Good Nightmare

3 O garoto da bola de vôlei


Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo, com algumas surpresinhas para vocês *u* Mais uma coisas: LEITORAS FANTASMAS, APAREÇAM! Não mordo Só se pedirem :3

Vamos lá Olivia, você consegue fazer isso.

Respira fundo, relaxa...

E vai...

– Morreu! – Ouvi alguma menina comentar sobre meu desempenho.

Pois é, vou confessar que nunca fui boa em esportes, e ainda inventam de me colocar para jogar vôlei. Esse é um dos esportes que eu consigo mandar a bola pra qualquer lugar, menos para a quadra, pelo menos a qual o jogo está acontecendo.

O que acabou acontecendo: Eu consegui acertar a bola na cabeça de um ser inocente e anônimo da Ed. Física masculina.

Ops!

Corri até a pessoa para ver se ele ainda estava vivo. Se eu chegar em casa e falar que matei um homem, acho que sou morta pelo meu irmão, ou ele só enfia uma porta em mim.

– Moço, cê tá bem? Tá respirando né?

Puxei um pouco o corpo dele para que eu pudesse ver onde tinha o machucado e... Uau!

Geralmente eu consigo acertar a bolas em nerds que depois disso ficam uma semana na minha cola, mas dessa vez eu consegui fazer um upgrade na minha mira. Brenda bateria palmas para mim se não estivesse do outro lado da quadra no momento.

Um super upgrade.

Agora é a hora em que eu peço desculpas, ele diz que não foi nada e a gente se beija e...

– Quem deixou uma anta como essa jogar?!

Ou não.

Meu rosto deve ter ficado vermelho ou quem sabe roxo, pois senti que meu sangue estava pegando fogo sob minhas veias.

– Amorzinho, eu vim aqui para te ajudar, mas se não quiser, é só falar que eu te ajudo a enfiar essa bola de vôlei no meio do teu...

– O que está acontecendo aqui? – Maldita seja essa pessoa que interrompeu meu xingamento.

Acalme-se garota, você tem que economizar muita calma para a capivara.

– Essa louca aqui quase me matou. – O moço respondeu com a voz suave que não fazia jus à sua expressão.

– Quarta vez já, Olivia? – Perguntou o treinador abaixando-se para ajudar o ruivinho cabelos dos infernos. Respondi com um sorrisinho cínico, e sim, essa era a quarta vez que eu fiz isso, já está quase ficando normal acontecer esse tipo de coisa comigo, ou melhor, com os outros.

O treinador levou o cabelo de menstruação para a enfermaria me deixando mais tranquila. Adicionar mais problemas à minha lista era impossível, não havia mais espaço para encaixá-lo.

Eu tenho que parar de dar apelidos nada bonitinhos, certo? Ok, outra hora eu escrevo isso no meu caderninho porque agora eu deveria ir até o Professor William para ele me foder.

Isso soou meio estranho, mas tudo bem.

Caminhei até o vestiário e coloquei minha roupa comum e com pressa, já não via hora de me livrar das paredes do meu colégio e relaxar de tudo que acontece na minha vida.

Enquanto andava pelos corredores, certa tensão passava pelo meu corpo, mas eu tentava disfarçar, pois ainda havia alguns alunos nos corredores.

Deus, o que houve comigo essa manhã? Por que eu agi daquela maneira com a Jennifer? Está certo que ela é uma vadia de quinta e mais um montão de coisas, mas se ela quisesse fazer sei lá o que com William na frente de todo mundo, aquilo não era problema meu.

Parei em frente a sua sala, segurando a maçaneta da porta e decidindo se abriria ou não.

Se eu abrisse eu teria que olhar para ele depois da minha atitude ridícula, mas se eu não abrisse, seria mais um motivo para ele ficar zangado e quem iria sair pior ainda dessa história (se fosse possível as coisas ficarem piores): eu.

Minhas mãos suavam e a que eu estava segurando a maçaneta escorregava.

Quer saber? Dane-se.

Abri a porta devagar e na fresta que surgia, eu tinha a bela visão de William sentado em sua mesa com suas mãos tampando seus olhos e rosto.

Ele não parecia bem. Mais uma vez entrei em guerra comigo mesma se deveria incomodá-lo ou não. Quando me dei conta, meus pés estavam me levando para ele em passos suaves até chegar perto dele. Ele ainda não tinha percebido minha presença.

Eu poderia parecer uma garota durona, mas eu tinha o coração mole. Por mais que eu odiava o capi... o William, eu não gostava de ver nenhuma pessoa em qualquer situação e desse jeito.

– Ei. – Tentei chamar sua atenção. – O Sr. está bem? – Indaguei quase em um sussurro.

Senhor é apenas uma ironia, ele não poderia ser chamado se senhor nunca em relação a sua idade e a sua aparência, mas somos obrigados a usar esse pronome com professores.

William parece ter levado um susto ao me notar, mas não demonstrou isso. Muito pelo contrário, ao perceber que era eu, sua expressão endureceu rapidamente.

– Nada que afete a sua pessoa, Olivia. Não precisa se preocupar. – Respondeu seco e arrumando seu material desajeitadamente.

Isso gerou uma revolta instantânea dentro de mim.

– Pare de ser egoísta consigo mesmo, William! – Segurei seus braços com força para que parasse de movê-los. Seus olhos estavam vermelhos e eu pude ver que suas mãos estavam molhadas. – Deixe que as pessoas se preocupem com você, deixe que as pessoas queiram te ajudar!

Mesmo com os olhos vermelhos e inchados, era possível ver o quanto ele estava desesperado. Levei meu olhar até os seus lábios que agora estavam mais rosados do que nunca. Droga, ele era bonito até nesse estado. Sim, eu deixei-me dizer para eu mesma que ele era bonito, eu estava progredindo nesse quesito.

Ele baixou o olhar e permiti-me ser um pouco ousada em agarrar uma de suas mãos, que agora começavam a secar, e segurá-la enquanto minha outra mão fazia desenhos circulares em seu pulso.

Ficamos assim por uns dois minutos, até alguém arreganhar a porta.

– William... – Começou a professora de química com uma voz sedutora, mais precisamente, voz de Jennifer – Estaria livre para um... – Ela parou imediatamente ao me ver ali.

Ele largou minha mão e agarrou suas coisas em uma velocidade incrível.

– Hoje não, Sra. Simpson. Tenho um compromisso. – Rejeitou o pedido da mulher e saiu sem ao menos se despedir dela.

Ela me fuzilou com o olhar e saiu batendo a porta da sala, me deixando a sós com meus devaneios.

Soltei um leve risinho. Gostaria de ter mostrado a língua para ela ao sair, ou o meu dedo favorito. Abri o zíper da minha mochila e coloquei os exercícios separados que ele tinha que corrigir, mas que 50% era meu.

Levantei-me e fui até a porta. Assim que ela ia se fechar, corri meus olhos até sua mesa e vi que nela um livro fora esquecido. Resolvi pegá-lo ao imaginar a cena do que as faxineiras fariam com ele se o acharem na sala de seu professor favorito. Provavelmente esfregariam em seu corpo e... Ugh! Seria melhor levá-lo mesmo, eu o entregaria no próximo dia. Não que eu fosse fazer o mesmo que elas, mas pouparia um livro desse futuro cruel.

. . .

Retirei tudo que havia da minha mochila e esparramei em minha cama. Peguei as lições de casa e joguei-as no chão. Foi um sacrifício do capeta ter que corrigir os exercícios do Pr. Capivara, já que eu mal tirava uma nota decente em suas provas, mas um equipamento mágico chamado calculadora salvou o dia novamente.

Voltei a guardar minhas coisas na mochila e percebi que eu não tinha tirado uma coisa.

O livro do William estava ali dentro para atormentar meus pensamentos. Curiosa, tirei-o apenas para ler o título, porque sabia que ao devolver para ele, mandaria para inspeção só para saber se eu tinha o aberto.

O virei e bem em seu centro superior, ele estampava “O Fantasma da Ópera”; justamente um dos livros que eu sempre quis ler em toda a minha vida.

. . .

William Hoffman não compareceu ao Colégio naquele dia. Tivemos que aguentar uma professora substituta nas duas aulas de matemática contar e botar a culpa em todos nós pela sua vida desgracenta, se é que essa palavra existe. Brenda e Ian conversavam sobre coisas banais que não me chamavam nem um pouco a atenção.

A ausência de William me incomodava, mais ainda do que sua presença. Nunca pensei que um homem daquele tamanho, de ombros largos e com uma altura que passava dos 1,80, poderia ficar tão abalado.

Tentei relacionar o motivo de ele ter chorado naquele dia com o motivo de ele ter faltado, não apenas aquela quarta, mas a quinta e a sexta daquela primeira semana de aula.

Assim que sai da sala da psicóloga do colégio, lembrei de que Ian já tinha ido embora. Droga! Mais uma vez nessa situação.

Apertei a mochila em meu peito e encarei a rua da saída da escola. Vamos lá, Olivia! São apenas 16 quadras!

Desci as escadas com esse pensamento positivo em minha cabeça, ou nem tão positivo assim, e atravessei o estacionamento do colégio que ainda continha alguns carros dos alunos que provavelmente estavam na detenção.

– Olhe, se não é a garota da bola de vôlei! – Disse uma voz masculina a minha direita. Virei o rosto e deparei-me com o garoto que menstrua pela cabeça.

– Olhe, se não é o idiota que eu acertei com a bola de vôlei! – Respondi sarcástica.

Ele era lindo, isso eu tenho que assumir. Ele estava encostado em sua moto com um capacete em mãos e segurando um cigarro.

– O que estava fazendo lá dentro até agora?

– Digamos que isso não seja problema seu. – Respondi com aquele jeitinho carinhoso que nunca existiu em mim.

– Então eu acho que voltar a pé para casa quando já está escurecendo seja problema seu também. – Ele jogou o cigarro no chão e pisou no mesmo, logo subiu em sua moto e deu a partida. Eu fiquei o encarando estática e me contendo para não pular em cima dele e enchê-lo de socos. – Vai subir ou não?

Vi-me sem opção. Arranquei um dos capacetes da mão dele e lhe ditei o meu endereço subindo na moto.

Eu odeio pessoas que me irritam, anote isso.

Notas finais
O que acharam dessa nova tocha humana? Eu acabei mostrando um pouco de um lado da Olívia que ninguém além dela (e o gostosão agora) sabiam. Acho que mereço comentários... APAREÇAM!!!