágrimas.
–Você tem idéia de onde ela poderia estar?
–Não, me desculpem, talvez ela esteja no centro, quando fica nervosa faz compras.
–Obrigado, desculpe-nos incomodá-la.
Nós saímos de lá e fomos para o centro, andamos por todo o canto, perguntando por ela. Pierre disse que um cara havia contado que ela estava num restaurante, fomos para lá, mas no meio do caminho meu celular tocou, eu atendi e... Marcela.
–Se quer ver a pirralha de novo é bom dar um jeito de vir SOZINHO, pra onde eu disser.
–Ta bem. – Eu concordei com ela, precisava salvar Melanie, não importando se minha vida estivesse em risco ou não.
. . .
–Pierre, eu vou ao banheiro, já volto.
–Ta bem David, vou falar com o gerente do restaurante.
Eu odiava mentir, mas não tinha outra saída. Meu celular tocou novamente e Marcela me deu as instruções, eu acabei parando em um parque abandonado que estava fechado há anos, pois tinha ocorrido um terrível acidente na montanha-russa e nove crianças haviam morrido, assim o parque foi fechado, e ninguém nunca mais entrou lá.
Caminhei até a montanha-russa e Marcela estava lá, com Melanie:
–Que bom que você veio.
–O que você quer pra soltá-la?
–Vamos dar um passeio e conversar um pouco.
Eu a segui e nós entramos no carrinho da montanha-russa, mas o que essa doida queria fazer? De repente começamos a andar, olhei para quem estava no painel de controle e vi. . . Nemours, espera isso não é possível.
–Ah, aquele é o irmão gêmeo do Nemours, você não ta louco ainda. – Ela deu uma gargalhada cruel.
–Aquele dia, o cara da pizza, era. . .
–É, devia ser ele.
[...]
Acordei assustado, eu estava num túnel do parque, aqueles pra te dar medo, olhei a minha volta, estava tudo escuro, vi o corpo de Marcela ao meu lado, ela havia sido morta, sua garganta estava cortada, eu estava cheio de sangue nas roupas, como um jato de sangue da garganta dela, olhei as minhas mãos e mais sangue, eu meu lado uma faca. Comecei a chorar, o que havia acontecido? Eu não conseguia me lembrar de nada, será que eu? Havia matado ela? Mil pensamentos na minha cabeça, eu não conseguia me mexer, no túnel escuro, enxerguei a luz de uma lanterna, vi Pierre segurando Melanie e ao seu lado um policial, eles me olharam assustados:
–O que você fez rapaz? – O policial perguntou.
–Eu não me lembro de nada. – Eu disse chorando.
Sem que eu pudesse dar mais explicações ele me algemou e eu fui levado para o carro da policial. Nunca pensei que eu pudesse estar sendo preso, Pierre depois de deixar Melanie com um dos policiais veio até o vidro do carro, já era noite e agora uma fina chuva caía em Montreal:
–David...
–Pierre, eu não me lembro de nada, não sei se eu fiz isso. – Eu disse tentado conter os soluços.
–Vai ficar tudo bem, me escutou? – Ele disse chorando também.
O policial não me deixou mais falar com Pierre, entrou no carro e me levou pra delegacia.
O que fazer quando você não consegue se lembrar do que fez? O que fazer quando você pode ter matado uma pessoa?
Quando você sente que está sozinho
Cortado deste mundo cruel
Seus instintos te dizem para correr
Escute seu coração
Aquelas vozes angelicais
Eles vão cantar para você / Eles vão ser seu guia de volta para casa
Quando a vida nos deixa cegos
Amor nos mantém gentis
Nos mantém gentis
Quando você sofreu o suficiente
E seu espírito está partindo
Você está ficando desesperado por causa da luta,
Lembre-se que você é amado e você sempre vai ser
Essa melodia vai lhe trazer de volta pra casa
Quando a vida nos deixa cegos
O amor, nos mantém gentis
Quando a vida nos deixa cego
O amor nos mantém gentis
Nos mantém gentis
“E no fundo eu tento enganar a mim mesmo , que tudo vai ficar bem. ”
“Fechei meus olhos, não queria ver o mundo desabando em cima de mim. Eu sei que dessa vez, vai durar a noite inteira, eu não quero ver o meu corpo se rendendo há isso, então fechei meus olhos. Enquanto meu coração gritava seu nome em alto desespero. Eu vi minha alma se desmanchando aqui dentro, eu vi a dor tomando conta de todas os espaços, eu vi a solução em você. Eu vi a luz se apagar, eu vi a escuridão da noite de perto. Escutei os batimentos fracos do meu peito. Abri meus olhos. Desejando que tudo estivesse calmo outra vez, mas foi em vão. Lâmina. Foi o que eu pensei na hora, cortes nos pulsos, o sangue fluindo e logo viria o alivio, a calma como duas gotas de sangue pode transporta para minha alma. Eu não me sentia mais viva. ”
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