Googolplex - Volume 1
5 Ano 10: Roteiros Distintos
Fred estava inquieto desde o início do dia. Sua ansiedade era tão grande que parecia que seu corpo não a suportaria por muito mais tempo. Pois ele era apenas um menino, cujos passos curtos tornavam as distâncias mais extensas do que se percorridas por um adulto. Assim, da mesma maneira, as horas e os dias também pareciam mais longos.
O garoto encontrou um alento momentâneo para sua espera ao ver o pai entrar em casa. Este, percebendo o filho agitado no meio da sala, sorriu e disse:
— Oi, Fred. Puxa, você já está pronto para sair?
— Você demorou, pai. Já tá ficando tarde... Acho que nem vai dar tempo de jantar.
— Bem, você é quem quis ir logo hoje, na estreia. Se esperasse até amanhã, a gente poderia ir logo depois do almoço. Mas ninguém vai morrer de fome por causa de duas horas... Já sei! Que tal se a gente for comer fora depois?
— Legal! Pizza e sorvete?
— Hmmm... a gente tem que perguntar para sua mãe. Mas agora é melhor eu tomar um banho, senão não vai dar tempo.
— Banho, pai? Você não pode tomar depois que a gente voltar?
— Calma, Fred. A gente sai em... hmmm... vinte minutos. Pode contar.
Passaram-se trinta minutos e Fred andava em círculos pela sala. Às vezes ele dava a impressão de que pararia por um momento, mas logo acelerava novamente o passo. Enquanto isso, Jonas estava sentado no sofá assistindo calmamente a um noticiário na televisão. O motivo da espera, como tudo indicava, não era mais ele.
— Fred, desse jeito você vai ficar cansado e vai acabar dormindo no cinema — disse Jonas, diante da agitação do filho.
— Que demora... Por que ela quer tanto ir com a gente? Acho que ela nem vai gostar do filme.
— Paciência, meu filho. Por que você não pega um pacote de batatas lá na cozinha?
— Eu não tô com fome. Caramba... por que as mulheres demoram tanto pra se arrumar?
— É porque elas são mais feias do que nós, homens — disse Jonas, baixando a voz. — Por isso, elas precisam gastar bem mais tempo para ficarem bonitas.
— Mas a mãe tá sempre bonita. Não precisa ficar um tempão se arrumando...
Jonas se calou por alguns segundos, olhando espantado para o filho. Então disse:
— Sua mãe iria pular de alegria se ouvisse você dizendo isso... Na próxima vez, fale na frente dela.
— Falar o que para mim?
Márcia entrou na sala vestida com uma elegante camisa branca e uma discreta calça preta. Mas o que mais atraiu a atenção de Jonas foi um objeto em seu pulso: uma bela pulseira prateada, composta por algumas argolas hexagonais entrelaçadas.
— Querida, essa pulseira não é...?
— Sim. É aquela favorita da mamãe, que ela estava usando na noite em que... você sabe.
— Sim, eu sei. É que... hã... você nunca saiu de casa com ela. Ou melhor, você quase nunca tirava ela nem do armário...
— Eu sei. Mas é que a Nara acabou me convencendo... Ela vive dizendo que é bobagem ficar guardando as coisas em vez de usar. E ela tem toda a razão. Essa pulseira, por exemplo, carrega uma lembrança afetiva muito forte. Mas se ela ficar guardada, é como se fosse uma lembrança morta, enterrada no passado. Agora, se ela for usada bastante, talvez fique velha e desgastada, mas vai passar por vários momentos e situações que vão enriquecer ainda mais a história dela.
— Faz sentido...
— Fora que, no final das contas, o objeto em si não é o mais importante, e sim as memórias que estão ligadas a ele. Memórias que podem e devem ser compartilhadas com outras pessoas. Porque seria egoísmo guardar o que temos de especial só para nós, sem dividir com o resto do mundo.
O sorriso de Jonas foi crescendo conforme as palavras de sua mulher eram ditas. Quando terminou seu discurso, ele segurou as mãos dela entre as suas e o casal passou alguns instantes em silêncio, apenas se comunicando com o olhar. Mas a contemplação mútua não durou muito tempo, pois foi interrompida por uma quase súplica:
— Vamos logo! Vocês podem fazer isso depois...
**********
Fred caminhava pela rua acompanhado por seus pais. O garoto estava pensativo, com uma expressão confusa em seu rosto.
— Fred, você não disse nada desde que a gente saiu do cinema — comentou Jonas.
— Hein? Ah, é que eu tô pensando no filme.
— Você não gostou? — perguntou Márcia.
— Mais ou menos. Foi legal ver as batalhas, ele usando os poderes... Mas ficou diferente do gibi.
— Talvez — disse Jonas. — Mas muita coisa que aparece no gibi não funciona muito bem no cinema. O vilão, por exemplo. Se o visual dele fosse exatamente igual, iria parecer uma fantasia de carnaval. Não iria assustar ninguém.
— Tá, mas... por que mudaram a origem? Precisavam ter mudado a história da vida dele antes de virar super-herói? Por que resolveram matar os pais dele? Não tem nada a ver...
— Hmmm... sei lá, acho que quiseram deixar a origem dele mais dramática. Assim fica mais fácil entender por que ele é tão solitário e desconfiado...
— Eu não acho. Eles estragaram a história... E aquele ator que colocaram no papel dele? O cara é muito ruim.
— Eu gostei dele — disse Márcia. — Ele é uma graça.
— Por isso mesmo que tá errado! Ele não é um daqueles super-heróis bonzinhos sem graça. Ele não se preocupa em parecer legal, só quer fazer seu trabalho direito. E ele faz qualquer coisa para proteger as pessoas, mesmo que elas não entendam isso muitas vezes. Mas no filme estragaram tudo, porque deixaram ele mais bonzinho. E até puseram um ator que nem se parece com ele.
— Fred, fazer um filme desse tipo envolve uma quantidade enorme de dinheiro — disse Jonas. — Por isso, para compensar o que gastaram, a história sofre algumas mudanças para atrair o maior número possível de pessoas para o cinema, e não só os fãs que acompanham o gibi. E escolher um ator bonito e famoso, apesar de não parecer combinar com o personagem, também é uma forma de chamar a atenção do público.
— Mas a história fica diferente, não é como deveria ser. É até parecido, mas não é a mesma coisa...
— Gente, estou morrendo de fome — interrompeu Márcia. — Que tal a gente ir jantar agora?
— Vamos comer pizza, né? — perguntou Fred, deixando rapidamente o filme de lado para se concentrar em um assunto que se mostrava mais urgente.
— Hmmm... — Jonas coçou o queixo com um olhar pensativo, diante da expressão suplicante do filho. — Eu acho que... sua mãe é quem deve decidir.
O olhar de súplica de Fred foi transferido à mãe, a quem foi direcionado também um sorriso irônico por parte de Jonas. Logo, com toda essa encenação, não foi nem um pouco difícil conseguir o consentimento de Marta. Mesmo porque ela conhecia sua família, de modo que já havia previsto que tal pedido seria realizado.
Enquanto Fred sorria de satisfação, Márcia comentou:
— Abriram uma pizzaria nova aqui perto, né?
— Eu estava pensando a mesma coisa — respondeu Jonas. — Fica só a algumas quadras daqui. Vamos a pé?
— Vamos. Faz tempo que nós três não passeamos juntos assim...
A família Luz seguiu caminhando pela rua. Em determinado momento, devido a uma mistura de fome e falta de paciência, Jonas decidiu entrar em uma pequena travessa, o que ele julgava ser uma boa maneira de cortar caminho até a pizzaria. A via em questão era bem estreita e a maioria dos imóveis que a cercavam se compunha de simpáticos sobrados. Além disso, a iluminação pública era adequada e o céu aberto liberava a passagem dos raios naturais da lua cheia, minimizando a presença de sombras pelo caminho. Ou seja, tudo parecia absolutamente normal. O único detalhe que poderia incomodar alguém era o silêncio que predominava no ambiente, embora alguns sons de veículos trafegando fossem ouvidos da avenida em que a rua desembocava.
Pais e filho percorriam calmamente seu caminho. Lado a lado, com Márcia no meio e de mãos dadas com o marido, os três se aproximavam cada vez mais do final da via. Havia somente mais duas pessoas por perto: um homem que andava a certa distância atrás deles, mas na calçada oposta, e um rapaz alguns metros à frente, este caminhando em direção contrária aos outros. Fred começou a cantarolar uma música qualquer, enquanto o sujeito do outro lado da rua ameaçava assobiar outra. O rapaz à frente, por sua vez, aproximava-se com os olhos voltados para o céu. Poucos segundos depois, quando já estava próximo de emparelhar com Jonas, ele baixou o olhar e perguntou:
— Tem horas?
— Oito e meia.
— Beleza. Agora passa o relógio e a carteira.
Enquanto pronunciava as palavras em um tom baixo e calmo, o rapaz sacou um revólver de dentro da calça. Tamanha serenidade na voz surpreendeu Jonas, que pensou não ter escutado direito.
— Como?
— O dinheiro e o relógio, porra. Agora.
— Meu Deus... Tudo bem, tudo bem, já estou tirando...
O rapaz encostou o cano do revólver no peito de Jonas. Aterrorizada, Márcia se agarrou a Fred.
— Sem grito, dona, senão estouro a cabeça do moleque... Vai logo, caralho.
Jonas já havia retirado o relógio e o entregava juntamente com a carteira ao assaltante. Ao mesmo tempo, o outro homem que se encontrava no local passou rápida e silenciosamente do outro lado da rua. Ele tinha uma expressão assustada e foi ignorado pelo rapaz armado.
— Não quero essa merda de carteira. Me dá só o dinheiro. E você, dona, a bolsa.
Jonas abriu a carteira e retirou as notas de dentro dela, enquanto Márcia tremia ao abrir a bolsa para pegar o dinheiro.
— Que porra é essa? Passa logo a bolsa. Quer tomar um tiro? Passa essa pulseira.
Márcia entregou a bolsa e depois hesitou por alguns segundos, olhando para o próprio pulso.
— A pulseira, vai — insistiu o assaltante.
— Ei... — sussurrou Jonas. — A mãe dela deixou essa pulseira de lembrança antes de morrer. Não vale muita coisa...
— Cala a boca. Mandei me dar a pulseira.
A mãe de Fred continuava paralisada e tremendo, o que transtornou completamente o rapaz, aparentemente calmo até então.
— Sua puta! — gritou ele, ao mesmo tempo em que deu um forte tapa no rosto de Márcia.
Entre a abordagem do assaltante e a agressão se passou pouco mais de um minuto. Apesar disso, a situação toda seria lembrada futuramente como se tivesse durado muito mais. Pois o que se passou em seguida, mesmo ocorrendo em poucos segundos, seria recordado como se o tempo tivesse se retardado e prolongado os eventos. Pareceria até que o momento jamais terminaria, o que seria inutilmente desejado para que o desfecho não se realizasse.
Logo após Márcia ser agredida, Jonas avançou sobre o rapaz. Os dois se debateram por um momento, afastando-se alguns metros de Márcia e Fred, até que caíram sobre o chão. O garoto tentava confortar a mãe, e foi então que ouviu a arma disparar. Quando se virou para os dois homens deitados no chão, ele viu o pai inerte e o assaltante se levantar, de revólver em punho, com as roupas tingidas de vermelho.
Fred correu imediatamente para junto de Jonas e, ajoelhando-se ao lado dele, sacudiu-o pelo braço. Ao mesmo tempo, o rapaz caminhou em sentido contrário ao do menino, ignorando-o quando os dois se cruzaram no meio do trajeto. Ele só se deteve quando estava frente a frente com Márcia, que se encontrava totalmente paralisada com o choque. O assaltante levantou então o braço e apontou o revólver para frente. Em seguida, apertou o gatilho.
**********
Nara se sentia mal por estar no hospital. Dizer que ela não gostava de hospitais, embora fosse verdade, seria constatar o óbvio. Afinal, com exceção de certas pessoas, como as hipocondríacas e talvez médicos e outros funcionários, ninguém realmente gosta de estar em um hospital. No caso de Nara, contudo, havia um ingrediente a mais: ela se sentia muito mal por estar nesse hospital específico. A razão era o trauma que presenciou dez anos antes no mesmo local, mesmo que no fim tivesse sido mais que atenuado por um motivo de alegria. De qualquer maneira, a esperança era de que, assim como na vez anterior, a felicidade prevalecesse novamente no final da história.
Ela estava sentada em um sofá diante de um investigador de polícia, que ouvia atentamente as últimas palavras do relato de um crime. Relato narrado pela única pessoa que saiu ilesa do ocorrido, pelo menos fisicamente. Pessoa que Nara veio apoiar e confortar após o trauma.
— Então, alguns minutos depois dos tiros, chegaram as viaturas da polícia? — perguntou o investigador.
— Sim.
— Mas o bandido já havia fugido...
— Sim.
— Certo... Sua presença ainda será necessária na delegacia, mas podemos aguardar até que as coisas... hã... fiquem mais calmas. Espero que seu marido e seu filho se recuperem.
— Obrigada — disse Márcia, com uma expressão vazia.
O policial deu as costas, mas, alguns segundos depois, voltou-se novamente.
— Senhora Luz? Eu... posso fazer mais uma ou duas perguntas?
— Sim, claro.
— Obrigado. Deixe-me ver... Depois do segundo tiro, aconteceu mais alguma coisa fora do comum? Por exemplo, uma pessoa gritando de uma janela ou um barulho de sirenes se aproximando?
— Não... Acho que não.
— É que... desculpe, mas é estranho um sujeito atirar em um homem e em uma criança e depois fugir deixando só a mãe viva. Achei que ele pudesse ter visto ou ouvido algo que o houvesse assustado.
— Senhor... — disse Nara. — Segundo o relato da minha amiga, o bandido provavelmente estava drogado ou coisa parecida. É de se esperar que ele não agisse com muita lógica. Mas pode ser que alguma coisa tenha realmente assustado o sujeito. Só que a Márcia, pelo choque, não se lembra ou não prestou atenção.
— Entendo — disse o investigador. — Bem, outra pergunta que eu gostaria de fazer é sobre o instante do segundo tiro. Peço desculpas por fazer a senhora lembrar de novo aquele momento, mas é que há uma coisa que não entendi. A senhora disse que, depois que seu marido foi baleado, ele ficou caído a alguns metros de onde a senhora e seu filho estavam, certo?
— Sim.
— E o seu filho correu para junto dele, enquanto o bandido se aproximava para atirar na senhora, certo?
— Sim.
— Então... — O investigador fez uma pausa. — Como seu filho conseguiu voltar tão rápido para se jogar na frente da senhora e protegê-la do disparo?
A expressão de Márcia, até então vazia, se preencheu de tensão.
— E-eu... não sei dizer. Tudo aconteceu tão rápido... ou talvez tenha sido mais devagar do que eu me lembro. Pode ser que o Fred tenha corrido para ver o pai e voltou logo em seguida. Ou que o Jonas estivesse mais perto do que parecia...
— Não podemos deixar isso para depois? — perguntou Nara.
— Sim, claro — respondeu o investigador. — Bem, muito obrigado pela cooperação. Boa sorte.
O policial se despediu e deixou as duas amigas sozinhas. Elas permaneceram em silêncio por alguns minutos, até Márcia comentar:
— Que demora! Ninguém vem dizer nada!
— Bem, mas você sabe o que dizem por aí: notícia ruim chega logo.
— É... não deixa de ser um consolo.
— O Jonas, pelo menos, está se recuperando...
— Sei lá. Disseram que ele foi operado e a condição dele é estável, mas ainda é grave. O que isso significa de verdade?
— Boa pergunta. E por que será que ninguém veio dizer nada sobre o Fred?
Nesse momento, um homem de avental se aproximou das duas amigas, que imediatamente se levantaram.
— Senhora Luz?
— Sim.
— Eu sou o doutor Eduardo e participei da operação do seu filho. Ele estava bastante ferido e tivemos que agir rapidamente. Infelizmente, houve complicações e o coração dele...
Márcia não escutou mais nada do que o médico disse. Uma forte sensação surgiu em seu estômago e subiu rapidamente até a garganta. Sem poder ser contida, ela escapou ferozmente pela boca e pelos olhos, na forma de som e líquido. Ao mesmo tempo, os joelhos fraquejaram, de modo que o corpo somente não tombou porque foi amparado por Nara. Ela, por sinal, sentia-se envergonhada, pois não encontrava palavras que pudessem consolar a amiga. Ou melhor, o sentimento não era exatamente de vergonha, mas de horror, já que o único pensamento que lhe ocorria nesse instante era um irônico “aqui se faz, aqui se paga”.
Por outro lado, a falta de um discurso adequado não lhe impediu de acolher a amiga em seus braços por alguns minutos. E as duas permaneceram abraçadas até Naira reparar que o médico que havia comunicado a notícia continuava ao lado delas. Foi então que ela gentilmente se desvencilhou do corpo de Márcia e fitou os olhos dela, dizendo:
— Vem. Vamos nos despedir dele.
Márcia caminhava ainda amparada por Nara, seguindo o médico até a sala em que o corpo de Fred estava. Os passos se tornavam cada vez mais lentos, como que pretendendo adiar um destino que era inevitável. Porém, pouco a pouco a distância se encurtava e, algum tempo depois, os pés de Márcia chegaram à porta da sala. Os olhos dela, contudo, miravam apenas o chão do corredor, pois ainda buscavam forças para suportar a visão que os esperava. Era ver para crer: após a imagem ser visualizada, não haveria mais espaço para esperança. Restaria somente aceitar os fatos.
— Gê... xis... Gê-xis...? Hã...? É você, mãe?
Os olhos de Márcia se arregalaram. Os ouvidos, assim como a visão, podem se enganar às vezes. Mas o som de timbre familiar ressoou novamente:
— Por que eu tô no hospital?
Márcia ergueu o olhar. Era ver para crer. Mas se passaram vários segundos até que a visão se transformasse finalmente em crença. Márcia sentia os pés grudados no chão, enquanto um sorriso lentamente se esboçava em seu rosto. E quando ele desabrochou em sua forma completa, um sussurro foi pronunciado:
— É um milagre...
Fred estava deitado de lado sobre uma maca, com o corpo parcialmente coberto por um lençol. Ele parecia zonzo e fraco, mas definitivamente olhava acordado para a porta. Além disso, sua expressão não era a de alguém que sentia alguma dor. Seu rosto era apenas o de um menino confuso, que não sabia o que estava acontecendo.
Assim como a amiga, Nara estava perplexa. Tanto que ela demorou algum tempo para perceber que uma médica havia se aproximado dela. Quando seus olhares se cruzaram, a doutora perguntou:
— Senhora Luz?
— Não... não, a senhora Luz é ela. Márcia?
Nara sacudiu levemente o corpo da amiga.
— Hã? — balbuciou Márcia.
— Senhora Luz? — chamou a médica. — Preciso falar com a senhora...
— Hã... sim... claro...
— Eu sou a doutora Olivia e participei da operação do seu mari...
Márcia não prestou atenção nas palavras da doutora. Seu corpo estava paralisado e seu cérebro ainda buscava se adequar à nova situação em que se encontrava. Então, justamente quando ela começava a se recuperar, a médica terminou seu discurso. Mas o único pensamento que preenchia a mente da mãe de Fred nesse instante era o de abraçar o filho. Um desejo que foi momentaneamente impedido por Nara, que a trouxe definitivamente de volta à realidade com uma forte chacoalhada.
— Hein? O quê?
— Você não escutou o que a doutora disse? — perguntou Nara.
— Hã... na verdade, não. Por quê?
Nara baixou a cabeça e levou as mãos ao rosto. Ela não encontrava as palavras certas para dizer, pois um único pensamento ecoava em sua mente. “Aqui se paga”.
Fale com o autor