Good Night Forever

8 Morta de tédio parte 2


Notas iniciais
Quem aposta mais? Eu aposto que ganho todas, então... vamos brincar?

Todos na mesa a observavam, o que havia aberto a porta a observava, mas ninguém falou um A sobre ela estar lá até que um espanhol que provavelmente usava peruca, deveria ser careca e estava sentado ao lado da Evening, parecia ser o único que não gostava da ideia e era o menos sóbrio da mesa.

— Mira ¡la princessita quieres jugar con nosotros! Disse o espanhol rindo e os outros começaram a rir junto. (Olha, a princesa quer jogar conosco).

— No cara pelado, yo voy a ganar de tú. ¿ compreendes? ( Não careca, eu vou ganhar de você).

Evening em uma sacada rápida passou a mão em sua perna e o olhou com olhar insinuante, ele olhou para sua perna, depois para ela e apenas disse uma coisa antes de todos jogarem.

— ¡Yo lo quiero ver chica! (Eu quero ver).

Evening podia muito bem traduzir o que ele dizia, mas sua voz era tão engraçada que não poderia fazer tal coisa, se não riria a noite toda e nem se quer jogaria. Sem contar que perto de criminosos mesmo não tão perigosos como ela era preciso ter pelo menos um pouco de discrição e naturalidade.

Ela perdeu a primeira partida de propósito para ganhar a confiança deles, bebeu um pouco do whisky do espanhol e o mesmo lhe perguntou algo sem um pingo de agressividade.

—¿Tú no dijo que haría ganar chica?(Você não disse que iria ganhar?).

— Sí cara pelado, yo estoy apenas aquecendo me. (Sim careca, eu estou apenas esquentando).

— ¿ “AQUECENDO”, es brasileña? (“AQUECENDO”, é brasileira?).

— Sí.perdón, hay veces me olvido de La lengua. (Sim. Perdão, há momentos que eu esqueço da língua).

Na rodada seguinte ela estava com poucas chances e deixou o alemão que estava de frente para ela pensar que iria ganhar, mas nos últimos instantes ela ganhou o jogo.

— É trapaça, você trapaceou... Só pode. Disse o alemão de olhos azuis cintilantes em um português enrolado, porém compreensível.

Na rodada seguinte não deu chance para nenhum deles ganhou logo de cara, era uma das raras vezes em que tinha sorte e não estratégia, então aproveitou o mais rápido possível antes que acabasse.

— Onde aprendeu a jogar assim? Perguntou um sueco, o mesmo que havia aberto a porta para ela.

— Com meu ex marido. Disse Evening roubando o charuto da boca do espanhol e tragando uma vez.

— ¿Enton es soltera? (Então é solteira?)

— Sim, e muito rica... Falando nisso, não querem jogar uma valendo uma grana não?

Todos se olharam e riram de Evening.

— Nós jogamos desse modo, mas você não apostaria o tanto que apostamos por rodada. Disse o inglês sentado ao seu lado.

— Quanto?

— 1 milhão por vez. Disse o italiano

Aliás, Evening não havia escutado sua voz até aquele momento. Os outros não paravam de falar, mas o italiano não havia aberto a boca para conversar, estava concentrado no jogo, de chapéu baixo, apenas abria a boca para tomar um gole ou outro de whisky. Era negro e tinha os olhos bem escuros, parecia ser um tanto gordo e usava um terno que parecia não lhe cair adequadamente.

— Nesse caso aposto dois milhões para vocês pararem de brincadeiras e começarmos a jogar. Disse Evening assinando um cheque em nome de Penélope Rocha ******** e colocando sobre a mesa.

A partida começou com todos sérios, qualquer um poderia ganhar, todos estavam muito sérios e concentrados na partida, a única calma era Evening, pois o jogo mal havia começado e a sorte havia lhe ajudado novamente. O jogo foi passando e a tensão foi aumentando, mas Evening ainda estava calma e momentos depois ganhou o jogo.

Jogaram mais duas partidas e Evening ganhou as duas seguintes também, já era quase seis horas da manhã quando a última partida acabou, os homens já estavam realmente bêbados e raivosos por estarem com seus seis milhões nas mãos de uma estranha qualquer. Assim que Evening anunciou a vitória, todos se revoltaram de vez, Pegaram cada um suas armas e apontaram para Evening, exceto o italiano que continuava sentado fumando seu cigarro.

— Diz pra gente, onde estão as cartas escondidas?

–— Onde você as escondem? No sutiã?

Evening abaixou a cabeça.

— Se não se importam... Disse Evening pegando um cigarro do maço que estava sobre a mesa, ela acendeu e deu uma longa tragada.

— Chica, no “brinque” con nosotros. ( Garota, não “brinque” conosco)

— Se a senhora não sabe senhora riquinha, nós somos bandidos procurados.

— Ohh meu Deus! Disse Evening novamente com seu riso irônico.

Evening atirou na perna dos dois mais próximos dela por debaixo das toalhas que cobriam a mesa e dificultava a visibilidade de uma arma, assim que atirou levantou a arma e atirou nas mãos do alemão e sueco. Todos caíram, pois não era uma bala de verdade era um tranquilizante fortíssimo.

— Vocês bandidos... E eu assassina.

Assim que disse essas palavras levou um susto, havia se esquecido do italiano. Voltou-se para trás e o encontrou do jeitinho que estava anteriormente, ele acabara de fumar o cigarro e estava colocando o toco no cinzeiro ao seu lado.

— Você é uma criatura fascinante. Disse ele levantando a cabeça e a olhando nos olhos.

Evening atirou em seu pescoço o tranquilizante com a mesma frieza que atirava para matar, mas por dentro sua alma havia gritado, a voz daquele homem a fez gelar a espinha, isso era raro.

Passado cinco minutos o gerente e alguns funcionários foi ver o que havia acontecido, Evening aproveitou o alvoroço para sair pela saída de funcionários. Na saída deparou-se com o garoto que a havia ajudado entrando para o serviço, ela apenas sorriu alegremente e saiu.

Ela descia a esquina e quase no final recebeu uma ligação, era de um de seus informantes.

“— Então como foi, encontrou algo para se divertir?”

“— Na verdade não, eu esperava mais. Estou quase morrendo de tédio.”

Horas depois os bandidos acordaram em um dos quartos de um hotel perto do cassino, suas armas estavam perto de cada dono junto com paletó e carteiras. Um homem os observava esperando-os acordar.

— Boa tarde pessoal!

Todos pegaram suas armas e apontaram para o homem, ele riu no mesmo tom sarcástico que Evening costuma rir.

— Por favor, ao menos olhem suas armas. Disse o homem apontando para um pote de vidro sobre a mesa ao lado da poltrona onde estava sentado.

Dentro do pote havia muitas balas de calibres diferentes, todos checaram suas armas e constataram que estavam sem munição.

— Deveriam me agradecer... Eu que tirei vocês do cassino antes da policia chegar.

— Yo me recordo... La chica. (Eu me lembro... A garota).

— Sim, ela sedou a gente. Disse o inglês.

— Vou matar aquela vadia. Disse o alemão antes de xingar nomes piores.

— Ei falando nisso... alguém viu o Michael?

— Ah, estão falando de seu amiguinho italiano? Disse o homem sentado a frente deles.

— Onde ele está?

— No necrotério eu acho. Completou o pensamento o homem na cadeira.

— ¿El está muerto?

— Impossível!

— Sim, e foi a sua “amiguinha” que o matou. Disse o misterioso com um sorriso de lado.

— Agora sim eu mato ela mesmo, eu juro. Disse o Alemão.

— Bem, ela é bem difícil de achar meus companheiros. Disse o homem se levantando – Mas eu posso ajudar a encontra-la. Ele jogou um envelope de papel sobre o espanhol

— Evening?! Disse o sueco olhando o envelope já aberto.

— Sim, ela é seu alvo. Aliás, eu não me apresentei, podem me chamar de Alex.

Notas finais
Continua....