Good Nightmare
5 Dangerous Animals
Notas iniciais
Caminhei em passos firmes à figura que se mantinha imóvel no local.
– Boa noite, cavalheiros. – Uma Olivia disse entrando no minicírculo ali formado.
Todos responderam com indiferença e alguns até se incomodaram com a minha presença.
Eu não estava nem um pouco incomodada com a minha pessoa ali, isso é o que realmente importa.
Peguei a taça do homem desconhecido que estava ao meu lado. Encostei meus lábios na mesma jogando todo o líquido em meu organismo.
Quase o senti corroendo minha garganta. Havia muito tempo que eu não fazia isso.
– Obrigada. – Devolvi para o senhor com um sorriso.
Foi então que percebia a presença e o motivo de eu estar ali.
William começou a tossir loucamente.
– Eu vou... Ar... – E com essas palavras ele saiu de lá para alguma direção.
Todos me olharam ali como se eu fosse uma louca.
“Sorria e acene” foi o que aprendi em um desenho.
Arranquei o maldito salto – Quem foi o idiota que inventou essa budéga? – E me despedi de todos ali sorrindo e acenando.
Caminhei descalça pelo salão mostrando meus lindos dedinhos dos pés para todos e com os saltos em mãos.
Estavam me olhando porque queriam então isso não era problema meu.
Uma mão brotou da escuridão pegando meu braço e me puxando para o escuro de onde vinha.
Só poderia ser o Satã meu Senhor.
Depois descobri que era só o capeta mesmo.
– Que merda você está fazendo aqui?! – O rosto dele estava muito próximo ao meu e podia sentir seu hálito de hortelã de encontro ao meu rosto.
Malditos hormônios femininos que não me deixam controlar meu corpo.
– E-eu... – Sua mão esquerda ainda segurava meu braço e a sua direita fixada na parede ao lado do meu rosto.
Droga.
Sim, ele é gostoso demais.
Até mesmo com a pouca iluminação seus olhos azuis e gelados teimavam em continuarem claros.
– Eu estou aqui porque sou convidada! – Senti a adrenalina irradiar do meu corpo. Por um momento pensei que podia dar uma de fodona e quebrar tudo ali.
Desvencilhei-me de sua mão em meu braço e o empurrei com total brutalidade.
Ele mal se moveu.
Ele.
Mal.
Se.
Moveu.
William 2x0 Olivia
Bosta de cromossomo XX.
Ele começou a rir loucamente bem à minha frente.
Maldito armário!
– Idiota! – Comecei a estapear seu peitoral definidinho e ele continuava a não se mover.
Um dia eu fico monstro e domino a Terra, o primeiro que irei matar será você cretino que ainda pode me reprovar esse ano.
– Nenhuma pessoa inteligente te convidaria para um lugar como esse. – Comentou ainda tentando se recuperar do ataque que tivera.
Isso não me atingiu. Não me atingiu. Não vai me atingir. Não está me atingindo.
Ok, isso me magoou muito.
– Nenhuma pessoa inteligente te contrataria para trabalhar num colégio como o meu.
Tá, isso foi de longe a pior coisa que eu poderia responder, mas agora me fale...
Eu faço alguma coisa inteligente?
Eu acho que não.
Ele riu novamente, tive vontade de arrancar seus lindos cabelinhos castanhos escuros e fazê-lo engolir.
– Vê se fica longe de mim enquanto fico bêbado. – Foi isso que ele disse, deixando-me sozinha ali naquele corredor escuro e assustador.
Muito obrigada, Pr. Capivara.
[...]
Eu era fraca demais para beber, mesmo após ter pegado Eric beijando alguma vadiazinha anônima.
Eu simplesmente não conseguia engolir qualquer coisa.
Eric não era meu namorado, mas acho que ele devia se manter fiel à sua acompanhante.
Uma leve sensação de enjoo começou a me preencher.
Maravilhoso.
Eu mal tinha bebido para estar assim.
Corri até o caminho do banheiro e coloquei tudo que tinha no meu estomago para fora.
Fique com nojo de mim mesma. Caminhei até o espelho do banheiro luxuoso e lavei minha boca.
Andei cambaleantemente para a porta do banheiro, mas a minha fraqueza acabou me levando.
De repente tudo havia ficado embaçado me deixando a mercê de qualquer coisa.
[...]
A última coisa que me recordo foi de estar em um carro em alta velocidade sabe-se lá para onde.
Espero estar viva quando acordar.
[...]
Cobertas... Luz... Cama...
Uma respiração quente de encontro ao meu rosto...
Ok.
Espera...
ONDE É QUE EU TÔ?!
Abri os olhos rapidamente e tudo que eu imaginava estava correto. Estava em um lugar completamente desconhecido. E bem, William estava na mesma cama que eu apenas de cueca.
...
...
Olhei para o meu corpo e constatei que estava apenas de... Lingerie...
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!! – Gritei alto o suficiente para chamar alguém chamar a polícia rapidamente. Acabei caindo da cama e batendo minha cabeça em alguma coisa. Mas não desmaiei, não deixaria esse maníaco ter meu corpitcho novamente.
Ele se sentou na cama e me olhou assustado enquanto eu segurava o miniabajur dele e com a outra mão segurava o lençol cobrindo meu corpo.
– Um movimento brusco e os cacos desse negócio vão rasgar seu cérebro! – O alertei, mas acho que ele queria brincar comigo.
Ele sorriu e se levantou ficando de costas para mim e vestiu algum tipo de bermuda preta.
Babaca.
Mas acho que você deve saber que não tenho uma mira muito boa. O abajur acabou quebrando um metro e meio de distância dele. Mesmo assim ele ficou bravinho.
– Sua... – Ele cortou o seu xingamento assim que peguei um vaso e ameacei o jogar. – Calma!
O homem voou por cima da cama e segurou o meu braço tirando o vaso da minha mão.
Apresento-vos Olivia, a histérica.
Comecei a gritar loucamente e arranhar o rosto do maníaco estuprador à minha frente.
Está certo que não sou forte, e todos sabem disso. Mas nesse momento eu estava com tanta raiva e desespero que nossas forças poderiam ser equiparadas. Parecíamos dois animais perigosos brigando loucamente, mas uma coisa me atingiu antes dele: o cansaço.
Ele prendeu minhas mãos em seu tórax e tapou minha boca com a sua mão livre.
Fudeu.
– Eu não fiz nada com você! – Foi o que ele disse.
Por um momento meus músculos relaxaram e ele acabou cedendo.
Detalhe que o lençol já havia caído.
Aí percebi que ele continuava a encarar meu corpo intensamente.
Acho que fiquei roxa.
Malditos hormônios que adoram me deixar assim.
Ele sorriu e jogou uma de suas camisetas para mim.
– Nada mal. – Comentou abrindo a porta do quarto e parando para dar mais uma olhada em meu corpo.
Segurei a camiseta em meus peitos e joguei o controle nele que se esquivou com a porta.
A sua risada ecoou pela casa inteira.
Dei um gritinho de raiva, mas já estava esgotada de gritos, desmaios, risos e sorrisos cínicos.
Vesti a camiseta e percebi que ela ficava enorme em mim, mas ainda dava para ter uma visão das minhas pernas.
Como já se deve imaginar, não tenho um corpo invejável, mas gosto de preservá-lo.
Abri o guarda-roupa de William e encontrei uma quantidade de roupas pretas maior do que as de outras cores. Abri uma gaveta e achei algumas de suas bermudas. Peguei qualquer uma e a vesti servindo quase que como uma calça e muito larga em minha cintura, mas estava um pouco mais decente.
Decente não é bonita muito menos apresentável.
Assim como o quarto, a casa toda se misturava em tons de creme e marrom. Caminhei pelo corredor até onde vinha o som de alguma televisão alta ligada em algum canal de esportes.
Encontrei um William de pé comendo um pão e com um copo de café atrás do sofá assistindo algo que me pareceu baseball.
Homens...
Assim que me viu, ele quase se engasgou com seu café. Acho que ele me achou linda (identifique o sujeito dessa frase e classifique-o em irônico, sarcástico ou depreciativo).
– Ér... – Ele tentou desviar o olhar da minha criatura maravilhosa – É o que tem. – Disse apontando para a mesa e voltando para a sua TV.
Sentei-me a mesa e passei manteiga no pão acrescentando um queijo no mesmo. Servi um pouco de leito no meu copo e ataquei.
Logo o programa emocionante de William chegou ao intervalo e ele sentou à minha frente.
– Por que me trouxe pra cá? – Perguntei tomando um gole do líquido do meu copo.
– Eu encontrei você na porta do banheiro feminino enquanto passava por ele. – Ele respondeu fazendo o mesmo que eu.
Estranho. Lembro-me de ter desmaiado dentro do banheiro feminino.
...
Ou ele é gay, ou estava acompanhado de uma mulher. Por mais repugnante que seja ambas as opções, a segunda é mais preferível.
Ignorei isso e em alguns segundos de silêncio, a campainha tocou.
Ele me olhou e disse:
– Fique aí.
Rapidamente ele se levantou e foi abrir a porta.
Como eu sou uma garota obediente, o segui e o que vi me assustou um pouco.
Lá fora havia um Eric com uma cara nem um pouco satisfeita.
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