Good Night Sweetie
5 Sussurro da Noite
Jennifer conseguira voltar para o seu acampamento horas depois. Porém, em vez de estar feliz, estava triste. Sua professora ao vê-la, não agradeceu, apenas brigou com ela e disse furiosamente que estava preocupada e que havia ligado para os pais dela, e que eles também estavam furiosos. Todos os seus colegas a encararam o resto do dia inteiro, murmurando e sussurrando coisas que Jennifer não queria ouvir. Ela pensou que iriam recebê-la bem, que sentiriam saudades dela, que seus amigos viriam abraçá-la e disserem: "Nós estávamos preocupados com você!" . Seus pais, deviam estar chorosos, com medo de que ela se machucasse na floresta, mas por que estavam bravos? Jennifer não entendia. Jennifer não entendia o que havia acontecido. A pequena garotinha ruiva desejou profundamente sair daquilo, desviar dos olhares furiosos, fugir dos murmúrios. Ela repensou e pensou, se queria realmente voltar pra casa...
_ Ei, Tina... Por que não ficou na floresta? Combina com o bicho do mato que você é! Há há há há! — os meninos começaram a rir e zombar dela. E logo, suas amigas começaram a rir também.
_ ... — ela permaneceu em silêncio, sentiu que começaria a chorar, e não pararia. Por que não se preocuparam? Por que não sorriram quando ela voltou? Ela não era amada como pensara? Jennifer... não era a pessoa que achava que era? — eu preferiria... — murmurou. — para eu não ter que aturar animais como vocês!
Ela se levantou e correu rapidamente para a sua barraca, que ainda estava montada. Fechou o zíper e se encolheu no cobertor, e começou a chorar logo depois. Ainda estava vestindo o casaco que Lunatic a dera, mas quem lembraria, numa situação dessas...
_ ... eu não quero ficar aqui... — ela murmurou entre lágrimas. — ... eu não quero voltar mais pra casa... meus amigos... não são mais meus amigos... eu... eu não quero mais ficar aqui com eles!
A noite caiu, e Jennifer adormeceu depois de derramar tantas lágrimas. Não demorou tanto para a meia-noite vir, e Jennifer acordou ao ouvir alguns ruídos em volta de sua barraca. Percebeu que uma sombra movia-se rapidamente.
_ Quem está aí? — murmurou.
A sombra parou em frente a barraca, o que fez Jennifer tremer.
_ "Eu sou um sonho... que nunca existiu..." — respondeu a sombra, baixo, e em tom grave.
_ ... essa voz... — ela arregalou os olhos. — você...
_ ... — a sombra permaneceu em silêncio. — Era isso que você queria, Jennifer Albarn? ... — a sombra disse um pouco mais alto, com uma voz gélida e sedutora.
_ Lunatic... — a garota parecia surpresa, e abriu rapidamente a barraca, se deparando com um homem alto, com uma cartola negra e um terno rasgado, com luvas manchadas de algo vermelho, e com olhos gélidos azuis, que a olhavam de um jeito confuso, que ela não poderia entender. — Lunatic!
_ ... Eu ouvi sua voz... implorando... com medo dessas pessoas... seu medo... — ele a pegou pelas bochechas firmemente, mais uma vez, como no dia anterior em que se conheceram. — ... é chamativo.
_ ... Você veio... — seus olhos se encheram de lágrimas.
_ ... Por mil luas, um simples humano me faz sofrer... e ainda me faz vir até aqui. Francamente... — ele soltou um leve sorriso. — Imperdoável...
_ ... — ela limpou as lágrimas e o abraçou confortavelmente.
_ ... O que é isso? Não é como se eu gostasse de você... — Lunatic tossiu e a olhou. — ...já sei, você vai me disser:"me tire daqui" não?
_ ... Sim, Lunatic... por favor...
_ ... "seu desejo é uma ordem" ... — ele a pegou no colo e desapareceu por entre a escuridão. Realmente. A vida daquela garotinha havia mudado. Tudo que conhecera, amigos, família, havia acabado. O que ela queria viver agora era apenas uma, e apenas uma coisa: ficar com Lunatic, para todo o sempre. Mesmo que ele fosse, apenas um amigo, quer real quer imaginário. Ele era sua salvação.
Por fim, ele havia percebido que seu destino era com aquela garotinha ruiva que acabara de conhecer desajeitadamente. Mas o que iria fazer depois ainda era um mistério para ambos. O que seria dela se seus irmãos descobrissem? E o que seria dele se se separasse dela? E o que seria dele... se ela... falecesse?
Perguntas, muitas perguntas rodavam na cabeça dos dois, a menina logo se esqueceu pois estava feliz, mas ele, não. Os pensamentos o torturavam, e torturavam cada vez mais. É isso o que o amor faz, te deixa feliz, mas o tortura com a possibilidade da grande dor da separação. Ele sabia que ela morreria antes dele, e que ele ficaria sozinho. Ele pensou se gostar de um humano seria melhor do que não gostar, mas não poderia responder a essa pergunta. Perguntas batiam em sua cabeça e a rachavam. Perguntas sem resposta. Perguntas sem fim. O amor acabaria? Se sim, se não, ele não sabia. Eles iriam se separar? Ela iria morrer? Ele iria ficar sozinho? Perguntas que calavam sua boca, e a amargavam, era o seu único sofrimento agora... um sofrimento bom ou ruim, quem sabe... mas uma coisa ele poderia afirmar: "Sofrer por alguém, é melhor do que sofrer por nada"
O que o futuro preparava para ambos ainda era incerto. Se seria bom ou ruim ninguém poderia dizer. Escolhas, muitas escolhas... se eles escolheriam a certa ou a errada, só eles mesmos poderiam julgar. Mas o que importa agora, é que eles se uniram, e essa escolha foi definitiva. O destino deles ainda não foi definido, mas o que é certo é que apenas com essa simples escolha... que a história se inicia...
E pode alguém mudar essa conclusão? Nem eles mesmos, com todas as forças de vontade possíveis, depois que uma escolha é feita... nada mais pode ser alterado... O que foi escolhido foi escolhido não há como mudar... agora que as consequências irão vir... veremos a seguir... brevemente... iremos saber...
"Tudo depende de simples escolhas... e eu escolhi você, Jennifer Albarn."
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