Good Riddance

48 Estar ao seu lado


Notas iniciais
MUITO obrigada a Jaque Nicolete (que fez sim um amor de recomendação), e à Swoon (ai, sua linda) pelas recomendações! SURTANDO que passou das 50, como assim? Obrigada mesmo gente, por todo esse carinho

Gabi tapou a boca quando ouviu sobre aquilo, no celular. Ao desligar, Dani, que estava dormindo os últimos dias em sua casa, a olhou preocupada – Gabi morava com a mãe e o irmão, e nenhum deles era preconceituoso, aceitando com normalidade seu relacionamento com uma garota. Era de manhã bem cedo, numa segunda-feira de férias, e a índia ainda sentia os olhos pesados.

“O que foi, Gabi? Quem era?” Perguntou sonolenta, e tentou puxar a morena de volta para se deitar na cama. Gabi deixou-se cair no colchão, a cabeça afundando no travesseiro. Estava apavorada com a notícia. Colocou-se no lugar do loiro e sentiu-se terrível. Tinha sorte de ter uma mãe como a sua.

“O Fafá... Ele disse que vai atrasar a viagem dele, então não vai poder te dar uma carona até Pelotas.” Informou a morena.

“Ué, por quê?” Dani perguntou ainda num estado meio acordado, meio dormindo.

“O pai do Dré... Ele descobriu que ele e o Fafá ‘tão namorando e... Espancou ele. O Dré ‘tá na casa dos tios do Fafá agora.” Gabi murmurou, apertando o celular. “Isso é... Meu Deus, que raiva!” Exclamou, e só não atirou o próprio celular longe porque a Dani se sentou e a impediu.

“Gabi, calma.” Pediu. Não estava impressionada, talvez porque houvesse se acostumado com a intolerância e preconceito do mundo. Claro que ainda se sentia chateada, mas às vezes se sentia meio fria, indiferente àquilo tudo. Cicatrizes duras do que sofrera e vira os outros sofrerem, talvez.

“Como posso ficar calma?! Meu amigo ‘tá todo machucado porque o ridículo, nojento, babaca do pai dele o espancou! E por quê?! Porque ele se apaixonou por outro guri, e meu Deus, qual a porra do problema nisso!?” Sua voz aumentava um decibel a cada sílaba. Dali a pouco acordaria o irmão no quarto ao lado – porque a mãe certamente já estava acordada, madrugadora como era.

“Gabi!” Dani segurou-lhe o rosto, fazendo com que ela a olhasse. “É terrível, sim, mas se alterar aqui e agora não vai adiantar de nada. Calma, lindinha.” Pediu e deu um selinho nela. “O melhor que podemos fazer é ir dar algum apoio ao André assim que possível.” Acariciou os cabelos compridos e ondulados da morena.

“Eu sei... Mas...! Isso me irrita tanto! Por que as pessoas são assim, Dani?” Choramingou, voltando a se deitar e se abraçando à índia, sentindo-se carente. Dani suspirou, retribuindo ao abraço. Perguntava-se a mesma coisa, mas desde que o mundo é mundo, os seres humanos geravam guerra, discórdia, briga, intolerância. Dani era o tipo de gente que já perdera a fé na humanidade, enquanto Gabi ainda tinha a esperança de melhorar o mundo.

Dani gostava dessa ingenuidade da sua garota.

“Não sei, florzinha.” Dani murmurou. Gostava de chamar a outra por apelidos fofos, principalmente quando Gabi se estressava daquela forma. Puxou o queixo dela e a beijou de leve. “Mas se tu acredita, eu também acredito que ainda podemos evoluir, um dia, quem sabe, daqui quinhentos anos, não teremos um mundo melhor?”

“Eu acredito nisso... Só queria que mudasse agora. Queria enfiar algum juízo na cabeça de algumas pessoas.” Gabi reclamou, emburrada, afundando o rosto nos peitos na índia – que não era nada pequenos. “Ainda bem que tu ‘tá aqui comigo, ou eu acabaria quebrando todo meu quarto de raiva.”

“Eu sei, quando tu perde o controle, fico com medo.” Dani admitiu, riu leve e lhe beijou a testa. “Olha, o importante é que o André ‘tá bem, com o Fabrício, ai sobreviver e tem o namorado e os amigos pra cuidar dele. Já o pai dele... O pai dele escolheu por perder o único filho, e o quão triste isso é? Aquele homem deve ser muito infeliz.”

“Sim... Tem razão. Tu quase sempre tem razão.” Gabi ergueu o olhar, sorrindo mais leve.

“Quase sempre?” Dani ergueu as sobrancelhas, insatisfeita, mas Gabi apenas assentiu antes de voltar a descansar a cabeça no colo da índia.

“Tu ‘tava errada em se apaixonar primeiro pelo Fafá, e depois por mim.” Gabi a lembrou.

“Oh, meu Deus, mas tu não esquece isso! E preciso te lembrar que tu e o Fafá ficaram naquele ano? Que foi tu que foi pra cama com ele, não eu?” Dani ressaltou puxando os cabelos da morena pela nuca, arrancando dela um gritinho. “Esquece isso, passado fica no passado. Aprendemos com ele, mas não nos prendemos a ele, entendeu?”

Gabi fez um beicinho.

“Por que tu tem de estar quase sempre certa?” Repetiu.

“Sempre certa.” Dani corrigiu e a beijou.

XxxX

Era segunda-feira. Sascha poderia ser confundido com um funil, comendo todos os pedacinhos de comida que André lhe tocava por baixo da mesa. Até o loiro largar os garfos e, recolhendo um pouco da cara de pau do Fabrício, perguntar:

“Posso ficar aqui por uns dias?” Dirigiu-se ao Diogo e Henrique, este trabalharia apenas à tarde naquele dia. “Eu vou ver se consigo um emprego, sei que não receberei mais dinheiro dos meus pais. Eu vou dar um jeito de ajudar com as despesas e-“

“Hei, guri! Calma! Mal acordou e já pensando em trabalhar?” Diogo tentou acalmá-lo. André sentiu-se envergonhado de acordar tão tarde numa casa que não era a sua, mas praticamente apagara na noite anterior, em meio à música que o Fabrício tocara. “Não precisa se preocupar com nada. Tome teu tempo, pode ficar por aqui o tempo que quiser e daremos um jeito.” O tatuado piscou. André ainda iria descobrir como o Diogo conseguia ser tão legal, mesmo sendo tão implicante e inconveniente a maior parte do tempo. Oh, certo, ele era o tio de seu namorado, que também não fugia muito disso. Já deveria ter-se acostumado.

Agradeceu e pegou novamente os talheres,voltando a comer.

“Como está, André? Se sente melhor? Ainda acho que poderíamos ir ver um médico...” Henrique sugeriu, olhando-o preocupado.

“Tu é médico, está me vendo, e eu estou inteiro. Meu rosto ‘tá horrível, e meu corpo dói em alguns lugares, mas é só isso.”André informou, prático. Não queria preocupar os tios do namorado, que estavam sendo tão legais, e de qualquer forma não gostava de hospitais ou de ir ao médico – por mais irônico que isso fosse, considerando que seria um médico no futuro.

Henrique balançou a cabeça para sua teimosia, mas se conformou. Recomendou uma pomada especial para diminuir o inchaço ao redor de seu olho e em sua mandíbula. Pouco depois ele teve de sair para trabalhar, só tivera a manhã de folga, e os três permaneceram em casa. André tomou um remédio para dores, e foi para o pátio com vontade de se deitar na grama. Sascha o seguiu serelepe e se deitou ao seu lado, curtindo o carinho que lhe fazia.

Fabrício apareceu pouco tempo depois.

“Não quero que tu deixe de ir ver tua família por minha causa.” André murmurou assim que ele se sentou ao seu lado.

“Como quer que eu te deixe num momento desses?” Fafá perguntou, mas isso fez o loiro rir, apertando os olhos pois era um dia ensolarado – apesar do friozinho que os obrigava a usar casacos e calças compridas.

“Não seja dramático. O canceriano dramático aqui sou eu. Tu vai só por uns dias, não é como se nunca mais fôssemos nos ver.” Revirou os olhos. Seu humor era meio apático, mas não se sentia realmente triste. De uma forma meio bizarra, sentia-se tranquilo, livre. De uma coisa sabia, não iria mais esconder sua sexualidade de ninguém.

Também não gritaria ao mundo que era gay, não era seu estilo. Mas se lembrava da invejinha que sentira do Davi e do Guilherme, trocando carinhos na Redenção sem se importar com a opinião alheia. Pois bem, era assim que queria. Já havia apanhado do pai, a pessoa de quem mais sentira medo a vida toda, o que importava o resto? Só cuidaria para estar com o moreno sempre em locais públicos, com bastante gente, para não sofrer o mesmo que o Davi e o Guilherme haviam sofrido. Maldito mundo estúpido, xingou mentalmente, com um suspiro; porém pensou nos amigos, no namorado e tantas outras pessoas que faziam tudo valer à pena.

“Mas... Ao menos quero ficar esses próximos dias contigo.” Fabrício insistiu, e o André achou que seria difícil fazê-lo mudar de opinião. Em realidade nem queria que ele fosse, poderia ficar as férias inteiras junto ao moreno, não se importaria. Sentindo-se um tantinho egoísta, não tentou dissuadi-lo da ideia.

Fabrício se deitou junto ao namorado.

“Vai comigo depois.” Pediu, e o André arregalou os olhos, virando o rosto para ele.

“Enlouqueceu? Já apanhei do meu pai, agora quer que eu apanhe do teu?”

“Claro que não! Isso não vai acontecer!” Fabrício exclamou, erguendo-se um pouco apoiado a um cotovelo. Suspirou e acariciou o rosto inchado do namorado. Doía ver o loiro machucado. “Meus pais são diferentes... Eles sempre aceitaram meu tio.”

“Eu sei...” André suspirou. “Mas ainda assim acho que tu tem de ir e conversar com eles primeiro, sozinho. Eu posso ir depois.” Encolheu um pouco os ombros. Também não sentia muita vontade de sair de casa todo ferrado que nem estava.

Fabrício abriu um sorrisão.

“Então tu vai?!”

“O quê?”

“Depois! Eu vou primeiro, estou pensando em ir essa sexta. E tu pode ir na segunda. Terei tido todo o final de semana para conversar com eles!” Exclamou empolgado, como uma criança que recebera um doce antes do almoço. André quis negar, mas ao ver o moreno tão vivaz, não conseguiu. E também... Talvez fosse bom visitar a antiga cidade. Tinha boas memórias de lá.

“Tudo bem, mas se eles surtarem, me avise antes de eu ir, sim?” Deixou claro. Não queria se meter em alguma briga ou desconforto familiar. Pelo resto das férias, queria apenas sossego, paz.

Fabrício concordou sorrindo e se inclinou para beijá-lo.

Sascha latiu e começou a tentar lambê-los, metendo a língua entre os lábios dele. Ambos soltaram exclamações de nojo e empurraram o cãozinho, rindo em seguida enquanto limpavam o rosto.

“Sascha, vai lá procurar a Cherry e beijar ela, okay?” André pediu.

XxxX

Aquela semana voou.

André ficou na casa do Fabrício, foi em casa buscar algumas coisas quando sabia que a mãe, nem o pai estariam, e aproveitou um barzinho com a maior parte dos amigos na quinta-feira. Gabi, Dani, Guilherme e Davi eram os únicos que sabiam sobre o que havia acontecido – Natália também, mas ela não pudera ir –, o resto acreditou no papo que havia caído na briga com o primo há uns dias.

Incrível como acreditavam fácil na sua vontade de socar alguém.

Davi o abraçou e chorou como o tampinha sentimental que era quando se despediram, e disse que as coisas iam melhorar, pois sempre melhoravam. André bagunçou os cabelos dele, meio emocionado, mas fingindo que aquilo não era nada. Evitava pensar ou relembrar o ocorrido. Não queria chorar de novo, pois, como havia afirmado ao Fafá, não importava.

Foi a semana mais melosa de seu namoro. Fabrício ficou mais grude que o normal, o enchia de mimos e não lhe deixava fazer nada. Chegava a ser irritante, de repente André era uma boneca de porcelana que custava um milhão de dólares. Não que o loiro não se desse um preço alto, mas aquele cuidado era demais. Ao menos, ao final da semana, seu rosto já não estava inchado e o roxo no olho estava suavizado. Odiava andar na rua com aquele rosto ‘desfigurado’.

Claro, desfigurado era exagero, mas o loiro sempre fora exagerado.

Na sexta-feira pela manhã, acordando tarde como todos os dias, abriu os olhos pela claridade chata e encontrou o Fabrício deitado ao seu lado, acariciando-lhe de leve os cabelos, enquanto o observava dormir.

Ele sorriu quando o viu acordado.

“Bom dia, Bela Adormecida.”

André resmungou, espreguiçando-se. Que mania irritante de sempre observá-lo dormir! Tentou disfarçar o fato que sempre se acanhava com isso, e com aquele olhar apaixonado bobo. Causava-lhe um arrepio inevitável na nuca.

“Bom dia o caralho, não me chama de Bela Adormecida, porra.” Disse irritado.

Fabrício já estava acostumado com seu mau-humor, que era dez vezes pior pela manhã. Ainda mais quando ficava envergonhado. O moreno apenas revirou os olhos.

“Tu tem de aprender a ser mais agradável pela manhã, sabia?” Perguntou beijando-lhe a bochecha. Estavam ambos só de cueca e, André imaginava, Fabrício já havia se levantado e feito a higiene matinal antes de voltar a se deitar e ficar olhando-o.

“Não fica me olhando dormir, isso é estranho...” André murmurou emburrado, dando as costas ao namorado. Ainda estava com sono, mesmo já sendo mais de dez horas. Haviam ido dormir tarde, ficaram no barzinho até umas três da manhã.

Fabrício o abraçou, colando seus corpos e dando-lhe uma fungada no cangote. André se arrepiou, remexendo-se. Notou o volume na própria cueca. Ótimo, estava com uma pseudo ereção matinal. Mais um pouco de estímulo e acabaria completamente duro. E, dito e feito, Fabrício o beijou no pescoço e deslizou a mão por seu abdômen, alcançando seu ventre. Gemeu e segurou o braço do moreno quando ele começou a tocá-lo. Isso o fez lembrar-se de que não transavam há seis dias. Obviamente porque antes se sentia dolorido e sem humor para isso.

“Eu vou ficar com saudades.” Fabrício admitiu carente, sussurrando em sua orelha, e o loiro teria revirado os olhos – eram menos de três dias! –, mas estava ocupado demais gemendo ao ter a cueca invadida pela mão do namorado.

“Fabrício, eu nem escov-“ Tentou dizer, mas o moreno não estava se importando. Virou o rosto do loiro e o beijou. André retribuiu com dificuldade, sua respiração começava a acelerar. De fato, Fafá estava com o hálito fresco, e ele com aquela boca de quem acordou de um sarcófago. Perfeito. O empurrou. “Porra, Fabrício, já falei que não gosto disso!” Exclamou e foi para o banheiro, onde realizou tudo que precisava, ignorando os chamados e tentativas de desculpas do namorado.

Quando retornou, Fabrício estava deitado de barriga para cima, olhando para o teto. Parecia meio arrependido, como o Sascha quando fazia algo de errado, e o André se achou sorrindo torto para aquilo. Voltou para a cama e deitou de bruços entre as pernas do moreno. Seus lábios recaíram sobre o abdômen dele, e desceram até a cueca, onde o membro rígido se desenhou rapidamente sobre o tecido. Fabrício levou um susto e se ergueu nos cotovelos, olhando já ofegante para o loiro.

“Será que tu não consegue nunca esperar que eu ao menos acorde direito?” André perguntou. Ficar a semana toda dormindo com o Fabrício, sem nenhum toque mais ousado, o deixara louco.

Queria tanto sentir o moreno novamente...

“Tu às vezes me surpreende.” Fafá admitiu, a respirando pesando enquanto o André acariciava-lhe a ereção.

“Só às vezes?” André tombou a cabeça para o lado, antes de afastar a cueca alheia e colocá-lo na boca. Fabrício gemeu deliciado e acariciou os cabelos do namorado. A respiração se tornou entrecortada enquanto o loiro se dedicava a dar-lhe prazer, apertando suas coxas ou nádegas com vontade em alguns momentos. Fabrício sempre se sentia meio abobado com isso, demorara um bom tempo até o loiro ganhar mais confiança na cama, mas agora...

Após um tempo puxou o namorado para si, abaixando a cueca dele.

“Quero te sentir inteiro, loiro.” Sussurrou no ouvido do namorado, que estremeceu e não ofereceu resistência quando inverteu as posições.

André gemeu quando o moreno começou a masturbá-los juntos, movendo-se sobre ele. André mordeu os lábios, não conseguindo evitar pensar que ter um moreno daqueles sobre si, movendo-se como se já o penetrasse, contraindo a musculatura delineada do peito e costas, era exorbitantemente excitante. O beijou no pescoço, com um chupão leve – diferente do outro, sabia se controlar para não deixar marcas. Fabrício gemeu satisfeito e o trouxe para perto – inevitavelmente apertando-lhe a bunda. Que tara!

Suas ereções roçaram juntas, seus lábios não desgrudavam, sedentos um do outro.

André tinha de admitir, também sentiria saudades, mesmo sendo apenas três dias. Oras, estava acostumado a ver o moreno todos os dias, ou quase todos os dias. E o que acontecera no domingo o deixara carente. Queria o namorado por perto, queria poder olhar para ele e se acalmar toda a vez que as imagens da briga assaltavam-lhe a mente. Claro que não sairia falando nada disso para ele. Era vergonhoso demais.

Começou a mover o quadril contra o moreno, sua mão nas costas dele o puxando e espalhando aquela energia erótica sensual pelo quarto. Fabrício se afastou para olhá-lo no exato momento em que suspirou alto com desejo. Fabrício se enlevava com aqueles suspiros e gemidos, era uma delícia escutá-los.

“Se abre pra mim, loiro...” Sussurrou no ouvido dele, e André gemeu de novo, arqueando as costas.

O loiro abriu os olhos, deparando-se com aquela profundidade negra que eram os orbes do moreno. Suas pernas envolviam frouxamente o quadril dele, mas o Fabrício segurou suas coxas e as afastou. Tal posição ainda o deixava um pouquinho constrangido, se sentia tão exposto! Era apenas a terceira vez deles. Corou e tentou fechar as pernas por reflexo, mas o Fabrício segurou-lhe firme e abaixou o rosto, capturando-lhe novamente os lábios. O que era bom, não gostava de ser tão observado; Fabrício parecia viciado em olhar-lhe o rosto – enquanto dormia, enquanto transavam...

Primeiro sua bunda, agora isso.

“Fabrício...” Gemeu.

Fabrício se afastou de maneira súbita, deixando o loiro completamente perdido e insatisfeito. Mas não teve muito tempo para reclamar, já que o moreno colocou os pés no chão e puxou o André pelos tornozelos, arrastando-o até que sua bunda estivesse um pouco fora do colchão.

Sorria malandro.

“O que tu...?! Fabrício, não!” Tentou novamente fechar as pernas, de repente atingindo por um estranho constrangimento. Sempre era relutante com posições novas que o expunham demais, Fabrício já previa isso.

“Isso não é nada que eu já não tenha feito em outras posições.” Fabrício empurrou-lhe as coxas contra seu peito, expondo-o mais, e afundou a língua entre os glúteos do loiro, que se contorceu pelo baque úmido de prazer. Podia ouvir a língua do moreno roçando em sua pele sensível, espalhando um prazer latente que parecia acariciá-lo por dentro. Fabrício realmente adorava as expressões do loiro nesses momentos, tão entregues...

André levou a mão ao próprio membro e começou a se tocar, redobrando seu prazer, enquanto recebia as lambidas, e eventuais mordidas na bunda. Quando Fabrício se afastou, André se sentia acabado, respirando profunda e rapidamente. Ainda queria seu alívio matinal, mas moveu o quadril numa espécie de rebolado por causa dos arrepios da barba do moreno roçando em sua virilha e depois abdômen. Gemeu agarrando seus cabelos, achando que acabaria tendo uma crise vasovagal e desmaiando. Seu coração corria uma disputa de vida ou morte, ou assim parecia.

Fabrício alcançou seu mamilo e o sugou, forte, gerando um leve espasmo.

“Não sei como tu faz isso...” André murmurou com a voz rasa. Prazer por uma chupada no mamilo? Fala sério!

“O quê?” Fafá não entendeu, seu rosto era até inocente. Nem parecia que estava chupando e lambendo o loiro despudoradamente até segundos atrás.

“Nada...” André resmungou, o melhor era não falar nada. Mas como não falou nada, Fabrício logo esqueceu o comentário e o virou num giro rápido. Ele ainda tinha os pés no chão. André teve de dobrar uma perna para que ela ficasse sobre o colchão. A outra estava esticada e o pé tocava no piso gelado. Fabrício ainda se inclinou e o beijou na nuca, nas costas, voltou a provocar sua cavidade, antes de se afastar para buscar a camisinha.

“Fique assim.” Ele pediu, e o André ficou,talvez por inércia. Observou-o pegar uma camisinha e colocar, mordendo o lábio.

Suprimiu um gemido de antecipação.

Um Fabrício pelado, andando excitado pelo quarto já com a camisinha posta era uma visão que causava uma queimação nas entranhas. André olhou por cima do ombro, com os lábios entreabertos, quando o moreno se posicionou atrás de si, segurando-lhe o quadril e guiando a ereção para seus glúteos. Soltou uma lamúria sofrida, que misturava dor e prazer, ao ser penetrado. Fabrício quase perdia a razão com aquela bunda empinada.

“Tu é tão sexy.” Fabrício anunciou se inclinando e apoiando uma mão no colchão. Com uma só investida, afundou-se por inteiro, a pelve batendo contra as nádegas do loiro. André gemeu alto e deixou a testa bater no colchão, com um tremor involuntário e a sensação estonteante de preenchimento repentino. Arranhou os lençóis como faria um gato e chegou a se arrastar um pouco para frente, quase como se tentasse fugir. Isso só proporcionou que o moreno se movesse de novo, o som seco dos corpos se chocando estalando no ouvido do loiro, que voltou a gemer, sem fala. “Quer que eu pare?” Fabrício perguntou, sua mão causando pressão na região lombar do namorado.

“N-Não!” André falou rápido demais, e corou mordendo o lábio. Empinou mais o quadril, afastando a própria pelve no colchão e se tocou, o rosto vincado de prazer quando o moreno começou a estocar primeiro lento e carinhoso, beijando-o vez ou outra.

Somente aumentou quando o loiro pediu por mais, até chegar num ritmo que deixaria suas nádegas vermelhas pelo quanto batia nelas com o baixo ventre. André precisou se apoiar com ambas as mãos, e olhou por cima do ombro quando o Fabrício se inclinou mais sobre si, colocando um pé sobre o colchão para ir mais fundo, acariciando-lhe o abdômen liso ao envolver sua cintura com um braço. Beijaram-se sem que o moreno parasse, um beijo difícil pelo sacolejo dos corpos. André sequer se importava com algumas pontadas de dor que sentia com aqueles movimentos bruscos, o prazer era o dominante, amortecendo e curando tudo.

Quando parou de se segurar, almejando por um alívio matinal rápido, Fabrício novamente se afastou e o virou, inclinando-se sobre o loiro, antebraços apoiados nas laterais de seu corpo, e o beijou, penetrando-o com um golpe único, agora na nova posição. André o abraçou com as pernas e abafou uma exclamação desajustada.

“Gosto de te olhar.” Fabrício explicou o que o André já sabia e não deu brecha ao loiro, passou a investir forte, com tudo que conseguia, para que o loiro chegasse ao clímax. André gritou com aquilo, o orgasmo vinha em facadas de prazer cru, ardente. Arranhou as costas do moreno com certo sadismo, quando se derramou no próprio abdômen. Fabrício fez uma leve careta de dor, e não se segurou também, deixou aquele prazer inundá-lo.

Beijavam-se durante o ato, e continuaram por algum tempo, mesmo após o término. Fabrício subiu na cama e os dois se arrastaram mais para cima do colchão. André limpou o abdômen e o moreno livrou-se da camisinha, e então caíram abraçados e cansados contra os travesseiros. O loiro descansou sobre o peito do namorado, mal acreditando naquela transa. Não fora a primeira, mas mesmo assim tudo parecia uma grande e gostosa novidade. E esperava que isso nunca mudasse.

Suspirou cansado, fechando os olhos enquanto sentia os carinhos em suas costas.

“Tudo bem?” Fafá perguntou; se preocupava com a integridade física do loiro.

André voltou a se sentir uma bonequinha de porcelana.

“Não. Voltou a doer tudo.” Mentiu, apenas para ver o desespero do moreno.

Fafá quase o machucou ao se erguer rápido.

“Sério!?!” Perguntou já com a expressão completamente frustrada. “Ah droga, desculpa, desculpa, é que eu fiquei pensando o que não devia enquanto te olhava dormir e-“

André soltou uma risadinha nasalada que denunciava a mentira.

“Como tu é fácil de enganar.” Debochou.

Fabrício o olhou boquiaberto.

“Aaaaaaah é assim!” Ele falou arrastado, e o André percebeu que não fora uma boa ideia, pois num piscar de olhos isso lhe rendeu uma sessão de cócegas que quase o matou. Sim, estava exagerando, mas era muito sensível a cócegas e as odiava do fundo do ventrículo esquerdo de seu coração – aulas de anatomia começavam a afetar o cérebro de loiro.

“Para, Fabrício! ARGH, vou te bater até tu ficar mais inchado do que eu!” Ameaçou. Deu um soco tão forte no moreno que ele caiu na cama choramingando.

André no fim teve de fazer-lhe uns mimos para que ele parasse de choramingar. É o cúmulo, o loiro pensava, mas não impediu o namorado de se abraçar à sua cintura e descansar a cabeça em sua barriga, enquanto se via obrigado a fazer-lhe afagos nos cabelos.

XxxX

Gabi e Dani apareceram no início da tarde, junto com Milo. Dani resolveu ficar mais uns dias com a morena, antes de voltar com Milo para Pelotas. Ambos tinham de resolver algumas coisas, mas voltariam depois. Com a questão das greves, as coisas estavam meio obscuras. Fabrício colocava as malas no carro do tio, emprestado para a viagem.

“Vê se dirige com cuidado, moleque.” Diogo colocou a mão no ombro do sobrinho. “Mal tirou a carteira e já vai dirigir em estrada.”

“Já dirigi em estrada antes mesmo de tirar carteira.” Fafá tranquilizou o tio – ou talvez apenas o deixou mais preocupado. Lucas era liberal demais com o garoto.

“Dré, tu ‘tá melhor?” Gabi perguntou ao loiro. “Teu rosto melhorou muito, só tem esse roxo ao redor do olho agora, mas já mais fraco.” Ela tocou o rosto do loiro, preocupada. Ficara bastante sensibilizada com aquela história, compadecida do amigo. Imaginava como se sentiria se a mãe a houvesse hostilizado quando apresentou-lhe a Daniela.

“’Tô bem. Vou viver, eu acho.”

Dani pigarreou, e Gabi afastou a mão do loiro.

“Ah, para, né, Dani! É o André!” Gabi falou entediada, como se o loiro não fosse digno de causar ciúmes em alguém. André não gostou daquele tom.

“Como assim ‘é o André’?” Quis saber, contrafeito, mas Gabi o ignorou e foi abraçar e beijar a Daniela, despedindo-se com carência.

“Vê se volta logo, nega.” Pediu. Havia pegado a mania de chamar a índia de nega, o tom carinhoso. “E não vai inventar de dar em cima do Fafá durante a viagem.” André concordou silenciosamente com o pedido, ou iria até Pelotas cometer um assassinato.

Convivendo com a Daniela, até passara a aturá-la, mas ainda desconfiava.

“Gabi, quantas vezes vou ter de falar-“ Gabi deu-lhe um selinho para que não iniciassem uma discussão.

“Só fico tranquila porque sei que o único rabo de saia que interessa ao Fafá no momento atende pelo nome de André Santayana.”

André se engasgou com a saliva.

“Quem é rabo de saia!?” Exclamou irritado.

“Sabe o que isso me lembra?! Que eu já fiz o André se vestir de bomberinha sexy de novo!” Fafá riu.

André o olhou de uma forma que deixava claro que poderia matá-lo naquele exato instante.

“Foi bombeiro! E diz a pessoa que se vestiu e dançou Lady Gaga.” André o lembrou mordaz. Sascha latiu como se lembrasse, mesmo ainda não tendo sido adotado na época. Mas é bom que ele concorde com o dono dele, André acariciou a cabeça do labrador.

Gabi ria feito doida, e perguntava que história de bombeiro era essa.

“Voltei!” Milo, que estava atrasando a partida, surgiu, salvando o loiro de novas perguntas. Ele havia entrado na casa para fazer xixi. Já havia se despedido de Beto, aliás, estivera na casa dele, e de lá viera para pegar carona. Beto, como estava em semestres mais avançados, tinha alguns compromissos no hospital, que não se envolvera com a greve da universidade. “Então vamos que quanto mais cedo chegarmos, mais cedo poderemos voltar!”

“Isso tudo já é saudades do Betinho? Depois diz que é só sexo. Sei, até mudar de cidade por ele, ‘tá mudando.” Dani implicou com o amigo, sorrindo zombeteira. Milo a olhou ofendido, enquanto Diogo comentava algo sobre o fogo no rabo dos jovens ou coisa parecida.

“Odeio ficar vendo coisas onde não existem, estou apenas deixando rolar.” Milo se defendeu. “Já tomei toco demais na vida pra sair fantasiando, índia.”

“Tua mãe não te ligou?” Fafá perguntou ao namorado, puxando-o um pouco para longe dos outros, que discutiam coisas como relacionamentos, namoro, ciúmes. Milo implicava com Gabi e Dani sobre elas ainda não admirem estar num relacionamento sério. Seria algo novo para ambas, e as duas tinham certo receio de dar aquele passo cedo demais.

“Não... Sei que ela ‘tá bem pelos meus tios, que parece que não sabem de nada sobre eu ser gay, ou nem conversariam comigo. Parece que ela e meu pai se separaram de novo. Ela tá morando com a amiga Val, e meu pai, eu nem sei. ‘Tô com medo é de ele vir atrás de mim, mas-“

“Se ele fizer isso...” Fabrício apertou os punhos.

“Relaxa, meu pai não é louco, ou não tanto. Agora que a raiva inicial passou, ele deve se manter quieto, mas sem querer olhar nunca mais na minha cara, provavelmente. O que é bom, não quero olhar pra cara dele de novo também.” Falou entediado, como se aquilo não passasse de um incômodo sem importância.

“Isso é sério, André. Não precisa agir como se fosse nada, tu tem eu e os outros do teu lado. Apenas te cuida, e segunda-feira pega o primeiro ônibus, okay? Não quero ficar longe de ti por muito tempo.” Fabrício repetiu aquilo e o abraçou, beijando-o na bochecha.

André ficou meio tenso, mas logo o abraçou apertado. Fafá tinha razão, estava fingindo que aquilo não lhe afetava, mas ainda era recente e a mágoa estava ali, deixando-o deprimido em alguns momentos. Porém falava a verdade quando dizia que nunca mais queria olhar para a cara do pai. E foda-se que nunca é tempo demais, pensou, recordando quando as pessoas diziam coisas sobre ‘nunca diga nunca’ e essas idiotices todas.

Pouco depois, após todas as despedidas e toda a choradeira do Sascha, Fafá, Dani e Milo embarcavam e o carro saía da garagem, em pouco tempo sumindo pela rua. Gabi fez um beicinho já com saudades, e André colocou as mãos no bolso do casaco após ajeitar o cachecol no pescoço. O tempo tivera uma mudança brusca e ficara bastante frio de um dia para o outro.

“E aí, quem está a fim de um brigadeiro de panela, de uma sinuquinha e um filminho bem sessão da tarde nesse final de tarde congelante?” Diogo ofereceu para animá-los, e Gabi soltou um urro de concordância. Era louca por doces.

Sascha correu pra dentro da casa, pelo caminho encontrou Cherry e se jogou em cima dela, começando a brincar contra a vontade da gata. Cherry já tinha o tamanho adulto, mas Sascha estava umas quatro vezes o tamanho dela. André nem se prestava mais a afastar aqueles dois, mas Diogo reclamava da bagunça que faziam – apesar de ele fazer piores. Cherry vinha desenvolvendo uma relação pacífica com Diogo e Henrique; desde que eles lhe alimentassem na hora combinada.

Gabi começou a jogar sinuca com o Diogo, e o André se perguntou por que diabos acabara na frente do fogão cuidando do brigadeiro de panela.

Aquilo iria acabar queimando.

Notas finais
Eu tinha pensado em tirar o lemon desse capítulo, pra não ficar tão seguido... Mas bem, aí depois eu não teria onde encaixá-lo, e é o último lemon da história mesmo... Enfim, espero que não tenha ficado cansativo. Foi um cap. mais de transição. A história só tem mais 2 caps. + 1 extra + epílogo. Beijos! (responderei os reviews hoje à noite)