Good Night Sweetie
6 O devorador de sonhos: Fear
_ Onde está Lunatic? — Fear perguntou com um tom de voz sombrio e frio. Estava sentado à mesa ainda, batendo um garfo impacientemente nela.
_ ... Eu não o vi o dia inteiro... — Um garoto de cabelos castanhos desgrenhados, com olhos também castanhos, que pareciam observar tudo disse. Tinha a mesma roupa que todos, só que com a gravata um pouco mais frouxa, aparentemente odiava usá-las.
_ ... — um garoto ruivo, sentado ao lado do outro, com roupas mais rasgadas que os outros, e olhos cansados de tom amarelo escuro ficou em silêncio. Mas de qualquer modo não podia falar, pois estava com a boca enfaixada por algo que parecia ser fita crepe.
_ Jin? — Fear encarou o ruivo, aparentemente esse era o nome dele.
_ ... — ele fez um sinal com as mãos, e depois deu de ombros.
_ ... eu também não... — Monster suspirou. — Mas eu não me importo... se ele fugiu, não é problema meu. Quero mais é que apodreça no mundo dos humanos!
_ Calados! — Fear afundou o garfo na mesa, o que provocou silêncio. — Estão dispensados... — suspirou e se levantou.
Fear não estava nada feliz. Subiu as escadas e se trancou no seu quarto. Ele tirou suas vestimentas e foi até o banheiro. A banheira estava cheia de sangue. o Banheiro inteiro estava exalando um cheiro horrível na verdade. Mas ele apenas entrou na banheira e fechou os olhos. Era como um relaxamento pra ele.
_ ... eu preciso... de uma família perfeita... — murmurou com sua voz fraca e sem emoção. — eu quero... a felicidade perfeita...
Para Fear, sua família era imperfeita. Lunatic tinha sentimentos, Jin e Teddy eram inúteis para ele, e Monster... Monster era apenas sua única esperança...
_ ... mas... esperança... não existe. — ele abriu os olhos frios e sem expressão.
Monster era sua marionete. Havia o criado perfeitamente. E por causa disso Monster o amava muito, de verdade. Mas era isso que Fear mais odiava, "amor". Fear não possuía um coração, estava morto. Mas Monster tinha, e tinha um possivelmente maior que o de Lunatic. Pois Monster amava muito Fear, mesmo que dissesse que o odiasse, ele continuaria o amando da mesma forma. Mas Fear não compreendia. Amor, sentimentos, emoções, expressões, viver. Tudo isso para ele não fazia sentido.
O que era amor? E como se expressava?
_ Não faz sentido... — ele olhava para o teto se perguntando isso. Mas ele não compreendia. — ... por que as pessoas têm isso? ... Para que serve? Se todas pensam em si mesmo por que há amor? Sua existência... é irrelevante... tanto para mim, quanto para os humanos...
Fear saiu da banheira e se enrolou numa toalha, logo depois se vestiu e e jogou na cama.
_ ... O que está acontecendo comigo? ... Me sinto mais infeliz do que o normal hoje... Deve ser por causa que Lunatic arruinou a estrutura dessa família mais ainda... — ele suspirou e se encolheu. — Mas... o que é felicidade? Eu... desconheço essa emoção...
Monster estava a porta o observando como sempre fazia. Entristecia-se sempre que o via nessa situação. Porém, nada que dissesse ou fizesse iria melhorá-lo. Nada.
_ ... talvez meu objetivo seja apenas descobrir o que é essa felicidade... mas... isso é tão inútil pra mim quanto respirar... — ele fechou os olhos. — eu só quero... que tudo acabe... para eu descansar em paz...
"O Amor não importa, não preciso de expressão para continuar vivendo, o que eu quero é descansar, estou farto desse mundo podre em que os humanos vivem e que eu tenho que compartilhar também... Me sinto intocável, inalcançável, mas eu prefiro ficar sozinho do que ao redor de outras pessoas, mesmo a minha família quebrada. Somos imperfeitos, mas eu irei atingir a perfeição, eu... não vou me sentir infeliz quando alcançar esse objetivo... eu... vou ser quem eu quero ser..." Foi isso que pensava, Fear. O pobre garoto frio, era apenas infeliz e carente. Como suprir isso, ainda era mistério, mas, e seu objetivo? Ele tinha razão sobre ele? Alcançar a perfeição, ser como um boneco, iria o fazer feliz?
_ ... isso... vai te fazer feliz, Fear? — Monster murmurava, encostado na porta. Então, abaixou a cabeça e pensou. — ...eu... não sou necessário?
Então lágrimas pingaram no assoalho de madeira velha, e Monster percebeu, o verdadeiro significado da sua existência...
"Sou apenas... uma marionete... usado para satisfazê-lo..."
E Monster chorou. Seu coração, havia se partido, e não haveria como reconsertá-lo.
Seus sonhos, haviam acabado. Pra sempre.
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