Good Night Sweetie
4 Despedida
Era manhã, cinco horas e um minuto e algum par de segundos rodavam. A pequena Jennifer ainda estava adormecida, e ao seu lado estava Lunatic, alguns fios de cabelos, ou melhor, tufos foram retirados de sua cabeça por ele mesmo. Ele estava cansado e confuso com suas próprias ações; Talvez fosse uma punição divina, ou talvez, ele era apenas um masoquista nojento e estranho que gosta de se auto-torturar.
_ ... Certo, já é de manhã... é só.... só.... eu me livrar dela, e minha vida voltará ao que era antes, perfeito. — ele se levantou e balançou-a.
_ Hn? — ela abriu lentamente os olhos e o observou, por fim se sentou na cama e abriu um lindo sorriso.
_ ... Por que está sorrindo? Hoje você vai embora... Não me diga que gostou de dormir aqui... — ele fez uma cara assustadora.
_ Você... passou a noite aqui? — ela perguntou na maior alegria do mundo.
_ Não. — ele fechou os olhos — eu tenho outras coisas pra fazer além de ser babá de uma humana...
_ ... Então, por que seu cabelo está bagunçado?
_ ... Problemas capilares... — ele tossiu.
_Mentiroso.
_ ... Não tenho tempo pra discutir com você! Vamos... — ele abriu a janela e o vento frio da manhã entrou sem piedade no quarto. — Você deve sair desse território o mais rápido possível e--
Sem pensar, a pequena garotinha abraçou-o de modo doce e puro, como uma criança faria depois de ser ajudada.
_ Obrigada, Lunatic... — ela o olhou e sorriu.
_ ... — ele ficou em um estado de choque, o sentimento de ser abraçado fez com que suas bochechas ficassem avermelhadas, e sua boca, sem palavras. Naturalmente ele a empurraria, mas o que saiu foi apenas um leve, porém bastante expressivo sorriso. — vá... você precisa voltar pra casa... — conseguiu dizer bem baixinho
_ ... Nós... nunca vamos nos ver de novo... não é? ... Você foi tão legal... deixando uma criança estranha entrar na sua casa e dormir aqui... eu... nunca vi alguém agindo assim com um estranho... — ela sorriu.
_ ... Agradeço os elogios, mas sim... nunca mais nos veremos... — ele a pegou no colo e saltou da janela, caindo perfeitamente no chão. — ... adeus, Jennifer Albarn... — ele a colocou no chão e assentiu com a cabeça, como despedida. — é só seguir em frente, vai ver uma estrada e depois é só seguir reto...
_ ...entendi... — ela murmurou.
_ ... Leve isso.. — ele tirou seu casaco e pôs nela. — ... se não vai ficar resfriada... não que eu me importe... — ele tossiu.
_ .... obrigada... — ela sorriu. — até! — ela começou a andar na direção indicada.
_ Idiota... — murmurou. — Não diga "até" se não vai encontrar... uma pessoa novamente... — ele a observou partir, com um sentimento estranho no peito, algo semelhante a dor. — ... humanos... tão... esperançosos... tão... irritantes... — ele se virou de costas e se preparou pra voltar pra casa quando ouviu ela gritar
_ Prometa! Vamos nos encontrar de novo!
_ ... — ele parou por um instante, estava com os olhos arregalados. -... — ele permaneceu em silêncio, mas para si, havia murmurado um: "eu prometo" , mal sabia ele, que tinha um coração, e que sentia tal afinidade por aquela simples garotinha ruiva, que conhecera a tão pouco tempo de maneira tão desajeitada. — ... eu... não gosto de você... pra prometer isso... adeus...
A pequena garotinha parou no meio do caminho, pensou em sua mãe e seu pai e seus amigos na escola. Ela pensou sobre a relação confusa que criara com Lunatic, e pensou o que deveria fazer se não o visse mais... e pensou também o que deveria fazer se o encontra-se novamente. Pensamentos, diferentes de sonhos, te prendem no mundo real. Fazem você criar problemas inexistentes. Fazem você sofrer com escolhas. Mas, como uma simples criança iria pensar tão complexamente assim? ... Então, a única coisa que fez foi continuar o caminho de volta pra casa que fora indicado... por agora, apenas um amigo imaginário, que nunca fez parte de sua vida. E que nunca vai entrar na mente dela...
_ É isso o que humanos fazem... esquecem. Depois de algum tempo, ela irá se esquecer de tudo isso... então, não vou ter mais problemas...
Foi isso que Lunatic havia pensado. Mas não sabia ele também, que um incômodo em seu peito ficaria, até que a encontrasse novamente. Lunatic podia pensar que não possuía um coração que fosse capaz de amar, ou sentir. Mas isso, porque apenas conviveu com seus irmãos, que tinham o mesmo pensamento que ele. Ele poderia pensar qualquer coisa, que tivesse sido libertado de uma maldição, que essa punição fora inútil, que estava livre... Mas, será esse seu verdadeiro sentimento?
_ ... Eu... estou livre agora... minha vida, não foi estragada... tudo... vai voltar ao normal agora... — ele murmurou. — tudo... — ele observou Fear o encarar, com os olhos gélidos e sem emoção. Ele o encarou de volta e assentiu com a cabeça. Tudo estava normal.
_ Está triste? — Monster apareceu nas escadarias.
_ ... Isso te importa?
_ ... Eu posso ver em seus olhos... que está sofrendo... por que?
_ ... Eu já disse que não importa... — ele passou por ele e foi até a biblioteca. — Você não tem mais outra coisa para fazer?
_ ... está muito anormal hoje, Lunatic... e não acho que foi "veneno" ... — Monster riu.
_ ... cala essa boca...
_ ... — Fear apenas observou de lá de cima, estava analisando cada coisa que acontecera naquele dia; sabia que tinha alguma coisa errada, e se fosse resolver por si mesmo, descobriria rapidamente.
_ ... O que vai fazer, Fear?
_ ... Por enquanto... nada.
_ ... você é muito bonzinho com ele... — Monster murmurou, furioso.
_ ... Sofrendo? ...Triste? ... Não... não... me despedir da humana foi a coisa que mais me alegrou... tch... — ele fechou os olhos. — eu NÃO gosto de humanos. — ele abriu lentamente os olhos, e eles brilharam. — eu... — ele percebeu então que lágrimas estavam escorrendo daqueles gélidos olhos azuis. — não... gosto...
"de humanos..."
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